{"id":3046,"date":"2020-05-12T05:41:13","date_gmt":"2020-05-12T05:41:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=3046"},"modified":"2020-05-12T05:41:23","modified_gmt":"2020-05-12T05:41:23","slug":"quando-os-planetas-bebes-derretem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/05\/12\/quando-os-planetas-bebes-derretem\/","title":{"rendered":"Quando os planetas beb\u00e9s derretem"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"557\" height=\"426\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_6904.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3047\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_6904.jpg 557w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_6904-300x229.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 557px) 100vw, 557px\" \/><figcaption>Max Collinet (esquerda) e o professor Tim Grove trabalham juntos para extrair uma amostra experimental de uma m\u00e1quina \u00fanica de fus\u00e3o de rochas no MIT, que revela pistas sobre planetesimais e sobre a forma\u00e7\u00e3o de planetas rochosos com a Terra e Marte.<br>Cr\u00e9dito: Stephanie Brown\/MIT<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Comecemos no in\u00edcio. Antes dos humanos, antes da Terra, antes at\u00e9 da exist\u00eancia de qualquer um dos planetas, havia planetas beb\u00e9s &#8211; planetesimais. Coalescidos a partir de poeira expelida para fora pela nebulosa solar, estes corpos tinham apenas alguns quil\u00f3metros de di\u00e2metro. Em pouco tempo agregaram-se devido \u00e0 gravidade para formar os planetas rochosos na parte mais interior do Sistema Solar, deixando os primeiros detalhes sobre estes planetesimais \u00e0 nossa imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua misteriosa identidade \u00e9 complicada pelo facto de que Merc\u00fario, V\u00e9nus, a Terra e Marte s\u00e3o todos diferentes em termos de composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Como uma batedeira que mistura ingredientes de um bolo, a Terra passou por algum rearranjo, em grande parte devido ao vulcanismo e \u00e0s placas tect\u00f3nicas que deslocam elementos para dentro e para fora do interior, o que obscurece ainda mais quaisquer informa\u00e7\u00f5es sobre os ingredientes originais e suas propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, um par de cientistas do Departamento de Ci\u00eancias da Terra, Atmosf\u00e9ricas e Planet\u00e1rias do MIT (Massachusetts Institute of Technology) revelou algumas informa\u00e7\u00f5es importantes sobre esses planetesimais, recriando em laborat\u00f3rio os primeiros magmas que estes objetos podem ter produzido na inf\u00e2ncia do Sistema Solar. E ao que parece, existem evid\u00eancias f\u00edsicas destes magmas nos meteoritos, acrescentando valida\u00e7\u00e3o \u00e0s suas afirma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta forma\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o destes planetesimais \u00e9 uma esp\u00e9cie de passo importante na forma como se produziram os planetas terrestres interiores, e estamos realmente a come\u00e7ar a desvendar essa hist\u00f3ria,&#8221; diz o professor de Geologia Timothy Grove, autor principal do estudo, publicado numa trilogia de artigos cient\u00edficos nas revistas Geochimica et Cosmochimica Acta e Meteoritics and Planetary Science.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Teasers&#8221; de meteoritos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 hoje, existem min\u00fasculas evid\u00eancias dos blocos de constru\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria do Sistema Solar em meteoritos, que se encaixam em duas categorias principais. Os condritos s\u00e3o feitos de material original e s\u00e3o do tipo mais comum. Os acondritos s\u00e3o oriundos de corpos parentes que sofreram algum tipo de modifica\u00e7\u00e3o &#8211; e a compreens\u00e3o destas modifica\u00e7\u00f5es ajuda a explicar os processos que formam e &#8220;cultivam&#8221; planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ureilitos, o segundo grupo mais abundante de acondritos, foram o t\u00f3pico original desta investiga\u00e7\u00e3o. Mas rapidamente os investigadores perceberam que os seus achados tamb\u00e9m podiam ser aplicados noutros s\u00edtios.