{"id":2835,"date":"2020-02-21T06:59:48","date_gmt":"2020-02-21T06:59:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2835"},"modified":"2020-02-21T06:59:58","modified_gmt":"2020-02-21T06:59:58","slug":"o-regresso-a-venus-e-o-que-isso-significa-para-a-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/02\/21\/o-regresso-a-venus-e-o-que-isso-significa-para-a-terra\/","title":{"rendered":"O regresso a V\u00e9nus e o que isso significa para a Terra"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/VRTEt47.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/VRTEt47-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2836\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/VRTEt47-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/VRTEt47-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/VRTEt47-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/VRTEt47.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>V\u00e9nus esconde um tesouro de informa\u00e7\u00f5es que podem ajudar-nos a entender a Terra e os exoplanetas. O JPL da NASA est\u00e1 a desenvolver conceitos de miss\u00f5es para sobreviver as extremas temperaturas e press\u00f5es atmosf\u00e9ricas do planeta. Esta imagem \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o de dados recolhidos pela sonda Magellan da NASA e pelo orbitador Pioneer Venus.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sue Smrekar est\u00e1 desejosa de voltar a V\u00e9nus. No seu escrit\u00f3rio no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, a cientista planet\u00e1ria exibe uma imagem com 30 anos da superf\u00edcie de V\u00e9nus captada pela sonda Magellan, uma lembran\u00e7a de quanto tempo passou desde que uma miss\u00e3o americana orbitou o planeta. A imagem revela uma paisagem infernal: uma superf\u00edcie jovem com mais vulc\u00f5es do que qualquer outro corpo no Sistema Solar, fendas gigantescas, cinturas montanhosas e temperaturas quentes o suficiente para derreter chumbo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora superaquecido por gases de efeito estufa, o clima de V\u00e9nus j\u00e1 foi mais parecido com o da Terra, com \u00e1gua equivalente, em quantidade, a um oceano raso. Pode at\u00e9 ter tido zonas de subduc\u00e7\u00e3o como a Terra, \u00e1reas onde a crosta do planeta afunda de novo na rocha mais pr\u00f3xima do n\u00facleo planet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;V\u00e9nus \u00e9 como um caso de controlo para a Terra,&#8221; disse Smrekar. &#8220;Pensamos que come\u00e7aram com a mesma composi\u00e7\u00e3o, a mesma \u00e1gua e di\u00f3xido de carbono. E seguiram dois caminhos completamente diferentes. Mas porqu\u00ea? Quais s\u00e3o as principais for\u00e7as respons\u00e1veis pelas diferen\u00e7as?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Smrekaer trabalha com o VEXAG (Venus Exploration Analysis Group), uma alian\u00e7a de cientistas e engenheiros que investiga maneiras de revisitar o planeta que a Magellan mapeou h\u00e1 d\u00e9cadas atr\u00e1s. Embora as suas abordagens variem, o grupo concorda que V\u00e9nus pode dizer-nos algo de vital import\u00e2ncia sobre o nosso planeta: o que aconteceu com o clima superaquecido do nosso g\u00e9meo planet\u00e1rio, e o que \u00e9 que isso significa para a vida na Terra?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Orbitadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e9nus n\u00e3o \u00e9 o planeta mais pr\u00f3ximo do Sol, mas \u00e9 o mais quente do Sistema Solar. Entre o calor intenso (480\u00ba C), as corrosivas nuvens sulf\u00faricas e uma atmosfera esmagadora 90 vezes mais densa do que a da Terra, aterrar uma nave \u00e9 incrivelmente desafiador. Das nove sondas sovi\u00e9ticas que alcan\u00e7aram este feito, nenhuma durou mais do que 127 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da relativa seguran\u00e7a do espa\u00e7o, um orbitador podia usar radar e espectroscopia no infravermelho pr\u00f3ximo para penetrar por baixo das camadas de nuvens, medir mudan\u00e7as na paisagem ao longo do tempo e determinar se o solo se move ou n\u00e3o. Podia procurar indicadores de \u00e1gua passada, bem como atividade vulc\u00e2nica e outras for\u00e7as que podem ter moldado o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Smrekar, que est\u00e1 a trabalhar numa proposta de um orbitador chamado VERITAS, n\u00e3o acha que V\u00e9nus tenha placas tect\u00f3nicas como a Terra. Mas ela v\u00ea poss\u00edveis sugest\u00f5es de subduc\u00e7\u00e3o &#8211; o que acontece quando duas placas convergem e uma desliza por baixo da outra. Mais dados iam ajudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sabemos muito pouco sobre a composi\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie de V\u00e9nus,&#8221; disse. &#8220;Achamos que existem continentes, como na Terra, que podem ter-se formado atrav\u00e9s de subduc\u00e7\u00e3o passada. Mas n\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es para realmente dizer isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As respostas n\u00e3o apenas aprofundariam a nossa compreens\u00e3o do porqu\u00ea de V\u00e9nus e da Terra serem agora t\u00e3o diferentes; podiam restringir as condi\u00e7\u00f5es que os cientistas precisariam para encontrar um exoplaneta parecido com a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bal\u00f5es de ar quente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os orbitadores n\u00e3o s\u00e3o o \u00fanico meio de estudar V\u00e9nus de cima. Os engenheiros Attila Komjathy e Siddharth Krishnamoorthy do JPL imaginam uma armada de bal\u00f5es de ar quente que voam ao vento nos n\u00edveis mais altos da atmosfera venusiana, onde as temperaturas s\u00e3o pr\u00f3ximas das da Terra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/bPE2YB3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/bPE2YB3.