{"id":3347,"date":"2020-07-21T05:33:17","date_gmt":"2020-07-21T05:33:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3347"},"modified":"2020-07-21T05:33:26","modified_gmt":"2020-07-21T05:33:26","slug":"estrela-fugitiva-pode-explicar-brilho-invulgar-em-redor-de-buraco-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/07\/21\/estrela-fugitiva-pode-explicar-brilho-invulgar-em-redor-de-buraco-negro\/","title":{"rendered":"Estrela &#8220;fugitiva&#8221; pode explicar brilho invulgar em redor de buraco negro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia23864-16.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/GTMFWgb.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3348\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/GTMFWgb.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/GTMFWgb-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/GTMFWgb-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra um buraco negro rodeado por um disco de g\u00e1s. No painel \u00e0 esquerda, uma corrente de detritos cai para o disco. No painel \u00e0 direita, os detritos dispersaram parte do g\u00e1s, fazendo com que a coroa (a bola de luz branca acima do buraco negro) desaparecesse.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No centro de uma gal\u00e1xia distante, um buraco negro est\u00e1 a consumir lentamente um disco de g\u00e1s que gira em seu redor como \u00e1gua num dreno. \u00c0 medida que um fluxo constante de g\u00e1s \u00e9 puxado para a &#8220;boca&#8221; do &#8220;monstro&#8221;, part\u00edculas ultraquentes re\u00fanem-se perto do buraco negro, acima e abaixo do disco, gerando um brilho de raios-X que pode ser visto a 300 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, a partir da Terra. Sabemos que estas cole\u00e7\u00f5es de g\u00e1s ultraquente, chamadas coroas, exibem mudan\u00e7as vis\u00edveis na sua luminosidade, brilhando ou escurecendo por um factor de at\u00e9 100 vezes quando um buraco negro se alimenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 dois anos, os astr\u00f3nomos assistiram com admira\u00e7\u00e3o os raios-X da coroa do buraco negro numa gal\u00e1xia conhecida como 1ES 1927+654 a desaparecerem completamente, diminuindo por um factor de 10.000 em cerca de 40 dias. Quase imediatamente, come\u00e7ou a recuperar, e cerca de 100 dias depois tornou-se quase 20 vezes mais brilhante do que era antes do evento.<\/p>\n\n\n\n<p>Os raios-X da coroa de um buraco negro s\u00e3o subprodutos diretos da alimenta\u00e7\u00e3o do buraco negro, de modo que o desaparecimento desta radia\u00e7\u00e3o de 1ES 1927+654 provavelmente significa que o seu suprimento de alimentos foi cortado. Num novo estudo publicado na revista cient\u00edfica The Astrophysical Journal Letters, os cientistas teorizam que uma estrela em fuga pode ter chegado demasiado perto do buraco negro e ter sido destru\u00edda. Se fosse esse o caso, os detritos em movimento da estrela podiam ter colidido com parte do disco, dispersando brevemente o g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Normalmente, n\u00e3o vemos varia\u00e7\u00f5es como esta na acre\u00e7\u00e3o de buracos negros,&#8221; disse Claudio Ricci, professor assistente da Universidade Diego Portales, em Santiago, Chile, autor principal do estudo. &#8220;Foi t\u00e3o estranho que ao in\u00edcio pens\u00e1mos que havia algo errado com os nossos dados. Quando vimos que era real, foi muito excitante. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o faz\u00edamos ideia do que est\u00e1vamos a lidar; nunca ningu\u00e9m tinha visto nada como isto.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Quase todas as gal\u00e1xias do Universo podem hospedar um buraco negro supermassivo no seu centro, como o de 1ES 1927+654, com massas milh\u00f5es ou milhares de milh\u00f5es de vezes maiores que a do nosso Sol. Crescem consumindo o g\u00e1s que os rodeia, tamb\u00e9m conhecido como disco de acre\u00e7\u00e3o. Dado que os buracos negros n\u00e3o emitem ou refletem luz, n\u00e3o podem ser vistos diretamente, mas a luz das suas coroas e dos seus discos de acre\u00e7\u00e3o fornecem uma maneira de aprender mais sobre estes objetos escuros.<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese estelar dos autores tamb\u00e9m \u00e9 apoiada pelo facto de que alguns meses antes do desaparecimento do sinal de raios-X, observat\u00f3rios na Terra viram o disco a aumentar consideravelmente de brilho em comprimentos de onda vis\u00edveis (aqueles que podem ser vistos pelo olho humano). Isto pode ter resultado da colis\u00e3o inicial dos detritos estelares com o disco.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento de desaparecimento em 1ES 1927+654 \u00e9 \u00fanico n\u00e3o apenas por causa da dram\u00e1tica mudan\u00e7a no brilho, mas tamb\u00e9m devido \u00e0 profundidade com que os astr\u00f3nomos foram capazes de o estudar. A explos\u00e3o de luz vis\u00edvel levou Ricci e colegas a solicitar observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento do buraco negro usando o NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA, um telesc\u00f3pio de raios-X a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. No total, o NICER observou o sistema 265 vezes ao longo de 15 meses. Monitoriza\u00e7\u00e3o adicional em raios-X foi obtida com o Observat\u00f3rio Swift Neil Gehrels da NASA &#8211; que tamb\u00e9m observou o sistema sob luz ultravioleta &#8211; bem como com o NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA e com o Observat\u00f3rio XMM-Newton da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os raios-X da coroa desapareceram, o NICER e o Swift observaram raios-X menos energ\u00e9ticos do sistema, de modo que, coletivamente, estes observat\u00f3rios forneceram um fluxo cont\u00ednuo de informa\u00e7\u00f5es durante todo o evento.