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as a uma s\u00e9rie de experi\u00eancias desenhadas para corrigir erros em t\u00e9cnicas anteriores, Grove e o autor principal Max Collinet descobriram um novo \u00e2ngulo. &#8220;O que n\u00f3s ao in\u00edcio quer\u00edamos entender era mais sobre um pequeno grupo de meteoritos que \u00e9 obscuro para muita gente,&#8221; diz Collinet da sua investiga\u00e7\u00e3o de doutoramento. &#8220;Mas quando fizemos estas experi\u00eancias, percebemos que os derretimentos que produzimos t\u00eam muitas implica\u00e7\u00f5es para muitos outros elementos da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Isto inclui a origem do tipo mais abundante de meteorito acondrito, denominado eucrito, supostamente proveniente de Vesta, o segundo maior corpo da cintura de asteroides. Isto porque, em 1970, um investigador do MIT descobriu que Vesta era feito do mesmo tipo de rocha bas\u00e1ltica. &#8220;T\u00ednhamos todas estas lavas bas\u00e1lticas da superf\u00edcie de Vesta, e basicamente toda a gente assumiu que \u00e9 o que acontece quando derretemos estes corpos,&#8221; explica Grove. Por\u00e9m, recentemente, outros estudos derrubaram esta hip\u00f3tese, deixando a quest\u00e3o: quais foram os primeiros derretimentos formados nos planetesimais?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fazendo pequenos planetas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que percebemos \u00e9 que realmente n\u00e3o sab\u00edamos qual era a composi\u00e7\u00e3o daqueles primeiros magmas produzidos em qualquer planetesimal, muito menos naquele em que est\u00e1vamos interessados &#8211; o corpo parente dos ureilitos,&#8221; diz Collinet acerca dos resultados dos seus novos m\u00e9todos experimentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em estudos anteriores, usando um sistema experimental t\u00edpico de &#8220;sistema aberto&#8221; que mantinha os baixos n\u00edveis de oxig\u00e9nio esperados dentro de um planetesimal, muitos dos elementos alcalinos altamente reativos &#8211; s\u00f3dio e pot\u00e1ssio &#8211; podiam escapar.<\/p>\n\n\n\n<p>Groove e Collinet tiveram que trabalhar juntos para realizar as experi\u00eancias usando um instrumento \u00fanico no MIT que mantinha o sistema &#8220;fechado&#8221; e retinha todos os alcalinos. Preencheram uma pequena c\u00e1psula de metal com alguns mil\u00edmetros quadrados com os mesmos elementos qu\u00edmicos que podem ter estado presentes num planetesimal e submeteram-nos a condi\u00e7\u00f5es de baixo oxig\u00e9nio, temperaturas de fus\u00e3o de rochas e press\u00f5es esperadas nos interiores de corpos relativamente pequenos. Assim que essas condi\u00e7\u00f5es foram alcan\u00e7adas, o magma da amostra foi congelado &#8211; conforme registado nos seus m\u00e9todos &#8211; ao &#8220;bater&#8221; na m\u00e1quina com uma chave inglesa para garantir que a sua c\u00e1psula se fragmentava, caindo rapidamente para a temperatura ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise do magma, arrefecido num vidro, foi complicada. Como estavam \u00e0 procura do in\u00edcio da fus\u00e3o, as regi\u00f5es dentro das amostras eram bem pequenas. Foram necess\u00e1rios alguns ajustes nos seus procedimentos para combinar todas numa regi\u00e3o maior. Assim que foram capazes de medir as amostras, o par ficou chocado com as implica\u00e7\u00f5es do que descobriram.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o faz\u00edamos ideia de que ir\u00edamos produzir estas coisas. Foi completamente imprevisto,&#8221; real\u00e7a Grove. Este material era um granito rico em alcalinos &#8211; uma composi\u00e7\u00e3o de cor clara e rica em s\u00edlica, como podemos ver num balc\u00e3o de cozinha, no extremo oposto do espectro de rochas bas\u00e1lticas pobres em alcalinos e pobres em s\u00edlica de Vesta &#8211; como aqueles formados a partir de lava.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Collinet e Grove mostram que ideias anteriores sobre as composi\u00e7\u00f5es das primeiras fus\u00f5es do nosso Sistema Solar, h\u00e1 cerca de 4,6 mil milh\u00f5es de anos, podem estar incorretas porque o registo de processos iniciais foi obscurecido pela atividade geol\u00f3gica de tempos mais recentes,&#8221; diz Cyrena Goodrich, cientista s\u00e9nior do Instituto Lunar e Planet\u00e1rio da USRA (Universities Space Research Association), que n\u00e3o participou na investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Estes resultados ter\u00e3o aplica\u00e7\u00f5es numa ampla gama de t\u00f3picos da geologia e das ci\u00eancias planet\u00e1rias e v\u00e3o influenciar substancialmente trabalhos futuros.