{"id":2849,"date":"2020-02-28T06:30:42","date_gmt":"2020-02-28T06:30:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2849"},"modified":"2020-02-28T06:30:51","modified_gmt":"2020-02-28T06:30:51","slug":"xmm-newton-revela-proeminencia-gigante-de-estrela-minuscula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/02\/28\/xmm-newton-revela-proeminencia-gigante-de-estrela-minuscula\/","title":{"rendered":"XMM-Newton revela proemin\u00eancia gigante de estrela min\u00fascula"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2020\/02\/giant_flare_from_a_tiny_star\/21853522-1-eng-GB\/Giant_flare_from_a_tiny_star.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"954\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Giant_flare_from_a_tiny_star_pillars-954x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2850\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Giant_flare_from_a_tiny_star_pillars-954x1024.jpg 954w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Giant_flare_from_a_tiny_star_pillars-279x300.jpg 279w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Giant_flare_from_a_tiny_star_pillars-768x824.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Giant_flare_from_a_tiny_star_pillars.jpg 1006w\" sizes=\"auto, (max-width: 954px) 100vw, 954px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista de uma estrela an\u00e3 L, uma estrela com uma massa t\u00e3o pequena que est\u00e1 ligeiramente acima do limite do que realmente constitui uma estrela, apanhada no ato de expelir uma enorme &#8220;super-proemin\u00eancia&#8221; de raios-X, conforme detetado pelo observat\u00f3rio de raios-X XMM-Newton da ESA.<br>Cr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma estrela com cerca de oito por cento da massa do Sol foi apanhada a emitir uma enorme &#8220;super-proemin\u00eancia&#8221; de raios-X &#8211; uma dram\u00e1tica erup\u00e7\u00e3o altamente energ\u00e9tica que representa um problema fundamental para os astr\u00f3nomos, que n\u00e3o consideravam ser poss\u00edvel em estrelas t\u00e3o pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p>A culpada, conhecida pelo seu n\u00famero de cat\u00e1logo J0331-27, \u00e9 uma an\u00e3 L. \u00c9 uma estrela com t\u00e3o pouca massa que est\u00e1 apenas acima do limite do que constitui uma estrela. Se tivesse menos massa, n\u00e3o possuiria as condi\u00e7\u00f5es internas necess\u00e1rias para gerar a sua pr\u00f3pria energia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos descobriram a enorme proemin\u00eancia de raios-X em dados registados no dia 5 de julho de 2008 pelo instrumento EPIC (European Photon Imaging Camera) a bordo do observat\u00f3rio de raios-X XMM-Newton da ESA. Em quest\u00e3o de minutos, a pequena estrela libertou mais de dez vezes mais energia do que as proemin\u00eancias mais intensas do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>As proemin\u00eancias estelares s\u00e3o lan\u00e7adas quando o campo magn\u00e9tico na atmosfera de uma estrela se torna inst\u00e1vel e colapsa numa configura\u00e7\u00e3o mais simples. No processo, liberta uma grande propor\u00e7\u00e3o da energia a\u00ed armazenada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta liberta\u00e7\u00e3o explosiva de energia cria um brilho repentino &#8211; a proemin\u00eancia &#8211; e \u00e9 aqui que as novas observa\u00e7\u00f5es apresentam o seu maior quebra-cabe\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta \u00e9 a parte cient\u00edfica mais interessante da descoberta, porque n\u00e3o esper\u00e1vamos que as an\u00e3s L armazenassem energia suficiente nos seus campos magn\u00e9ticos para gerar tais surtos,&#8221; diz Beate Stelzer, do Instituto de Astronomia e Astrof\u00edsica de T\u00fcbingen, Alemanha, e do INAF &#8211; Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Palermo, It\u00e1lia, que fez parte da equipa de estudo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2016\/08\/solar_eruption_larger_than_earth\/16085351-1-eng-GB\/Solar_eruption_larger_than_Earth.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2016\/08\/solar_eruption_larger_than_earth\/16085351-1-eng-GB\/Solar_eruption_larger_than_Earth_pillars.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Uma proemin\u00eancia gigante expelida pelo nosso pr\u00f3prio Sol, capturada no dia 27 de julho de 1999 pela SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) da ESA\/NASA.<br>Cr\u00e9dito: SOHO (ESA &amp; NASA) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A energia s\u00f3 pode ser colocada no campo magn\u00e9tico de uma estrela por part\u00edculas carregadas, tamb\u00e9m conhecidas como material ionizado e criadas em ambientes de alta temperatura. No entanto, sendo uma an\u00e3 L, J0331-27 tem uma temperatura superficial baixa para uma estrela &#8211; apenas 2100K em compara\u00e7\u00e3o com os cerca de 6000K do Sol. Os astr\u00f3nomos n\u00e3o pensavam que uma temperatura t\u00e3o baixa pudesse ser capaz de gerar part\u00edculas carregadas suficientes para alimentar tanta energia no campo magn\u00e9tico. Portanto, o enigma \u00e9: como \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel uma super-proemin\u00eancia numa estrela t\u00e3o pequena?