{"id":3126,"date":"2020-06-09T05:50:48","date_gmt":"2020-06-09T05:50:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3126"},"modified":"2020-06-09T05:51:00","modified_gmt":"2020-06-09T05:51:00","slug":"astronomos-encontram-agulha-cosmica-enterrada-durante-duas-decadas-descoberta-lanca-luz-sobre-o-famoso-anel-de-einstein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/06\/09\/astronomos-encontram-agulha-cosmica-enterrada-durante-duas-decadas-descoberta-lanca-luz-sobre-o-famoso-anel-de-einstein\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos encontram agulha c\u00f3smica &#8220;enterrada&#8221; durante duas d\u00e9cadas; descoberta lan\u00e7a luz sobre o famoso anel de Einstein"},"content":{"rendered":"\n<p>Determinados a encontrar uma agulha num &#8220;palheiro c\u00f3smico&#8221;, dois astr\u00f3nomos &#8220;viajaram no tempo&#8221; atrav\u00e9s de arquivos de dados do Observat\u00f3rio W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii, e dados antigos do Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA para desvendar um mist\u00e9rio em torno de um quasar brilhante, mas muito obscurecido, que sofre efeito de lente gravitacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Este objeto celeste, uma gal\u00e1xia ativa que emite enormes quantidades de energia devido a um buraco negro que devora material, \u00e9 excitante. Encontrar um que sofre o efeito de lente gravitacional, fazendo com que pare\u00e7a maior e mais brilhante, \u00e9 ainda mais excitante. Embora sejam conhecidos pouco mais de 200 quasares que sofrem efeitos de lentes gravitacionais, o n\u00famero de quasares obscurecidos e que sofrem efeitos de lentes gravitacionais ainda \u00e9 inferior a 10. Isto porque o buraco negro ativo agita g\u00e1s e poeira, encobrindo o quasar e dificultando a dete\u00e7\u00e3o em levantamentos \u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas n\u00e3o somente encontraram um quasar deste tipo, como tamb\u00e9m chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que o objeto \u00e9 o primeiro anel de Einstein descoberto, chamado MG 1131+0456, observado em 1987 com o VLA (Very Large Array) no estado norte-americano do Novo M\u00e9xico. Notavelmente, embora amplamente estudado, a dist\u00e2ncia ou desvio para o vermelho do quasar permanecia por descobrir.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"275\" height=\"270\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/VLA-Quasar.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3127\"\/><figcaption>Imagem r\u00e1dio de MG 1131+0456, o primeiro anel de Einstein conhecido observado em 1987 usando o VLA (Very Large Array).\nCr\u00e9dito: VLA<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0 medida que estud\u00e1mos o objeto, fic\u00e1mos surpresos por uma fonte t\u00e3o famosa e brilhante nunca ter tido a sua dist\u00e2ncia medida,&#8221; disse Daniel Stern, cientista s\u00e9nior do JPL da NASA e autor do estudo. &#8220;A dist\u00e2ncia \u00e9 um primeiro passo necess\u00e1rio para todos os tipos de estudos adicionais, como por exemplo usar a lente como ferramenta para medir a hist\u00f3ria da expans\u00e3o do Universo e como sonda para a mat\u00e9ria escura.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Stern e o coautor Dominic Walton, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge (Reino Unido), s\u00e3o os primeiros a calcular a dist\u00e2ncia do quasar, que est\u00e1 a 10 mil milh\u00f5es de anos-luz (ou um desvio para o vermelho de z=1,849).<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de 1 junho da revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todo este trabalho foi um pouco nost\u00e1lgico para mim, fazendo com que me debru\u00e7asse nos artigos do in\u00edcio da minha carreira, quando ainda era estudante. O Muro de Berlim ainda estava em p\u00e9 quando este anel de Einstein foi descoberto, e todos os dados apresentados no nosso artigo s\u00e3o do mil\u00e9nio passado,&#8221; disse Stern.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Metodologia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na altura da sua investiga\u00e7\u00e3o, os telesc\u00f3pios de todo o mundo estavam encerrados devido \u00e0 pandemia de coronav\u00edrus (o Observat\u00f3rio Keck reabriu a 16 de maio); Stern e Walton aproveitaram o seu tempo em casa para continuar a fazer ci\u00eancia de modo criativo, vasculhando os dados do WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA para procurar quasares muito obscurecidos e que sofriam efeitos de lentes gravitacionais. Embora a poeira oculte as gal\u00e1xias mais ativas em levantamentos \u00f3ticos, essa poeira obscurante torna as fontes muito brilhantes em levantamentos infravermelhos, como os fornecidos pelo WISE.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os quasares geralmente estejam muito distantes, os astr\u00f3nomos podem detet\u00e1-los atrav\u00e9s de lentes gravitacionais, um fen\u00f3meno que atua como uma lupa natural. Isto ocorre quando uma gal\u00e1xia mais pr\u00f3xima da Terra age como lente e faz o quasar por tr\u00e1s dela parecer mais brilhante. O campo gravitacional da gal\u00e1xia mais pr\u00f3xima distorce o pr\u00f3prio espa\u00e7o, dobrando e amplificando a luz do quasar de fundo. Se o alinhamento for perfeito, isto cria um c\u00edrculo de luz chamado anel de Einstein, previsto por Albert Einstein em 1936. Mais tipicamente, as lentes gravitacionais produzem v\u00e1rias imagens do objeto de fundo em torno do objeto de primeiro plano.