{"id":3318,"date":"2020-07-10T05:26:50","date_gmt":"2020-07-10T05:26:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3318"},"modified":"2020-07-10T05:26:59","modified_gmt":"2020-07-10T05:26:59","slug":"o-poder-coletivo-dos-corpos-escuros-e-gelados-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/07\/10\/o-poder-coletivo-dos-corpos-escuros-e-gelados-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"O poder coletivo dos corpos escuros e gelados do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/xndrfs9.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"602\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/xndrfs9-1024x602.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3319\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/xndrfs9-1024x602.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/xndrfs9-300x176.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/xndrfs9-768x452.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/xndrfs9.png 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Os cientistas h\u00e1 muito que tentam explicar a exist\u00eancia dos &#8220;corpos separados&#8221; do Sistema Solar, que t\u00eam \u00f3rbitas altamente inclinadas e normalmente agrupam-se numa parte do c\u00e9u noturno.<br>Cr\u00e9dito: Steven Burrows\/JILA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os confins do nosso Sistema Solar s\u00e3o um lugar estranho &#8211; cheios de corpos escuros e gelados com alcunhas como Sedna, Biden e Goblin, cada um dos quais com v\u00e1rias centenas de quil\u00f3metros de di\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois novos estudos por investigadores da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, podem ajudar a resolver um dos maiores mist\u00e9rios sobre estes mundos distantes: o porqu\u00ea de tantos n\u00e3o orbitarem o Sol da maneira que deviam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As \u00f3rbitas destes extravagantes corpos menores, que os cientistas chamam de &#8220;objetos separados&#8221;, inclinam-se e desviam-se do plano do Sistema Solar, entre outros comportamentos invulgares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta regi\u00e3o do espa\u00e7o, que est\u00e1 muito mais pr\u00f3xima de n\u00f3s do que as estrelas da nossa Gal\u00e1xia e de outras coisas que podemos observar muito bem, \u00e9-nos muito desconhecida,&#8221; disse Ann-Marie Madigan, professora assistente do Departamento de Ci\u00eancias Astrof\u00edsicas e Planet\u00e1rias da Universidade do Colorado em Boulder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns cientistas sugeriram que um objeto muito grande podia ser o culpado &#8211; como o conhecido planeta te\u00f3rico, &#8220;Planeta Nove&#8221; &#8211; por espalhar objetos no seu rastro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas Madigan e o estudante Alexander Zderic preferem pensar em algo mais pequeno. Baseando-se em simula\u00e7\u00f5es exaustivas de computador, a dupla defende que estes objetos separados podem eles pr\u00f3prios ter perturbado as suas \u00f3rbitas &#8211; atrav\u00e9s de pequenos impulsos gravitacionais acumulados ao longo de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas, disse Madigan, fornecem uma pista tentadora do que pode estar a acontecer nesta misteriosa regi\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Somos a primeira equipa capaz de reproduzir tudo, todas as estranhas anomalias orbitais que os cientistas t\u00eam visto ao longo dos anos,&#8221; disse Madigan. &#8220;Ainda h\u00e1 muito que fazer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa publicou os seus resultados no passado dia 2 de julho na revista The Astronomical Journal e o m\u00eas passado na revista The Astronomical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/Aj44GlB.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/Aj44GlB.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Uma galeria dos maiores objetos conhecidos do Sistema Solar exterior, para l\u00e1 da \u00f3rbita de Neptuno.<br>Cr\u00e9dito: Wikimedia Commons <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Madigan acrescentou que o problema com o estudo do Sistema Solar exterior \u00e9 que \u00e9 muito escuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Normalmente, a \u00fanica maneira de observar estes objetos \u00e9 quando os raios solares colidem com a sua superf\u00edcie e s\u00e3o dirigidos para os nossos telesc\u00f3pios na Terra,&#8221; disse. &#8220;Dado que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil aprender mais sobre esta regi\u00e3o, havia a suposi\u00e7\u00e3o de que estava vazia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Madigan faz parte de um grupo cada vez maior de cientistas que argumenta que esta regi\u00e3o do espa\u00e7o est\u00e1 longe de estar vazia &#8211; mas isso n\u00e3o facilita a sua compreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Basta olhar para os objetos separados. Enquanto a maior parte dos corpos no Sistema Solar tendem a orbitar o Sol num disco achatado, as \u00f3rbitas destes mundos gelados podem ter grandes inclina\u00e7\u00f5es. Muitos tamb\u00e9m tendem a agrupar-se apenas numa regi\u00e3o do c\u00e9u noturno, um pouco semelhante a uma b\u00fassola que aponta apenas para o norte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Madigan e Zderic queriam descobrir o porqu\u00ea. Para tal, recorreram a supercomputadores para recriar, ou modelar, as din\u00e2micas do Sistema Solar exterior no maior detalhe alguma vez atingido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Model\u00e1mos algo que pode ter existido no Sistema Solar exterior e tamb\u00e9m acrescent\u00e1mos a influ\u00eancia gravitacional dos planetas gigantes como J\u00fapiter,&#8221; disse Zderic.