{"id":2862,"date":"2020-03-03T06:52:04","date_gmt":"2020-03-03T06:52:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2862"},"modified":"2020-03-03T06:52:06","modified_gmt":"2020-03-03T06:52:06","slug":"os-ultimos-suspiros-de-uma-estrela-massiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/03\/03\/os-ultimos-suspiros-de-uma-estrela-massiva\/","title":{"rendered":"Os \u00faltimos suspiros de uma estrela massiva"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso1421a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"438\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/eso1421a.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2863\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/eso1421a.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/eso1421a-300x188.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>As supernovas s\u00e3o incrivelmente energ\u00e9ticas; muitas podem ofuscar brevemente uma gal\u00e1xia inteira.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que toca \u00e0 astronomia, Betelgeuse tem sido ultimamente o centro das aten\u00e7\u00f5es por parte dos media. A supergigante vermelha est\u00e1 a chegar ao final da sua vida e, quando uma estrela com mais de 10 vezes a massa do Sol morre, f\u00e1-lo de maneira espetacular. Quando o seu brilho caiu recentemente para o valor mais baixo dos \u00faltimos cem anos, muitos entusiastas do espa\u00e7o ficaram excitados com o facto de Betelgeuse se tornar em breve uma supernova, explodindo numa exibi\u00e7\u00e3o deslumbrante que poder\u00e1 ser vis\u00edvel at\u00e9 durante o dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a famosa estrela no ombro de Orionte v\u00e1 provavelmente chegar ao fim da sua vida daqui a algumas dezenas de milhares de anos &#8211; meros dias, de um ponto de vista do tempo c\u00f3smico &#8211; os cientistas continuam a afirmar que a queda de brilho foi devida \u00e0 pulsa\u00e7\u00e3o da estrela. O fen\u00f3meno \u00e9 relativamente comum entre as gigantes vermelhas e h\u00e1 d\u00e9cadas que sabemos que Betelgeuse pertence a esse grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por coincid\u00eancia, investigadores da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Barbara j\u00e1 fizeram previs\u00f5es sobre o brilho da supernova que resultaria quando uma estrela pulsante como Betelgeuse explodisse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudante de F\u00edsica Jared Goldberg publicou um estudo juntamente com o professor Lars Bildsten, diretor do KITP (Kavli Institute for Theoretical Physics), e Bill Paxton, tamb\u00e9m do KITP, no qual detalham como a pulsa\u00e7\u00e3o de uma estrela afetar\u00e1 a explos\u00e3o resultante quando esta chegar ao seu fim da sua vida. O artigo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s quer\u00edamos saber como seria se uma estrela pulsante explodisse em diferentes fases da pulsa\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Goldberg, investigador da NSF (National Science Foundation). &#8220;Os modelos anteriores s\u00e3o mais simples porque n\u00e3o incluem os efeitos das pulsa\u00e7\u00f5es que dependem do tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma estrela do tamanho de Betelgeuse finalmente fica sem material para fundir no seu centro, perde a press\u00e3o externa que a impedia de colapsar sob o seu imenso peso. O colapso resultante do n\u00facleo ocorre em meio segundo, muito mais depressa do que a superf\u00edcie da estrela e as camadas externas inchadas demoram para perceber.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que o n\u00facleo de ferro colapsa os \u00e1tomos desassociam-se em eletr\u00f5es e prot\u00f5es. Combinam-se para formar neutr\u00f5es e, no processo, libertam part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas chamadas neutrinos. Normalmente, os neutrinos interagem muito pouco com a mat\u00e9ria &#8211; 100 bili\u00f5es passam pelo nosso corpo a cada segundo sem uma \u00fanica colis\u00e3o. Dito isto, as supernovas est\u00e3o entre os fen\u00f3menos mais poderosos do Universo. Os n\u00fameros e as energias dos neutrinos produzidos no colapso do n\u00facleo s\u00e3o t\u00e3o imensos que embora apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o colida com o material estelar, geralmente \u00e9 mais do que suficiente para lan\u00e7ar uma onda de choque capaz de fazer