{"id":2978,"date":"2020-04-17T05:32:57","date_gmt":"2020-04-17T05:32:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2978"},"modified":"2020-04-17T05:33:11","modified_gmt":"2020-04-17T05:33:11","slug":"gemini-deteta-o-vento-mais-energetico-de-um-quasar-distante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/04\/17\/gemini-deteta-o-vento-mais-energetico-de-um-quasar-distante\/","title":{"rendered":"Gemini deteta o vento mais energ\u00e9tico de um quasar distante"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"500\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fig1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2979\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fig1.jpg 1000w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fig1-300x150.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fig1-768x384.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fig1-660x330.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption>A imagem \u00e0 esquerda mostra uma impress\u00e3o de artista da por\u00e7\u00e3o central da gal\u00e1xia que alberga o quasar SDSS J135246.37+423923.5, a comprimentos de onda vis\u00edveis. Ventos espessos obscurecem a nossa vis\u00e3o e &#8220;imprimem&#8221; assinaturas do fluxo energ\u00e9tico no espectro do SDSS. A imagem \u00e0 direita mostra a mesma impress\u00e3o de artista mas a comprimentos de onda infravermelhos, vistos pelo detetor GNIRS do Gemini. O fluxo espesso \u00e9 transparente a comprimentos de onda infravermelhos, dando-nos uma vista limpa do quasar. O espectro infravermelho fornece o desvio para o vermelho do quasar e, daquele ponto de refer\u00eancia, podemos medir a velocidade recorde do fluxo.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Gemini\/NOIRLab\/NSF\/AURA\/P. Marenfel (<a href=\"https:\/\/www.gemini.edu\/images\/pio\/News\/2020\/pr2020_04\/Windy%20Quasar.jpg\">veja a imagem da esquerda<\/a>; veja a <a href=\"https:\/\/www.gemini.edu\/images\/pio\/News\/2020\/pr2020_04\/Windy%20Quasar%20IR.jpg\">imagem da direita<\/a>)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores que usam o telesc\u00f3pio Gemini Norte em Maunakea, Hawaii, detetaram o vento mais energ\u00e9tico de qualquer quasar j\u00e1 medido. Este fluxo, que viaja a quase 13% da velocidade da luz, transporta energia suficiente para impactar dramaticamente a forma\u00e7\u00e3o estelar numa gal\u00e1xia inteira. A tempestade extragal\u00e1tica permaneceu escondida, mas \u00e0 vista de todos, durante 15 anos, antes de ser revelada por modelos computacionais inovadores e novos dados do Observat\u00f3rio Gemini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vento mais energ\u00e9tico de um quasar foi revelado por uma equipa de astr\u00f3nomos usando observa\u00e7\u00f5es do Observat\u00f3rio Gemini, um programa do NOIRLab da NSF (National Science Foundation). Este poderoso fluxo est\u00e1 a mover-se para a sua gal\u00e1xia hospedeira a quase 13% da velocidade da luz e origina de um quasar conhecido como SDSS J135246.37+423923.5, que fica a aproximadamente 10 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Embora ventos de alta velocidade j\u00e1 tenham sido observados anteriormente em quasares, esses carregavam apenas uma quantidade relativamente pequena de massa,&#8221; explica Sarah Gallagher, astr\u00f3noma da Universidade Western (Canad\u00e1) que liderou as observa\u00e7\u00f5es com o Gemini. &#8220;O fluxo deste quasar, em compara\u00e7\u00e3o, varre uma quantidade enorme de massa a velocidades incr\u00edveis. Este vento \u00e9 muito poderoso e n\u00e3o sabemos como \u00e9 que o quasar pode lan\u00e7ar algo t\u00e3o substancial.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de medir o fluxo de SDSS J135246.37+423923.5, a equipa tamb\u00e9m foi capaz de inferir a massa do buraco negro supermassivo que alimenta o quasar. Este objeto monstruoso \u00e9 8,6 mil milh\u00f5es vezes mais massivo que o Sol &#8211; cerca de 2000 vezes a massa do buraco negro no centro da nossa Via L\u00e1ctea e 50% mais massivo do que o famoso e &#8220;fotog\u00e9nico&#8221; buraco negro da gal\u00e1xia M87.