{"id":3257,"date":"2005-07-22T08:20:53","date_gmt":"2005-07-22T08:20:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3257"},"modified":"2020-06-19T08:28:04","modified_gmt":"2020-06-19T08:28:04","slug":"descobertas-em-eros-revelam-nova-forma-de-estudar-asteroides","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/07\/22\/descobertas-em-eros-revelam-nova-forma-de-estudar-asteroides\/","title":{"rendered":"Descobertas em Eros revelam nova forma de estudar aster\u00f3ides"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito do que os geof\u00edsicos sabem sobre o interior da Terra prov\u00e9m da an\u00e1lise de ondas s\u00edsmicas dos terramotos. O conhecimento dos segredos internos da Lua proveio de lan\u00e7ar sondas contra ela e&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.space.com\/news\/a11_science.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">analisar as ondas de choqu<\/a>e que se propagavam atrav\u00e9s dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astrof\u00edsicos descobriram agora uma forma de passivamente analisar a propaga\u00e7\u00e3o de ondas ao longo de aster\u00f3ides de modo a compreender a sua estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo realizado usando os dados de h\u00e1 quatro anos da miss\u00e3o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.space.com\/missionlaunches\/missions\/near_archive.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NEAR-Shoemaker&nbsp;<\/a>indicam que um conjunto de vibra\u00e7\u00f5es causadas pela colis\u00e3o com outro aster\u00f3ide tiveram um papel crucial na compreens\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o estrutural de Eros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta ideia foi inicialmente colocada em 2001, mas era meramente especulativa. Neste momento, um especialista diz que a hip\u00f3tese \u00e9 bastante s\u00f3lida e conta-nos uma hist\u00f3ria da composi\u00e7\u00e3o de Eros. Ainda mais importante, dizem-nos que \u00e9 poss\u00edvel obter o mesmo tipo de informa\u00e7\u00f5es de forma passiva<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eros tem 33 quil\u00f3metros de comprimento e cerca de 13 quil\u00f3metros de largura. \u00c9 sem d\u00favida o aster\u00f3ide mais conhecido e mais estudado. A miss\u00e3o NEAR-Shoemaker mapeou a superf\u00edcie de Eros em detalhe durante 2000-2001, antes dos seus operadores terem provocado um impacto dram\u00e1tico da sonda com a superf\u00edcie do aster\u00f3ide, naquilo que constituiu a primeira aterragem num aster\u00f3ide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como qualquer aster\u00f3ide, Eros tem andado a deambular pelo Sistema Solar desde a sua forma\u00e7\u00e3o h\u00e1 cerca de 4,500 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos primeiros tempos do Sistema Solar, quando este continha uma maior quantidade de rochas e pedras livres entre os grandes corpos, as colis\u00f5es eram relativamente frequentes. Alguns grandes aster\u00f3ides tornaram-se mais pequenos, enquanto algumas pequenas rochas se foram aglomerando e crescendo. Muitos desses objectos inicialmente livres acabaram por cair na Terra e nos outros planetas do Sistema Solar, servindo para aumentar ligeiramente a sua massa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os aster\u00f3ides remanescentes que permanecem, encontram-se essencialmente entre Marte e J\u00fapiter ou para l\u00e1 de Neptuno e contam-nos a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar. Mas h\u00e1 necessidade que os astro\u00edsicos tenham meios de entender a sua linguagem, com um alfabeto de crateras e fracturas e uma gram\u00e1tica baseada largamente na composi\u00e7\u00e3o mineral e densidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as particularidades mais intrigantes de Eros encontra-se uma cratera de impacto com 7.6 quil\u00f3metros de di\u00e2metro que os cientistas determinaram que foi feita recentemente. Outra caracter\u00edstica interessante \u00e9 que em cerca de 40% da sua superf\u00edcie todas as crateras at\u00e9 cerca de 0.5 quil\u00f3metros de di\u00e2metro desapareceram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma superf\u00edcie lisa tem intrigado os cientistas desde que a NEAR aterrou naquele aster\u00f3ide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo estudo levado a cabo pelo investigador Peter Thomas da Universidade de Cornell elaborou uma teoria estabelecendo que as crateras que desapareceram n\u00e3o poderiam ter sido cobertas por material ejectado