{"id":3470,"date":"2020-09-04T05:37:07","date_gmt":"2020-09-04T05:37:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3470"},"modified":"2020-09-04T05:37:19","modified_gmt":"2020-09-04T05:37:19","slug":"um-bang-nos-detetores-ligo-e-virgo-assinala-a-mais-massiva-fonte-de-ondas-gravitacionais-ate-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/09\/04\/um-bang-nos-detetores-ligo-e-virgo-assinala-a-mais-massiva-fonte-de-ondas-gravitacionais-ate-agora\/","title":{"rendered":"Um &#8220;bang&#8221; nos detetores LIGO e Virgo assinala a mais massiva fonte de ondas gravitacionais at\u00e9 agora"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/system\/avm_image_sqls\/binaries\/131\/jpg_original\/Artists-Impression-of-Colliding-Black-Holes.jpg?1598740169\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/7hDOSNx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3471\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/7hDOSNx.jpg 600w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/7hDOSNx-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de dois buracos negros prestes a colidirem.<br>Cr\u00e9dito: Mark Myers, OzGrav<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma fus\u00e3o de um buraco negro bin\u00e1rio provavelmente produziu ondas gravitacionais iguais \u00e0 energia de oito s\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todo este vasto vazio, o Universo est\u00e1 repleto de atividade na forma de ondas gravitacionais. Produzidas por fen\u00f3menos astrof\u00edsicos extremos, estas reverbera\u00e7\u00f5es ondulam e sacodem o tecido do espa\u00e7o-tempo, como o toque de um sino c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, os investigadores detetaram um sinal do que pode ser a fus\u00e3o de buracos negros mais massiva j\u00e1 observada em ondas gravitacionais. O resultado desta fus\u00e3o \u00e9 a primeira dete\u00e7\u00e3o clara de um buraco negro de &#8220;massa interm\u00e9dia&#8221;, com uma massa entre 100 e 1000 vezes a do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>O sinal, rotulado de GW190521 e ocorrido no dia 21 de maio de 2019, foi detetado com o LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) da NSF (National Science Foundation), um par de interfer\u00f3metros id\u00eanticos com 4 km de comprimento situados nos EUA; e com o Virgo, um detetor de 3 quil\u00f3metros de comprimento na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>O sinal, que se assemelha a mais ou menos quatro aban\u00f5es, \u00e9 extremamente breve, durando menos de um-d\u00e9cimo de segundo. Pelos que os investigadores conseguem dizer, GW190521 foi gerado por uma fonte que est\u00e1 a cerca de 5 gigaparsecs de dist\u00e2ncia, quando o Universo tinha cerca de metade da sua idade, tornando-o uma das fontes de ondas gravitacionais mais distantes detetadas at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Numerical simulation of a heavy black-hole merger (GW190521)\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zRmwtL6lvIM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Quanto ao que produziu este sinal, com base num poderoso conjunto de ferramentas computacionais e de modelagem de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, os cientistas pensam que GW190521 foi provavelmente gerado por uma fus\u00e3o entre dois buracos negros com propriedades invulgares.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase todos os sinais de ondas gravitacionais confirmados at\u00e9 agora foram provenientes de uma fus\u00e3o bin\u00e1ria, ou entre dois buracos negros ou duas estrelas de neutr\u00f5es. Esta fus\u00e3o mais recente parece ser a mais massiva at\u00e9 agora, envolvendo dois buracos negros com massas de aproximadamente 85 e 66 vezes a massa do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa do LIGO-Virgo tamb\u00e9m mediu a rota\u00e7\u00e3o de cada buraco negro e descobriu que, \u00e0 medida que os buracos negros orbitavam cada vez mais pr\u00f3ximos um do outro, podiam tamb\u00e9m estar a girar sob os seus pr\u00f3prios eixos, em \u00e2ngulos que estavam foram de alinhamento com o eixo da sua \u00f3rbita. As rota\u00e7\u00f5es desalinhadas dos buracos negros provavelmente provocaram a oscila\u00e7\u00e3o das suas \u00f3rbitas, ou &#8220;precess\u00e3o&#8221;, \u00e0 medida que os dois &#8220;Golias&#8221; espiralavam um em dire\u00e7\u00e3o ao outro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/7pzrZ3g.gif\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/7pzrZ3g.