{"id":3093,"date":"2020-05-29T05:30:12","date_gmt":"2020-05-29T05:30:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3093"},"modified":"2020-05-29T05:30:22","modified_gmt":"2020-05-29T05:30:22","slug":"o-detetive-a-bordo-do-rover-perseverance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/05\/29\/o-detetive-a-bordo-do-rover-perseverance\/","title":{"rendered":"O detetive a bordo do rover Perseverance"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/1jOf8EQ.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3094\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/1jOf8EQ.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/1jOf8EQ-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/1jOf8EQ-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><figcaption>Como visto nesta impress\u00e3o de artista, o instrumento SHERLOC est\u00e1 localizado no fim do bra\u00e7o rob\u00f3tico do rover marciano Perseverance da NASA.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Marte est\u00e1 muito longe da famosa 221 Baker Street, mas um dos detetives mais conhecidos da fic\u00e7\u00e3o estar\u00e1 representado no Planeta Vermelho quando o rover Perseverance da NASA pousar no dia 18 de fevereiro de 2021. SHERLOC, um instrumento na ponta do bra\u00e7o rob\u00f3tico do rover, vai procurar pistas do tamanho de gr\u00e3os de areia nas rochas marcianas enquanto trabalha em conjunto com a WATSON, uma c\u00e2mara que vai capturar fotos de texturas de rochas. Juntos, v\u00e3o estudar as superf\u00edcies rochosas, mapeando a presen\u00e7a de certos minerais e mol\u00e9culas org\u00e2nicas, que s\u00e3o os blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida baseada em carbono c\u00e1 na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O SHERLOC foi constru\u00eddo no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, que lidera a miss\u00e3o do Perseverance; a WATSON foi constru\u00edda no MSSS (Malin Space Science Systems) em San Diego. Para as rochas mais promissoras, a equipa do Perseverance comandar\u00e1 o rover para recolher amostras com meia polegada de largura, armazen\u00e1-las, sel\u00e1-las em tubos de metal e deposit\u00e1-las na superf\u00edcie de Marte para que uma miss\u00e3o futura possa entreg\u00e1-las \u00e0 Terra a fim de um estudo mais detalhado.<\/p>\n\n\n\n<p>O SHERLOC vai trabalhar com outros seis instrumentos a bordo do Perseverance para nos dar uma compreens\u00e3o mais clara de Marte. Est\u00e1 at\u00e9 a ajudar o esfor\u00e7o de criar fatos espaciais resistentes ao ambiente marciano para quando os humanos pisarem o Planeta Vermelho. Aqui ficam mais informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia23894-1041.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/IjfJPNu.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Um modelo de engenharia do SHERLOC, um dos instrumentos a bordo do rover marciano Perseverance da NASA. Localizado no fim do bra\u00e7o rob\u00f3tico do rover, o SHERLOC vai ajudar a determinar quais as amostras a recolher para que possam ser seladas em tubos de metais e deixados \u00e0 superf\u00edcie de Marte para futuro envio \u00e0 Terra.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O poder do efeito Raman<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O nome completo do instrumento SHERLOC \u00e9: Scanning Habitable Environments with Raman &amp; Luminescence for Organics &amp; Chemicals. &#8220;Raman&#8221; refere-se \u00e0 espectroscopia Raman, uma t\u00e9cnica cujo nome homenageia o f\u00edsico indiano C.V. Raman, que descobriu o efeito de dispers\u00e3o da luz na d\u00e9cada de 1920.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enquanto viajava de barco, tentava descobrir porque \u00e9 que o mar era azul,&#8221; disse Luther Beegle do JPL, investigador principal do SHERLOC. &#8220;Ele percebeu que se apont\u00e1ssemos um feixe de luz a uma superf\u00edcie, pod\u00edamos mudar o comprimento de onda da luz dispersa, dependendo dos materiais nessa superf\u00edcie.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Este efeito \u00e9 chamado de dispers\u00e3o ou efeito Raman. Os cientistas podem identificar diferentes mol\u00e9culas com base na distinta &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; espectral vis\u00edvel na luz emitida. Um laser ultravioleta que faz parte do SHERLOC permitir\u00e1 \u00e0 equipa classificar materiais org\u00e2nicos e minerais presentes numa rocha e entender o ambiente no qual a rocha se formou. A \u00e1gua salgada, por exemplo, pode resultar na forma\u00e7\u00e3o de minerais diferentes daqueles em \u00e1gua doce. A equipa tamb\u00e9m vai procurar pistas de astrobiologia na forma de mol\u00e9culas org\u00e2nicas que, entre outras coisas, servem como potenciais bioassinaturas, demonstrando a presen\u00e7a de antiga vida passada em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A vida agrupa-se,&#8221; disse Beegle. &#8220;Se virmos subst\u00e2ncias org\u00e2nicas agrupadas numa parte de uma rocha, pode ser um sinal de que os micr\u00f3bios a\u00ed prosperaram no passado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os processos n\u00e3o biol\u00f3gicos tamb\u00e9m podem formar compostos org\u00e2nicos, de modo que a dete\u00e7\u00e3o destes compostos n\u00e3o \u00e9 um sinal claro de que a vida se formou em Marte. Mas os produtos org\u00e2nicos s\u00e3o cruciais para entender se o ambiente antigo pode ter suportado vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia23895-16.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/epoXXki.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Nesta imagem de teste pelo SHERLOC, um instrumento a bordo do rover Perseverance da NASA; cada cor representa um mineral diferente detetado \u00e0 superf\u00edcie de uma rocha.