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora uma estrela rebelde pare\u00e7a a culpada mais prov\u00e1vel, os autores observam que podem existir outras explica\u00e7\u00f5es para o evento sem precedentes. Uma caracter\u00edstica not\u00e1vel das observa\u00e7\u00f5es \u00e9 que a queda geral no brilho n\u00e3o foi uma transi\u00e7\u00e3o suave: dia a dia, os raios-X de baixa energia que o NICER detetou mostravam varia\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, \u00e0s vezes mudando o brilho por um factor de 100 em menos de 8 horas. Em casos extremos, sabe-se que as coroas dos buracos negros se tornam 100 vezes mais brilhantes ou mais t\u00e9nues, mas em escalas de tempo muito mais longas. Tais mudan\u00e7as r\u00e1pidas, ocorrendo continuamente durante meses, s\u00e3o extraordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este conjunto de dados cont\u00e9m muitos quebra-cabe\u00e7as,&#8221; disse Erin Kara, professora assistente de f\u00edsica no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e coautora do novo estudo. &#8220;Mas isso \u00e9 emocionante, porque significa que estamos a aprender algo novo sobre o Universo. Pensamos que a hip\u00f3tese estelar \u00e9 boa, mas tamb\u00e9m acho que vamos continuar a analisar este evento durante muito tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que este tipo de variabilidade extrema em discos de acre\u00e7\u00e3o de buracos negros seja mais comum do que os astr\u00f3nomos pensem. Muitos observat\u00f3rios em opera\u00e7\u00e3o e de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o est\u00e3o projetados para procurar mudan\u00e7as a curto prazo nos fen\u00f3menos c\u00f3smicos, uma pr\u00e1tica conhecida como &#8220;astronomia no dom\u00ednio do tempo&#8221;, que podem revelar mais eventos como este.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este novo estudo \u00e9 um \u00f3timo exemplo de como a flexibilidade na calendariza\u00e7\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es permite que as miss\u00f5es da NASA e da ESA estudem objetos que evoluem relativamente depressa e procurem mudan\u00e7as a longo prazo no seu comportamento m\u00e9dio,&#8221; disse Michael Loewenstein, coautor do artigo e astrof\u00edsico da miss\u00e3o NICER da Universidade de Maryland em College Park e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no mesmo estado norte-americano. &#8220;Ser\u00e1 que este buraco negro ativo vai regressar ao estado em que se encontrava antes do evento de perturba\u00e7\u00e3o? Ou ser\u00e1 que o sistema foi alterado fundamentalmente? Estamos a continuar as nossas observa\u00e7\u00f5es para descobrir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/runaway-star-might-explain-black-holes-disappearing-act\/\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/news.mit.edu\/2020\/black-hole-corona-reappear-0716\" target=\"_blank\">\/\/ MIT (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ab91a1\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2007.07275\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/black-hole-mystery-runaway-star.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/astronomy\/astronomers-watch-a-black-holes-corona-disappear-then-reappear.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space Ref<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/for-the-first-time-we-ve-seen-a-black-hole-blink\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NICER:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/nicer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_Star_Interior_Composition_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/SPECIALS\/Columbus\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA&nbsp;<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/station\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/International_Space_Station\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Swift:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/swift.gsfc.nasa.gov\/docs\/swift\/swiftsc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_Gamma-Ray_Burst_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NuSTAR:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/nustar\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nustar.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NuSTAR\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio XMM-Newton:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/xmm-newton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra um buraco negro rodeado por um disco de g\u00e1s. 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