{"id":3251,"date":"2005-07-15T08:14:24","date_gmt":"2005-07-15T08:14:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3251"},"modified":"2020-06-19T08:15:49","modified_gmt":"2020-06-19T08:15:49","slug":"diabos-marcianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/07\/15\/diabos-marcianos\/","title":{"rendered":"Diabos marcianos"},"content":{"rendered":"\n<p>O ver\u00e3o marciano chegou. Finalmente os dias s\u00e3o longos, tal como na velha Terra. E as temperaturas m\u00e1ximas atingem agora uns prazenteiros 20\u00ba C, embora \u00e0 noite as temperaturas m\u00ednimas atinjam os -90\u00ba C.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas estas temperaturas tamb\u00e9m fazem acordar os diabos marcianos. Diabos de p\u00f3 (torvelinhos,&nbsp;<em>dust devils<\/em>), isto \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando vemos as imagens imaginamos tratar-se de um daqueles torvelinhos de p\u00f3 que por vezes se v\u00eaem no campo, em especial em zonas de muito p\u00f3, como descampados ou desertos, com alguns metros de altura e di\u00e2metro e que dura alguns segundos, desfazendo-se rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, n\u00e3o se trata de nada disso. Na realidade, trata-se de colunas monstruosas com quil\u00f3metros de altura, 10 vezes mais largas que qualquer tornado na Terra. A areia girando a 30 metros por segundo (cerca de 100 km\/h) baixa a visibilidade a zero nas suas pr\u00f3ximidades e poderia riscar qualquer capacete de fato espacial e introduzir-se em todos os poros do mesmo. Se um astronauta fosse apanhado por um o tempo que ele demoraria a passar sobre ele seria de cerca de 15 minutos. A parte mais tem\u00edvel seria que durante esses 15 minutos sofreria continuamente de descargas el\u00e9ctricas e a elevada est\u00e1tica impediria o pedido de aux\u00edlio pelo r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Este cen\u00e1rio poder\u00e1 ocorrer a um dos astronautas que venham a visitar Marte numa das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A areia na parte mais baixa de um torvelinho marciano seria a que provocaria mais danos&#8221; diz Mark T. Lemmon, investigador no Departmento de Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade A &amp; M do Texas. &#8220;A press\u00e3o atmosf\u00e9rica em Marte \u00e9 apenas 1% da que ocorre na Terra ao n\u00edvel do mar, pelo que n\u00e3o se sentiria muito vento. No entanto, estar-se-\u00eda a ser atingido por material a alta-velocidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para al\u00e9m disso, a areia e poeira em movimento tendem a ficar electricamente carregadas, a ponto de se estabelecer uma diferen\u00e7a de potencial entre a poeira e o fato espacial que origina a ocorr\u00eancia de descargas el\u00e9ctricas&#8221;, acrescenta William M. Farrell do Goddard Space Flight Center da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os torvelinhos marcianos formam-se da mesma maneira que na Terra. \u00c9 necess\u00e1rio um forte aquecimento da superf\u00edcie, de modo a que o solo fique mais quente que o ar sobre ele.&#8221; explica Lemmon. &#8220;O ar mais quente que se forma junto ao solo sobe empurrando a camada de ar mais frio que est\u00e1 por cima, dando origem a plumas ascendentes de ar quente e plumas descendentes de ar frio que circulam em c\u00e9lulas de convec\u00e7\u00e3o verticais. Se houver algum vento horizontal, isso faz com que as correntes comecem a rodar, o que inicia o torvelinho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O ar quente que se eleva pelo centro da coluna alimenta a convec\u00e7\u00e3o at\u00e9 ter velocidade suficiente para come\u00e7ar a apanhar poeira. Para tal basta que haja vento horizontal constante o que faz incrementar a velocidade do torvelinho at\u00e9 que este autoalimentado pela convec\u00e7\u00e3o come\u00e7a a deslocar-se.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se estiv\u00e9ssemos colocados num ponto pr\u00f3ximo do rover Spirit (na Cratera Gusev), a meio do dia veriamos cerca de uma duzia de torvelinhos por dia.&#8221; diz Lemon. Cada dia marciano de Primavera ou Ver\u00e3o, os torvelinhos come\u00e7am a aparecer cerca das 10h da manh\u00e3 quando o ch\u00e3o come\u00e7a a aquecer e ocorrem at\u00e9 cerca das 3h da tarde que \u00e9 quando o solo arrefece(os dias marcianos t\u00eam 24h39min sendo 39 minutos mais longos que os da Terra). Embora a dura\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia exacta dos torvelinhos marcianos seja ainda desconhecida, fotografias da Mars Global Surveyor em \u00f3rbita revelam rastos por todo o planeta. Para al\u00e9m disso os torvelinhos marcianos foram j\u00e1 fotografados de \u00f3rbita, havendo alguns que chegam a ter 1 a 2 km de di\u00e2metro na base e 8 a 10 km de altura.<\/p>\n\n\n\n<p>A no\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia de descargas el\u00e9ctricas \u00e9 tamb\u00e9m muito importante para o desenho dos equipamentos que poder\u00e3o no futuro vir a ser utilizados em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os navegadores dos descobrimentos como Vasco da Gama, Pedro \u00c1lvares Cabral ou Fern\u00e3o de Magalh\u00e3es, percebiam que as suas naus tinham que estar preparadas para a intemp\u00e9rie. Por analogia, Farrel diz que &#8220;para desenhar uma miss\u00e3o a Marte \u00e9 necess\u00e1rio conhecer os extremos da meteorologia marciana e esses extremos parecem ocorrer na forma de tempestades e torvelinhos de poeira.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Links:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NASA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/science.nasa.gov\/headlines\/y2005\/14jul_dustdevils.htm?list31680\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/science.nasa.gov\/headlines\/y2005\/14jul_dustdevils.htm?list31680<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ver\u00e3o marciano chegou. Finalmente os dias s\u00e3o longos, tal como na velha Terra. E as temperaturas m\u00e1ximas atingem agora uns prazenteiros 20\u00ba C, embora \u00e0 noite as temperaturas m\u00ednimas atinjam os -90\u00ba C. Mas estas temperaturas tamb\u00e9m fazem acordar os diabos marcianos. Diabos de p\u00f3 (torvelinhos,&nbsp;dust devils), isto \u00e9. 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