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Uma lupa marciana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando Beegle e a sua equipa avistarem uma rocha interessante, digitalizam uma \u00e1rea com o tamanho de uma moeda com o laser do SHERLOC para descobrir a composi\u00e7\u00e3o mineral e a presen\u00e7a de compostos org\u00e2nicos. Em seguida, a WATSON (Wide Angle Topographic Sensor for Operations and eNgineering) capturar\u00e1 amplia\u00e7\u00f5es da amostra. Tamb\u00e9m pode fotografar imagens do rover Perseverance, assim como o rover Curiosity da NASA usa a mesma c\u00e2mara &#8211; chamada MAHLI (Mars Hand Lens Imager) nesse ve\u00edculo &#8211; para ci\u00eancia e para tirar selfies.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, quando combinada com o SHERLOCK, a WATSON pode fazer ainda mais: a equipa pode mapear com precis\u00e3o as descobertas do SHERLOC sobre as imagens da WATSON a fim de ajudar a revelar como as diferentes camadas minerais se formam e se sobrep\u00f5em. Tamb\u00e9m podem combinar os mapas minerais com dados de outros instrumentos &#8211; entre eles, o PIXL (Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry) no bra\u00e7o rob\u00f3tico do Perseverance &#8211; para ver se uma rocha pode conter sinais de vida microbiana fossilizada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Meteoritos e fatos espaciais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer instrumento cient\u00edfico exposto ao ambiente marciano por tempo suficiente est\u00e1 sujeito a mudan\u00e7as, seja pelas varia\u00e7\u00f5es extremas de temperatura, seja pela radia\u00e7\u00e3o do Sol e dos raios c\u00f3smicos. Os cientistas ocasionalmente t\u00eam que calibrar estes instrumentos, que fazem medindo as suas leituras em rela\u00e7\u00e3o a alvos de calibra\u00e7\u00e3o &#8211; essencialmente, objetos com propriedades conhecidas selecionados previamente para fins de verifica\u00e7\u00e3o cruzada (por exemplo, o rover Curiosity utiliza uma moeda como alvo de calibra\u00e7\u00e3o). Como os cientistas e engenheiros sabem com anteced\u00eancia quais devem ser as leituras quando um instrumento est\u00e1 a funcionar corretamente, podem fazer os ajustes necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Com mais ou menos o tamanho de um smartphone, o alvo de calibra\u00e7\u00e3o do SHERLOC inclui 10 objetos, incluindo uma amostra de um meteorito marciano que viajou at\u00e9 \u00e0 Terra e foi encontrado em 1999 no deserto de Om\u00e3. O estudo de como este fragmento de meteorito muda ao longo da miss\u00e3o ajudar\u00e1 os cientistas a entender as intera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas entre a superf\u00edcie do planeta e a sua atmosfera. A SuperCam, outro instrumento a bordo do Perseverance, tamb\u00e9m tem um peda\u00e7o de meteorito marciano como alvo de calibra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os cientistas enviam fragmentos de Marte novamente at\u00e9 \u00e0 superf\u00edcie do Planeta Vermelho para continuar os seus estudos, contam com o Perseverance para recolher dezenas de amostras de rocha e solo para futuro envio \u00e0 Terra. As amostras que o ve\u00edculo espacial recolher ser\u00e3o exaustivamente estudadas, com dados da paisagem onde se formaram, e v\u00e3o incluir tipos de rochas diferentes dos meteoritos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao lado do meteorito marciano est\u00e3o cinco amostras de tecido de fatos espaciais e de material de capacete desenvolvido pelo Centro Espacial Johnson da NASA. O SHERLOC far\u00e1 leituras destes materiais \u00e0 medida que s\u00e3o afetados pela paisagem e pelo clima marciano ao longo do tempo, dando aos designers dos fatos uma melhor ideia de como se degradam. Quando os primeiros astronautas pisarem Marte, poder\u00e3o muito bem ter que agradecer ao SHERLOC pelos fatos que os mant\u00eam seguros.<\/p>\n\n\n\n<p>O rover Perseverance pesa 1025 kg. A sua miss\u00e3o \u00e9 procurar sinais de vida microbiana passada. Independentemente do dia de lan\u00e7amento, cuja janela vai de 17 julho a 11 de agosto, aterrar\u00e1 na Cratera Jezero no dia 18 de fevereiro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/the-detective-aboard-nasas-perseverance-rover\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rover Perseverance:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/mars2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mars2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAPersevere\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAPersevere\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como visto nesta impress\u00e3o de artista, o instrumento SHERLOC est\u00e1 localizado no fim do bra\u00e7o rob\u00f3tico do rover marciano Perseverance da NASA.Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech Marte est\u00e1 muito longe da famosa 221 Baker Street, mas um dos detetives mais conhecidos da fic\u00e7\u00e3o estar\u00e1 representado no Planeta Vermelho quando o rover Perseverance da NASA pousar no dia 18 &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3094,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[4,617],"class_list":["post-3093","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-marte","tag-mars-2020"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3093","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3093"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3093\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3095,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3093\/revisions\/3095"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3094"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3093"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3093"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3093"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}