explodir a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa explos\u00e3o resultante atinge as camadas externas da estrela com uma energia estupenda, criando uma explos\u00e3o que pode ofuscar brevemente uma gal\u00e1xia inteira. A explos\u00e3o permanece brilhante durante mais ou menos 100 dias, j\u00e1 que a radia\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode escapar uma vez que o hidrog\u00e9nio ionizado se recombina com os eletr\u00f5es perdidos para se tornar neutro novamente. Isto ocorre de fora para dentro, o que significa que os astr\u00f3nomos conseguem ver cada vez mais profundamente a supernova com o passar do tempo at\u00e9 que finalmente a luz do centro possa escapar. Nesse ponto, tudo o que resta \u00e9 o brilho fraco das part\u00edculas radioativas, que podem continuar a brilhar durante anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/potw1726a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/thumb700x\/potw1726a.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Ao contr\u00e1rio de muitas estrelas, Betelgeuse \u00e9 grande o suficiente e est\u00e1 perto o suficiente para os cientistas a resolverem com instrumentos como o telesc\u00f3pio ALMA.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO)\/E. O\u2019Gorman\/P. Kervella <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As caracter\u00edsticas de uma supernova variam com a massa da estrela, com a energia total da explos\u00e3o e, principalmente, com o seu raio. Isto significa que a pulsa\u00e7\u00e3o de Betelgeuse complica a previs\u00e3o de como ir\u00e1 explodir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores descobriram que se a estrela inteira estiver a pulsar em un\u00edssono &#8211; como que a &#8220;inspirar&#8221; e a &#8220;expirar&#8221; &#8211; ent\u00e3o a supernova comportar-se-\u00e1 como se Betelgeuse fosse uma estrela est\u00e1tica com um determinado raio. No entanto, as diferentes camadas da estrela podem oscilar umas contra as outras: as camadas exteriores podem expandir-se enquanto as camadas interm\u00e9dias contraem, e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o caso de pulsa\u00e7\u00e3o simples, o modelo da equipa produziu resultados semelhantes aos modelos que n\u00e3o consideravam a pulsa\u00e7\u00e3o. &#8220;Parece uma supernova de uma estrela maior ou menor em diferentes pontos da pulsa\u00e7\u00e3o,&#8221; explicou Goldberg. &#8220;Quando come\u00e7amos a ter em conta as pulsa\u00e7\u00f5es mais complicadas, quando h\u00e1 coisas que se movem para dentro ao mesmo tempo que coisas se movem para fora &#8211; \u00e9 que o nosso modelo realmente produz diferen\u00e7as vis\u00edveis,&#8221; explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nestes casos, os cientistas descobriram que \u00e0 medida que a luz sai das camadas progressivamente mais profundas da explos\u00e3o, as emiss\u00f5es parecem o resultado de supernovas de estrelas de diferentes tamanhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A luz da parte da estrela que \u00e9 comprimida \u00e9 mais fraca,&#8221; real\u00e7ou Goldberg, &#8220;exatamente como seria de esperar de uma estrela mais compacta e sem pulsa\u00e7\u00e3o.&#8221; Ao mesmo tempo, a luz de partes da estrela que se expandiam seria mais brilhante, como se viesse de uma estrela maior e n\u00e3o pulsante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.news.ucsb.edu\/2020\/019809\/massive-star-s-dying-breaths\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Barbara (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ab7205\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2001.07303\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2020\/02\/200228142009.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-02-physicists-supernovae-result-pulsating-supergiants.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supergigante vermelha:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_supergiant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernova:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Betelgeuse:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Betelgeuse\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As supernovas s\u00e3o incrivelmente energ\u00e9ticas; muitas podem ofuscar brevemente uma gal\u00e1xia inteira.Cr\u00e9dito: ESO\/M. 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