{"id":3306,"date":"2020-07-07T05:31:19","date_gmt":"2020-07-07T05:31:19","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3306"},"modified":"2020-07-07T05:31:20","modified_gmt":"2020-07-07T05:31:20","slug":"radar-sugere-que-a-lua-e-mais-metalica-do-que-se-pensava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/07\/07\/radar-sugere-que-a-lua-e-mais-metalica-do-que-se-pensava\/","title":{"rendered":"Radar sugere que a Lua \u00e9 mais met\u00e1lica do que se pensava"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/the-moon-near-side.en_.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"985\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/h2LMinT.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3307\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/h2LMinT.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/h2LMinT-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/h2LMinT-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/h2LMinT-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Esta imagem, com base em dados da sonda LRO da NASA, mostra a face da Lua como a vemos da Terra. Quanto mais aprendermos sobre o nosso vizinho mais pr\u00f3ximo, mais podemos come\u00e7ar a entender a Lua como um lugar din\u00e2mico com recursos \u00fateis que um dia podem suportar presen\u00e7a humana.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/GSFC\/Universidade Estatal do Arizona<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que come\u00e7ou como uma ca\u00e7a ao gelo escondido nas crateras polares lunares transformou-se numa descoberta inesperada que pode ajudar a esclarecer uma hist\u00f3ria &#8220;lamacenta&#8221; sobre a forma\u00e7\u00e3o da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os membros da equipa do instrumento Mini-RF (Miniature Radio Frequency) na sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA encontraram novas evid\u00eancias de que a subsuperf\u00edcie da Lua pode ser mais rica em metais, como ferro e tit\u00e2nio, do que os investigadores pensavam. Esta descoberta, publicada dia 1 de julho na revista Earth and Planetary Science Letters, pode ajudar a estabelecer uma liga\u00e7\u00e3o mais clara entre a Terra e a Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A miss\u00e3o LRO e o seu instrumento de radar continuam a surpreender-nos com novas ideias sobre as origens e sobre a complexidade do nosso vizinho mais pr\u00f3ximo,&#8221; disse Wes Patterson, investigador principal do Mini-RF do Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Evid\u00eancias substanciais apontam para a Lua como o produto de uma colis\u00e3o entre um protoplaneta do tamanho de Marte e a jovem Terra, formando-se a partir do colapso gravitacional da restante nuvem de detritos. Consequentemente, a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da Lua assemelha-se \u00e0 da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, observando em detalhe a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da Lua, essa hist\u00f3ria torna-se menos clara. Por exemplo, nas plan\u00edcies brilhantes da superf\u00edcie da Lua, chamadas terras altas lunares, as rochas cont\u00eam quantidades mais pequenas de minerais contendo metais em compara\u00e7\u00e3o com a Terra. Esta descoberta podia ser explicada se a Terra tivesse se diferenciado completamente num n\u00facleo, manto e crosta antes do impacto, deixando a Lua em grande parte pobre em metais. Mas quando nos debru\u00e7amos sobre os mares lunares &#8211; as plan\u00edcies grandes e mais escuras &#8211; a abund\u00e2ncia de metais torna-se mais rica do que muitas rochas na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta discrep\u00e2ncia intrigou os cientistas, levando a in\u00fameras perguntas e hip\u00f3teses sobre o quanto o protoplaneta impactante pode ter contribu\u00eddo para as diferen\u00e7as. A equipa do Mini-RF encontrou um padr\u00e3o curioso que pode levar a uma resposta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o Mini-RF, os investigadores procuraram medir uma propriedade el\u00e9trica no solo lunar empilhado no ch\u00e3o de crateras no hemisf\u00e9rio norte da Lua. Esta propriedade el\u00e9trica \u00e9 conhecida como constante diel\u00e9trica, um n\u00famero que compara as capacidades relativas de um material e o v\u00e1cuo do espa\u00e7o para transmitir campos el\u00e9tricos, e pode ajudar a localizar gelo escondido nas sombras das crateras. A equipa, no entanto, percebeu que esta propriedade aumentava com o tamanho das crateras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para crateras com aproximadamente 2 a 5 km de di\u00e2metro, a constante diel\u00e9trica do material aumentava constantemente \u00e0 medida que as crateras cresciam, mas para crateras com 5 a 20 km de di\u00e2metro, a propriedade permanecia constante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi uma rela\u00e7\u00e3o surpreendente que n\u00e3o t\u00ednhamos motivo para acreditar que existisse,&#8221; disse Essam Heggy, coinvestigador das experi\u00eancias Mini-RF da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia em Los Angeles e autor principal do artigo publicado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta deste