{"id":2814,"date":"2020-02-14T06:40:52","date_gmt":"2020-02-14T06:40:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2814"},"modified":"2020-02-14T06:43:33","modified_gmt":"2020-02-14T06:43:33","slug":"estudo-revela-detalhes-do-asteroide-da-bola-de-golfe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/02\/14\/estudo-revela-detalhes-do-asteroide-da-bola-de-golfe\/","title":{"rendered":"Estudo revela detalhes do &#8220;asteroide da bola de golfe&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/news.mit.edu\/sites\/mit.edu.newsoffice\/files\/styles\/news_article_image_top_slideshow\/public\/images\/2020\/MIT-Golf-Ball-Asteroid_0.jpg?itok=hIxCh7oy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"639\" height=\"426\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MIT-Golf-Ball-Asteroid_0.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2815\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MIT-Golf-Ball-Asteroid_0.jpg 639w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/MIT-Golf-Ball-Asteroid_0-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><\/a><figcaption>Duas imagens do asteroide Pallas, que os investigadores determinaram ser o objeto mais craterado na cintura de asteroides.<br>Cr\u00e9dito: Marsset, et al.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os asteroides t\u00eam in\u00fameras formas e tamanhos, e agora astr\u00f3nomos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) observaram um asteroide com tantas crateras que o apelidaram de &#8220;asteroide da bola de golfe&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O asteroide \u00e9 chamado Pallas, em homenagem \u00e0 deusa grega da sabedoria, e foi originalmente descoberto em 1802. Pallas \u00e9 o terceiro maior objeto na cintura de asteroides e tem cerca de um-s\u00e9timo do tamanho da Lua. Durante s\u00e9culos, os astr\u00f3nomos notaram que o asteroide orbita ao longo de um percurso significativamente inclinado em compara\u00e7\u00e3o com a maioria dos objetos na cintura de asteroides, embora o motivo da sua inclina\u00e7\u00e3o permane\u00e7a um mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Num artigo publicado na revista Nature Astronomy, investigadores revelam pela primeira vez imagens detalhadas de Pallas, incluindo da sua superf\u00edcie altamente craterada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas suspeitam que a superf\u00edcie craterada de Pallas \u00e9 resultado da \u00f3rbita inclinada do asteroide: enquanto a maioria dos objetos na cintura de asteroides viaja mais ou menos ao longo do mesmo percurso em torno do Sol, tal como carros numa pista de corrida, a \u00f3rbita inclinada de Pallas \u00e9 tal que o asteroide precisa de abrir caminho atrav\u00e9s da cintura de asteroides num \u00e2ngulo. Quaisquer colis\u00f5es que Pallas sofra ao longo deste percurso seriam cerca de quatro vezes mais prejudiciais do que colis\u00f5es entre dois asteroides na mesma \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A \u00f3rbita de Pallas implica impactos a uma velocidade muito alta,&#8221; diz Micha\u00ebl Marsset, autor principal do artigo e p\u00f3s-doc no Departamento de Ci\u00eancias da Terra, Atmosf\u00e9ricas e Planet\u00e1rias do MIT. &#8220;A partir destas imagens, podemos dizer agora que Pallas \u00e9 o objeto mais craterado que conhecemos na cintura de asteroides. \u00c9 como descobrir um novo mundo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os coautores de Marsset incluem colaboradores de 21 institui\u00e7\u00f5es de pesquisa em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Uma hist\u00f3ria violenta&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A equipa, liderada pelo investigador principal Pierre Vernazza do Laborat\u00f3rio de Astrof\u00edsica de Marselha, na Fran\u00e7a, obteve imagens de Pallas usando o instrumento SPHERE no VLT (Very Large Telescope) do ESO, um conjunto de quatro telesc\u00f3pios, cada um com um espelho de 8 metros, situados nas montanhas do Chile. Em 2017, e novamente em 2019, Marsset e colegas reservaram um dos quatro telesc\u00f3pios v\u00e1rios dias de cada vez para ver se podiam capturar imagens de Pallas no ponto orbital mais pr\u00f3ximo da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa obteve 11 s\u00e9ries de imagens ao longo de duas campanhas de observa\u00e7\u00e3o, capturando Pallas a partir de diferentes \u00e2ngulos enquanto girava. Depois de compilarem as imagens, os investigadores criaram uma reconstru\u00e7\u00e3o 3D da forma do asteroide, juntamente com um mapa de crateras dos seus polos, juntamente com partes da sua regi\u00e3o equatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, identificaram 36 crateras maiores do que 30 km em di\u00e2metro &#8211; cerca de um-quinto do di\u00e2metro da cratera Chicxulub da Terra, cujo impacto original provavelmente matou os dinossauros h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos. As crateras de Pallas parecem cobrir pelo menos 10% da superf\u00edcie do asteroide, o que \u00e9 &#8220;sugestivo de uma violenta hist\u00f3ria colisional,&#8221; como afirmam os cientistas no seu artigo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ver qu\u00e3o violenta a hist\u00f3ria provavelmente foi, a equipa executou uma s\u00e9rie de simula\u00e7\u00f5es de Pallas e das suas intera\u00e7\u00f5es com a restante cintura de asteroides ao longo dos \u00faltimos 4 mil milh\u00f5es de anos &#8211; quase a idade do Sistema Solar. Fizeram o mesmo para Ceres e Vesta, tendo em considera\u00e7\u00e3o o tamanho, massa e propriedades orbitais de cada asteroide, bem como as distribui\u00e7\u00f5es de velocidade e tamanho de objetos dentro da cintura de asteroides. Registaram cada vez que uma colis\u00e3o simulada produzia uma cratera, em Pallas, Ceres ou Vesta, com pelo menos 40 km de largura (o tamanho da maioria das crateras que observaram em Pallas).