{"id":2838,"date":"2020-02-21T07:02:02","date_gmt":"2020-02-21T07:02:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2838"},"modified":"2020-02-21T07:02:13","modified_gmt":"2020-02-21T07:02:13","slug":"descobertas-da-juno-atualizam-misterio-da-agua-em-jupiter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/02\/21\/descobertas-da-juno-atualizam-misterio-da-agua-em-jupiter\/","title":{"rendered":"Descobertas da Juno atualizam mist\u00e9rio da \u00e1gua em J\u00fapiter"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia23595-nasa.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"416\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/o5rjvRn.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2839\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/o5rjvRn.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/o5rjvRn-300x127.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/o5rjvRn-768x324.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>A c\u00e2mara JunoCam a bordo da nave espacial Juno da NASA capturou esta imagem da regi\u00e3o equatorial sul de J\u00fapiter no dia 1 de setembro de 2017. A imagem est\u00e1 orientada de tal modo que os polos de J\u00fapiter (n\u00e3o vis\u00edveis) est\u00e3o nos lados esquerdo e direito da fotografia.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/MSSS\/Kevin M. Gill<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A miss\u00e3o Juno da NASA forneceu os seus primeiros resultados cient\u00edficos sobre a quantidade de \u00e1gua na atmosfera de J\u00fapiter. Publicados recentemente na revista Nature Astronomy, os resultados da Juno estimam que, no equador, a \u00e1gua constitui cerca de 0,25% das mol\u00e9culas na atmosfera de J\u00fapiter &#8211; quase tr\u00eas vezes as do Sol. Estas s\u00e3o tamb\u00e9m as primeiras descobertas sobre a abund\u00e2ncia de \u00e1gua no gigante gasoso desde que a miss\u00e3o Galileo da ag\u00eancia espacial sugeriu, em 1995, que J\u00fapiter poderia ser extremamente seco em compara\u00e7\u00e3o com o Sol (a compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o se baseia na \u00e1gua l\u00edquida, mas na presen\u00e7a dos seus componentes, oxig\u00e9nio e hidrog\u00e9nio).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma estimativa precisa da quantidade total de \u00e1gua na atmosfera de J\u00fapiter est\u00e1 h\u00e1 d\u00e9cadas nas listas de desejos dos cientistas: o valor, no gigante gasoso, representa uma essencial pe\u00e7a em falta do quebra-cabe\u00e7as da forma\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar. J\u00fapiter foi provavelmente o primeiro planeta a formar-se e cont\u00e9m a maior parte do g\u00e1s e da poeira que n\u00e3o foram incorporados no Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais teorias sobre a sua forma\u00e7\u00e3o baseiam-se na quantidade de \u00e1gua que o planeta absorveu. A abund\u00e2ncia de \u00e1gua tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es importantes para a meteorologia (como as correntes de vento fluem em J\u00fapiter) e para a estrutura interna do gigante gasoso. Enquanto os rel\u00e2mpagos &#8211; um fen\u00f3meno tipicamente alimentado pela humidade &#8211; detetados em J\u00fapiter pela Voyager e por outras naves espaciais j\u00e1 sugeriram a presen\u00e7a de \u00e1gua, uma estimativa precisa da quantidade de \u00e1gua nas profundezas da atmosfera de J\u00fapiter permanecia elusiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da sonda Galileo parar de transmitir, ap\u00f3s 57 minutos na sua descida joviana em dezembro de 1995, comunicou por r\u00e1dio medi\u00e7\u00f5es do espectr\u00f3metro da quantidade de \u00e1gua na atmosfera do gigante gasoso at\u00e9 uma profundidade de 120 km, onde a press\u00e3o atmosf\u00e9rica atingiu cerca de 22 bares. Os cientistas que trabalhavam nos dados ficaram desanimados ao encontrar dez vezes menos \u00e1gua do que o esperado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda mais surpreendente: a quantidade de \u00e1gua medida pela sonda Galileo ainda parecia aumentar com a profundidade, bem abaixo de onde as teorias sugerem que a atmosfera deve estar bem misturada. Numa atmosfera bem misturada, o conte\u00fado de \u00e1gua \u00e9 constante em toda a regi\u00e3o e tem maior probabilidade de representar uma m\u00e9dia global; por outras palavras, \u00e9 mais prov\u00e1vel que seja representativa da \u00e1gua em todo o planeta. Quando combinados com um mapa infravermelho obtido ao mesmo tempo por um telesc\u00f3pio terrestre, os resultados sugeriram que a miss\u00e3o da sonda pode ter tido apenas azar, amostrando um ponto meteorol\u00f3gico invulgarmente quente e seco em J\u00fapiter.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando pensamos que j\u00e1 descobrimos estas coisas, J\u00fapiter lembra-nos o quanto ainda precisamos aprender,&#8221; disse Scott Bolton, investigador principal da Juno no SwRI (Southwest Research Institute), San Antonio, EUA. &#8220;A grande surpresa da Juno de que a atmosfera n\u00e3o estava bem misturada, mesmo bem abaixo do topo das nuvens, \u00e9 um puzzle que ainda estamos a tentar resolver. Ningu\u00e9m imaginava que a \u00e1gua pudesse ser t\u00e3o vari\u00e1vel em todo o planeta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia23593-nasa.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/PrxSbGV.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Nesta imagem da zona equatorial sul de J\u00fapiter, pela JunoCam, est\u00e3o presentes nuvens brancas e espessas. A frequ\u00eancias de micro-ondas, estas nuvens s\u00e3o transparentes, permitindo que o instrumento MWR da Juno me\u00e7a o conte\u00fado de \u00e1gua nas profundezas da atmosfera do planeta. A imagem foi obtida durante o &#8220;flyby&#8221; da Juno de dia 16 de dezembro de 2017.