{"id":3373,"date":"2020-07-31T05:18:48","date_gmt":"2020-07-31T05:18:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3373"},"modified":"2020-07-31T05:18:57","modified_gmt":"2020-07-31T05:18:57","slug":"estrela-morta-emite-mistura-de-radiacao-nunca-antes-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/07\/31\/estrela-morta-emite-mistura-de-radiacao-nunca-antes-vista\/","title":{"rendered":"Estrela morta emite mistura de radia\u00e7\u00e3o nunca antes vista"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2020\/07\/artist_s_impression_of_radio_bursting_magnetar\/22150546-1-eng-GB\/Artist_s_impression_of_radio_bursting_magnetar.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Artist_s_impression_of_radio_bursting_magnetar_pillars-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3374\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Artist_s_impression_of_radio_bursting_magnetar_pillars-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Artist_s_impression_of_radio_bursting_magnetar_pillars-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Artist_s_impression_of_radio_bursting_magnetar_pillars-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Artist_s_impression_of_radio_bursting_magnetar_pillars.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de SGR 1935+2154, um remanescente altamente magnetizado, tamb\u00e9m conhecido como magnetar. Descoberto em 2014 na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Vulpecula, ap\u00f3s uma rajada substancial de raios-X, o magnetar tornou-se ativo novamente em abril de 2020. O observat\u00f3rio de alta energia Integral da ESA detetou um surto altamente energ\u00e9tico de raios-X no dia 28 de abril, alertando automaticamente observat\u00f3rios de todo o mundo sobre a descoberta em apenas alguns segundos. Pouco depois, os astr\u00f3nomos espiaram algo espetacular: este magnetar n\u00e3o emitia apenas os normais raios-X, mas tamb\u00e9m ondas de r\u00e1dio. Esta mistura \u00fanica de radia\u00e7\u00e3o, nunca antes vista neste tipo de remanescente estelar, pode resolver um mist\u00e9rio c\u00f3smico de longa data sobre a natureza das FRBs &#8211; eventos poderosos que brilham no r\u00e1dio apenas alguns milissegundos antes de desaparecer e raramente s\u00e3o vistos novamente.<br>Cr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma colabora\u00e7\u00e3o global de telesc\u00f3pios, incluindo o observat\u00f3rio espacial de alta energia Integral da ESA, detetou uma mistura \u00fanica de radia\u00e7\u00e3o a sair de uma estrela morta na nossa Gal\u00e1xia &#8211; algo que nunca foi visto antes neste tipo de estrela e que pode resolver um mist\u00e9rio c\u00f3smico de longa data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta envolve dois tipos de fen\u00f3menos c\u00f3smicos interessantes: magnetares e FRBs (Fast Radio Bursts, em portugu\u00eas Explos\u00f5es R\u00e1pidas de R\u00e1dio). Os magnetares s\u00e3o remanescentes estelares com alguns dos campos magn\u00e9ticos mais intensos do Universo. Quando se tornam &#8220;ativos&#8221;, podem produzir rajadas curtas de radia\u00e7\u00e3o altamente energ\u00e9tica que normalmente n\u00e3o duram nem um segundo, mas s\u00e3o milhares de milh\u00f5es de vezes mais luminosas que o Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As FRBs s\u00e3o um dos principais mist\u00e9rios n\u00e3o resolvidos da astronomia. Descobertos pela primeira vez em 2007, estes eventos pulsam intensamente em ondas de r\u00e1dio durante apenas alguns milissegundos antes de desaparecer e raramente s\u00e3o vistos novamente. A sua verdadeira natureza permanece desconhecida, e nunca houve tal explos\u00e3o dentro da Via L\u00e1ctea, com uma origem conhecida, ou a emiss\u00e3o de qualquer outro tipo de radia\u00e7\u00e3o al\u00e9m do dom\u00ednio das ondas de r\u00e1dio &#8211; at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final de abril, SGR 1935+2154, um magnetar descoberto h\u00e1 seis anos na constela\u00e7\u00e3o de Vulpecula, ap\u00f3s uma explos\u00e3o substancial de raios-X, tornou-se ativo novamente. Logo depois, os astr\u00f3nomos viram algo surpreendente: esse magnetar n\u00e3o apenas irradiava os seus habituais raios-X, mas tamb\u00e9m ondas de r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Detet\u00e1mos a explos\u00e3o de raios-X de alta energia ou &#8216;r\u00edgida&#8217; do magnetar usando o Integral no dia 28 de abril,&#8221; diz Sandro Mereghetti, do Instituto Nacional de Astrof\u00edsica (INAF-IASF) em Mil\u00e3o, It\u00e1lia, principal autor de um novo estudo desta fonte com base nos dados do Integral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O IBAS (INTEGRAL Burst Alert System) alertou automaticamente os observat\u00f3rios de todo o mundo sobre a descoberta em apenas alguns segundos. Isto levou horas antes que quaisquer outros alertas fossem emitidos, permitindo \u00e0 comunidade cient\u00edfica agir rapidamente e explorar essa fonte em mais detalhe.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos no solo avistaram uma curta e extremamente brilhante explos\u00e3o de ondas de r\u00e1dio na dire\u00e7\u00e3o de SGR 1935+2154 atrav\u00e9s do radiotelesc\u00f3pio CHIME no Canad\u00e1 no mesmo dia, no mesmo per\u00edodo da emiss\u00e3o de raios-X. Isto foi confirmado de forma independente algumas horas depois pelo STARE2 (Survey for Transient Astronomical Radio Emission 2) nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2011\/06\/integral_gamma-ray_observatory\/9687309-4-eng-GB\/Integral_gamma-ray_observatory.