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Interpreta\u00e7\u00e3o art\u00edstica da fus\u00e3o de um buraco negro bin\u00e1rio respons\u00e1vel pelo evento GW190521. Nesta anima\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7o-tempo, representado pelo tecido no qual uma imagem do cosmos est\u00e1 impressa, \u00e9 distorcida pelo sinal GW190521. As grelhas verde e laranja representam os efeitos de arrasto devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o dos buracos negros. O eixo de rota\u00e7\u00e3o dos buracos negros est\u00e3o indicados com as suas setas correspondentes. O fundo sugere um enxame estelar, um dos poss\u00edveis ambientes onde GW190521 pode ter ocorrido.<br>Cr\u00e9dito: Ra\u00fal Rubio\/Grupo Virgo de Val\u00eancia\/Colabora\u00e7\u00e3o Virgo <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O novo sinal provavelmente representa o instante em que os dois buracos negros se fundiram. A fus\u00e3o criou um buraco negro ainda mais massivo, com cerca de 142 massas solares, e libertou uma enorme quantidade de energia, equivalente a cerca de 8 massas solares, espalhada por todo o Universo na forma de ondas gravitacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isto n\u00e3o se parece muito com um chilrear, que \u00e9 o que normalmente detetamos,&#8221; diz Nelson Christensen, investigador do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique), Fran\u00e7a, comparando o sinal \u00e0 primeira dete\u00e7\u00e3o de ondas gravitacionais do LIGO em 2015. &#8220;Isto \u00e9 mais como algo que faz &#8216;bang&#8217;, e \u00e9 o sinal mais massivo que o LIGO e o Virgo j\u00e1 viram.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa internacional de cientistas, que comp\u00f5e a Colabora\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica LIGO e a Colabora\u00e7\u00e3o Virgo, relatou as suas descobertas em dois artigos publicados anteontem. Um, publicado na revista Physical Review Letters, detalha a descoberta, e o outro, na The Astrophysical Journal Letters, discute as propriedades f\u00edsicas do sinal e as implica\u00e7\u00f5es astrof\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O LIGO mais uma vez surpreende-nos n\u00e3o apenas com a dete\u00e7\u00e3o de buracos negros em tamanhos dif\u00edceis de explicar, mas tamb\u00e9m com t\u00e9cnicas que n\u00e3o foram projetadas especificamente para fus\u00f5es estelares,&#8221; diz Pedro Marronetti, diretor do programa de f\u00edsica gravitacional da NSF. &#8220;Isto \u00e9 de extrema import\u00e2ncia, pois mostra a capacidade do instrumento em detetar sinais de eventos astrof\u00edsicos totalmente imprevistos. O LIGO mostra que tamb\u00e9m pode observar o inesperado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Spacetime ripples from the most massive binary black hole merger ever observed (GW190521)\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p43sb92YOww?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Na divis\u00e3o de massa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As massas excecionalmente grandes dos dois buracos negros, bem como o buraco negro final, levantam uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre a sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os buracos negros observados at\u00e9 ao momento enquadram-se numa de duas categorias: buracos negros de massa estelar, que t\u00eam desde algumas massas solares at\u00e9 dezenas de massas solares e pensa-se serem formados quando estrelas massivas morrem; ou buracos negros supermassivos, como aquele no centro da Via L\u00e1ctea, que variam de centenas de milhares a milhares de milh\u00f5es de vezes a massa do nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o buraco negro final de 142 massas solares produzido pela fus\u00e3o GW190521 est\u00e1 dentro de uma faixa de massa interm\u00e9dia entre os buracos negros de massa estelar e os supermassivos &#8211; o primeiro do seu tipo j\u00e1 detetado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois buracos negros progenitores que produziram o buraco negro final tamb\u00e9m parecem ser \u00fanicos no seu tamanho. S\u00e3o t\u00e3o massivos que os cientistas suspeitam que um ou ambos podem n\u00e3o ter sido formados a partir do colapso de uma estrela, como acontece com a maioria dos buracos negros de massa estelar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/system\/avm_image_sqls\/binaries\/133\/jpg_original\/LIGO-Virgo-Black-Hole-Mergers.jpg?1598911853\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/DG94YtQ.