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma boa pergunta,&#8221; diz Beate. &#8220;N\u00f3s simplesmente n\u00e3o sabemos &#8211; ningu\u00e9m sabe.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A super-proemin\u00eancia foi descoberta em dados de arquivo do XMM-Newton como parte de um grande projeto de investiga\u00e7\u00e3o liderado por Andrea De Luca do INAF &#8211; Instituto de Astrof\u00edsica Espacial e F\u00edsica C\u00f3smica em Mil\u00e3o, It\u00e1lia. O projeto estudou a variabilidade temporal de aproximadamente 400.000 fontes detetadas pelo XMM-Newton ao longo de 13 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Andrea e colaboradores procuravam, em particular, fen\u00f3menos peculiares e com J0331-27 certamente conseguiram isso. V\u00e1rias estrelas semelhantes j\u00e1 tinham sido observadas a emitir super-proemin\u00eancias na parte vis\u00edvel do espetro, mas esta \u00e9 a primeira dete\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de uma erup\u00e7\u00e3o deste tipo em raios-X.<\/p>\n\n\n\n<p>O comprimento de onda \u00e9 importante porque assinala de que parte da atmosfera a super-proemin\u00eancia vem: a luz \u00f3tica vem de mais profundamente na atmosfera da estrela, perto da sua superf\u00edcie vis\u00edvel, ao passo que os raios-X v\u00eam de mais alto na atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>A compreens\u00e3o das semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre esta nova &#8211; e at\u00e9 agora \u00fanica &#8211; super-proemin\u00eancia na an\u00e3 L e as proemin\u00eancias anteriormente observadas, detetadas em todos os comprimentos de onda em estrelas de maior massa, \u00e9 agora uma prioridade para a equipa. Mas para alcan\u00e7ar isso, precisam de encontrar mais exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda h\u00e1 muito a ser descoberto no arquivo do XMM-Newton,&#8221; diz Andrea. &#8220;De certa forma, acho que isto \u00e9 apenas a ponta do iceberg.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2008\/06\/xmm-newton\/10148619-2-eng-GB\/XMM-Newton.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2008\/06\/xmm-newton\/10148619-2-eng-GB\/XMM-Newton_pillars.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Impress\u00e3o de artista do XMM-Newton.<br>Cr\u00e9dito: ESA-C. Carreau <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma pista que efetivamente possuem \u00e9 que existe apenas uma proemin\u00eancia de J0331-27 nos dados, apesar do XMM-Newton ter observado a estrela por um total de 3,5 milh\u00f5es de segundos &#8211; cerca de 40 dias. Isto \u00e9 peculiar porque outras estrelas flamejantes tendem a sofrer de v\u00e1rios surtos mais pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os dados parecem sugerir que uma an\u00e3 L leva mais tempo a acumular energia, de modo que h\u00e1 uma grande liberta\u00e7\u00e3o repentina,&#8221; diz Beate.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas com proemin\u00eancias mais frequentes libertam menos energia de cada vez, enquanto esta an\u00e3 L parece libertar energia muito raramente, mas num evento realmente grande. Porque \u00e9 que isto pode ser o caso, ainda \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto que precisa de mais investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A descoberta desta super-proemin\u00eancia numa an\u00e3 L \u00e9 um grande exemplo de investiga\u00e7\u00e3o baseada no arquivo do XMM-Newton, demonstrando o enorme potencial cient\u00edfico da miss\u00e3o,&#8221; diz Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA. &#8220;Estou ansioso pela pr\u00f3xima surpresa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/XMM-Newton_reveals_giant_flare_from_a_tiny_star\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1051\/0004-6361\/201937163\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2002.08078\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Super-proemin\u00eancia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Superflare\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00e3 L:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Brown_dwarf#Spectral_class_L\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio XMM-Newton:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/xmm-newton\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista de uma estrela an\u00e3 L, uma estrela com uma massa t\u00e3o pequena que est\u00e1 ligeiramente acima do limite do que realmente constitui uma estrela, apanhada no ato de expelir uma enorme &#8220;super-proemin\u00eancia&#8221; de raios-X, conforme detetado pelo observat\u00f3rio de raios-X XMM-Newton da ESA.Cr\u00e9dito: ESA Uma estrela com cerca de oito por cento &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2850,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1],"tags":[705,230,704],"class_list":["post-2849","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-anas-l","tag-xmm-newton","tag-super-proeminencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2849"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2849\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2851,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2849\/revisions\/2851"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2850"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}