{"id":3363,"date":"2020-07-28T05:44:24","date_gmt":"2020-07-28T05:44:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3363"},"modified":"2020-07-28T05:44:33","modified_gmt":"2020-07-28T05:44:33","slug":"uma-historia-para-a-origem-de-uma-familia-de-meteoritos-invulgares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/07\/28\/uma-historia-para-a-origem-de-uma-familia-de-meteoritos-invulgares\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria para a origem de uma fam\u00edlia de meteoritos invulgares"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/news.mit.edu\/sites\/mit.edu.newsoffice\/files\/styles\/news_article_image_top_slideshow\/public\/images\/2020\/MIT-layered-meteorite-01_0.jpg?itok=S-mduJta\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"639\" height=\"426\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/MIT-layered-meteorite-01_0.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3364\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/MIT-layered-meteorite-01_0.jpg 639w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/MIT-layered-meteorite-01_0-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><\/a><figcaption>Amostras de uma fam\u00edlia de meteoritos raros, incluindo o da imagem, revelam que o seu planetesimal de origem, formado nos est\u00e1gios inciais do Sistema Solar, era um objeto complexo e com camadas, com um n\u00facleo l\u00edquido e uma crosta s\u00f3lida, semelhante \u00e0 Terra. <br>Cr\u00e9dito: Carl Agee, Instituto de Meteor\u00edtica, Universidade do Novo M\u00e9xico; fundo editado por MIT News<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria dos meteoritos que caem na Terra s\u00e3o fragmentos de planetesimais, os corpos protoplanet\u00e1rios mais antigos do Sistema Solar. Os cientistas pensavam que estes corpos primordiais ou derreteram completamente no in\u00edcio da sua hist\u00f3ria ou permaneceram como pilhas de entulho n\u00e3o derretido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas uma fam\u00edlia de meteoritos tem confundido os investigadores desde a sua descoberta na d\u00e9cada de 1960. Os diversos fragmentos, encontrados por todo o mundo, parecem ter-se separado do mesmo corpo primordial, mas a composi\u00e7\u00e3o destes meteoritos indica que este objeto estava derretido e n\u00e3o derretido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, investigadores do MIT e de outras institui\u00e7\u00f5es determinaram que o corpo parental destes meteoritos raros era de facto um objeto diferenciado e com v\u00e1rias camadas que provavelmente tinha um n\u00facleo met\u00e1lico. Este n\u00facleo era suficientemente grande para gerar um campo magn\u00e9tico que pode ter sido t\u00e3o forte quanto o campo magn\u00e9tico da Terra \u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os seus resultados, publicados na revista Science Advances, sugerem que a diversidade dos primeiros objetos do Sistema Solar pode ter sido mais complexa do que os cientistas supunham.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 um exemplo de um planetesimal que deve ter tido camadas s\u00f3lidas e l\u00edquidas. Incentiva a busca por mais evid\u00eancias de estruturas planet\u00e1rias compostas,&#8221; diz a autora principal Clara Maurel, estudante do Departamento de Ci\u00eancias da Terra, Atmosf\u00e9ricas e Planet\u00e1rias do MIT. &#8220;Compreender todo o espectro de estruturas, de s\u00f3lido a totalmente l\u00edquido, \u00e9 fundamental para decifrar como os planetesimais se formaram no in\u00edcio do Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os coautores de Maurel incluem o professor Benjamin Weiss do mesmo departamento do MIT, juntamente com colaboradores da Universidade de Oxford, da Universidade de Cambridge, da Universidade de Chicago, do Laborat\u00f3rio Nacional Lawrence em Berkeley e do SwRI (Southwest Research Institute).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ferros estranhos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sistema Solar formou-se h\u00e1 cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos a partir de um turbilh\u00e3o superquente de g\u00e1s e poeira. \u00c0 medida que este disco arrefecia gradualmente, peda\u00e7os de material colidiam e fundiam-se para formar corpos progressivamente maiores, como planetesimais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria dos meteoritos que caem para a Terra t\u00eam composi\u00e7\u00f5es que sugerem que vieram de planetesimais primitivos de dois tipos: derretidos e n\u00e3o derretidos. Os dois tipos de objetos, pensam os cientistas, teriam sido formados relativamente depressa, em poucos milh\u00f5es de anos, no in\u00edcio da evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se um planetesimal se formou nos primeiros 1,5 milh\u00f5es de anos do Sistema Solar, elementos radiog\u00e9nicos de vida curta podiam ter derretido totalmente o corpo devido ao calor libertado pelo seu decaimento. Os planetesimais s\u00f3lidos podem ter-se formado mais tarde, quando o seu material apresentava menos quantidades de elementos radiog\u00e9nicos, insuficientes para os derreter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 poucas evid\u00eancias, no registo de meteoritos, de objetos interm\u00e9dios com composi\u00e7\u00f5es n\u00e3o derretidas e derretidas, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia rara de meteoritos chamados IIE ferro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes IIE ferros s\u00e3o meteoritos estranhos,&#8221; disse Weiss. &#8220;Mostram evid\u00eancias de que vieram de objetos primordiais que nunca derreteram, mas tamb\u00e9m evid\u00eancias de que vieram de um corpo completamente ou pelo menos substancialmente derretido. N\u00f3s n\u00e3o sabemos onde coloc\u00e1-los e foi isso que nos fez debru\u00e7ar sobre eles.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Zonas magn\u00e9ticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas descobriram anteriormente que os meteoritos IIE derretidos e n\u00e3o derretidos tiveram origem no mesmo planetesimal antigo, que provavelmente tinha uma crosta s\u00f3lida sobre um manto l\u00edquido, como a Terra. Maurel e seus colegas perguntaram-se se o planetesimal tamb\u00e9m podia ter tido um n\u00facleo met\u00e1lico derretido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ser\u00e1 que este objeto derreteu o suficiente para que o material afundasse para o centro e formasse um n\u00facleo met\u00e1lico como o da Terra?