{"id":3203,"date":"2005-05-20T07:29:59","date_gmt":"2005-05-20T07:29:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3203"},"modified":"2020-06-19T07:31:10","modified_gmt":"2020-06-19T07:31:10","slug":"as-estrelas-com-dois-sois-serao-provavelmente-comuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/05\/20\/as-estrelas-com-dois-sois-serao-provavelmente-comuns\/","title":{"rendered":"As estrelas com dois s\u00f3is ser\u00e3o provavelmente comuns"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na saga&nbsp;<em>Guerra da Estrelas<\/em>, o cl\u00e3 Skywalker apareceu em&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.space.com\/scienceastronomy\/fact_fiction_041123.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tatooine&nbsp;<\/a>\u2013 um planeta coberto de desertos orbitando em torno de duas estrelas. Uma investiga\u00e7\u00e3o te\u00f3rica explorou a probabilidade de exist\u00eancia de mundos como este e parece que n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio sair da nossa Gal\u00e1xia para encontrar o Tatooine mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto \u00e9 assim porque mais de metade das estrelas da nossa Gal\u00e1xia possuem uma companheira estelar. No entanto, dos 130 planetas extra-solares descobertos (nenhum dos quais do tipo terrestre) apenas cerca de 20 orbitam em sistemas bin\u00e1rios. A percentagem \u00e9 prov\u00e1vel que venha a crescer. A rela\u00e7\u00e3o actual \u00e9 afectada pelo facto de os ca\u00e7adores de planetas n\u00e3o procurarem muito em sistemas bin\u00e1rios pois as interac\u00e7\u00f5es entre as estrelas do sistema podem ocultar o padr\u00e3o de oscila\u00e7\u00f5es do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio deste m\u00eas os cientistas discutiram este assunto num encontro que reuniu os ca\u00e7adores de exoplanetas no Space Telescope Science Institute em Baltimore.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De Mau a Bom<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 alguns anos pensava-se que os bin\u00e1rios seriam muito mau s\u00edtio para procurar planetas,&#8221; diz Michel Mayor do Observat\u00f3rio de Gen\u00e9bra. &#8220;por isso elimin\u00e1mos cuidadosamente todos os sistemas bin\u00e1rios das amostras escolhidas para observar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas os planetas t\u00eam igual possibilidade de se encontrar em torno de estrelas de sistema m\u00faltiplos \u00e0 que t\u00eam em sistemas simples. Simula\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas recentes mostraram que planetas do tipo terrestre se formam espontaneamente nos sistemas estelares duplos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A coisa mais relevante que foi descoberta sobre planetas do tipo terrestre orbitando estrelas duplas \u00e9 que podem ser semelhantes aos que orbitam estrelas simples&#8221; disse Jack Lissauer do Centro de pesquisa Ames da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os bin\u00e1rios long\u00ednquos (wide binaries) s\u00e3o aqueles em que as estrelas est\u00e3o separadas a v\u00e1rias unidades astron\u00f3micas (AU), que \u00e9 adist\u00e2ncia m\u00e9dia da Terra ao Sol. Os planetas poderiam orbitar em torno de uma das estrelas do par ou ambas em separado (ora uma ora outra).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas os bin\u00e1rios pr\u00f3ximos (close binaries), onde as estrelas est\u00e3o a menos de uma unidade astron\u00f3mica de dist\u00e2ncia podem em potencial possuir planetas que orbitem simultaneamente ambas as estrelas \u2013 tal como Tatooine. Estes planetas ser\u00e3o no entanto muito mais dif\u00edceis de detectar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lissauer e os seus colaboradores tentaram descobrir em que tipos de bin\u00e1rios seria mais favor\u00e1vel a forma\u00e7\u00e3o de planetas, o que teria imenso interesse para os futuros varrimentos em busca de planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Simula\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores usaram modelos computacionais que come\u00e7am com 14 embri\u00f5es grandes de planetas e 140 planetesimais em \u00f3rbita em torno de uma ou ambas as estrelas do bin\u00e1rio. A evolu\u00e7\u00e3o deste material \u00e9 influenciada pela gravidade e por colis\u00f5es. Os modelos s\u00e3o seguidos durante o equivalente a mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Todas as nossas simula\u00e7\u00f5es formaram planetas do tipo terrestre.