no impacto recente. Mais ainda, os locais das crateras &#8220;apagadas&#8221; sugerem que foram sendo dissipadas pela exist\u00eancia de ondas internas geradas pelo impacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se esta hip\u00f3tese estiver correcta, pode permitir uma ideia para determinar como \u00e9 que o aster\u00f3ide \u00e9 constitu\u00eddo. Os cientistas t\u00eam conjurado desde h\u00e1 muito tempo se os aster\u00f3ides seriam de rocha s\u00f3lida ou, como \u00e9 prov\u00e1vel nalguns casos, apenas meros aglomerados de pedras que ap\u00f3s muitas colis\u00f5es acabaram por ficar unidas gravitacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es indicam que o interior de Eros \u00e9 suficientemente coeso para transmitir ondas s\u00edsmicas ao longo de muitos quil\u00f3metros e as centenas de metros mais externas dever\u00e3o ser constitu\u00eddas de material realtivamente n\u00e3o coeso,&#8221; escrevem Thomas e o seu colega Mark Robinson da Northwestern University, no seu artigo publicado na revista&nbsp;<em>Nature<\/em>&nbsp;do dia 21 de Julho..<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material exterior n\u00e3o coeso ser\u00e3o regolitos, que na Terra \u00e9 chamada poeira e no nosso sat\u00e9lite natural \u00e9 chamada poeira lunar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pela primeira vez os autores apresentam evid\u00eancias convincentes que tornam as suas conclus\u00f5es mais do que conjecturas razo\u00e1veis,&#8221; diz Erik Asphaug, um cientista da Universidade da California, que n\u00e3o esteve envolvido no estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas descobertas s\u00e3o pass\u00edveis de alterar a forma como os aster\u00f3ides s\u00e3o estudados: Os cientistas t\u00eam usado as crateras como formas de comparar a superf\u00edcie mais antiga com a superf\u00edcie exposta de fresco dos aster\u00f3ides. Uma superf\u00edcie lisa pode ser um sinal de que o aster\u00f3ide teria sofrido clivagem recente ou ent\u00e3o que a sua superf\u00edcie tinha sido recentemente recoberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os dados agora divulgados v\u00eam p\u00f4r em causa o h\u00e1bito de datar a superf\u00edcie do aster\u00f3ide pelo n\u00famero e tipo de impactos observ\u00e1veis &#8221; escreve Asphaug numa an\u00e1lise separada da revista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Asphaug, um monte de pedra amorteceria as vibra\u00e7\u00f5es durante um impacto, o que deixaria mais pequenas crateras intactas, o que levaria a considerar a superf\u00edcie do aster\u00f3ide mais velha segundo os m\u00e9todos convencionais de an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eros, embora tenha uma superf\u00edcie de part\u00edculas soltas, \u00e9 suficientemente s\u00f3lida na sua regi\u00e3o mais interna, pelo menos em parte desta para transmitir as ondas s\u00edsmicas de forma eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta sugere que as crateras de impacto mais novas e de maiores dimens\u00f5es, como a que se observa em Eros, podem ser usadas para analisar dados s\u00edsmicos. Eventualmente o interior de outros aster\u00f3ides poder\u00e3o ser analisados s\u00f3 pelo mapeamento da sua superf\u00edcie. &#8220;O trabalho de Thomas e Robinson tamb\u00e9m cria uma nova forma de olhar para os aster\u00f3ides&#8221;, disse Asphaug.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez at\u00e9 se possa activar uma t\u00e9cnica passiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sequ\u00eancia do sucesso da recente miss\u00e3o&nbsp;<a href=\"http:\/\/deepimpact.jpl.nasa.gov\/home\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Deep Impact<\/a>&nbsp;da NASA que lan\u00e7ou uma pequena sonda contra o cometa Tempel 1, Asphaug pensa que seria \u00fatil um projecto similar em que antes fossem colocados sensores s\u00edsmicos para mapear o interior durante a colis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Links:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>P\u00e1gina na Nature de acesso ao artigo de Thomas e Robinson, bem como ao coment\u00e1rio de Asphaug:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v436\/n7049\/edsumm\/e050721-10.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v436\/n7049\/edsumm\/e050721-10.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito do que os geof\u00edsicos sabem sobre o interior da Terra prov\u00e9m da an\u00e1lise de ondas s\u00edsmicas dos terramotos. 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