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado foi publicado na revista The Astrophysical Journal e o quasar aqui estudado det\u00e9m agora o recorde de vento quasar mais energ\u00e9tico medido at\u00e9 ao momento, com um vento mais energ\u00e9tico do que aqueles relatados recentemente num outro estudo [independente] de 13 quasares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da sua massa e fluxo energ\u00e9tico, a descoberta deste &#8220;po\u00e7o energ\u00e9tico&#8221; permaneceu inating\u00edvel durante 15 anos, num levantamento de quasares, antes que a combina\u00e7\u00e3o dos dados do Gemini e o m\u00e9todo inovador de modelagem de computador da equipa permitissem que fosse estudado em detalhe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos chocados &#8211; este n\u00e3o \u00e9 um quasar novo, mas ningu\u00e9m sabia qu\u00e3o incr\u00edvel era at\u00e9 a equipa obter os espectros com o Gemini,&#8221; explica Karen Leighly, astr\u00f3noma da Universidade de Oklahoma e uma das l\u00edderes cient\u00edficas desta investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Estes objetos eram demasiado dif\u00edceis de estudar antes da nossa equipa desenvolver a nossa metodologia e possuir os dados necess\u00e1rios, e agora parece que podem ser do tipo de quasares &#8216;ventosos&#8217; mais interessantes de estudar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os quasares &#8211; tamb\u00e9m conhecidos como objetos quasi-estelares &#8211; s\u00e3o um tipo de objeto astrof\u00edsico extraordinariamente luminoso que reside nos centros de gal\u00e1xias massivas. Consistindo de um buraco negro supermassivo rodeado por um disco brilhante de g\u00e1s, os quasares podem ofuscar todas as estrelas da sua gal\u00e1xia hospedeira e podem impulsionar ventos poderosos o suficiente para influenciar gal\u00e1xias inteiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Alguns ventos quasares t\u00eam energia suficiente para &#8216;varrer&#8217; o material de uma gal\u00e1xia necess\u00e1rio para formar estrelas e, assim, interromper a forma\u00e7\u00e3o estelar,&#8221; explica Joseph Hyunseop Choi, estudante da Universidade do Oklahoma e autor principal do artigo cient\u00edfico sobre esta descoberta. &#8220;N\u00f3s estud\u00e1mos um quasar particularmente &#8216;ventoso&#8217;, SDSS J135246.37+423923.5, cujo fluxo \u00e9 t\u00e3o espesso que \u00e9 dif\u00edcil detetar a assinatura do pr\u00f3prio quasar em comprimentos de onda vis\u00edveis.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da obstru\u00e7\u00e3o, a equipa conseguiu ter uma vis\u00e3o clara do quasar usando o instrumento GNIRS (Gemini Near-Infrared Spectrograph) acoplado ao Gemini Norte para observar em comprimentos de onda infravermelhos. Usando uma combina\u00e7\u00e3o de espetros de alta qualidade do Gemini e uma abordagem pioneira de modelagem por computador, os astr\u00f3nomos descobriram a natureza do fluxo do objeto &#8211; que provou ser notavelmente mais energ\u00e9tico do que qualquer outro fluxo de quasar medido anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta da equipa levanta quest\u00f5es importantes e tamb\u00e9m sugere que poder\u00e3o ser descobertos mais destes quasares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s n\u00e3o sabemos quantos mais destes objetos extraordin\u00e1rios existem nos nossos cat\u00e1logos que ainda n\u00e3o conhecemos,&#8221; conclui Choi. &#8220;Dado que o software automatizado geralmente identifica quasares gra\u00e7as a fortes linhas de emiss\u00e3o ou \u00e0 cor azul &#8211; duas propriedades que o nosso objeto n\u00e3o tem &#8211; podem existir mais destes quasares com fluxos tremendamente poderosos ocultos nos nossos levantamentos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.gemini.edu\/pr\/gemini-detects-most-energetic-wind-distant-quasar\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio Gemini (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.westernu.ca\/2020\/04\/researchers-discover-crazy-powerful-quasar\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Western (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ab6f72\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2001.07347\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/04\/200414173249.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.spacedaily.com\/reports\/Astronomers_detect_most_energetic_outflow_from_a_distant_quasar_999.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space Daily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-04-cosmic-tempest-astronomers-energetic-outflow.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quasar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Quasar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Gemini:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gemini_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SDSS:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.sdss.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sloan_Digital_Sky_Survey\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem \u00e0 esquerda mostra uma impress\u00e3o de artista da por\u00e7\u00e3o central da gal\u00e1xia que alberga o quasar SDSS J135246.37+423923.5, a comprimentos de onda vis\u00edveis. Ventos espessos obscurecem a nossa vis\u00e3o e &#8220;imprimem&#8221; assinaturas do fluxo energ\u00e9tico no espectro do SDSS. 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