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2011\/06\/integral_gamma-ray_observatory\/9687309-4-eng-GB\/Integral_gamma-ray_observatory_pillars.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O Observat\u00f3rio Integral da ESA \u00e9 capaz de detetar explos\u00f5es de raios-gama, os fen\u00f3menos mais energ\u00e9ticos do Universo.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Medialab <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nunca antes observ\u00e1mos uma explos\u00e3o de ondas de r\u00e1dio, semelhante a uma Explos\u00e3o R\u00e1pida de R\u00e1dio, a partir de um magnetar,&#8221; acrescenta Sandro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fundamentalmente, o gerador de imagens IBIS no Integral permitiu-nos identificar com precis\u00e3o a origem da explos\u00e3o, marcando a sua associa\u00e7\u00e3o com o magnetar,&#8221; diz o coautor Volodymyr Savchenko, do Centro de Dados Cient\u00edficos do Integral da Universidade de Genebra, Su\u00ed\u00e7a. &#8220;A maioria dos outros sat\u00e9lites envolvidos no estudo colaborativo deste evento n\u00e3o conseguiu medir a sua posi\u00e7\u00e3o no c\u00e9u &#8211; e isso foi crucial para identificar que a emiss\u00e3o realmente veio de SGR1935+2154.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 a primeira liga\u00e7\u00e3o observacional entre magnetares e Explos\u00f5es R\u00e1pidas de R\u00e1dio,&#8221; explica Sandro. &#8220;\u00c9 realmente uma grande descoberta e ajuda a focar a origem destes misteriosos fen\u00f3menos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta liga\u00e7\u00e3o apoia fortemente a ideia de que as FRBs emanam dos magnetares e demonstra que as explos\u00f5es destes objetos altamente magnetizados tamb\u00e9m podem ser detetadas nos comprimentos de onda de r\u00e1dio. Os magnetares s\u00e3o cada vez mais populares entre os astr\u00f3nomos, pois desempenham um papel fundamental na condu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios eventos transit\u00f3rios diferentes no Universo, desde explos\u00f5es de supernovas superluminosas, at\u00e9 explos\u00f5es distantes e energ\u00e9ticas de raios-gama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lan\u00e7ado em 2002, o Integral possui um conjunto de quatro instrumentos capazes de observar e capturar, simultaneamente, imagens de objetos c\u00f3smicos em raios-gama, raios-X e luz vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No momento da explos\u00e3o, o magnetar estava no campo de vis\u00e3o de 30 por 30 graus do instrumento IBIS, levando a uma dete\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica pelo pacote de software IBAS do sat\u00e9lite, que \u00e9 operado pelo Centro de Dados Cient\u00edficos do Integral em Genebra, alertando imediatamente os observat\u00f3rios em todo o mundo. Ao mesmo tempo, o SPI (Spectrometer on Integral) tamb\u00e9m detetou a explos\u00e3o de raios-X, juntamente com outra miss\u00e3o espacial, o HXMT (Hard X-ray Modulation Telescope, ou Insight) da China.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este tipo de abordagem colaborativa, com v\u00e1rios comprimentos de onda e a descoberta resultante, real\u00e7am a import\u00e2ncia de uma coordena\u00e7\u00e3o oportuna e em larga escala dos esfor\u00e7os de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica,&#8221; acrescenta Erik Kuulkers, cientista do projeto Integral da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao reunir observa\u00e7\u00f5es da parte de alta energia do espectro at\u00e9 \u00e0s ondas de r\u00e1dio, de todo o mundo e do espa\u00e7o, os cientistas foram capazes de elucidar um mist\u00e9rio de longa data na astronomia. Estamos entusiasmados que o Integral tenha desempenhado um papel fundamental nisto.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Dead_star_emits_never-before_seen_mix_of_radiation\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/aba2cf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2005.06335\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SGR 1935+2154:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SGR_1935+2154\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=SGR+1935+2154\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FRB (&#8220;Fast Radio Burst&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fast_radio_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astronomy.swin.edu.au\/pulsar\/frbcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo de FRBs (Universidade de Swinburne)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>INTEGRAL:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/science-e\/www\/area\/index.cfm?fareaid=21\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/INTEGRAL\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Radiotelesc\u00f3pio CHIME:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/chime-experiment.ca\/en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Canadian_Hydrogen_Intensity_Mapping_Experiment\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HXMT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hard_X-ray_Modulation_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de SGR 1935+2154, um remanescente altamente magnetizado, tamb\u00e9m conhecido como magnetar. 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