{"id":3391,"date":"2020-08-07T05:14:12","date_gmt":"2020-08-07T05:14:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3391"},"modified":"2020-08-07T05:18:24","modified_gmt":"2020-08-07T05:18:24","slug":"alma-captura-fabrica-agitada-de-planetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/08\/07\/alma-captura-fabrica-agitada-de-planetas\/","title":{"rendered":"ALMA captura &#8220;f\u00e1brica agitada&#8221; de planetas"},"content":{"rendered":"\n<p>Os ambientes de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria podem ser muito mais complexos e ca\u00f3ticos do que o que se pensava. Isto \u00e9 evidenciado por uma nova imagem da estrela RU Lup, feita com o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array).<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os planetas, incluindo os do nosso Sistema Solar, nascem em discos de g\u00e1s e poeira em torno de estrelas, os chamados discos protoplanet\u00e1rios. Gra\u00e7as ao ALMA, temos imagens impressionantes de alta resolu\u00e7\u00e3o de muitas destas &#8220;f\u00e1bricas&#8221; planet\u00e1rias, mostrando discos empoeirados com v\u00e1rios an\u00e9is e divis\u00f5es que sugerem a presen\u00e7a de planetas emergentes. Os exemplos mais famosos s\u00e3o HL Tau e TW Hydrae.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/RULup_bluecutout_07092020_SD-680x447.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/RULup_bluecutout_07092020_SD-680x447.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Imagem do disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria da jovem estrela RU Lup pelo ALMA. A inser\u00e7\u00e3o (disco avermelhado em baixo e \u00e0 esquerda) mostra uma observa\u00e7\u00e3o anterior (DSHARP) do disco de poeira com an\u00e9is e divis\u00f5es que sugerem a presen\u00e7a de planetas em forma\u00e7\u00e3o. A nova observa\u00e7\u00e3o mostra uma grande estrutura espiral (a azul), feita de g\u00e1s, que alcan\u00e7a muito mais longe do que o disco compacto de poeira.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), J. Huang e S. Andrews; NRAO\/AUI\/NSF, S. Dagnello <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas os discos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente t\u00e3o bem organizados quanto estas observa\u00e7\u00f5es iniciais da poeira sugerem. Uma nova imagem de RU Lup pelo ALMA, uma jovem estrela vari\u00e1vel na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Lobo, revelou um gigantesco conjunto de bra\u00e7os em espiral feitos de g\u00e1s, que se estendem muito al\u00e9m do bem conhecido disco de poeira. Esta estrutura espiral &#8211; semelhante a uma &#8220;minigal\u00e1xia&#8221; &#8211; estende-se a quase 1000 UA (Unidades Astron\u00f3micas) da estrela, muito mais longe do que o disco compacto de poeira, que alcan\u00e7a cerca de 60 UA.<\/p>\n\n\n\n<p>Observa\u00e7\u00f5es anteriores de RU Lup com o ALMA, que faziam parte do DSHARP (Disk Substructures at High Angular Resolution Project), j\u00e1 revelavam sinais de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de planetas, sugeridos pelas lacunas no seu disco protoplanet\u00e1rio de poeira. &#8220;Mas tamb\u00e9m not\u00e1mos algumas estruturas gasosas de mon\u00f3xido de carbono (CO) que se estendiam para l\u00e1 do disco. \u00c9 por isso que decidimos observar novamente o disco em torno da estrela, desta vez focando no g\u00e1s e n\u00e3o na poeira,&#8221; disse Jane Huang do Centro Harvard Smithsonian para Astrof\u00edsica, autora principal de um artigo cient\u00edfico publicado na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os discos protoplanet\u00e1rios cont\u00eam muito mais g\u00e1s do que poeira. Enquanto a poeira \u00e9 necess\u00e1ria para acumular os n\u00facleos planet\u00e1rios, o g\u00e1s cria as suas atmosferas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, observa\u00e7\u00f5es de alta resolu\u00e7\u00e3o de estruturas de poeira revolucionaram a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de planetas. No entanto, esta nova imagem do g\u00e1s indica que a vis\u00e3o atual da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria ainda \u00e9 muito simplista e que pode ser muito mais ca\u00f3tica do que se deduziu anteriormente a partir das imagens conhecidas de discos com an\u00e9is ordenadamente conc\u00eantricos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/nrao20in12_RULup_blue-680x680.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/nrao20in12_RULup_blue-680x680.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Imagem ALMA do disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria em torno da jovem estrela RU Lup, mostrando um grande conjunto de bra\u00e7os espirais feitos de g\u00e1s. A estrutura estende-se at\u00e9 quase 1000 UA da estrela.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), J. Huang; NRAO\/AUI\/NSF, S. Dagnello <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;O facto de observarmos esta estrutura espiral no g\u00e1s ap\u00f3s uma observa\u00e7\u00e3o mais longa sugere que provavelmente n\u00e3o vimos toda a diversidade e complexidade dos ambientes de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. Podemos ter perdido muitas das estruturas de g\u00e1s noutros discos,&#8221; acrescentou Huang.<\/p>\n\n\n\n<p>Huang e a sua equipa sugerem v\u00e1rios cen\u00e1rios que podem possivelmente explicar a raz\u00e3o dos bra\u00e7os espirais aparecerem em torno de RU Lup. Talvez o disco esteja a colapsar sob a sua pr\u00f3pria gravidade, devido \u00e0 sua enorme massa. Ou talvez RU Lup esteja a interagir com outra estrela. Outra possibilidade \u00e9 que o disco est\u00e1 a interagir com o seu ambiente, acumulando material interestelar ao longo dos bra\u00e7os espirais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nenhum destes cen\u00e1rios explica completamente o que observ\u00e1mos,&#8221; disse o membro da equipa Sean Andrews. &#8220;Podem existir processos desconhecidos a ocorrer durante a forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria que ainda n\u00e3o contabiliz\u00e1mos nos nossos modelos. S\u00f3 iremos aprender o que s\u00e3o se encontrarmos outros discos parecidos com o de RU Lup.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-releases\/alma-captures-stirred-up-planet-factory\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/alma-captures-stirred-up-planet-factory\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/aba1e1\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.02974\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2020-08\/nrao-acs080320.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/exoplanets\/alma-captures-a-stirred-up-planet-factory.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space Ref<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-08-alma-captures-stirred-up-planet-factory.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/08\/200803140010.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RU Lupi:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/RU_Lupi\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ambientes de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria podem ser muito mais complexos e ca\u00f3ticos do que o que se pensava. 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