{"id":3058,"date":"2020-05-15T06:01:26","date_gmt":"2020-05-15T06:01:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3058"},"modified":"2020-05-15T06:01:41","modified_gmt":"2020-05-15T06:01:41","slug":"qual-e-a-composicao-de-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/05\/15\/qual-e-a-composicao-de-marte\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o de Marte?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Experi\u00eancias c\u00e1 na Terra com ligas de ferro-enxofre, que se pensa compreenderem o n\u00facleo de Marte, revelam pela primeira vez detalhes sobre as propriedades qu\u00edmicas do planeta. Esta informa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 comparada com observa\u00e7\u00f5es futuras feitas por orbitadores marcianos no futuro pr\u00f3ximo. Caso os resultados das experi\u00eancias coincidam, ou n\u00e3o, com as observa\u00e7\u00f5es, tal confirmar\u00e1 as teorias existentes sobre a composi\u00e7\u00e3o de Marte ou colocar\u00e1 em quest\u00e3o a hist\u00f3ria da sua origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marte \u00e9 um dos nossos vizinhos terrestres mais pr\u00f3ximos, mas ainda est\u00e1 muito longe &#8211; entre 55 e 400 milh\u00f5es de quil\u00f3metros, dependendo da posi\u00e7\u00e3o da Terra e de Marte em rela\u00e7\u00e3o ao Sol. Aquando da reda\u00e7\u00e3o deste texto, Marte estava a cerca de 200 milh\u00f5es de quil\u00f3metros e, de qualquer forma, \u00e9 extremamente dif\u00edcil, caro e perigoso l\u00e1 chegar. Por estas raz\u00f5es, \u00e0s vezes \u00e9 mais sensato investigar o Planeta Vermelho atrav\u00e9s de simula\u00e7\u00f5es c\u00e1 na Terra do que enviar uma sonda espacial cara ou, talvez um dia, pessoas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/DVo52PW.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"865\" height=\"647\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/DVo52PW.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3059\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/DVo52PW.png 865w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/DVo52PW-300x224.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/DVo52PW-768x574.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 865px) 100vw, 865px\" \/><\/a><figcaption>Medi\u00e7\u00f5es da velocidade do som. Ondas pulsadas propagam-se atrav\u00e9s de amostras \u00e0 velocidade do som.<br>Cr\u00e9dito: Nishida et al.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Keisuke Nishida, na altura deste estudo professor assistente do Departamento de Ci\u00eancias da Terra e Planet\u00e1rias da Universidade de T\u00f3quio, e a sua equipa est\u00e3o empenhados em investigar o funcionamento interno de Marte. Eles analisam dados s\u00edsmicos e da composi\u00e7\u00e3o que dizem aos investigadores n\u00e3o apenas mais sobre o estado atual do planeta, mas tamb\u00e9m sobre o seu passado, incluindo as suas origens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A explora\u00e7\u00e3o dos interiores profundos da Terra, de Marte e de outros planetas \u00e9 uma das grandes fronteiras da ci\u00eancia,&#8221; disse Nishida. &#8220;\u00c9 fascinante em parte por causa das escalas assustadoras envolvidas, mas tamb\u00e9m por causa de como os investigamos com seguran\u00e7a a partir da superf\u00edcie da Terra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, teorizou-se que o n\u00facleo de Marte provavelmente consiste de uma liga de ferro-enxofre. Mas, considerando o qu\u00e3o inacess\u00edvel o n\u00facleo da Terra \u00e9 para n\u00f3s, as observa\u00e7\u00f5es diretas do n\u00facleo de Marte provavelmente ter\u00e3o que esperar algum tempo. \u00c9 por isso que os detalhes s\u00edsmicos s\u00e3o t\u00e3o importantes, pois as ondas s\u00edsmicas, semelhantes \u00e0s ondas sonoras extremamente poderosas, podem viajar atrav\u00e9s de um planeta e fornecer um vislumbre do interior, embora com algumas ressalvas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O m\u00f3dulo InSight da NASA j\u00e1 est\u00e1 em Marte a recolher leituras s\u00edsmicas,&#8221; disse Nishida. &#8220;No entanto, mesmo com os dados s\u00edsmicos, havia uma importante informa\u00e7\u00e3o em falta sem a qual os dados n\u00e3o podiam ser interpretados. Precis\u00e1vamos de conhecer as propriedades s\u00edsmicas da liga ferro-enxofre que se pensa formar o n\u00facleo de Marte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nishida e a sua equipa mediram agora a velocidade do que \u00e9 conhecido como ondas P (um dos dois tipos de ondas s\u00edsmicas, o outro sendo ondas S) em ligas de ferro-enxofre fundidas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/CDtBn1Q.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/CDtBn1Q.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Multibigornas do tipo Kawai instaladas no complexo SPring-8 (esquerda) e no KEK-PF (direita).<br>Cr\u00e9dito: Nishida et al. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Devido a obst\u00e1culos t\u00e9cnicos, foram necess\u00e1rios mais de tr\u00eas anos para que pud\u00e9ssemos recolher os dados ultrass\u00f3nicos que precis\u00e1vamos, por isso estou muito satisfeito por termos os dados agora,&#8221; disse Nishida. &#8220;A amostra \u00e9 extremamente pequena, o que pode surpreender algumas pessoas, dada a enorme escala do planeta que estamos efetivamente a simular. Mas as experi\u00eancias de alta press\u00e3o em microescala ajudam a explorar estruturas em macroescala e longas hist\u00f3rias evolutivas de planetas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma liga de ferro-enxofre logo acima do seu ponto de fus\u00e3o de 1500\u00ba C e sujeita a 13 gigapascais de press\u00e3o tem uma velocidade das ondas P de 4680 metros por segundo; isto \u00e9 13 vezes superior \u00e0 velocidade do som no ar, que \u00e9 de 343 metros por segundo. Os cientistas usaram um dispositivo chamado multibigorna do tipo Kawai para comprimir a amostra a estas press\u00f5es. Usaram feixes de raios-X de duas instala\u00e7\u00f5es de sincrotr\u00e3o, KEK-PF e SPring-8, para ajud\u00e1-los a criar imagens das amostras, a fim de calcular os valores das ondas P.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com os nossos resultados em m\u00e3o, os investigadores que leem dados s\u00edsmicos marcianos poder\u00e3o agora dizer se o n\u00facleo \u00e9 principalmente uma liga de ferro-enxofre ou n\u00e3o,&#8221; disse Nishida. &#8220;Se n\u00e3o for, isso dir-nos-\u00e1 algo sobre as origens de Marte. Por exemplo, se o n\u00facleo de Marte incluir sil\u00edcio e oxig\u00e9nio, isso sugere que, tal como a Terra, Marte sofreu um grande evento de impacto durante a sua forma\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, qual a composi\u00e7\u00e3o de Marte e como foi formado? Penso que estamos prestes a descobrir.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.u-tokyo.ac.jp\/focus\/en\/press\/z0508_00109.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de T\u00f3quio (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-020-15755-2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Communications)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ondas s\u00edsmicas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Seismic_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/P-wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ondas P (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/S-wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ondas S (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Multi-anvil_press\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instrumento Multibigorna (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/insight.jpl.nasa.gov\/home.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/insight\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasainsight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Experi\u00eancias c\u00e1 na Terra com ligas de ferro-enxofre, que se pensa compreenderem o n\u00facleo de Marte, revelam pela primeira vez detalhes sobre as propriedades qu\u00edmicas do planeta. 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