{"id":3132,"date":"2020-06-12T05:21:33","date_gmt":"2020-06-12T05:21:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3132"},"modified":"2020-06-12T05:21:44","modified_gmt":"2020-06-12T05:21:44","slug":"astrofisicos-confirmam-pedra-angular-da-teoria-da-relatividade-geral-de-einstein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/06\/12\/astrofisicos-confirmam-pedra-angular-da-teoria-da-relatividade-geral-de-einstein\/","title":{"rendered":"Astrof\u00edsicos confirmam pedra angular da Teoria da Relatividade Geral de Einstein"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma colabora\u00e7\u00e3o internacional de cientistas registou a confirma\u00e7\u00e3o mais precisa, at\u00e9 ao momento, de uma das pedras angulares da teoria da relatividade geral de Einstein, &#8220;a universalidade da queda livre&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova investiga\u00e7\u00e3o mostra que a teoria \u00e9 v\u00e1lida para objetos fortemente autogravitantes, como estrelas de neutr\u00f5es. Usando um radiotelesc\u00f3pio, os cientistas podem observar com muita precis\u00e3o o sinal produzido pelos pulsares, um tipo de estrela de neutr\u00f5es e testar a validade da teoria da gravidade de Einstein para estes objetos extremos. Em particular, a equipa analisou os sinais de um pulsar chamado PSR J0337+1715 registados pelo grande radiotelesc\u00f3pio de Nan\u00e7ay, localizado no cora\u00e7\u00e3o de Sologne (Fran\u00e7a).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/3TDQBTJ.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"793\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/3TDQBTJ-1024x793.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3133\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/3TDQBTJ-1024x793.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/3TDQBTJ-300x232.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/3TDQBTJ-768x595.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/3TDQBTJ.png 1112w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do pulsar e da sua companheira an\u00e3 branca mais pr\u00f3xima com as suas \u00f3rbitas e a segunda companheira no plano de fundo. O sistema n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 escala.<br>Cr\u00e9dito: Guillaume Voisin<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A universalidade do princ\u00edpio de queda livre afirma que dois corpos a ca\u00edrem num campo gravitacional sofrem a mesma acelera\u00e7\u00e3o independentemente da sua composi\u00e7\u00e3o. Isto foi demonstrado pela primeira vez por Galileu, que teria largado objetos de diferentes massas do topo da Torre de Pisa para verificar se ambos alcan\u00e7avam o ch\u00e3o simultaneamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este princ\u00edpio tamb\u00e9m est\u00e1 no cerne da teoria da relatividade geral de Einstein. No entanto, algumas dicas, como a inconsist\u00eancia entre a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica e a relatividade geral, ou o enigma do dom\u00ednio da mat\u00e9ria escura e da energia escura na composi\u00e7\u00e3o do Universo, levaram muitos f\u00edsicos a pensar que a relatividade geral pode n\u00e3o ser, afinal, a teoria final da gravidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es do Pulsar J0337+1715, que \u00e9 uma estrela de neutr\u00f5es com um n\u00facleo estelar que tem 1,44 vezes a massa do Sol e que colapsou numa esfera com apenas 25 km de di\u00e2metro, mostra que orbita duas an\u00e3s brancas que s\u00e3o muito mais fracas em termos de campo gravitacional. As descobertas, publicadas na revista Astronomy &amp; Astrophysics, demonstra que a universalidade do princ\u00edpio da queda livre est\u00e1 correta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Guillaume Voisin, da Universidade de Manchester, que liderou o estudo, disse: &#8220;O pulsar emite um feixe de ondas de r\u00e1dio que varre o espa\u00e7o. A cada volta, cria um flash de r\u00e1dio que \u00e9 registado com alta precis\u00e3o pelo radiotelesc\u00f3pio de Nan\u00e7ay. \u00c0 medida que o pulsar se move na sua \u00f3rbita, o tempo de chegada da luz \u00e0 Terra muda. \u00c9 a medi\u00e7\u00e3o precisa e a modelagem matem\u00e1tica, com uma precis\u00e3o de nanossegundos, desses tempos de chegada, que permite aos cientistas inferir com precis\u00e3o requintada o movimento da estrela de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Acima de tudo, \u00e9 a configura\u00e7\u00e3o \u00fanica desse sistema, semelhante ao sistema Terra-Lua-Sol, com a presen\u00e7a de uma segunda companheira (a desempenhar o papel do Sol) em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 qual as duas outras estrelas &#8220;caem&#8221; (orbitam), que permitiu executar uma vers\u00e3o estelar da famosa experi\u00eancia de Galileu na torre de Pisa. Dois corpos de composi\u00e7\u00f5es diferentes caem com a mesma acelera\u00e7\u00e3o no campo gravitacional de um terceiro corpo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/14922443\/original-1591611381.