{"id":3191,"date":"2005-05-03T07:19:24","date_gmt":"2005-05-03T07:19:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3191"},"modified":"2020-06-19T07:21:22","modified_gmt":"2020-06-19T07:21:22","slug":"debate-aquece-em-torno-da-1-a-foto-de-um-planeta-extrasolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/05\/03\/debate-aquece-em-torno-da-1-a-foto-de-um-planeta-extrasolar\/","title":{"rendered":"Debate aquece em torno da 1.\u00aa foto de um planeta extrasolar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa volta inesperada de eventos c\u00f3smicos, um grupo de astr\u00f3nomos est\u00e1 a tentar reclamar o &#8220;pr\u00e9mio&#8221; de ter sido o primeiro a fotografar um planeta extrasolar em torno de uma outra estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podem ainda ter muito que esperar at\u00e9 que a Hist\u00f3ria lhes fa\u00e7a juz, dado que a pesquisa por objectos tipo-planetas est\u00e1 a tornar-se mais f\u00e1cil do que o desenvolvimento de um sistema de classifica\u00e7\u00e3o para os tipos vari\u00e1veis de objectos encontrados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A saga remonta at\u00e9 Setembro passado, quando foi anunciado que uma equipa do ESO (Observat\u00f3rio Europeu do Sul) tinha aparentemente registado a primeira imagem de um planeta extrasolar. Esse objecto, 2M1207b, parecia orbitar uma jovem mas falhada estrela conhecida como an\u00e3 castanha a cerca de 200 anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tamb\u00e9m era poss\u00edvel quer 2M1207b fosse apenas um distante objecto no fundo. Eram necess\u00e1rias mais observa\u00e7\u00f5es para ter a certeza que o objecto estivesse de facto a orbitar a an\u00e3 castanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, no princ\u00edpio do m\u00eas passado, Ralph Neuhaeuser do Observat\u00f3rio no Instituto Astrof\u00edsico e Universit\u00e1rio (AIU), disse que ele e sua equipa tinham de facto adquirido a primeira imagem confirmada de um planeta em torno de uma estrela chamada GQ Lupi, a uns 400 anos-luz de dist\u00e2ncia. Neste caso, o objecto encontra-se claramente a orbitar a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais importante, GQ Lupi \u00e9 semelhante ao nosso Sol, em vez de ser uma t\u00e9nue an\u00e3 castanha que virtualmente n\u00e3o emite luz no v\u00edsivel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, outra vez, havia um empecilho: enquanto as observa\u00e7\u00f5es sugeriam que o planeta em \u00f3rbita de GQ Lupi teria o dobro da massa de J\u00fapiter, havia uma ligeira hip\u00f3tese de ser 42 vezes mais massivo &#8211; t\u00e3o pesado que seria considerado uma an\u00e3 castanha. Mas de acordo com alguns astr\u00f3nomos, os modelos utilizados, no entanto, n\u00e3o parecem aplicar-se ao sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com base no que sabemos, \u00e9 uma imagem de um objecto muito parecido com J\u00fapiter numa idade extremamente jovem,&#8221; disse Ben Oppenheimer do Museu Americano de Hist\u00f3ria Natural, que n\u00e3o esteve envolvido em nenhum dos estudos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambas as reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o apropriadamente modestas, no sentido que os cientistas admitiram que s\u00e3o necess\u00e1rias mais observa\u00e7\u00f5es para confirmar as suas aparentes descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No passado fim-de-semana, a equipa do ESO anunciou as suas novas observa\u00e7\u00f5es de 2M1207b que mostram convincentemente, dizem, que o seu alvo \u00e9 de facto um planeta. Se assim for, ser\u00e1 lembrada como a primeira imagem de um exoplaneta, dado que a equipa j\u00e1 tinha anunciado a imagem no Outono passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As nossas novas imagens mostram que \u00e9 de facto um planeta, a primeira foto de um planeta fora do nosso Sistema Solar,&#8221; disse o l\u00edder da equipa Gael Chauvin, um astr\u00f3nomo do ESO.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os dois objectos &#8212; um planeta gigante e uma jovem an\u00e3 castanha &#8212; est\u00e3o a mover-se em conjunto; observ\u00e1mo-las durante um ano, e as novas imagens essencialmente confirmam a nossa descoberta de 2004,&#8221; diz Benjamin Zuckerman, outro membro da equipa do ESO da UCLA. &#8220;Temos mais de 99% de certeza.