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No processo, descobriram algo invulgar: os objetos gelados nas suas simula\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a orbitar o Sol como normal. Mas, com o tempo, come\u00e7aram a empurrar e a puxarem-se uns aos outros. Como resultado, as suas \u00f3rbitas foram ficando esquisitas at\u00e9 parecem-se com as \u00f3rbitas reais. O mais not\u00e1vel foi que fizeram isto tudo sozinhos &#8211; os asteroides e os planetas menores n\u00e3o precisavam de um planeta grande para os impelir para \u00f3rbitas fora do comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Individualmente, todas as intera\u00e7\u00f5es gravitacionais entre estes corpos pequenos s\u00e3o fracas,&#8221; disse Madigan. &#8220;Mas em grande n\u00famero, tornam-se importantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Madigan e Zderic haviam visto ind\u00edcios de padr\u00f5es semelhantes em investiga\u00e7\u00f5es anteriores, mas os seus \u00faltimos resultados fornecem as evid\u00eancias mais exaustivas at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas tamb\u00e9m v\u00eam com uma grande ressalva. Para fazer com que a teoria de &#8220;gravidade coletiva&#8221; de Madigan e Zderic funcione, o Sistema Solar exterior j\u00e1 precisou de conter uma enorme quantidade de material.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Precisamos de objetos que totalizem algo na ordem das 20 massas terrestres,&#8221; disse Madigan. &#8220;Isto \u00e9 teoricamente poss\u00edvel, mas vai definitivamente esbarrar com as opini\u00f5es de alguns especialistas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De uma forma ou de outra, os cientistas podem em breve ter mais certezas. Um novo telesc\u00f3pio, de nome Observat\u00f3rio Vera C. Rubin, vai em 2022 entrar em funcionamento no Chile e come\u00e7ar a lan\u00e7ar uma nova luz sobre esta regi\u00e3o t\u00e3o desconhecida do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Grande parte do fasc\u00ednio recente pelo Sistema Solar exterior est\u00e1 relacionado com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos,&#8221; disse Zderic. &#8220;Realmente precisamos da mais nova gera\u00e7\u00e3o de telesc\u00f3pios para observar estes corpos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/2020\/07\/07\/outer-solar-system\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ab962f\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ab91a0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2004.01198\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/things-are-real-weird-in-the-outer-solar-system-and-astronomers-are-homing-in-on-why\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-07-power-solar-dark-icy-bodies.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Objetos separados:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Detached_object\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sednoid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sednoide (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Centauros:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Centaur_(small_Solar_System_body)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Vera C. Rubin:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.vro.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Vera_C._Rubin_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.lsst.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LSST (p\u00e1gina principal)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas h\u00e1 muito que tentam explicar a exist\u00eancia dos &#8220;corpos separados&#8221; do Sistema Solar, que t\u00eam \u00f3rbitas altamente inclinadas e normalmente agrupam-se numa parte do c\u00e9u noturno.Cr\u00e9dito: Steven Burrows\/JILA Os confins do nosso Sistema Solar s\u00e3o um lugar estranho &#8211; cheios de corpos escuros e gelados com alcunhas como Sedna, Biden e Goblin, cada &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3319,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,1],"tags":[567,863,723,320,864],"class_list":["post-3318","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-telescopios-profissionais","tag-centauros","tag-objetos-separados","tag-observatorio-vera-c-rubin","tag-planeta-nove","tag-sednoide"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3318"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3318\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3320,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3318\/revisions\/3320"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3319"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}