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> O LIGO e o Virgo observaram a sua maior fus\u00e3o de buracos negros at\u00e9 \u00e0 data, um evento chamado GW190521, no qual um buraco negro final de 142 massas solares foi produzido. Este gr\u00e1fico compara o evento com outros testemunhados pelo LIGO e pelo Virgo e indica que o remanescente da fus\u00e3o de GW190521 cai na categoria conhecida como buraco negro de massa interm\u00e9dia &#8211; e \u00e9 a primeira dete\u00e7\u00e3o clara de um buraco negro deste tipo. Os buracos negros de massa interm\u00e9dia, que foram anteriormente previstos teoricamente, teriam massas entre as dos buracos negros de massa estelar e os buracos negros supermassivos nos centros das gal\u00e1xias.<br>Cr\u00e9dito: LIGO\/Caltech\/MIT\/R. Hurt (IPAC) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De acordo com a f\u00edsica da evolu\u00e7\u00e3o estelar, a press\u00e3o externa dos fot\u00f5es e do g\u00e1s no n\u00facleo de uma estrela suporta-o contra a for\u00e7a da gravidade que o empurra para dentro, de modo que a estrela \u00e9 est\u00e1vel, como o Sol. Depois do n\u00facleo de uma estrela massiva fundir elementos pesados como o ferro, j\u00e1 n\u00e3o consegue mais produzir press\u00e3o suficiente para sustentar as camadas externas. Quando esta press\u00e3o externa \u00e9 menor do que a da gravidade, a estrela colapsa sob o seu pr\u00f3prio peso, numa explos\u00e3o chamada supernova de colapso do n\u00facleo, que pode deixar para tr\u00e1s um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p>Este processo pode explicar como estrelas com 130 vezes a massa do Sol podem produzir buracos negros com at\u00e9 65 massas solares. Mas para estrelas mais massivas, pensa-se que tenha in\u00edcio um fen\u00f3meno conhecido como &#8220;instabilidade de par&#8221;. Quando os fot\u00f5es do n\u00facleo se tornam extremamente energ\u00e9ticos, podem transformar-se em pares de eletr\u00f5es e antieletr\u00f5es. Estes pares geram menos press\u00e3o do que os fot\u00f5es, fazendo com que a estrela se torne inst\u00e1vel contra o colapso gravitacional, e a explos\u00e3o resultante \u00e9 forte o suficiente para n\u00e3o deixar nada para tr\u00e1s. Estrelas ainda mais massivas, acima das 200 massas solares, acabariam por colapsar diretamente num buraco negro com pelo menos 120 massas solares. Uma estrela em colapso, portanto, n\u00e3o deve ser capaz de produzir um buraco negro entre 65 e 120 massas solares &#8211; uma gama que \u00e9 conhecida como &#8220;intervalo de massa de instabilidade de par.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora, o mais pesado dos dois buracos negros que produziu o sinal GW190521, com 85 vezes a massa do Sol, \u00e9 o primeiro at\u00e9 agora detetado dentro do intervalo de massa de instabilidade de par.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O facto de estarmos a ver um buraco negro nesta divis\u00e3o de massas far\u00e1 muitos astrof\u00edsicos co\u00e7ar a cabe\u00e7a e tentar descobrir como \u00e9 que estes buracos negros se formaram,&#8221; diz Christensen, que \u00e9 diretor do Laborat\u00f3rio Artemis no Observat\u00f3rio de Nice, Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma possibilidade, que os investigadores consideram no seu segundo artigo, \u00e9 a de uma fus\u00e3o hier\u00e1rquica, em que os pr\u00f3prios dois buracos negros progenitores podem ter-se formado a partir da fus\u00e3o de dois buracos negros mais pequenos, antes de migrarem juntos e eventualmente se fundirem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este evento abre mais perguntas do que fornece respostas,&#8221; diz Alan Weinstein, membro do LIGO, professor de f\u00edsica do Caltech. &#8220;Do ponto de vista da descoberta e da f\u00edsica, \u00e9 uma coisa muito emocionante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"GW190521 The Impossible Black Hole\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hpbmi8oPipY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Algo inesperado&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Permanecem muitas perguntas no que toca a GW190521.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo que os detetores LIGO e Virgo escutam as ondas gravitacionais passando pela Terra, buscas automatizadas vasculham os novos dados \u00e0 procura de sinais interessantes. Estas pesquisas podem usar dois m\u00e9todos diferentes: algoritmos que identificam padr\u00f5es de onda espec\u00edficos nos dados que podem ter sido produzidos por sistemas bin\u00e1rios compactos; e pesquisas de &#8220;surtos&#8221; mais gerais, que procuram essencialmente algo fora do comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Salvatore Vitale, membro do LIGO, professor assistente de f\u00edsica no MIT (Massachusetts Institute of Technology), compara as pesquisas bin\u00e1rias a &#8220;passar um pente