{"id":3274,"date":"2020-06-26T05:27:19","date_gmt":"2020-06-26T05:27:19","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3274"},"modified":"2020-06-26T05:27:29","modified_gmt":"2020-06-26T05:27:29","slug":"evidencias-suportam-cenario-de-comeco-a-quente-e-formacao-de-oceano-em-plutao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/06\/26\/evidencias-suportam-cenario-de-comeco-a-quente-e-formacao-de-oceano-em-plutao\/","title":{"rendered":"Evid\u00eancias suportam cen\u00e1rio de &#8220;come\u00e7o a quente&#8221; e forma\u00e7\u00e3o de oceano em Plut\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"547\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/mA28AQr.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3275\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/mA28AQr.jpg 720w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/mA28AQr-300x228.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption>Falhas extensionais (setas) \u00e0 superf\u00edcie de Plut\u00e3o indicam expans\u00e3o da crosta gelada do planeta an\u00e3o, atribu\u00eddas \u00e0 congela\u00e7\u00e3o de um oceano subsuperficial.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins\/SwRI\/Alex Parker<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A acre\u00e7\u00e3o de novo material durante a forma\u00e7\u00e3o de Plut\u00e3o pode ter gerado calor suficiente para criar um oceano l\u00edquido que persiste sob uma crosta gelada at\u00e9 aos dias de hoje, apesar da \u00f3rbita do planeta an\u00e3o, t\u00e3o longe do Sol, situada nas frias regi\u00f5es exteriores do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este cen\u00e1rio de &#8220;come\u00e7o a quente&#8221;, apresentado num artigo publicado dia 22 de junho na revista Nature Geoscience, contrasta com a vis\u00e3o tradicional das origens de Plut\u00e3o como uma bola de gelo e rocha, na qual a deteriora\u00e7\u00e3o radioativa poderia eventualmente gerar calor suficiente para derreter o gelo se formar um oceano subterr\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 muito tempo que as pessoas refletem sobre a evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de Plut\u00e3o e a capacidade de um oceano sobreviver at\u00e9 aos dias atuais,&#8221; disse o coautor Francis Nimmo, professor de ci\u00eancias planet\u00e1rias e da Terra na Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Cruz. &#8220;Agora que temos imagens da superf\u00edcie de Plut\u00e3o da miss\u00e3o New Horizons da NASA, podemos comparar o que vemos com as previs\u00f5es de diferentes modelos de evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dado que a \u00e1gua se expande quando congela e se contrai quando derrete, os cen\u00e1rios de come\u00e7o a quente e come\u00e7o a frio t\u00eam implica\u00e7\u00f5es diferentes para a tect\u00f3nica e para as resultantes caracter\u00edsticas \u00e0 superf\u00edcie de Plut\u00e3o, explicou o autor principal Carver Bierson, estudante da mesma universidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se come\u00e7ou frio e o gelo derreteu internamente, Plut\u00e3o teria contra\u00eddo e dever\u00edamos ver caracter\u00edsticas de compress\u00e3o na sua superf\u00edcie, ao passo que se come\u00e7ou quente, teria expandido \u00e0 medida que o oceano congelava e dever\u00edamos ver caracter\u00edsticas de extens\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie,&#8221; disse Bierson. &#8220;N\u00f3s vemos muitas evid\u00eancias de expans\u00e3o, mas n\u00e3o vemos nenhuma evid\u00eancia de compress\u00e3o, de modo que as observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais consistentes com Plut\u00e3o tendo come\u00e7ado com um oceano l\u00edquido.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica e tect\u00f3nica de um Plut\u00e3o com come\u00e7o a frio \u00e9 na realidade um pouco complicada, porque ap\u00f3s um per\u00edodo inicial de derretimento gradual, o oceano \u00e0 subsuperf\u00edcie come\u00e7aria a congelar novamente. Portanto, a compress\u00e3o da superf\u00edcie teria ocorrido cedo, seguida por uma extens\u00e3o mais recente. Com um come\u00e7o a quente, a extens\u00e3o ocorreria ao longo da hist\u00f3ria de Plut\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As caracter\u00edsticas mais antigas da superf\u00edcie de Plut\u00e3o s\u00e3o mais dif\u00edceis de descobrir, mas parece que houve uma extens\u00e3o antiga e uma extensa moderna da superf\u00edcie,&#8221; disse Nimmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o seguinte foi ver se havia energia suficiente dispon\u00edvel para dar um come\u00e7o quente a Plut\u00e3o. As duas principais fontes de energia seriam o calor libertado pelo decaimento de elementos radioativos na rocha e a energia gravitacional libertada \u00e0 medida que novos materiais bombardeavam a superf\u00edcie do protoplaneta em crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os c\u00e1lculos de Bierson mostraram que, se toda a energia gravitacional ficasse retida como calor, inevitavelmente criaria um oceano l\u00edquido inicial. No entanto, na pr\u00e1tica, grande parte dessa energia irradiaria para longe da superf\u00edcie, especialmente se a acre\u00e7\u00e3o de novo material ocorresse lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O modo como Plut\u00e3o foi &#8216;montado&#8217; em primeiro lugar \u00e9 muito importante para a sua evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica,&#8221; disse Nimmo. &#8220;Se acumular material muito lentamente, o material quente \u00e0 superf\u00edcie irradia energia para o espa\u00e7o, mas se acumular material r\u00e1pido o suficiente, o calor fica preso no interior.