{"id":3397,"date":"2020-08-07T05:21:38","date_gmt":"2020-08-07T05:21:38","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3397"},"modified":"2020-08-07T05:21:48","modified_gmt":"2020-08-07T05:21:48","slug":"buraco-negro-nao-consegue-fazer-o-seu-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/08\/07\/buraco-negro-nao-consegue-fazer-o-seu-trabalho\/","title":{"rendered":"Buraco negro n\u00e3o &#8220;consegue fazer o seu trabalho&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos descobriram o que pode acontecer quando um buraco negro gigante n\u00e3o interfere na vida de um enxame de gal\u00e1xias. Usando o Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA e outros telesc\u00f3pios, mostraram que o comportamento passivo do buraco negro pode explicar uma not\u00e1vel quantidade de forma\u00e7\u00e3o estelar que ocorre num distante enxame gal\u00e1ctico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os enxames de gal\u00e1xias cont\u00eam centenas ou milhares de gal\u00e1xias permeadas por g\u00e1s quente que emite raios-X e que supera a massa combinada de todas as gal\u00e1xias. As eje\u00e7\u00f5es de material alimentadas por um buraco negro supermassivo na gal\u00e1xia central do enxame geralmente evitam que esse g\u00e1s quente arrefe\u00e7a para formar um grande n\u00famero de estrelas. Este aquecimento permite que os buracos negros supermassivos influenciem ou controlem a atividade e a evolu\u00e7\u00e3o do seu enxame hospedeiro.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/j1049.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"525\" height=\"525\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/j1049_525.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3398\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/j1049_525.jpg 525w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/j1049_525-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/j1049_525-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/a><figcaption>Composi\u00e7\u00e3o de imagens obtidas pelo Chandra, em raios-X, com dados \u00f3ticos do Hubble que mostram um enxame gal\u00e1ctico com um buraco negro no seu centro que n\u00e3o est\u00e1 ativo. As consequ\u00eancias deste buraco negro adormecido \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o estelar foi autorizada a permanecer desenfreada &#8211; a um ritmo 300 vezes maior do que o visto na Via L\u00e1ctea. Os dados do Chandra revelam que sem um buraco negro supermassivo central ativo na maior gal\u00e1xia do enxame, enormes quantidades de g\u00e1s s\u00e3o capazes de arrefecer o suficiente para desencadear uma grande quantidade de nascimento estelar.<br>Cr\u00e9dito: raios-X &#8211; NASA\/CXO\/Univ. de Montreal\/J. Hlavacek-Larrondo et al; \u00d3tico &#8211; NASA\/STScI<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o que \u00e9 que acontece se esse buraco negro deixar de estar ativo? O enxame de gal\u00e1xias SpARCS104922.6+564032.5 (SpARCS1049 para abreviar), localizado a 9,9 mil milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra, est\u00e1 a fornecer uma resposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nas observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA e do Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer, os astr\u00f3nomos descobriram anteriormente que estavam a formar-se estrelas a um ritmo extraordin\u00e1rio de aproximadamente 900 novos s\u00f3is (em termos de massa) por ano no enxame SpARCS1049. Isto \u00e9 superior a 300 vezes o ritmo a que a nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, forma as suas estrelas (\u00e0 taxa observada no enxame SpARCS1049, todas as estrelas da Via L\u00e1ctea formar-se-iam em apenas 100 milh\u00f5es de anos, o que \u00e9 um per\u00edodo de tempo curto em compara\u00e7\u00e3o com a idade da nossa Gal\u00e1xia, que tem mais de 10 mil milh\u00f5es de anos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto lembra-me o antigo ditado &#8216;quando o gato sai de casa os ratos passeiam,'&#8221; disse Julie Hlavacek-Larrondo da Universidade de Montreal no Canad\u00e1, que liderou o estudo. &#8220;Aqui o gato, o buraco negro, est\u00e1 calmo e os ratos, as estrelas, est\u00e3o muito ocupados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta forma\u00e7\u00e3o estelar furiosa est\u00e1 a acontecer a cerca de 80.000 anos-luz do centro de SpARCS1049, numa regi\u00e3o fora de qualquer das