pelos dados, que apanha coisas num certo espa\u00e7amento,&#8221; em contraste com pesquisas em rajada que t\u00eam uma abordagem &#8220;apanha tudo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de GW190521, foi uma pesquisa em rajada que captou o sinal um pouco mais claramente, abrindo a chance muito pequena de que as ondas gravitacionais surgissem de algo que n\u00e3o uma fus\u00e3o bin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O n\u00edvel de exig\u00eancia para afirmar que descobrimos algo novo \u00e9 muito elevado,&#8221; diz Weinstein. &#8220;De modo que normalmente aplicamos o princ\u00edpio da Navalha de Ockham: a solu\u00e7\u00e3o mais simples \u00e9 a melhor, que neste caso \u00e9 um buraco negro bin\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas e se algo inteiramente novo tivesse produzido estas ondas gravitacionais? \u00c9 uma perspetiva tentadora, e no seu artigo os cientistas consideram brevemente outras fontes no Universo que podem ter produzido o sinal que detetaram. Por exemplo, talvez as ondas gravitacionais tenham sido emitidas por uma estrela em colapso na nossa Gal\u00e1xia. O sinal tamb\u00e9m pode ser de uma cadeia c\u00f3smica produzida logo ap\u00f3s o Universo &#8220;inchar&#8221; nos primeiros momentos &#8211; embora nenhuma destas possibilidades ex\u00f3ticas corresponda aos dados t\u00e3o bem quanto uma fus\u00e3o bin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Desde que lig\u00e1mos o LIGO pela primeira vez, tudo o que observ\u00e1mos com confian\u00e7a tem sido colis\u00f5es de buracos negros ou de estrelas de neutr\u00f5es,&#8221; diz Weinstein. &#8220;Este \u00e9 o \u00fanico evento em que a nossa an\u00e1lise permite a possibilidade de que este evento n\u00e3o seja uma colis\u00e3o. Embora o evento seja consistente com uma fus\u00e3o de dois buracos negros excecionalmente massivos, e desfavore\u00e7a explica\u00e7\u00f5es alternativas, est\u00e1 a empurrar os limites da nossa confian\u00e7a. E isso potencialmente torna-o extremamente excitante. Porque todos n\u00f3s estamos \u00e0 espera de algo novo, algo inesperado, que possa desafiar o que j\u00e1 aprendemos. Este evento tem o potencial de fazer isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/news\/ligo20200902\" target=\"_blank\">\/\/ LIGO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.virgo-gw.eu\/#news_GW190521\" target=\"_blank\">\/\/ Virgo (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.mit.edu\/2020\/ligo-virgo-gravitational-wave-0902\" target=\"_blank\">\/\/ MIT #1 (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.mit.edu\/2020\/black-hole-merger-origin-0902\" target=\"_blank\">\/\/ MIT #2 (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpg.de\/15315800\/0901-grav-057313-ligo-und-virgo-fangen-ihren-bislang-dicksten-fisch\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/journals.aps.org\/prl\/abstract\/10.1103\/PhysRevLett.125.101102\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Physical Review Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2009.01075\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (arXiv.org)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/aba493\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2009.01190\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/astronomy.com\/news\/2020\/09\/scientists-detect-first-mid-sized-black-hole-via-gravitational-waves\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomy<\/a><br><a href=\"https:\/\/skyandtelescope.org\/astronomy-news\/record-breaking-signal-reveals-new-population-of-black-holes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky &amp; Telescope<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/black-hole-intermediate-size-ligo-gravitational-waves-discovery.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astronomy\/black-holes-merge-to-create-something-huge\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-09-ligo-virgo-detectors-massive-gravitational-wave.