{"id":3490,"date":"2020-09-15T05:29:40","date_gmt":"2020-09-15T05:29:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3490"},"modified":"2020-09-15T05:29:42","modified_gmt":"2020-09-15T05:29:42","slug":"exoplanetas-ricos-em-carbono-podem-ser-feitos-de-diamantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/09\/15\/exoplanetas-ricos-em-carbono-podem-ser-feitos-de-diamantes\/","title":{"rendered":"Exoplanetas ricos em carbono podem ser feitos de diamantes"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/hmZ4mq1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"685\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/hmZ4mq1-1024x685.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3491\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/hmZ4mq1-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/hmZ4mq1-300x201.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/hmZ4mq1-768x514.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/hmZ4mq1-110x75.jpg 110w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/hmZ4mq1.jpg 1119w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o de um planeta rico em carbono com diamante e s\u00edlica como minerais principais. A \u00e1gua pode converter um planeta de carboneto num planeta rico em diamantes. No interior, os principais minerais seriam diamante e s\u00edlica (camada com cristais na imagem).O n\u00facleo (azul escuro) poderia ser uma liga de ferro-carbono.<br>Cr\u00e9dito: Shim\/Universidade Estatal do Arizona\/Vecteezy<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que miss\u00f5es como o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, TESS e Kepler da NASA continuam a fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre as propriedades dos exoplanetas (planetas em torno de outras estrelas), os cientistas s\u00e3o cada vez mais capazes de descobrir o aspeto destes planetas, a sua composi\u00e7\u00e3o e se podem ser habit\u00e1veis ou mesmo habitados.<\/p>\n\n\n\n<p>Num novo estudo publicado recentemente na revista The Planetary Science Journal, uma equipa de investigadores da Universidade Estatal do Arizona e da Universidade de Chicago determinou que alguns exoplanetas ricos em carbono, dadas as circunst\u00e2ncias certas, podem ser feitos de diamantes e s\u00edlica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estes exoplanetas s\u00e3o diferentes de tudo no nosso Sistema Solar,&#8221; disse o autor principal Harrison Allen-Sutter da Escola de Explora\u00e7\u00e3o da Terra e do Espa\u00e7o da Universidade Estatal do Arizona.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria diamante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando as estrelas e os planetas se formam, fazem-no a partir da mesma nuvem de g\u00e1s, de modo que as suas composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o semelhantes. Uma estrela com uma propor\u00e7\u00e3o carbono para oxig\u00e9nio mais baixa ter\u00e1 planetas como a Terra, compostos de silicatos e \u00f3xidos com um conte\u00fado muito pequeno de diamante (o conte\u00fado de diamante da Terra \u00e9 de cerca de 0,001%).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os exoplanetas em torno de estrelas com uma propor\u00e7\u00e3o de carbono para oxig\u00e9nio mais alta do que o nosso Sol t\u00eam maior probabilidade de serem ricos em carbono. Allen-Sutter e os coautores Emily Garhart, Kurt Leinenweber e Dan Shim da Universidade Estatal do Arizona, com Vitali Prakapenka e Eran Greenberg da Universidade de Chicago, levantaram a hip\u00f3tese de que estes exoplanetas ricos em carbono podiam converter-se para diamante e silicato, caso a \u00e1gua (que \u00e9 abundante no Universo) estivesse presente, criando uma composi\u00e7\u00e3o rica em diamantes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/aErvAk3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/aErvAk3.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Um planeta de carbono inalterado (esquerda) transforma-se de um manto dominado por carboneto num manto dominado por s\u00edlica e diamante (direita). A rea\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m produz metano e hidrog\u00e9nio.<br>Cr\u00e9dito: Harrison\/Universidade Estatal do Arizona <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Bigornas&#8221; de diamante e raios-X<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para testar esta hip\u00f3tese, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o precisava de imitar o interior de exoplanetas de carboneto usando alta temperatura e alta press\u00e3o. Para tal, usaram c\u00e9lulas de bigorna de diamante de alta press\u00e3o no Laborat\u00f3rio para Materiais Terrestres e Planet\u00e1rios do coautor Shim.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, imergiram carboneto de sil\u00edcio em \u00e1gua e comprimiram a amostra entre os diamantes a uma press\u00e3o muito alta. De seguida, para monitorizar a rea\u00e7\u00e3o entre o carboneto de sil\u00edcio e a \u00e1gua, realizaram um aquecimento a laser no Laborat\u00f3rio Nacional Argonne, no estado norte-americano do Illinois, obtendo medi\u00e7\u00f5es de raios-X enquanto o laser aquecia a amostra em altas press\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Como previram, com alta temperatura e press\u00e3o, o carboneto de sil\u00edcio reagiu com a \u00e1gua e transformou-se em diamantes e s\u00edlica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Habitabilidade e inabitabilidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, n\u00e3o encontr\u00e1mos vida noutros planetas, mas a busca continua. Os cientistas planet\u00e1rios e os astrobi\u00f3logos est\u00e3o a usar instrumentos sofisticados no espa\u00e7o e na Terra para encontrar planetas com as propriedades certas e a localiza\u00e7\u00e3o certa em torno das suas estrelas onde a vida poderia existir.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para os planetas ricos em carbono, que s\u00e3o o foco deste estudo, provavelmente n\u00e3o t\u00eam as propriedades necess\u00e1rias para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a Terra seja geologicamente ativa (um indicador de habitabilidade), os resultados deste estudo mostram que os planetas ricos em carbono s\u00e3o demasiado r\u00edgidos para serem geologicamente ativos e esta aus\u00eancia de atividade geol\u00f3gica pode tornar a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica inabit\u00e1vel. As atmosferas s\u00e3o cr\u00edticas para a vida, pois fornecem-nos ar para respirar, prote\u00e7\u00e3o do ambiente hostil do espa\u00e7o e at\u00e9 mesmo press\u00e3o para permitir \u00e1gua no estado l\u00edquido.0<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Independentemente da habitabilidade, esta \u00e9 uma etapa adicional para nos ajudar a compreender e a caracterizar as nossas observa\u00e7\u00f5es cada vez mais detalhadas dos exoplanetas,&#8221; disse Allen-Sutter. &#8220;Quanto mais aprendermos, melhor seremos capazes de interpretar novos dados de miss\u00f5es futuras como a do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb e do Telesc\u00f3pio Nancy Grace Roman, para entender os mundos para l\u00e1 do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/asunow.asu.edu\/20200909-carbon-rich-exoplanets-may-be-made-diamonds\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/PSJ\/abaa3e\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Planetary Science Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2005.03175\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diamante:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Diamond\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Diamond_anvil_cell\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Bigorna&#8221; de diamante (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/roman.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nancy_Grace_Roman_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustra\u00e7\u00e3o de um planeta rico em carbono com diamante e s\u00edlica como minerais principais. 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