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/uploads\/image_file\/image_attachment\/12403\/print.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Einstein-Rings-768x614.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Exemplos de lentes gravitacionais, especificamente do tipo anel de Einstein, fotografadas com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/ESA\/equipa do Levantamento SLACS: A. Bolton (Harvard\/Smithsonian), S. Burles (MIT), L. Koopmans (Kapteyn), T. Treu (UCSB), L. Moustakas (JPL\/Caltech) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim que Stern e Walton redescobriram MG 1131+0456 com o WISE e se aperceberam que a dist\u00e2ncia permanecia um mist\u00e9rio, vasculharam meticulosamente os dados antigos do Arquivo do Observat\u00f3rio Keck e descobriram que o Observat\u00f3rio observou o quasar sete vezes entre 1997 e 2007 usando o instrumento LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) do telesc\u00f3pio Keck I, bem como com o NIRSPEC (Near-Infrared Spectrograph) e com o ESI (Echellette Spectrograph and Imager) do telesc\u00f3pio Keck II.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Conseguimos extrair a dist\u00e2ncia do conjunto de dados mais antigo do Keck, obtido em mar\u00e7o de 1997, durante os primeiros anos do observat\u00f3rio,&#8221; disse Walton. &#8220;Estamos gratos pelos esfor\u00e7os colaborativos do Keck e da NASA, de disponibilizar publicamente mais de 25 anos de dados do Keck. O nosso artigo cient\u00edfico n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa tamb\u00e9m analisou dados de arquivo do Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA obtidos no ano 2000, no primeiro ano ap\u00f3s o lan\u00e7amento da miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora com a dist\u00e2ncia conhecida de MG 1131+0456, Walton e Stern foram capazes de determinar a massa da gal\u00e1xia que sofre efeito de lente gravitacional com precis\u00e3o requintada e de usar os dados do Chandra para confirmar com robustez a natureza obscurecida do quasar, determinando com precis\u00e3o a quantidade de g\u00e1s que existe entre n\u00f3s e as suas regi\u00f5es centrais luminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Podemos agora descrever completamente a geometria \u00fanica e fortuita deste anel de Einstein,&#8221; disse Stern. &#8220;Isto permite-nos elaborar estudos de acompanhamento, por exemplo com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, para estudar as propriedades da mat\u00e9ria escura da gal\u00e1xia que atua como lente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O nosso pr\u00f3ximo passo \u00e9 encontrar quasares que sofrem efeito de lente gravitacional ainda mais obscurecidos do que MG 1131+0456,&#8221; disse Walton. &#8220;Encontrar estas &#8216;agulhas&#8217; ser\u00e1 ainda mais dif\u00edcil, mas est\u00e3o l\u00e1 fora, \u00e0 espera de serem descobertas. Estas joias c\u00f3smicas podem dar-nos uma compreens\u00e3o mais profunda do Universo, incluindo mais informa\u00e7\u00f5es sobre como os buracos negros supermassivos crescem e influenciam os seus arredores,&#8221; diz Walton.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/first-einstein-ring\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/astronomers-revisit-first-einstein-ring-in-archival-data\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ab922c\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/astronomy\/discovery-sheds-new-light-on-famous-einstein-ring.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceRef<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-06-astronomers-cosmic-golden-needle-decades.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/astronomos-primeiro-anel-einstein-327965\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ZAP.aeiou<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Einstein_ring\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Anel de Einstein (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quasar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Quasar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio de raios-X Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Determinados a encontrar uma agulha num &#8220;palheiro c\u00f3smico&#8221;, dois astr\u00f3nomos &#8220;viajaram no tempo&#8221; atrav\u00e9s de arquivos de dados do Observat\u00f3rio W. 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Keck em Mauna Kea, Hawaii, e dados antigos do Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA para desvendar um mist\u00e9rio em torno de um quasar brilhante, mas muito obscurecido, que sofre efeito de lente &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3127,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60,16,1],"tags":[109,167,529,312,389],"class_list":["post-3126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-galaxias","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-lentes-gravitacionais","tag-chandra","tag-observatorio-w-m-keck","tag-quasar","tag-vla"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3126"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3128,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3126\/revisions\/3128"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}