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Uma equipa de engenheiros do JPL testam se um grande bal\u00e3o pode medir sismos a partir do ar. A equipa prop\u00f5e medir sismos venusianos a partir da atmosfera superior, muito menos quente, do planeta, usando uma armada de bal\u00f5es.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ainda n\u00e3o h\u00e1 nenhuma miss\u00e3o encomendada para um bal\u00e3o em V\u00e9nus, mas os bal\u00f5es s\u00e3o uma \u00f3tima maneira de explorar V\u00e9nus porque a atmosfera \u00e9 t\u00e3o espessa e a superf\u00edcie t\u00e3o dura,&#8221; disse Krishnamoorthy. &#8220;O bal\u00e3o \u00e9 como o ponto ideal, onde estamos perto o suficiente para obter um monte de coisas importantes, mas tamb\u00e9m estamos num ambiente muito mais benigno onde os sensores podem realmente durar tempo suficiente para fornecer algo significativo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa colocaria nos bal\u00f5es sism\u00f3metros sens\u00edveis o suficiente para detetar sismos no planeta. Na Terra, quando o solo treme, esse movimento ondula na atmosfera como ondas de infrassom (o oposto de ultrassom). Krishnamoorthy e Komjathy demonstraram que a t\u00e9cnica \u00e9 vi\u00e1vel usando bal\u00f5es prateados de ar quente, que mediram sinais fracos acima de \u00e1reas da Terra com sismos. E isso nem \u00e9 com o benef\u00edcio da densa atmosfera de V\u00e9nus, onde a experi\u00eancia provavelmente transmitiria resultados ainda mais fortes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se o solo se move um pouco, sacode muito mais o ar em V\u00e9nus do que na Terra,&#8221; explicou Krishnamoorthy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para obter estes dados s\u00edsmicos, o bal\u00e3o precisaria de lidar com ventos t\u00e3o velozes quanto os de um furac\u00e3o. O bal\u00e3o ideal, conforme determinado pelo VEXAG, podia controlar os seus movimentos pelo menos numa dire\u00e7\u00e3o. A equipa de Krishnamoorthy e Komjathy ainda n\u00e3o chegou t\u00e3o longe, mas propuseram um meio-termo: fazer os bal\u00f5es essencialmente voarem ao vento em torno do planeta a uma velocidade constante, transmitindo os seus resultados a um orbitador. \u00c9 um come\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M\u00f3dulos de aterragem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os muitos desafios enfrentados por um &#8220;lander&#8221; venusiano, est\u00e3o as nuvens que bloqueiam o Sol: com pouca luz do Sol, a energia solar seria severamente limitada. Mas o planeta \u00e9 demasiado quente para outras fontes de energia sobreviverem. &#8220;Em termos de temperatura, \u00e9 como estar num forno de cozinha, no modo de autolimpeza,&#8221; disse o engenheiro Jeff Hall, do JPL, que trabalhou nos prot\u00f3tipos de bal\u00e3o e m\u00f3dulo de aterragem para V\u00e9nus. &#8220;Realmente n\u00e3o h\u00e1 outro lugar, no Sistema Solar, como este ambiente de superf\u00edcie.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para come\u00e7ar, a vida de um m\u00f3dulo de aterragem seria reduzida pelos componentes eletr\u00f3nicos, que come\u00e7ariam a falhar ap\u00f3s algumas horas. Hall diz que a quantidade de energia necess\u00e1ria para alimentar um dispositivo de arrefecimento capaz de proteger o m\u00f3dulo exigiria mais baterias do que o &#8220;lander&#8221; podia transportar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a de refrigerar um m\u00f3dulo para o manter fresco,&#8221; acrescentou. &#8220;Tudo o que podemos fazer \u00e9 diminuir o ritmo a que se destr\u00f3i.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A NASA est\u00e1 interessada em desenvolver &#8220;tecnologias quentes&#8221; que podem sobreviver dias, ou at\u00e9 semanas, em ambientes extremos. Embora o conceito de m\u00f3dulo venusiano de aterragem de Hall n\u00e3o tenha chegado \u00e0 pr\u00f3xima etapa do processo de aprova\u00e7\u00e3o, levou ao seu trabalho atual relacionado com V\u00e9nus: um sistema de perfura\u00e7\u00e3o e amostragem resistente ao calor que poderia recolher amostras de solo venusiano para an\u00e1lise. Hall trabalha com a Honeybee Robotics para desenvolver os motores el\u00e9tricos de pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o que perfuram em condi\u00e7\u00f5es extremas, enquanto o engenheiro Joe Melko do JPL projeta o sistema de amostragem pneum\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juntos, trabalham com prot\u00f3tipos na Grande C\u00e2mara de Testes de V\u00e9nus do JPL, com paredes de a\u00e7o, que imita as condi\u00e7\u00f5es do planeta at\u00e9 uma atmosfera composta por 100% di\u00f3xido de carbono sufocante. A cada teste bem-sucedido, as equipas levam a humanidade um passo mais perto de for\u00e7ar os limites da explora\u00e7\u00e3o neste planeta mais in\u00f3spito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/news\/news.php?feature=7558\" target=\"_blank\">\/\/ JPL\/NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>V\u00e9nus:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Venus_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sonda Magellan:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www2.jpl.nasa.gov\/magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellan_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VERITAS:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/news\/news.php?feature=4727\" target=\"_blank\">JPL\/NASA<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/VERITAS_(spacecraft)\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e9nus esconde um tesouro de informa\u00e7\u00f5es que podem ajudar-nos a entender a Terra e os exoplanetas. 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