{"id":3474,"date":"2020-09-08T05:20:22","date_gmt":"2020-09-08T05:20:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3474"},"modified":"2020-09-08T05:20:32","modified_gmt":"2020-09-08T05:20:32","slug":"surpresa-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/09\/08\/surpresa-em-marte\/","title":{"rendered":"Surpresa em Marte"},"content":{"rendered":"\n<p> A miss\u00e3o InSight da NASA fornece dados da superf\u00edcie de Marte. O seu sism\u00f3metro, equipado com componentes eletr\u00f3nicos constru\u00eddos no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurique), n\u00e3o regista apenas sismos marcianos, mas tamb\u00e9m reage inesperadamente aos eclipses solares. Quando a lua marciana Fobos se move em frente do Sol, o instrumento inclina-se ligeiramente para um lado. Este efeito min\u00fasculo pode ajudar os investigadores a determinar o interior do planeta. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/6miLMuj.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"930\" height=\"465\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6miLMuj.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3475\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6miLMuj.jpg 930w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6miLMuj-300x150.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6miLMuj-768x384.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6miLMuj-660x330.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 930px) 100vw, 930px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o da lua Fobos a orbitar Marte.<br>Cr\u00e9dito: jihemD\/Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um observador em Marte veria a lua Fobos do planeta cruzar o c\u00e9u de oeste para este a cada cinco horas. A sua \u00f3rbita passa entre o Sol e qualquer ponto em Marte cerca de uma vez a cada ano terrestre. De cada vez que o faz, provoca um a sete eclipses solares no espa\u00e7o de tr\u00eas dias. Um local onde isto acontece \u00e9 no local de pouso do m\u00f3dulo InSight da NASA, estacionado na regi\u00e3o de Elysium Planitia desde novembro de 2018. Por outras palavras, o fen\u00f3meno ocorre com muito mais frequ\u00eancia do que na Terra, quando a nossa Lua passa em frente do Sol. &#8220;No entanto, os eclipses em Marte s\u00e3o mais curtos &#8211; duram apenas 30 segundos e nunca s\u00e3o eclipses totais,&#8221; explica Simon St\u00e4hler, sism\u00f3logo do Instituto de Geof\u00edsica do ETH Zurique. Fotos obtidas por dois rovers da NASA, Opportunity e Curiosity, tamb\u00e9m mostram a forma irregular da lua contra o plano de fundo do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>As fotografias n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica forma de observar estes tr\u00e2nsitos. &#8220;Quando a Terra passa por um eclipse solar, os instrumentos podem detetar uma descida na temperatura e rajadas r\u00e1pidas de vento, \u00e0 medida que a atmosfera arrefece num determinado local e o ar &#8216;foge&#8217; dessa zona,&#8221; explica St\u00e4hler. Uma an\u00e1lise dos dados do InSight dever\u00e1 indicar se efeitos semelhantes tamb\u00e9m s\u00e3o detet\u00e1veis em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c0 espera de 24 de abril de 2020<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 2019, a primeira s\u00e9rie de eclipses solares foi vis\u00edvel a partir do local de aterragem do InSight, mas apenas alguns dos dados registados foram guardados. As indica\u00e7\u00f5es iniciais levaram St\u00e4hler e uma equipa internacional de investiga\u00e7\u00e3o a se preparar animadamente para a pr\u00f3xima s\u00e9rie de eclipses, prevista para 24 de abril de 2020. Publicaram os resultados das suas observa\u00e7\u00f5es em agosto na revista Geophysical Research Letters.<\/p>\n\n\n\n<p>Como esperado, as c\u00e9lulas solares do InSight registaram os tr\u00e2nsitos. &#8220;Quando Fobos est\u00e1 em frente do Sol, menos luz solar atinge os pain\u00e9is solares e estes, por sua vez, produzem menos eletricidade,&#8221; explica St\u00e4hler. &#8220;Pode ser medido o decl\u00ednio de exposi\u00e7\u00e3o solar provocado pela sombra de Fobos&#8221;. De facto, a quantidade de luz solar diminuiu 30% durante um eclipse. No entanto, os instrumentos meteorol\u00f3gicos do InSight n\u00e3o indicaram mudan\u00e7as atmosf\u00e9ricas, e os ventos n\u00e3o mudaram conforme o esperado. Ainda assim, outros instrumentos forneceram uma surpresa: tanto o sism\u00f3metro quanto o magnet\u00f3metro registaram um efeito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sinal invulgar do sism\u00f3metro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O sinal do magnet\u00f3metro \u00e9 provavelmente devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o na eletricidade das c\u00e9lulas solares, como Anna Mittelholz, uma adi\u00e7\u00e3o recente \u00e0 equipa de Marte do ETH Zurique, foi capaz de mostrar. &#8220;Mas n\u00e3o esper\u00e1vamos esta leitura do sism\u00f3metro; \u00e9 um sinal invulgar,&#8221; diz St\u00e4hler. Normalmente, o instrumento &#8211; equipado com componentes eletr\u00f3nicos constru\u00eddos na Su\u00ed\u00e7a &#8211; indicaria sismos no planeta. At\u00e9 agora, o servi\u00e7o de sismos marcianos, liderado por John Clinton e Domenico Giardini no ETH Zurique, registou cerca de 40 terremotos convencionais, o mais forte dos quais registou uma magnitude de 3,8, bem como v\u00e1rias centenas de sismos regionais e superficiais.