{"id":3388,"date":"2020-08-04T05:23:40","date_gmt":"2020-08-04T05:23:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3388"},"modified":"2020-08-04T05:23:49","modified_gmt":"2020-08-04T05:23:49","slug":"arqueologia-estelar-revela-restos-de-antigo-enxame-globular-que-e-o-ultimo-do-seu-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/08\/04\/arqueologia-estelar-revela-restos-de-antigo-enxame-globular-que-e-o-ultimo-do-seu-genero\/","title":{"rendered":"&#8220;Arqueologia estelar&#8221; revela restos de antigo enxame globular que \u00e9 o &#8220;\u00faltimo do seu g\u00e9nero&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos, incluindo Ting Li e Alexander Ji do Instituto Carnegie, descobriu uma corrente estelar composta pelos restos de um antigo enxame globular que foi dilacerado pela gravidade da Via L\u00e1ctea, h\u00e1 2 mil milh\u00f5es de anos, quando as formas de vida mais complexas da Terra eram os organismos unicelulares. Esta descoberta surpreendente, publicada na revista Nature, vira de cabe\u00e7a para baixo a sabedoria convencional de como estes objetos celestes se formam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine uma esfera composta por um milh\u00e3o de estrelas ligadas pela gravidade e orbitando um n\u00facleo gal\u00e1ctico. \u00c9 um enxame globular. A Via L\u00e1ctea abriga cerca de 150, que formam um halo t\u00e9nue que envolve a nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o enxame globular que gerou este fluxo estelar rec\u00e9m-descoberto teve um ciclo de vida muito diferente dos enxames globulares que vemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/et6a4jJ.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"896\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/et6a4jJ-896x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3389\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/et6a4jJ-896x1024.jpg 896w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/et6a4jJ-263x300.jpg 263w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/et6a4jJ-768x877.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/et6a4jJ.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 896px) 100vw, 896px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do fino fluxo estelar retirado do enxame globular na constela\u00e7\u00e3o da F\u00e9nix, rodeando a nossa Via L\u00e1ctea. Para o estudo, os astr\u00f3nomos tiveram como alvo estrelas gigantes vermelhas e mediram a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica.<br>Cr\u00e9dito: Geraint F. Lewis e colabora\u00e7\u00e3o S5<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto \u00e9 arqueologia estelar, descobrindo os restos de algo antigo, varrido por um fen\u00f3meno mais recente,&#8221; explicou Ji.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o AAT (Anglo-Australian Telescope), a corrente de estrelas foi revelada pela colabora\u00e7\u00e3o S<sup>5<\/sup>&nbsp;(Southern Stellar Stream Spectroscopic Survey). Liderada por Li, a iniciativa visa mapear o movimento e a qu\u00edmica de fluxos estelares no Hemisf\u00e9rio Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste estudo, a colabora\u00e7\u00e3o focou-se num fluxo de estrelas na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o da F\u00e9nix.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os restos do enxame globular que comp\u00f5em o fluxo na constela\u00e7\u00e3o da F\u00e9nix foram perturbados h\u00e1 muitos anos, mas felizmente mant\u00eam a mem\u00f3ria da sua forma\u00e7\u00e3o durante o Universo primitivo, que podemos ler a partir da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica das suas estrelas,&#8221; disse Li.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa mediu a abund\u00e2ncia de elementos mais pesados &#8211; o que os astr\u00f3nomos chamam de metalicidade de uma estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A composi\u00e7\u00e3o de uma estrela espelha a da nuvem gal\u00e1ctica de g\u00e1s da qual nasceu. Quanto mais gera\u00e7\u00f5es anteriores de estrelas semearem este material com elementos pesados que produziram durante as suas vidas, mais enriquecidas, ou met\u00e1licas, s\u00e3o as estrelas. Portanto, uma estrela primitiva muito antiga n\u00e3o ter\u00e1 quase elementos pesados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos muito surpreendidos ao descobrir que o Fluxo da F\u00e9nix \u00e9 distintamente diferente de todos os outros enxames globulares da Via L\u00e1ctea,&#8221; explicou Zhen Wan da Universidade de Sydney. &#8220;Embora o enxame tenha sido destru\u00eddo h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, ainda podemos saber que se formou no in\u00edcio do Universo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dado que outros enxames globulares conhecidos s\u00e3o enriquecidos pela presen\u00e7a de elementos pesados forjados por gera\u00e7\u00f5es estelares anteriores, teorizou-se que havia uma abund\u00e2ncia m\u00ednima de elementos mais pesados necess\u00e1ria para a forma\u00e7\u00e3o de um enxame globular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o progenitor do Fluxo da F\u00e9nix est\u00e1 bem abaixo desta metalicidade m\u00ednima prevista, colocando um problema significativo para ideias anteriores sobre como nascem os enxames globulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 que a Corrente Estelar da F\u00e9nix \u00e9 o \u00faltimo exemplo do seu g\u00e9nero, o remanescente de uma popula\u00e7\u00e3o de enxames globulares que nasceram em ambientes radicalmente diferentes daqueles que vemos hoje,&#8221; explicou Li.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores propuseram que estes enxames globulares defuntos foram continuamente dilacerados pelas for\u00e7as gravitacionais da Via L\u00e1ctea. Os restos de outros enxames globulares antigos tamb\u00e9m podem viver como fluxos fracos que ainda podem ser descobertos antes que se dissipem com o tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ainda h\u00e1 muito trabalho te\u00f3rico a ser feito, e agora existem muitas quest\u00f5es novas para explorar sobre como as gal\u00e1xias e os enxames globulares se formam,&#8221; disse o coautor Geraint Lewis, tamb\u00e9m da Universidade de Sydney.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/carnegiescience.edu\/news\/stellar-archaeology-reveals-remnant-ancient-globular-cluster-thats-last-its-kind\" target=\"_blank\">\/\/ Carnegie Science (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sydney.edu.au\/news-opinion\/news\/2020\/07\/30\/stars-that-time-forgot-phoenix-stream-globular-cluster-metallicity.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Sydney (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/lighthouse.mq.edu.au\/article\/july-2020\/Ancient-stars-break-the-rules-of-how-suns-are-made\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Macquarie (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-020-2483-6\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-020-02046-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nature<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/mysterious-stellar-steam-unlike-any-we-ve-seen-may-be-lone-relic-of-early-universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-07-remnant-ancient-globular-cluster-kind.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames globulares:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/spider.seds.org\/spider\/MWGC\/mwgc.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Globular_cluster\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AAT (Anglo Australian Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.aao.gov.au\/about-us\/AAT\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Anglo-Australian_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Colabora\u00e7\u00e3o S<sup>5<\/sup>&nbsp;(Southern Stellar Stream Spectroscopic Survey):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/s5collab.github.io\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa de astr\u00f3nomos, incluindo Ting Li e Alexander Ji do Instituto Carnegie, descobriu uma corrente estelar composta pelos restos de um antigo enxame globular que foi dilacerado pela gravidade da Via L\u00e1ctea, h\u00e1 2 mil milh\u00f5es de anos, quando as formas de vida mais complexas da Terra eram os organismos unicelulares. 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