{"id":3394,"date":"2020-08-07T05:17:47","date_gmt":"2020-08-07T05:17:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3394"},"modified":"2020-08-07T05:17:59","modified_gmt":"2020-08-07T05:17:59","slug":"vlba-encontra-planeta-em-orbita-de-estrela-pequena-e-fria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/08\/07\/vlba-encontra-planeta-em-orbita-de-estrela-pequena-e-fria\/","title":{"rendered":"VLBA encontra planeta em \u00f3rbita de estrela pequena e fria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando a &#8220;vis\u00e3o&#8221; r\u00e1dio supern\u00edtida do VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), astr\u00f3nomos descobriram um planeta do tamanho de Saturno em \u00f3rbita de uma estrela pequena e fria a 35 anos-luz da Terra. Esta \u00e9 a primeira descoberta de um exoplaneta com um radiotelesc\u00f3pio usando uma t\u00e9cnica que requer medi\u00e7\u00f5es extremamente precisas da posi\u00e7\u00e3o de uma estrela no c\u00e9u, e apenas a segunda descoberta exoplanet\u00e1ria com esta t\u00e9cnica e para radiotelesc\u00f3pios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A t\u00e9cnica \u00e9 conhecida h\u00e1 muito tempo, mas tem sido dif\u00edcil de usar. Envolve rastrear o movimento real da estrela pelo espa\u00e7o e, em seguida, detetar uma min\u00fascula &#8220;oscila\u00e7\u00e3o&#8221; nesse movimento provocada pelo efeito gravitacional do planeta. A estrela e o planeta orbitam em torno de um local que representa o centro de massa combinado de ambos. O planeta \u00e9 revelado indiretamente se esse local, chamado baricentro, estiver longe o suficiente da estrela para provocar uma oscila\u00e7\u00e3o detet\u00e1vel pelo telesc\u00f3pio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/nrao20df05b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/d2NZzOM.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o mostra como o movimento da estrela em torno do centro de massa entre ela e o planeta provoca uma &#8220;oscila\u00e7\u00e3o&#8221; no seu movimento pelo espa\u00e7o. A capacidade do VLBA em detetar este efeito min\u00fasculo revelou a presen\u00e7a do planeta.<br>Cr\u00e9dito: Bill Saxton, NRAO\/AUI\/NSF <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Espera-se que esta t\u00e9cnica, chamada t\u00e9cnica astrom\u00e9trica, seja particularmente boa para detetar planetas do tipo J\u00fapiter em \u00f3rbitas distantes da estrela. Isto porque quando um planeta massivo orbita uma estrela, a oscila\u00e7\u00e3o produzida na estrela aumenta com uma maior separa\u00e7\u00e3o entre o planeta e a estrela e, a uma determinada dist\u00e2ncia da estrela, quanto mais massivo o planeta, maior a oscila\u00e7\u00e3o produzida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir de junho de 2018 e continuando por ano e meio, os astr\u00f3nomos rastrearam uma estrela chamada TVLM 513\u201346546, uma an\u00e3 fria com menos de um-d\u00e9cimo da massa do nosso Sol. Al\u00e9m disso, usaram dados de nove observa\u00e7\u00f5es anteriores da estrela pelo VLBA entre mar\u00e7o de 2010 e agosto de 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e1lise extensa dos dados desses per\u00edodos de tempo revelou uma oscila\u00e7\u00e3o reveladora no movimento da estrela, indicando a presen\u00e7a de um planeta compar\u00e1vel com Saturno em termos de massa, orbitando a estrela uma vez a cada 221 dias. Este planeta est\u00e1 mais perto da estrela do que Merc\u00fario do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas pequenas e frias como TVLM 513\u201346546 s\u00e3o o tipo estelar mais comum na nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, e muitas delas foram encontradas com planetas pequenos, compar\u00e1veis \u00e0 Terra e Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Espera-se que os planetas gigantes, como J\u00fapiter e Saturno, sejam raros em torno de estrelas pequenas como esta, e a t\u00e9cnica astrom\u00e9trica \u00e9 mais adequada para encontrar planetas parecidos com J\u00fapiter em \u00f3rbitas largas, de modo que fic\u00e1mos surpreendidos ao encontrar um planeta de massa menor, semelhante a Saturno, numa \u00f3rbita relativamente compacta. Esper\u00e1vamos encontrar um planeta mais massivo, parecido a J\u00fapiter, numa \u00f3rbita maior,&#8221; disse Salvador Curiel, da Universidade Nacional Aut\u00f3noma do M\u00e9xico. &#8220;Detetar os movimentos orbitais deste companheiro de massa planet\u00e1ria sub-J\u00fapiter numa \u00f3rbita t\u00e3o compacta foi um grande desafio,&#8221; acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram descobertos mais de 4200 planetas em \u00f3rbita de outras estrelas que n\u00e3o o Sol, mas o planeta em torno de TVLM 513\u201346546 \u00e9 apenas o segundo a ser descoberto usando a t\u00e9cnica astrom\u00e9trica. Outro m\u00e9todo muito bem-sucedido, chamado de t\u00e9cnica de velocidade radial, tamb\u00e9m se baseia no efeito gravitacional