padr\u00e3o abriu a porta para uma nova possibilidade. Como os meteoros que formam crateras maiores tamb\u00e9m escavam mais fundo na subsuperf\u00edcie da Lua, a equipa argumentou que a constante diel\u00e9trica crescente da poeira nas crateras maiores podia ser o resultado de meteoros que escavam \u00f3xidos de ferro e tit\u00e2nio situados abaixo da superf\u00edcie. As propriedades diel\u00e9tricas est\u00e3o diretamente ligadas \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o desses minerais met\u00e1licos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a sua hip\u00f3tese estivesse correta, isso significaria que apenas as primeiras centenas de metros da superf\u00edcie da Lua s\u00e3o escassas em \u00f3xidos de ferro e tit\u00e2nio, mas abaixo da superf\u00edcie, h\u00e1 um aumento constante at\u00e9 um tesouro rico e inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comparando imagens de radar do ch\u00e3o de crateras obtidas pelo Mini-RF com mapas de \u00f3xido de metais do instrumento Wide-Angle Camera da LRO, da miss\u00e3o japonesa Kaguya e da Lunar Prospector da NASA, a equipa encontrou exatamente o que suspeitava. As crateras maiores, com o seu material diel\u00e9trico maior, tamb\u00e9m eram mais ricas em metais, sugerindo que mais \u00f3xidos de ferro e tit\u00e2nio haviam sido escavados das profundidades de 0,5 a 2 km do que das profundidades 0,2 a 0,5 km do subsolo lunar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este empolgante resultado do Mini-RF mostra que, mesmo ap\u00f3s 11 anos de opera\u00e7\u00e3o na Lua, ainda estamos a fazer novas descobertas sobre a hist\u00f3ria antiga do nosso vizinho mais pr\u00f3ximo,&#8221; disse Noah Petro, cientista do projeto LRO do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. &#8220;Os dados do Mini-RF s\u00e3o incrivelmente valiosos e contam-nos mais sobre as propriedades da superf\u00edcie lunar, mas usamos estes dados para inferir o que ocorreu h\u00e1 mais de 4,5 mil milh\u00f5es de anos!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes resultados seguem evid\u00eancias recentes da miss\u00e3o GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) da NASA, que sugere que uma massa significativa de material denso existe apenas algumas dezenas a centenas de quil\u00f3metros abaixo da enorme bacia do Polo Sul-Aitken da Lua, indicando que os materiais densos n\u00e3o est\u00e3o distribu\u00eddos uniformemente no subsolo lunar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa enfatiza que o novo estudo n\u00e3o pode responder diretamente \u00e0s quest\u00f5es pendentes sobre a forma\u00e7\u00e3o da Lua, mas reduz a incerteza na distribui\u00e7\u00e3o dos \u00f3xidos de ferro e tit\u00e2nio na subsuperf\u00edcie lunar e fornece evid\u00eancias cr\u00edticas necess\u00e1rias para melhor entender a forma\u00e7\u00e3o da Lua e a sua liga\u00e7\u00e3o com a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Realmente levanta a quest\u00e3o do que isso significa para as nossas anteriores hip\u00f3teses de forma\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Heggy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ansiosos por mais descobertas, os cientistas j\u00e1 come\u00e7aram a examinar o ch\u00e3o de crateras no hemisf\u00e9rio sul da Lua para ver se existem a\u00ed as mesmas tend\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2020\/moon-more-metallic-than-thought\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/viterbischool.usc.edu\/news\/2020\/07\/higher-concentration-of-metal-in-moons-craters-provides-new-insights-to-its-origin\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia do Sul (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.epsl.2020.116274\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Earth and Planetary Science Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/eurekalert.org\/pub_releases\/2020-07\/uosc-hco070120.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/metal-inside-lunar-craters-might-mean-a-rethink-over-how-the-moon-was-formed\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astronomy\/moon-may-be-much-more-metallic\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-07-higher-metal-moon-craters-insights.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/07\/200701151724.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/moon\/radar-points-to-the-moon-being-more-metallic-than-researchers-thought.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space Ref<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lua:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Moon\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Constante diel\u00e9trica:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Relative_permittivity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lunar Reconnaissance Orbiter:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/lunar.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/LRO\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lunar_Reconnaissance_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem, com base em dados da sonda LRO da NASA, mostra a face da Lua como a vemos da Terra. 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