{"id":2821,"date":"2020-02-14T06:46:38","date_gmt":"2020-02-14T06:46:38","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2821"},"modified":"2020-02-14T06:46:40","modified_gmt":"2020-02-14T06:46:40","slug":"modelos-apontam-para-uma-formacao-mais-longa-de-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/02\/14\/modelos-apontam-para-uma-formacao-mais-longa-de-marte\/","title":{"rendered":"Modelos apontam para uma forma\u00e7\u00e3o mais longa de Marte"},"content":{"rendered":"\n<p>O Sistema Solar primitivo era um lugar ca\u00f3tico, com evid\u00eancias indicando que Marte provavelmente foi atingido por planetesimais, pequenos protoplanetas com at\u00e9 1900 km em di\u00e2metro, no in\u00edcio da sua hist\u00f3ria. Cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) modelaram a mistura de materiais associados a estes impactos, revelando que o Planeta Vermelho pode ter sido formado numa escala de tempo mais longa do que se pensava anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma importante quest\u00e3o em aberto na ci\u00eancia planet\u00e1ria \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o de como Marte se formou e at\u00e9 que ponto a sua evolu\u00e7\u00e3o inicial foi afetada por colis\u00f5es. Esta quest\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de responder, dado que milhares de milh\u00f5es de anos apagaram constantemente evid\u00eancias de eventos iniciais de impacto. Felizmente, parte desta evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 registada nos meteoritos marcianos. Dos aproximadamente 61.000 meteoritos encontrados na Terra, pensa-se que apenas mais ou menos 200 sejam de origem marciana, ejetados do Planeta Vermelho por colis\u00f5es mais recentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/BQop7w5.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/BQop7w5.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Uma equipa do SwRI realizou simula\u00e7\u00f5es de impacto de part\u00edculas suaves, em alta resolu\u00e7\u00e3o, de v\u00e1rios grandes proj\u00e9teis que atingiram Marte depois da forma\u00e7\u00e3o do seu n\u00facleo e manto. As part\u00edculas do n\u00facleo e do manto dos proj\u00e9teis t\u00eam cor castanha e verde, respetivamente, mostrando concentra\u00e7\u00f5es locais dos materiais assimilados no manto marciano.<br>Cr\u00e9dito: SwRI <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Estes meteoritos exibem grandes varia\u00e7\u00f5es de elementos que &#8220;gostam&#8221; de ferro, como tungst\u00e9nio e platina, que t\u00eam uma afinidade moderada a alta por ferro. Estes elementos tendem a migar do manto de um planeta para o n\u00facleo central de ferro durante a forma\u00e7\u00e3o. As evid\u00eancias destes elementos no manto marciano, amostrados por meteoritos, s\u00e3o importantes porque indicam que Marte foi bombardeado por planetesimais algum tempo ap\u00f3s o fim da sua forma\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do n\u00facleo. O estudo de is\u00f3topos de elementos espec\u00edficos produzidos localmente no manto atrav\u00e9s de processos de decaimento radioativo ajuda os cientistas a entender quando a forma\u00e7\u00e3o do planeta ficou completa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s sab\u00edamos que Marte recebeu elementos como platina e ouro de grandes colis\u00f5es iniciais. Para investigar este processo, realiz\u00e1mos simula\u00e7\u00f5es hidrodin\u00e2micas de impacto de part\u00edculas suaves,&#8221; disse a Dra. Simone Marchi, do SwRI, autora principal do artigo que descreve estes resultados, publicado na revista Science Advances. &#8220;Com base no nosso modelo, as colis\u00f5es iniciais produzem um manto marciano heterog\u00e9neo, semelhante a um bolo de m\u00e1rmore. Estes resultados sugerem que a vis\u00e3o predominante da forma\u00e7\u00e3o de Marte pode estar influenciada pelo n\u00famero limitado de meteoritos dispon\u00edveis para estudo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Com base na propor\u00e7\u00e3o de is\u00f3topos de tungst\u00e9nio nos meteoritos marcianos, argumentou-se que Marte cresceu rapidamente cerca de 2-4 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar. No entanto, grandes colis\u00f5es precoces podem ter alterado o balan\u00e7o isot\u00f3pico do tungst\u00e9nio, o que poder\u00e1 suportar uma escala de tempo para a forma\u00e7\u00e3o de Marte de at\u00e9 20 milh\u00f5es de anos, como mostra o novo modelo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/lOMSZT7.