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjoxNDkyMjQ0M30=--1c0f65b633abb27b695b71eb8c54de4fd98ad103\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.mpg.de\/14922443\/original-1591611381.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6Njk4LCJvYmpfaWQiOjE0OTIyNDQzfQ==--6554836da16f49a1e860d6e78f7b9f09383dcc2c\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> PSR J0337+1715: ilustra\u00e7\u00e3o do pulsar triplo de milissegundo com as suas duas an\u00e3s brancas companheiras. A &#8220;rede&#8221; verde ilustra a curvatura do espa\u00e7o-tempo provocada por massas diferentes. O tamanho e as dist\u00e2ncias dos tr\u00eas componentes n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 escala.<br>Cr\u00e9dito: Michael Kramer\/Instituto Max Planck para Radioastronomia <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As medi\u00e7\u00f5es foram obtidas por uma equipa colaborativa da Universidade de Manchester, do Observat\u00f3rio de Paris, do CNRS Franc\u00eas (Centre national de la recherche scientifique), do LPC2E (Laboratoire de Physique et de Chimie de l&#8217;Environnement et de l&#8217;Espace, Orle\u00e3es, Fran\u00e7a), e do Instituto Max Planck para Radioastronomia. O pulsar orbita duas an\u00e3s brancas, uma das quais orbita o pulsar em apenas 1,6 dias a uma dist\u00e2ncia cerca de 10 vezes inferior \u00e0 dist\u00e2ncia Merc\u00fario-Sol. Este sistema bin\u00e1rio, um pouco como a Terra e a Lua no Sistema Solar, orbita uma terceira estrela, uma an\u00e3 branca com 40% da massa do Sol, localizada pouco mais da dist\u00e2ncia que separa o sistema Terra-Lua do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Sistema Solar, a Lunar-laser ranging experiment permitiu verificar que a Lua e a Terra s\u00e3o identicamente afetadas pelo campo de gravidade do Sol, conforme previsto pela universalidade da queda livre (o movimento orbital \u00e9 uma forma de queda livre). No entanto, sabe-se que alguns desvios \u00e0 universalidade podem ocorrer apenas para corpos fortemente autogravitantes, como estrelas de neutr\u00f5es, que s\u00e3o objetos cuja massa \u00e9 composta significativamente da sua pr\u00f3pria energia gravitacional gra\u00e7as \u00e0 famosa rela\u00e7\u00e3o E=mc^2 de Einstein. A nova experi\u00eancia de pulsar realizada pela equipa preenche a lacuna deixada pelos testes do Sistema Solar, onde nenhum objeto \u00e9 fortemente autogravitante, nem mesmo o Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa demonstrou que o campo gravitacional extremo do pulsar n\u00e3o pode diferir em mais de 1,8 partes por milh\u00e3o (com um n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%) da previs\u00e3o da relatividade geral. Este resultado \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o mais precisa de que a universalidade da queda livre \u00e9 v\u00e1lida mesmo na presen\u00e7a de um objeto cuja massa \u00e9 em grande parte devida ao seu pr\u00f3prio campo de gravidade, apoiando assim a teoria da relatividade geral de Einstein.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.manchester.ac.uk\/discover\/news\/astrophysicists-confirm-cornerstone-of-einsteins-theory-of-relativity\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Manchester (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpg.de\/14923530\/general-relativity-pulsar\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202038104\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2005.01388\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-06-astrophysicists-cornerstone-einstein-theory-relativity.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2245727-einstein-was-right-about-how-extremely-massive-objects-fall-in-space\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Teoria da Relatividade Geral:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/General_theory_of_relativity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Free_fall#Free_fall_in_general_relativity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Queda livre na relatividade geral (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PSR J0337+1715:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/PSR_J0337+1715\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.atnf.csiro.au\/research\/pulsar\/psrcat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo ATNF de Pulsares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/docs\/science\/know_l2\/dwarfs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Radiotelesc\u00f3pio de Nan\u00e7ay:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/nrt.obspm.fr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nan%C3%A7ay_Radio_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma colabora\u00e7\u00e3o internacional de cientistas registou a confirma\u00e7\u00e3o mais precisa, at\u00e9 ao momento, de uma das pedras angulares da teoria da relatividade geral de Einstein, &#8220;a universalidade da queda livre&#8221;. 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