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2253391-gravitational-wave-detectors-have-found-their-biggest-black-hole-yet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/arstechnica.com\/science\/2020\/09\/meet-gw190521-a-black-hole-merger-for-the-record-books\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ars technica<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.upi.com\/Science_News\/2020\/09\/02\/LIGO-Virgo-detectors-record-collision-of-massive-black-holes\/8671599052834\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">UPI<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/science-environment-53993937?intlink_from_url=https:\/\/www.bbc.com\/news\/science_and_environment&amp;link_location=live-reporting-story\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">BBC News<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.ccvalg.pt\/astronomia\/newsletter\/n_1721\/publico.pt\/2020\/09\/02\/ciencia\/noticia\/observada-macica-fusao-buracos-negros-partir-ondas-gravitacionais-1930047\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00fablico<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cmjornal.pt\/mundo\/detalhe\/colisao-de-dois-buracos-negros-tera-criado-novo-fenomeno-astronomico-nunca-antes-visto?ref=Pesquisa_Destaques\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Correio da Manh\u00e3<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/mundo\/o-maior-dos-buracos-negros-pesa-142-sois-12602858.html?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+JN-MUNDO+(JN+-+Mundo)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jornal de Not\u00edcias<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GW190521:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.org\/detections\/GW190521.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LSC<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.org\/detections\/GW190521.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LIGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.org\/science\/Publication-GW190521\/flyer.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Folheto PDF do LIGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GW190521\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Intermediate-mass_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buracos negros de massa interm\u00e9dia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Supernova por instabilidade de par:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pair-instability_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/sne.space\/?claimedtype=pisn\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de poss\u00edveis supernovas por instabilidade de par (The Open Supernova Catalog)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ondas gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/gracedb.ligo.org\/latest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave_detection\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomia de ondas gravitacionais &#8211; Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127255\/gravitational-waves-101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ondas gravitacionais: como distorcem o espa\u00e7o &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127286\/gravitational-wave-detectors-how-they-work\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Detetores: como funcionam &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127329\/gravitational-wave-sources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">As fontes de ondas gravitacionais &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4GbWfNHtHRg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 uma onda gravitacional (YouTube)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LIGO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ligo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.advancedligo.mit.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Advanced LIGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LIGO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Virgo:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/www.ego-gw.it\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Virgo_interferometer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de dois buracos negros prestes a colidirem.Cr\u00e9dito: Mark Myers, OzGrav Uma fus\u00e3o de um buraco negro bin\u00e1rio provavelmente produziu ondas gravitacionais iguais \u00e0 energia de oito s\u00f3is. Apesar de todo este vasto vazio, o Universo est\u00e1 repleto de atividade na forma de ondas gravitacionais. Produzidas por fen\u00f3menos astrof\u00edsicos extremos, estas reverbera\u00e7\u00f5es ondulam &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3471,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,62],"tags":[192,909,443,445,538,444],"class_list":["post-3470","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","category-cosmologia","tag-buraco-negro","tag-gw190521","tag-ligo","tag-ondas-gravitacionais","tag-supernova-por-instabilidade-de-pares","tag-virgo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3470"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3472,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3470\/revisions\/3472"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}