do planeta sobre a estrela. Essa t\u00e9cnica deteta a ligeira acelera\u00e7\u00e3o da estrela, seja na dire\u00e7\u00e3o da Terra ou na dire\u00e7\u00e3o oposta, provocada pelo movimento da estrela em torno do baricentro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso m\u00e9todo complementa o m\u00e9todo de velocidade radial, que \u00e9 mais sens\u00edvel a planetas situados em \u00f3rbitas pr\u00f3ximas, enquanto o nosso \u00e9 mais sens\u00edvel a planetas massivos em \u00f3rbitas mais distantes da estrela,&#8221; disse Gisela Ortiz-Leon do Instituto Max Planck para Radioastronomia na Alemanha. &#8220;De facto, estas outras t\u00e9cnicas encontraram apenas alguns planetas com caracter\u00edsticas como massa do planeta, tamanho orbital e massa da hospedeira estelar, semelhantes ao planeta que encontr\u00e1mos. Pensamos que o VLBA, e a t\u00e9cnica de astrometria em geral, podem revelar muitos planetas semelhantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/15242289\/original-1596550530.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjoxNTI0MjI4OX0=--a88350e9255656563c6bc45ac876a5b32cf72033\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.mpg.de\/15242289\/original-1596550530.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjoxNTI0MjI4OX0=--a88350e9255656563c6bc45ac876a5b32cf72033\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Par c\u00f3smico: representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica que mostra o grande exoplaneta TVLM 513\u201346546b no plano da frente. No plano de fundo, \u00e0 esquerda, est\u00e1 a sua estrela-m\u00e3e, a an\u00e3 fria TVLM 513\u201346546.<br>Cr\u00e9dito: Luis A. Curiel Ramirez <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma terceira t\u00e9cnica, chamada m\u00e9todo de tr\u00e2nsito, tamb\u00e9m muito bem-sucedida, deteta o ligeiro escurecimento da luz estelar quando um planeta passa \u00e0 sua frente, a partir da perspetiva da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O m\u00e9todo astrom\u00e9trico tem sido bem-sucedido na dete\u00e7\u00e3o de sistemas estelares bin\u00e1rios pr\u00f3ximos e foi reconhecido j\u00e1 no s\u00e9culo XIX como um meio potencial de descobrir exoplanetas. Ao longo dos anos, v\u00e1rias destas descobertas foram anunciadas e depois n\u00e3o sobreviveram a uma an\u00e1lise mais aprofundada. A dificuldade tem estado na oscila\u00e7\u00e3o estelar produzida por um planeta, oscila\u00e7\u00e3o esta t\u00e3o pequena quando vista da Terra que requer uma precis\u00e3o extraordin\u00e1ria nas medi\u00e7\u00f5es posicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O VLBA com antenas separadas por at\u00e9 8000 km, proporcionou-nos o grande poder de resolu\u00e7\u00e3o e a precis\u00e3o extremamente alta necess\u00e1ria para esta descoberta,&#8221; disse Amy Mioduszewski, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory). &#8220;Al\u00e9m disso, as melhorias que foram feitas na sensibilidade do VLBA deram-nos a qualidade de dados que tornou agora poss\u00edvel este trabalho,&#8221; acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curiel, Ortiz-Leon, Mioduszewski e Rosa Torres da Universidade de Guadalajara, no M\u00e9xico, relataram as suas descobertas na revista The Astronomical Journal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-vimeo wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"VLBA Astrometric Ultracool Dwarf and Exoplanet Side By Side\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/436122214?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"618\" height=\"348\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/vlba-finds-planet\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpg.de\/15245755\/radio-telescope-discovers-exoplanets\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ab9e6e\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2008.01595\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M\u00e9todo astrom\u00e9trico:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Methods_of_detecting_exoplanets#Astrometry\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TVLM 513\u201346546:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/TVLM_513-46546\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TVLM 513\u201346546b:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/tvlm_513-46546_b\/\" target=\"_blank\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLBA:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nrao.edu\/facilities\/vlba\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Long_Baseline_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando a &#8220;vis\u00e3o&#8221; r\u00e1dio supern\u00edtida do VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), astr\u00f3nomos descobriram um planeta do tamanho de Saturno em \u00f3rbita de uma estrela pequena e fria a 35 anos-luz da Terra. 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