{"id":3187,"date":"2005-04-29T06:44:29","date_gmt":"2005-04-29T06:44:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3187"},"modified":"2020-06-19T06:46:31","modified_gmt":"2020-06-19T06:46:31","slug":"formacao-estelar-colisao-ou-colapso-em-estrelas-massivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/04\/29\/formacao-estelar-colisao-ou-colapso-em-estrelas-massivas\/","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o estelar &#8211; colis\u00e3o ou colapso em estrelas massivas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma estrela jovem que tem sido apresentada como exemplo da forma\u00e7\u00e3o estelar massiva tem andado a mentir sobre a sua massa. Esta estrela encontra-se num dos primeiros est\u00e1gios, em que as estrelas s\u00e3o conhecidas por protoestrelas, e foi chamada M17-SO1. A estrela tem tido um imenso peso nas discuss\u00f5es que v\u00e3o existindo sobre como \u00e9 que as estrelas se formam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um ano atr\u00e1s, um grupo de astr\u00f3nomos publicou evid\u00eancias de que a massa desta protoestrela seria superior a 15 massas solares. A radia\u00e7\u00e3o sobre uma estrela desta dimens\u00e3o impediria o colapso de mat\u00e9ria. Mas se a mat\u00e9ria n\u00e3o pode colapsar ent\u00e3o como \u00e9 que se formam as estrelas massivas de massa superior a 15 massas solares?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 a grande quest\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o estelar actual,&#8221; disse Markus Nielbock da Ruhr-Universitat Bochum na Alemanha, que com Rolf Chini mediu a massa de M17-SO1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma teoria diz que os monstros estelares se formam por colis\u00e3o de duas estrelas de m\u00e9dia dimens\u00e3o. Mas Chini e Nielbock encontrara sinais de que M17-SO1 estava a dissipar um disco de acre\u00e7\u00e3o, o que implica o mesmo tipo de processo de colapso lento que ocorre nas estrelas mais pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de Chini prop\u00f4s que as estrelas muito massivas evoluem de forma similar \u00e0 das estrelas de massa baixa\/m\u00e9dia paasando por uma fase contendo um disco. Isto foi um choque para a comunidade que estuda a forma\u00e7\u00e3o de estrelas de elevada massa, em particular para os te\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos seus dados para M17-SO1, Shigeyuki Sako (Universidade de T\u00f3quio) e os seus colegas afirmam que a estrela tem menos de 8 massas solares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A massa de M17-SO1 n\u00e3o pode ser determinada directamente pois esta est\u00e1 embebida na Nebulosa Omega (M17) na direc\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Sagit\u00e1rio. No \u00f3ptico n\u00e3o existe quase nada que se possa observar, pelo que os astr\u00f3nomos utilizam CCDs de infravermelhos, como os do telesc\u00f3pio Subaru, para penetrar na poeira da nebulosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Determinar a massa de uma estrela rodeada pelo disco protoestelar\/protoplanet\u00e1rio \u00e9 dif\u00edcil, dado que o material em redor da estrela a obscurece, especialmente quando se est\u00e1 observando o sistema de lado&#8221; (devido \u00e0s poeiras do pr\u00f3prio disco).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta perspectiva de M17-SO1 mostra um inv\u00f3lucro em forma de borboleta, com 150 vezes as dimens\u00f5es do Sistema Solar. O grupo de Sako conseguiu mapear parte da estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As novas observa\u00e7\u00f5es mostram um disco circumestelar &#8211; o ber\u00e7o dos planetas &#8211; em fase de forma\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Sako.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algum do g\u00e1s em torno do inv\u00f3lucro apresenta uma rota\u00e7\u00e3o evidente em torno da estrela. Medindo a rota\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estimar a massa central.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi desta forma que o grupo de Chini determinou que M17-SO1 tem 15 a 20 vezes a massa do Sol. Mas o trabalho recente de Sako que saiu na revista&nbsp;<em>Nature&nbsp;<\/em>de 21 de Abril d\u00e1-lhe apenas uma massa de 2.5 a 8 massas solares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Sako, analisar a rota\u00e7\u00e3o requer assumir acerca da temperatura e composi\u00e7\u00e3o do g\u00e1s, o que conduz a grandes incertezas na estimativa. O grupo de Chini disse que tem novos dados que poder\u00e3o ajudar a resolver o assunto (ainda n\u00e3o divulgados).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo de Sako baseia a sua teoria no facto de se a massa de M17-SO1 ser maior que 8 massas solares, ter\u00e1 que haver hidrog\u00e9nio ionizado pela radia\u00e7\u00e3o nas suas vizinhan\u00e7as. Embora n\u00e3o seja visto g\u00e1s ionizado em torno de M17-SO1, Chini diz que isto apenas implica que a estrela seja muito jovem e por isso \u00e9 muito cedo para ver os efeitos da ioniza\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m deste debate sobre ioniza\u00e7\u00e3o h\u00e1 outras raz\u00f5es que levam a crer que estrelas de massa superior a 8 massas solares sejam muito dif\u00edceis de formar. As estrelas pequenas formam-se pelo colapso de g\u00e1s seguido de uma acre\u00e7\u00e3o gradual de mat\u00e9ria para um disco estelar. Mas se a estrela atingir 8 massas solares, pensa-se que a press\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o &#8220;soprar\u00e1&#8221; para longe qualquer g\u00e1s remanescente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A alternativa ao colapso \u00e9 que as estrelas em enxames densos colidam ou coalescam para formar estrelas grandes. Isto evitaria o fim do abastecimento de g\u00e1s. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 grandes evid\u00eancias de que as coisas se processem desta forma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O problema com a teoria da colis\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 qualquer ferramenta observacional que permita medir, isto \u00e9, provar que essa colis\u00e3o tenha ocorrido,&#8221; diz Chini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chini tamb\u00e9m disse que os modelos computacionais t\u00eam evolu\u00eddo ao longo dos anos e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil modelar uma hist\u00f3ria de acre\u00e7\u00e3o para uma estrela muito massiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De uma forma epistemol\u00f3gicamente duvidosa, Chini pergunta: &#8220;Porque haveria a natureza de inventar dois mecanismos para o mesmo processo? A acre\u00e7\u00e3o funciona perfeitamente entre 0.1 e 10 massas solares e \u2013 como o mostram os te\u00f3ricos \u2013 ainda para l\u00e1 disso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, se o grupo de Sako estiver correcto, Chini e outros ter\u00e3o que procurar uma outra estrela massiva a alimentar-se do disco de acre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O \u00fanico problema \u00e9 que raramente vemos estrelas massivas em forma\u00e7\u00e3o porque se formam muito rapidamente, o que faz delas estrelas raras,&#8221; disse Debra Shepherd do National Radio Astronomy Observatory, que n\u00e3o est\u00e1 envolvida em qualquer dos grupos. Shepherd explicou que se as estrelas massivas se formam por acre\u00e7\u00e3o, como ganham cerca de uma massa solar por cada mil anos, podem estar formadas em menos de 20,000 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Links:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Press Release:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.subarutelescope.org\/Pressrelease\/2005\/04\/20\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.subarutelescope.org\/Pressrelease\/2005\/04\/20\/index.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Publica\u00e7\u00e3o na Nature<\/strong>:<br><a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v434\/n7036\/abs\/nature03471.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v434\/n7036\/abs\/nature03471.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma estrela jovem que tem sido apresentada como exemplo da forma\u00e7\u00e3o estelar massiva tem andado a mentir sobre a sua massa. 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