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores calcularam que se Plut\u00e3o tiver sido formado durante um per\u00edodo inferior a 30.000 anos, teria come\u00e7ado quente. Se, ao inv\u00e9s, a acre\u00e7\u00e3o tiver ocorrido ao longo de alguns milh\u00f5es de anos, um come\u00e7o a quente s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se grandes impactos tiverem enterrado a sua energia a grandes profundidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas descobertas sugerem que outros grandes objetos da Cintura de Kuiper provavelmente tamb\u00e9m come\u00e7aram quentes e podem ter tido oceanos iniciais. Estes oceanos podem persistir at\u00e9 aos dias de hoje nos objetos maiores, como os planetas an\u00f5es \u00c9ris e Makemake.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mesmo neste ambiente frio e t\u00e3o longe do Sol, todos estes mundos podem ter-se formado rapidamente e a quente, com oceanos l\u00edquidos,&#8221; disse Bierson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de Bierson e Nimmo, o artigo teve a coautoria de Alan Stern do SwRI (Southwest Research Institute), o investigador principal da miss\u00e3o New Horizons.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.ucsc.edu\/2020\/06\/pluto-ocean.html\" target=\"_blank\">\/\/ UC Santa Cruz (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41561-020-0595-0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2020-06\/uoc--es061920.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/astronomy.com\/news\/2020\/06\/pluto-has-likely-maintained-an-underground-liquid-ocean-for-billions-of-years\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomy<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/pluto-hot-formation-subsurface-ocean.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/146650\/pluto-and-other-kuiper-belt-objects-started-out-with-water-oceans-and-have-been-slowly-freezing-solid-for-billions-of-years\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.scientificamerican.com\/article\/surprise-pluto-may-have-possessed-a-subsurface-ocean-at-birth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Scientific American<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.zmescience.com\/science\/pluto-early-ocean-subsurface-052523\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ZME science<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/06\/200622132959.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.inverse.com\/science\/pluto-hot-star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Inverse<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/icy-pluto-may-have-had-a-hot-start-with-sloshy-liquid-oceans\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-06-evidence-hot-scenario-early-ocean.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.popularmechanics.com\/space\/solar-system\/a32945201\/pluto-ocean-hot-start\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Popular Mechanics<\/a><br><a href=\"https:\/\/futurism.com\/pluto-start-hot-water-world\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Futurism<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.discovermagazine.com\/the-sciences\/pluto-has-likely-maintained-an-underground-liquid-ocean-for-billions-of\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Discover<\/a><br><a href=\"https:\/\/arstechnica.com\/science\/2020\/06\/new-model-challenges-idea-that-pluto-started-out-frozen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ars Technica<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Plut\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pluto\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>New Horizons:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/pluto.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/newhorizons\/main\/#.VIWgrdWsV8E\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasanewhorizons\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/New_Horizons\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falhas extensionais (setas) \u00e0 superf\u00edcie de Plut\u00e3o indicam expans\u00e3o da crosta gelada do planeta an\u00e3o, atribu\u00eddas \u00e0 congela\u00e7\u00e3o de um oceano subsuperficial.Cr\u00e9dito: NASA\/Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins\/SwRI\/Alex Parker A acre\u00e7\u00e3o de novo material durante a forma\u00e7\u00e3o de Plut\u00e3o pode ter gerado calor suficiente para criar um oceano l\u00edquido que persiste sob uma 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