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/MSSS\/Kevin M. Gill <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Medindo \u00e1gua de cima<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Juno \u00e9 uma sonda girat\u00f3ria alimentada a energia solar, lan\u00e7ada em 2011. Devido \u00e0 experi\u00eancia da Galileo, a miss\u00e3o busca obter leituras da abund\u00e2ncia de \u00e1gua ao longo de grandes regi\u00f5es do enorme planeta. Um novo tipo de instrumento para a explora\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria no espa\u00e7o profundo, o MWR (Microwave Radiometer) da Juno observa J\u00fapiter de cima usando seis antenas que medem a temperatura atmosf\u00e9rica a v\u00e1rias profundidades simultaneamente. O MWR aproveita o facto de que a \u00e1gua absorve certos comprimentos de onda da radia\u00e7\u00e3o de micro-ondas, o mesmo truque usado pelos fornos de micro-ondas para aquecer os alimentos rapidamente. As temperaturas medidas s\u00e3o usadas para restringir a quantidade de \u00e1gua e am\u00f3nia na atmosfera profunda, pois ambas as mol\u00e9culas absorvem a radia\u00e7\u00e3o de micro-ondas.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa cient\u00edfica da Juno usou dados recolhidos durante os oito primeiros voos cient\u00edficos por J\u00fapiter para fazer as descobertas. Inicialmente concentraram-se na regi\u00e3o equatorial porque a atmosfera parece mais bem misturada, mesmo em profundidade, do que noutras regi\u00f5es. A partir do seu poleiro orbital, o MWR foi capaz de recolher dados de uma profundidade muito maior do que a sonda Galileo &#8211; 150 km, onde a press\u00e3o atinge cerca de 33 bares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Descobrimos que h\u00e1 mais \u00e1gua no equador do que a sonda Galileo mediu,&#8221; disse Cheng Li, cientista da Juno na Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley. &#8220;Como a regi\u00e3o equatorial \u00e9 \u00fanica em J\u00fapiter, precisamos de comparar estes resultados com a quantidade de \u00e1gua existente noutras regi\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Movendo-se para norte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00f3rbita de 53 dias da Juno est\u00e1 lentamente a mover-se para norte, como pretendido, colocando mais em foco o hemisf\u00e9rio norte de J\u00fapiter a cada passagem. A equipa cient\u00edfica est\u00e1 ansiosa por ver como o conte\u00fado de \u00e1gua atmosf\u00e9rica varia de acordo com a latitude e regi\u00e3o, bem como o que os polos ricos em ciclones lhes podem dizer sobre a abund\u00e2ncia global de \u00e1gua no gigante gasoso.<\/p>\n\n\n\n<p>A 24.\u00aa passagem cient\u00edfica da Juno por J\u00fapiter teve lugar no dia 17 de fevereiro. O pr\u00f3ximo &#8220;flyby&#8221; est\u00e1 agendado para 10 de abril de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Cada &#8216;flyby&#8217; cient\u00edfico \u00e9 um evento de descoberta,&#8221; disse Bolton. &#8220;Com J\u00fapiter, h\u00e1 sempre algo novo. A Juno ensinou-nos uma li\u00e7\u00e3o importante: precisamos de nos aproximar de um planeta para testar as nossas teorias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/findings-from-nasas-juno-update-jupiter-water-mystery\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/nature.com\/articles\/s41550-020-1009-3\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/an-update-on-the-jupiter-water-mystery\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.spacedaily.com\/reports\/Findings_from_Juno_Update_Jupiter_Water_Mystery_999.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-02-nasa-juno-jupiter-mystery.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.inverse.com\/science\/nasa-juno-corrects-25-yo-misconception-about-jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Inverse<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2020\/02\/19\/world\/juno-jupiter-water-mystery-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>J\u00fapiter:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miss\u00e3o Juno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/juno\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.missionjuno.swri.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SwRI<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAJuno\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAJuno\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Juno_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Galileo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/galileo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galileo_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A c\u00e2mara JunoCam a bordo da nave espacial Juno da NASA capturou esta imagem da regi\u00e3o equatorial sul de J\u00fapiter no dia 1 de setembro de 2017. A imagem est\u00e1 orientada de tal modo que os polos de J\u00fapiter (n\u00e3o vis\u00edveis) est\u00e3o nos lados esquerdo e direito da fotografia.Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/MSSS\/Kevin M. Gill A miss\u00e3o Juno &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[621,447,197],"class_list":["post-2838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-galileo","tag-juno","tag-jupiter"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2838"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2840,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2838\/revisions\/2840"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}