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A massa do objecto tem base em ambas as observa\u00e7\u00f5es e suposi\u00e7\u00f5es acerca da idade do sistema, que se situa entre os 5 milh\u00f5es de anos (o nosso Sistema Solar, em compara\u00e7\u00e3o, tem 4.5 mil milh\u00f5es de anos). As teorias mais aceitas sugerem que 2M1207b tenha entre tr\u00eas e sete vezes a massa de J\u00fapiter &#8212; bem dentro dos limites aceites para um planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo este assunto \u00e9 ainda mais ensombrado pelo facto de 2M1207b orbitar uma an\u00e3 castanha em vez de uma estrela normal. As estrelas an\u00e3s castanhas n\u00e3o t\u00eam massa suficiente para despoletar a fus\u00e3o termonuclear que alimenta uma estrela comum. Por isso um objecto com uma massa planet\u00e1ria em torno existe num sistema anormal que n\u00e3o tem nenhuma hip\u00f3tese de suster vida como a conhecemos. Pode tamb\u00e9m ter tido uma diferente hist\u00f3ria de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Dadas as propriedades bastante incomuns do sistema 2M1207, o planeta gigante provavelmente n\u00e3o se formou como os planetas do Sistema Solar,&#8221; disse Chauvin. &#8220;Em vez disso, deve ter sido formado da mesma maneira que o Sol, por um colapso gravitacional de uma nuvem de g\u00e1s e poeira.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alan Boss, um te\u00f3rico de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria no Instituto Carnegie em Washington, disse que ambas as descobertas s\u00e3o importantes mas que n\u00e3o est\u00e1 preparado para tirar firmes conclus\u00f5es acerca de quem ganha esta disputa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este objecto [2M1207b] devia ser nomeado sub-an\u00e3-castanha, em ordem a transmitir esta suspeita acerca do seu mecanismo de forma\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Boss. &#8220;Um n\u00famero de sub-an\u00e3s-castanhas j\u00e1 foram observadas como objectos \u00fanicos em regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar recente, mas 2M1207b seria a primeira descoberta a orbitar uma an\u00e3 castanha. \u00c9 no entanto uma excelente descoberta de uma nova classe de objecto, mas \u00e9 ainda incerto se este objecto deve ou n\u00e3o ser classificado como &#8216;planeta&#8217;.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Boss, no entanto, tem cuidado ao dar a sua opini\u00e3o. N\u00e3o existe ainda nenhum acordo entre os astr\u00f3nomos acerca da defini\u00e7\u00e3o concreta do termo &#8220;planeta&#8221;. J\u00e1 h\u00e1 cinco anos que decorre um aceso debate acerca das tentativas de definir concretamente a palavra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu considero-o como um planeta, independentemente de se ter formado de uma maneira diferente de J\u00fapiter &#8211; e independentemente de orbitar uma estrela falhada em vez de uma estrela tipo-Sol,&#8221; diz Christophe Dumas, um colega de Chauvin. &#8220;Na realidade, esta descoberta \u00e9 at\u00e9 mais interessante devido ao facto que a an\u00e3 castanha e o planeta gigante n\u00e3o terem formado um sistema &#8216;tradicional&#8217;, tendo o nosso Sistema Solar como base. N\u00e3o esper\u00e1vamos descobrir um planeta gigante em \u00f3rbita de uma an\u00e3 castanha, e no entanto este existe.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por agora, a Uni\u00e3o Astron\u00f3mica Internacional lista 2M1207b como uma &#8220;poss\u00edvel companheira com massa-planet\u00e1ria de uma an\u00e3 castanha&#8221;. Cataloga a descoberta de GQ Lupi como uma &#8220;poss\u00edvel companheira com massa-planet\u00e1ria de uma jovam estrela.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algum dia a Hist\u00f3ria dir\u00e1 quem \u00e9 o vencedor. Entretanto, existem mais desafios para os ca\u00e7adores de planetas ultrapassarem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de 140 planetas foram j\u00e1 descobertos em torno de outras estrelas. A maioria s\u00e3o muito massivos e foram detectados pela oscila\u00e7\u00e3o gravitacional que induzem nas suas estrelas. Fotografar exoplanetas \u00e9 uma tarefa complicada devido \u00e0 avassaladora luz estelar que afecta fortemente qualquer luz que venha de um planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os truques usados para observar estes dois candidatos actuais surpreenderam toda a comunidade astron\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas esperam eventualmente fotografar planetas \u00f3bvios em torno de estrelas normais, e at\u00e9 mesmo planetas do tamanho da Terra quando a tecnologia o permitir. Estas imagens vir\u00e3o provavelmente de observat\u00f3rios espaciais que agora est\u00e3o em fases de prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos a recolher a primeira pe\u00e7a do puzzle que ir\u00e1 levar &#8211; dentro da pr\u00f3xima d\u00e9cada &#8211; \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de um plano geral para os sistemas planet\u00e1rios,&#8221; disse Dumas. &#8220;Alguns ir\u00e3o ser como o nosso, mas a maioria provavelmente n\u00e3o ser\u00e1. Alguns planetas ir\u00e3o orbitar t\u00e3o perto as suas estrelas gigantes que n\u00e3o estar\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o para permitir o desenvolvimento de vida. Outros t\u00e3o longe das suas estrelas muito menos massivas como o sistema 2M1207. Outros como a Terra e que orbitam \u00e0 dist\u00e2ncia ideal para reproduzir as condi\u00e7\u00f5es adequadas para a vida poder emergir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo descrevendo as observa\u00e7\u00f5es de 2M1207 foi aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista Astronomy and Astrophysics.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o registo, fica aqui a presen\u00e7a de um terceiro candidato. O Telesc\u00f3pio Espacial Hubble fotografou em Maio de 2004 um poss\u00edvel candidato a planeta. Este objecto, uma detec\u00e7\u00e3o muito mais experimental que os dois casos mais recentes, veio a descobrir-se mais tarde que era um objecto de fundo, o que s\u00f3 mostra qu\u00e3o dif\u00edcil esta procura tem sido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Links:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Press releases:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/outreach\/press-rel\/pr-2005\/pr-09-05.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.eso.org\/outreach\/press-rel\/pr-2005\/pr-09-05.html<\/a>&nbsp;(GQ Lupi)<br><a href=\"http:\/\/www.hq.eso.org\/outreach\/press-rel\/pr-2005\/pr-12-05-p2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.hq.eso.org\/outreach\/press-rel\/pr-2005\/pr-12-05-p2.html<\/a>&nbsp;(2M1207b)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ualg.pt\/ccviva\/astronomia\/astronline\/astro_news\/planeta_extrasolar_050405.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.ccvalg.pt\/astronomia\/astronline\/astro_news\/planeta_extrasolar_050405.htm<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/am\/publish\/first_photo_exoplanet.html?842005\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.universetoday.com\/am\/publish\/first_photo_exoplanet.html?842005<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.physorg.com\/news3644.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.physorg.com\/news3644.html<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.space.com\/scienceastronomy\/planet_photo_040910.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.space.com\/scienceastronomy\/planet_photo_040910.html<\/a><br><a href=\"http:\/\/news.bbc.co.uk\/1\/hi\/sci\/tech\/4501323.stm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/news.bbc.co.uk\/1\/hi\/sci\/tech\/4501323.stm<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.scienceagogo.com\/news\/20050401235802data_trunc_sys.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.scienceagogo.com\/news\/20050401235802data_trunc_sys.shtml<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astrobio.net\/news\/modules.php?op=modload&amp;name=News&amp;file=article&amp;sid=1542&amp;mode=thread&amp;order=0&amp;thold=0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.astrobio.net\/news\/modules.php?&#8230;1542&amp;mode=thread&amp;order=0&amp;thold=0<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2M1207b:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/home.xtra.co.nz\/hosts\/Wingmakers\/2M1207b.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/home.xtra.co.nz\/hosts\/Wingmakers\/2M1207b.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa volta inesperada de eventos c\u00f3smicos, um grupo de astr\u00f3nomos est\u00e1 a tentar reclamar o &#8220;pr\u00e9mio&#8221; de ter sido o primeiro a fotografar um planeta extrasolar em torno de uma outra estrela. 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