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lOMSZT7-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2822\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lOMSZT7-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lOMSZT7-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lOMSZT7-768x511.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lOMSZT7-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/lOMSZT7.jpg 1337w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Os cientistas desenvolveram esta ilustra\u00e7\u00e3o do aspeto primitivo de Marte, mostrando sinais de \u00e1gua l\u00edquida, atividade vulc\u00e3nica a larga escala e bombardeamento pesado de proj\u00e9teis planet\u00e1rios. O SwRI est\u00e1 a modelar como estes impactos podem ter afetado Marte a fim de ajudar a responder perguntas sobre a hist\u00f3ria evolutiva de Marte.<br>Cr\u00e9dito: SwRI<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;As colis\u00f5es de proj\u00e9teis grandes o suficiente para terem os seus pr\u00f3prios n\u00facleos e mantos podem resultar numa mistura heterog\u00e9nea desses materiais no in\u00edcio do manto marciano,&#8221; disse a Dra. Robin Canup, vice-presidente assistente da Divis\u00e3o de Ci\u00eancia e Engenharia do SwRI. &#8220;Isto pode levar a interpreta\u00e7\u00f5es sobre o momento da forma\u00e7\u00e3o de Marte diferentes daquelas que assumem que todos os proj\u00e9teis s\u00e3o pequenos e homog\u00e9neos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os meteoritos marcianos que ca\u00edram na Terra provavelmente partiram de apenas alguns locais em redor do planeta. A nova investiga\u00e7\u00e3o mostra que o manto marciano pode ter recebido adi\u00e7\u00f5es variadas de materiais projet\u00e1veis, levando a concentra\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis de elementos sider\u00f3filos. A pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de miss\u00f5es em Marte, incluindo planos para enviar amostras \u00e0 Terra, fornecer\u00e1 novas informa\u00e7\u00f5es para melhor entender a variabilidade destes elementos nas rochas marcianas e a evolu\u00e7\u00e3o inicial do Planeta Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para entender completamente Marte, precisamos de entender o papel que as colis\u00f5es mais antigas e energ\u00e9ticas tiveram na sua evolu\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o,&#8221; conclui Marchi.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.swri.org\/press-release\/mars-formation-impact-mantle-late-accretion\" target=\"_blank\">\/\/ SwRI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/7\/eaay2338\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/eurekalert.org\/pub_releases\/2020-02\/sri-smh020720.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/early-mars-formed-slow-ancient-collisions-show.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/new-clues-to-the-age-of-mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2233253-mars-may-have-formed-15-million-years-later-than-we-thought\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.inverse.com\/science\/study-mars-origin-story-took-15-million-years-to-form\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Inverse<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-02-hint-longer-timescale-mars-formation.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/metro.co.uk\/2020\/02\/12\/scientists-reveal-true-story-planet-mars-came-existence-12230101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">METRO<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Martian_meteorite\" target=\"_blank\">Meteroritos marcianos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sistema Solar primitivo era um lugar ca\u00f3tico, com evid\u00eancias indicando que Marte provavelmente foi atingido por planetesimais, pequenos protoplanetas com at\u00e9 1900 km em di\u00e2metro, no in\u00edcio da sua hist\u00f3ria. Cientistas do SwRI (Southwest Research Institute) modelaram a mistura de materiais associados a estes impactos, revelando que o Planeta Vermelho pode ter sido formado &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2822,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[4],"class_list":["post-2821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","tag-marte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2821"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2821\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2823,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2821\/revisions\/2823"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2822"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}