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Estes resultados surpreendentes quase que coincidem com fus\u00f5es medidas em muitas amostras de meteoritos naturais. Al\u00e9m disso, os dois cientistas aprenderam algo sobre os misteriosos alcalinos que faltavam nos planetas rochosos e sobre as diferen\u00e7as entre a Terra, Marte, V\u00e9nus e Merc\u00fario.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reimaginando o in\u00edcio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Anteriormente, supunha-se que as diferen\u00e7as entre os planetas terrestres tinham surgido durante a dispers\u00e3o inicial de elementos na nebulosa solar e se relacionavam com a forma como esses elementos se condensaram de gases para s\u00f3lidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Agora temos outro caminho,&#8221; diz Grove. Com os derretimentos que hospedam muitos alcalinos, seria necess\u00e1rio apenas algum m\u00e9todo de remo\u00e7\u00e3o do derretimento para deixar estes planetesimais residuais esgotados de pot\u00e1ssio e s\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 determinar como estas fus\u00f5es podem ser extra\u00eddas do interior dos planetesimais, uma vez que os impulsionadores do movimento de magma na Terra provavelmente n\u00e3o seriam os mesmos nestes corpos planet\u00e1rios. De facto, a migra\u00e7\u00e3o de elementos nos planetas primitivos, como a forma\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos met\u00e1licos, \u00e9 uma grande \u00e1rea desconhecida que o par de cientistas anseia continuar a explorar.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 incapacidade de observar o que realmente aconteceu durante a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, as surpresas expostas por este estudo s\u00e3o um passo significativo. &#8220;Trazemos novas pistas sobre como a nebulosa criou estes corpos,&#8221; resume Collinet, que agora \u00e9 p\u00f3s-doutorado na Alemanha, trabalhando para entender as camadas por baixo da crosta exterior de Marte. A partir de uma c\u00e1psula min\u00fascula num laborat\u00f3rio ou de uma amostra microsc\u00f3pica de um meteorito derretido, \u00e9 poss\u00edvel revelar informa\u00e7\u00f5es sobre o nascimento de um vasto planeta.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/news.mit.edu\/2020\/when-baby-planets-melt-solar-system-first-magmas-0507\" target=\"_blank\">\/\/ MIT (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/maps.13471\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (Meteoritics &amp; Planetary Science)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0016703720301666\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Geochimica et Cosmochimica Acta)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0016703720301654\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #3 (Geochimica et Cosmochimica Acta)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Planetesimal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planetesimal (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Meteoritos:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite_classification\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Classifica\u00e7\u00e3o de meteoritos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chondrite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Condritos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Achondrite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Acondritos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ureilite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ureilitos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Eucrite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Eucritos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Max Collinet (esquerda) e o professor Tim Grove trabalham juntos para extrair uma amostra experimental de uma m\u00e1quina \u00fanica de fus\u00e3o de rochas no MIT, que revela pistas sobre planetesimais e sobre a forma\u00e7\u00e3o de planetas rochosos com a Terra e Marte.Cr\u00e9dito: Stephanie Brown\/MIT Comecemos no in\u00edcio. 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