<\/p>\n\n\n\n<p>O que foi surpreendente durante o eclipse solar foi que o sism\u00f3metro se inclinou ligeiramente numa dire\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. &#8220;Esta inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 incrivelmente pequena&#8221;, observa St\u00e4hler. &#8220;Imagine uma moeda; agora, coloque dois \u00e1tomos de prata num dos lados da moeda. \u00c9 dessa inclina\u00e7\u00e3o que falamos, 10<sup>-8<\/sup>&#8220;. Por mais leve que este efeito tenha sido, ainda era inconfund\u00edvel. &#8220;A explica\u00e7\u00e3o mais \u00f3bvia seria a gravidade de Fobos, semelhante ao modo como a Lua da Terra provoca as mar\u00e9s,&#8221; explica St\u00e4hler, &#8220;mas rapidamente descart\u00e1mos isto&#8221;. Se fosse essa a explica\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o o sinal do sism\u00f3metro estaria presente por um longo per\u00edodo de tempo e a cada cinco horas quando Fobos fizesse a sua passagem, n\u00e3o apenas durante os eclipses. Os investigadores determinaram a causa mais prov\u00e1vel da inclina\u00e7\u00e3o: &#8220;Durante um eclipse, o solo arrefece. Deforma-se de maneira desigual, o que inclina o instrumento,&#8221; diz Martin van Driel, do grupo de investiga\u00e7\u00e3o de Sismologia e F\u00edsica das Ondas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia22959-1041.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/heDAN0A.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Se a lua Fobos obscura o Sol, o sism\u00f3metro inclina-se para o lado, uma inclina\u00e7\u00e3o incrivelmente min\u00facula, e regista assim o tr\u00e2nsito da lua em frente do Sol.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Acontece que um sensor infravermelho mediu de facto um arrefecimento de dois graus do solo em Marte. Os c\u00e1lculos revelaram que nos 30 segundos do eclipse, a &#8220;frente fria&#8221; poderia penetrar no solo apenas a uma profundidade micr\u00f3metros ou mil\u00edmetros, mas o efeito foi suficiente para puxar o sism\u00f3metro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Experi\u00eancias numa antiga mina de prata<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o na Terra apoia a teoria de St\u00e4hler. No Observat\u00f3rio da Floresta Negra, localizado numa mina de prata abandonada na Alemanha, Rudolf Widmer-Schnidrig descobriu um fen\u00f3meno semelhante: durante um teste de sism\u00f3metro, algu\u00e9m se esqueceu de apagar a luz. O calor emitido por uma l\u00e2mpada de 60 watts foi aparentemente suficiente para aquecer a camada superior de granito bem abaixo do solo, de modo que se expandiu ligeiramente e fez com que o sism\u00f3metro se inclinasse ligeiramente para um lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas devem ser capazes de usar o min\u00fasculo sinal de inclina\u00e7\u00e3o de Marte para mapear a \u00f3rbita de Fobos com mais precis\u00e3o do que era poss\u00edvel anteriormente. A posi\u00e7\u00e3o do InSight \u00e9 o local medido com mais precis\u00e3o de Marte; se os cientistas souberem exatamente a hora de in\u00edcio e fim de um tr\u00e2nsito de Fobos pelo Sol, podem calcular a sua \u00f3rbita com precis\u00e3o. Isto \u00e9 importante para futuras miss\u00f5es espaciais. Por exemplo, a JAXA (ag\u00eancia espacial japonesa) planeia enviar uma sonda \u00e0s luas de Marte em 2024 e trazer amostras de Fobos de volta \u00e0 Terra. &#8220;Para fazer isso, precisam de saber exatamente para onde est\u00e3o a dirigir-se,&#8221; diz St\u00e4hler.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que os dados orbitais precisos revelam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados precisos da \u00f3rbita de Fobos tamb\u00e9m podem lan\u00e7ar mais luz sobre o funcionamento interno de Marte. Enquanto a nossa Lua continua a ganhar momento angular e se afasta constantemente da Terra, Fobos est\u00e1 a diminuir de velocidade e gradualmente a cair de volta para Marte. Daqui a 30-50 milh\u00f5es de anos, ir\u00e1 colidir com a superf\u00edcie do planeta. &#8220;Podemos usar esta ligeira desacelera\u00e7\u00e3o para estimar qu\u00e3o el\u00e1stico \u00e9, portanto, qu\u00e3o, quente \u00e9 o interior de Marte; o material frio \u00e9 sempre mais el\u00e1stico do que o quente,&#8221; explica Amir Khan, tamb\u00e9m do Instituto de Geof\u00edsica do ETH Zurique. Em \u00faltima an\u00e1lise, os investigadores querem saber se Marte foi formado do mesmo material que a Terra, ou se diferentes componentes podem explicar porque a Terra tem placas tect\u00f3nicas, uma atmosfera densa e condi\u00e7\u00f5es que suportam vida &#8211; caracter\u00edsticas ausentes em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/ethz.ch\/en\/news-and-events\/eth-news\/news\/2020\/09\/surprise-on-mars.html\" target=\"_blank\">\/\/ ETH Zurique (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1029\/2020GL089099\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Geophysical Research Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1029\/2019JE006015\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (JGR Planets)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/something-strange-happens-on-mars-during-a-solar-eclipse\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-09-solar-eclipse-mars-affects-interior.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/insight.jpl.nasa.gov\/home.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/insight\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasainsight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A miss\u00e3o InSight da NASA fornece dados da superf\u00edcie de Marte. 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