<\/p>\n\n\n\n<p>Descobriram que uma cratera com 40 quil\u00f3metros em Pallas podia ser criada a partir de uma colis\u00e3o com um objeto muito mais pequeno em compara\u00e7\u00e3o com uma cratera do mesmo tamanho em Ceres ou Vesta. Dado que os asteroides pequenos s\u00e3o muito mais numerosos, na cintura de asteroides, do que os maiores, isso implica que Pallas tem uma maior probabilidade de sofrer impactos de alta velocidade do que os outros dois asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pallas teve duas a tr\u00eas vezes mais colis\u00f5es do que Ceres ou Vesta, e a sua \u00f3rbita inclinada \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o direta para a superf\u00edcie muito estranha que n\u00e3o vemos nos outros dois asteroides,&#8221; acrescentou Marsset.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma fam\u00edlia fragmentada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores fizeram duas descobertas adicionais gra\u00e7as \u00e0s suas imagens: uma mancha curiosamente brilhante no hemisf\u00e9rio sul do asteroide e uma bacia de impacto extremamente grande ao longo do equador do asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p>Para esta \u00faltima descoberta, a equipa procurou explica\u00e7\u00f5es para o que pode ter provocado um impacto t\u00e3o grande, estimado em cerca de 400 km de di\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p>Simularam v\u00e1rios impactos ao longo do equador e tamb\u00e9m rastrearam os fragmentos que provavelmente foram lan\u00e7ados para o espa\u00e7o, a partir da superf\u00edcie de Pallas, como resultado de cada impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir das suas simula\u00e7\u00f5es, a equipa conclui que a grande bacia de impacto foi provavelmente o resultado de uma colis\u00e3o h\u00e1 cerca de 1,7 mil milh\u00f5es de anos, por um objeto com 20 a 40 km, que posteriormente ejetou peda\u00e7os do asteroide para o espa\u00e7o, num padr\u00e3o que efetivamente combina com uma fam\u00edlia de fragmentos que se sabe seguirem Pallas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta caracter\u00edstica no equador pode muito bem estar relacionada com a atual fam\u00edlia de fragmentos de Pallas,&#8221; diz o coautor Miroslav Bro\u017e, do Instituto Astron\u00f3mico da Universidade Charles em Praga.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 mancha brilhante descoberta no hemisf\u00e9rio sul de Pallas, os investigadores ainda n\u00e3o sabem o que poder\u00e1 ser. A sua teoria principal \u00e9 que a regi\u00e3o pode ser um dep\u00f3sito muito grande de sal. A partir da sua reconstru\u00e7\u00e3o tridimensional do asteroide, os investigadores estimaram o volume de Pallas e, em combina\u00e7\u00e3o com a sua massa conhecida, calculam que a sua densidade \u00e9 diferente da de Ceres ou Vesta e que provavelmente se formou originalmente a partir de uma mistura de \u00e1gua gelada e silicatos. Com o tempo, \u00e0 medida que o gelo no interior do asteroide derretia, provavelmente hidratou os silicatos, formando dep\u00f3sitos de sal que podem ter ficado expostos ap\u00f3s um impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma evid\u00eancia que suporta esta hip\u00f3tese pode vir de mais perto da Terra. Durante cada m\u00eas de dezembro, os observadores podem ver uma exibi\u00e7\u00e3o deslumbrante conhecida como Gem\u00ednidas &#8211; uma chuva de meteoros que s\u00e3o fragmentos do asteroide Phaethon, ele pr\u00f3prio considerado um fragmento de Pallas que escapou e eventualmente chegou \u00e0 \u00f3rbita da Terra. Os astr\u00f3nomos h\u00e1 muito tempo que observam uma variedade de conte\u00fado de s\u00f3dio nos meteoros das Gem\u00ednidas, que Marsset e colegas agora pensam que podem ter tido origem nos dep\u00f3sitos de sal de Pallas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 foram propostas miss\u00f5es a Pallas com sat\u00e9lites muito pequenos e baratos,&#8221; real\u00e7a Marsset. &#8220;N\u00e3o sei se podem vir a acontecer, mas poderiam dizer-nos mais sobre a superf\u00edcie de Pallas e sobre a origem da mancha brilhante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/news.mit.edu\/2020\/pallas-golf-ball-asteroid-0210\" target=\"_blank\">\/\/ MIT News (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-019-1007-5\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/asteroid-pallas-craters-violent-history.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/144978\/new-images-of-the-golf-ball-asteroid-pallas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-02-reveals-golf-ball-asteroid.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/detalhes-do-asteroide-bola-golfe-307978\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ZAP.aeiou<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pallas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2_Pallas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ceres:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ceres_%28dwarf_planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vesta:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/4_Vesta\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas imagens do asteroide Pallas, que os investigadores determinaram ser o objeto mais craterado na cintura de asteroides.Cr\u00e9dito: Marsset, et al. 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