&#8221; disse Elisa Quintana, investigadora do Centro Ames que apresentou um poster dos resultados no simp\u00f3sio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas nem todos os modelos produzem planetas a cerca de 1 UA das estrelas, o que normalmente \u00e9 considerada como a dist\u00e2ncia habit\u00e1vel em torno de estrelas. Quintana variou a forma como as duas estrelas orbitam em torno uma da outra para ver quais as configura\u00e7\u00f5es permitidas para a ocorr\u00eancia de planetas na faixa de 1 UA em redor das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para bin\u00e1rios long\u00ednquos os planetas de tipo terrestre formavam-se desde que as estrelas n\u00e3o se aproximassem mais do que 7 UA. Quintana disse que cerca de 50% dos bin\u00e1rios cumprem esta restri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m realizou simula\u00e7\u00f5es que mimetizam&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.space.com\/scienceastronomy\/alpha_centauri_030317.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Alpha Centauri&nbsp;<\/a>\u2013 o sistema bin\u00e1rio mais pr\u00f3ximo da Terra &#8211; onde as duas estrelas nunca se aprozimam mais de 11 UA. A estrela secund\u00e1ria parece desempenhar um papel semelhante ao que \u00e9 desempenhado por J\u00fapiter no Sistema Solar, limitando a dist\u00e2ncia at\u00e9 \u00e0 qual \u00e9 poss\u00edvel a forma\u00e7\u00e3o de planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o foram vistos planetas em torno de Alpha Centauri, mas os planetas de pequena massa n\u00e3o podem ainda ser exclu\u00eddos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para estrelas pr\u00f3ximas, se as duas estrelas se encontrarem a menos de 0.1 UA, a forma\u00e7\u00e3o de planetas \u00e9 id\u00eantica \u00e0 que ocorre em sistemas com uma \u00fanica estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As perturba\u00e7\u00f5es no movimento estelar provocam ejec\u00e7\u00f5es de material para o espa\u00e7o ou para o interior de uma das estrelas,&#8221; disse Quintana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dificuldades observationais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do que foi dito n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil ver um planeta em torno de bin\u00e1rios, especialmente se as estrelas estiverem pr\u00f3ximas uma da outra. A maioria dos planetas foram descobertos usando<a href=\"http:\/\/www.space.com\/searchforlife\/seti_wobble_method_010523.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;t\u00e9cnicas de velocidade radial&nbsp;<\/a>que busca altera\u00e7\u00f5es provocadas pelo efeito de Doppler no espectro de luz das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Encontrar a oscila\u00e7\u00e3o provocada por um planeta no espectro estelar \u00e9 dif\u00edcil que chegue sem ter que estar a contar com a oscila\u00e7\u00e3o provocada por outra estrela orbitando aquela que se est\u00e1 a observar &#8221; disse Quintana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que um bin\u00e1rio poder\u00e1 ser uma vantagem para detectar planetas. Se o sistema for um bin\u00e1rio eclipsante, um planeta poder\u00e1 interferir nas condi\u00e7\u00f5es de ocorr\u00eancia do eclipse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se os eclipses n\u00e3o forem peri\u00f3dicos, o culpado ser\u00e1 certamente um planeta,&#8221; disse Lissauer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qual dos m\u00e9todos de detec\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 encontrar o primeiro planeta tipo Tatooine? Lissauer recusa-se a responder. Em tom de brincadeira disse &#8220;as previs\u00f5es s\u00e3o perigosas pois mexem com o futuro &#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Links:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcia original<\/strong>:<br><a href=\"http:\/\/www.space.com\/scienceastronomy\/050517_binary_stars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.space.com\/scienceastronomy\/050517_binary_stars.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na saga&nbsp;Guerra da Estrelas, o cl\u00e3 Skywalker apareceu em&nbsp;Tatooine&nbsp;\u2013 um planeta coberto de desertos orbitando em torno de duas estrelas. Uma investiga\u00e7\u00e3o te\u00f3rica explorou a probabilidade de exist\u00eancia de mundos como este e parece que n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio sair da nossa Gal\u00e1xia para encontrar o Tatooine mais pr\u00f3ximo. Isto \u00e9 assim porque mais de metade &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[369],"class_list":["post-3203","post","type-post","status-publish","format-standard","","category-estrelas","tag-estrelas-duplas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3203"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3203\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3204,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3203\/revisions\/3204"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}