gal\u00e1xias do enxame. Os astr\u00f3nomos perguntam-se: o que est\u00e1 a provocar este prodigioso ciclo de nascimento estelar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta pode vir de novos dados do Chandra que revelam o comportamento do g\u00e1s quente em SpARCS1049. Na maior parte do enxame, a temperatura do g\u00e1s \u00e9 de cerca de 36 milh\u00f5es de graus Celsius. No entanto, no local da forma\u00e7\u00e3o estelar, o g\u00e1s \u00e9 mais denso do que a m\u00e9dia e arrefeceu at\u00e9 uma temperatura de cerca de 5,5 milh\u00f5es de graus Celsius. A presen\u00e7a deste g\u00e1s mais frio sugere que outros reservat\u00f3rios de g\u00e1s n\u00e3o detetados arrefeceram a temperaturas ainda mais baixas que permitem a forma\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sem o buraco negro a bombardear ativamente energia para o ambiente, o g\u00e1s pode arrefecer o suficiente para que este ritmo impressionante de forma\u00e7\u00e3o estelar possa ocorrer,&#8221; disse o coautor Carter Rhea, tamb\u00e9m da Universidade de Montreal. &#8220;Este tipo de buraco negro &#8216;desligado&#8217; pode ser uma maneira crucial para as estrelas se formarem no in\u00edcio do Universo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora existam muitos exemplos em que a energia injetada pelos buracos negros para o seu ambiente \u00e9 respons\u00e1vel por reduzir a taxa de forma\u00e7\u00e3o estelar por factores de dezenas ou milhares de vezes, ou mais, estes enxames est\u00e3o tipicamente a poucas centenas de milh\u00f5es de anos-luz da Terra e s\u00e3o muito mais antigos do que SpARCS1049.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso de SpARCS1049, os astr\u00f3nomos n\u00e3o veem nenhum sinal de que um buraco negro supermassivo na gal\u00e1xia central esteja ativamente a puxar mat\u00e9ria. Por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de um jato de material soprando para longe do buraco negro no r\u00e1dio, ou de uma fonte de raios-X do meio da gal\u00e1xia, indicando que a mat\u00e9ria foi aquecida quando caiu em dire\u00e7\u00e3o a um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Muitos astr\u00f3nomos pensaram que, sem a interven\u00e7\u00e3o de um buraco negro, a forma\u00e7\u00e3o estelar ficaria fora de controlo,&#8221; disse a coautora Tracy Webb da Universidade McGill, que descobriu SpARCS1049 pela primeira vez em 2015 com o Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA. &#8220;Agora temos evid\u00eancias observacionais de que isso \u00e9 realmente o que ocorre.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque \u00e9 que o buraco negro est\u00e1 t\u00e3o silencioso? A diferen\u00e7a observada na posi\u00e7\u00e3o entre o g\u00e1s mais denso e a gal\u00e1xia central pode ser a causa. Isto significaria que o buraco negro supermassivo no centro desta gal\u00e1xia est\u00e1 sedento de combust\u00edvel. A perda de uma fonte de combust\u00edvel do buraco negro evita surtos e permite que o g\u00e1s arrefe\u00e7a sem impedimentos, com o g\u00e1s mais denso arrefecendo mais depressa. Uma explica\u00e7\u00e3o para este deslocamento \u00e9 que dois enxames gal\u00e1cticos mais pequenos colidiram em algum momento no passado para formar SpARCS1049, afastando o g\u00e1s mais denso da gal\u00e1xia central.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo que descreve estes resultados foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e est\u00e1 dispon\u00edvel online.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Tour: Black Hole Fails to Do Its Job\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hVSrjW_HvIY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/chandra\/images\/black-hole-fails-to-do-its-job.html\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/press\/20_releases\/press_080320.html\" target=\"_blank\">\/\/ Chandra\/Harvard (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ab9ca5\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.15660\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames gal\u00e1cticos:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy_groups_and_clusters\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Espacial Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos descobriram o que pode acontecer quando um buraco negro gigante n\u00e3o interfere na vida de um enxame de gal\u00e1xias. 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