&#8221; disse Maurel. &#8220;Era essa a pe\u00e7a que faltava na hist\u00f3ria destes meteoritos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa argumentou que, caso o planetesimal realmente tivesse hospedado um n\u00facleo met\u00e1lico, podia muito bem ter gerado um campo magn\u00e9tico, semelhante \u00e0 forma como o n\u00facleo l\u00edquido da Terra produz um campo magn\u00e9tico. Um campo t\u00e3o antigo pode ter feito com que os minerais no planetesimal &#8220;apontassem&#8221; na dire\u00e7\u00e3o do campo, como uma agulha numa b\u00fassola. Certos minerais podem ter mantido este alinhamento durante milhares de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maurel e colegas perguntaram-se se podiam encontrar estes minerais em amostras de meteoritos IIE que haviam ca\u00eddo para a Terra. Obtiveram dois meteoritos, que analisaram em busca de um tipo de mineral de n\u00edquel-ferro conhecido pelas suas propriedades excecionais de registo magn\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa analisou as amostras usando o ALS (Advanced Light Source) do Berkeley Lab, que produz raios-X que interagem com os gr\u00e3os minerais em escalas nanom\u00e9tricas, de maneira a revelar a dire\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica dos minerais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E assim foi. Os eletr\u00f5es em v\u00e1rios gr\u00e3os estavam alinhados numa dire\u00e7\u00e3o semelhante &#8211; evid\u00eancia de que o corpo parental gerou um campo magn\u00e9tico, com possivelmente at\u00e9 v\u00e1rias dezenas de microtesla, equivalente \u00e0 for\u00e7a do campo magn\u00e9tico da Terra. Ap\u00f3s descartar fontes menos plaus\u00edveis, a equipa concluiu que o campo magn\u00e9tico era provavelmente produzido por um n\u00facleo met\u00e1lico l\u00edquido. Para gerar este campo, estimam que o n\u00facleo deve ter tido pelo menos v\u00e1rias dezenas de quil\u00f3metros de di\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tais planetesimais complexos com composi\u00e7\u00e3o mista (com camadas derretidas, na forma de um n\u00facleo e manto l\u00edquidos, e n\u00e3o derretidas na forma de uma crosta s\u00f3lida), diz Maurel, provavelmente teriam levado v\u00e1rios milh\u00f5es de anos para se formar &#8211; um per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o que \u00e9 mais do que o que os cientistas haviam assumido at\u00e9 recentemente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas de onde, dentro do corpo original, vieram estes meteoritos? Se o campo magn\u00e9tico tivesse sido gerado pelo n\u00facleo do corpo original, isso significaria que os fragmentos que finalmente ca\u00edram na Terra n\u00e3o podiam ter vindo do pr\u00f3prio n\u00facleo. Isto porque um n\u00facleo l\u00edquido gera apenas um campo magn\u00e9tico enquanto gira e est\u00e1 quente. Quaisquer minerais que registassem o antigo campo magn\u00e9tico devem t\u00ea-lo feito fora do n\u00facleo, antes deste arrefecer completamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trabalhando com colaboradores da Universidade de Chicago, a equipa realizou simula\u00e7\u00f5es de alta velocidade de v\u00e1rios cen\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o para estes meteoritos. Estas mostraram ser poss\u00edvel que um corpo com um n\u00facleo l\u00edquido colidisse com outro objeto e que esse impacto desalojasse material do n\u00facleo. Este material migraria para zonas pr\u00f3ximas da superf\u00edcie onde os meteoritos tiveram origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c0 medida que o corpo arrefece, os meteoritos nestas regi\u00f5es imprimem este campo magn\u00e9tico nos seus minerais. A determinado ponto, o campo magn\u00e9tico decair\u00e1, mas a impress\u00e3o permanece,&#8221; diz Maurel. &#8220;Mais tarde, este corpo passaria por muitas outras colis\u00f5es at\u00e9 \u00e0s colis\u00f5es finais que colocariam os meteoritos na trajet\u00f3ria da Terra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser\u00e1 que este planetesimal complexo era um &#8220;outlier&#8221; do in\u00edcio do Sistema Solar, ou um de muitos objetos diferenciados? A resposta, diz Weiss, pode estar na cintura de asteroides, uma regi\u00e3o povoada por remanescentes primordiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A maioria dos corpos da cintura de asteroides parece n\u00e3o derretido \u00e0 superf\u00edcie,&#8221; diz Weiss. &#8220;Se finalmente conseguirmos ver o interior dos asteroides, podemos testar esta ideia. Talvez alguns asteroides estejam derretidos por dentro, e corpos como este planetesimal sejam realmente comuns.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/news.mit.edu\/2020\/origin-rare-meteorites-0724\" target=\"_blank\">\/\/ MIT News (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/30\/eaba1303\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/meteorites-1\/an-origin-story-for-a-family-of-oddball-meteorites.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space Ref<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-07-story-family-oddball-meteorites.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planetesimal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planetesimal (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite_classification\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Classifica\u00e7\u00e3o de meteoritos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IIE_iron_meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">IIE ferro (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amostras de uma fam\u00edlia de meteoritos raros, incluindo o da imagem, revelam que o seu planetesimal de origem, formado nos est\u00e1gios inciais do Sistema Solar, era um objeto complexo e com camadas, com um n\u00facleo l\u00edquido e uma crosta s\u00f3lida, semelhante \u00e0 Terra. 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