{"id":2805,"date":"2020-02-11T06:41:30","date_gmt":"2020-02-11T06:41:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2805"},"modified":"2020-02-11T06:41:40","modified_gmt":"2020-02-11T06:41:40","slug":"a-rosetta-e-o-cometa-camaleonico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/02\/11\/a-rosetta-e-o-cometa-camaleonico\/","title":{"rendered":"A Rosetta e o cometa &#8220;camale\u00f3nico&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma grande s\u00edntese dos dados da Rosetta mostrou como o seu cometa alvo mudou de cor repetidamente durante os dois anos em que foi observado pela sonda. O n\u00facleo camale\u00f3nico do cometa tornou-se progressivamente menos vermelho ao passar mais perto do Sol, e depois novamente vermelho ao regressar ao espa\u00e7o profundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cometa 67P\/Churyumov-Gerasimenko muda de cor dependendo do seu ambiente, assim como um camale\u00e3o. Ao contr\u00e1rio do camale\u00e3o, as mudan\u00e7as de cor em 67P\/C-G refletem a quantidade de \u00e1gua gelada exposta \u00e0 superf\u00edcie e nos arredores do cometa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio da miss\u00e3o da Rosetta, a nave encontrou-se com o cometa enquanto ainda estava longe do Sol. A tais dist\u00e2ncias, a superf\u00edcie estava coberta de camadas de poeira e pouco gelo era vis\u00edvel. Isto significava que a superf\u00edcie parecia vermelha quando analisada com o instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2015\/07\/comet_on_7_july_2015_navcam\/15518062-1-eng-GB\/Comet_on_7_July_2015_NavCam.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comet_on_7_July_2015_NavCam_pillars.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2806\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comet_on_7_July_2015_NavCam_pillars.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comet_on_7_July_2015_NavCam_pillars-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comet_on_7_July_2015_NavCam_pillars-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Comet_on_7_July_2015_NavCam_pillars-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Imagem do Cometa 67P\/Churyumov-Gerasimenko, obtida pela sonda Rosetta no dia 7 de julho de 2015 a uma dist\u00e2ncia de 154 km do centro do cometa.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Rosetta\/NAVCAM<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que o cometa se aproximava, atravessou uma fronteira importante, conhecida como linha de neve. A uma dist\u00e2ncia de aproximadamente 3 vezes a dist\u00e2ncia Terra-Sol, qualquer coisa dentro da linha de neve ser\u00e1 aquecida o suficiente pelo Sol para que o gelo se transforme em g\u00e1s, um processo chamado sublima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que a Rosetta seguia 67P\/C-G atrav\u00e9s da linha de neve, o instrumento VIRTIS come\u00e7ou a notar a cor do cometa a mudar. Enquanto este se aproximava do Sol, o aquecimento aumentou e a \u00e1gua gelada oculta come\u00e7ou a sublimar, afastando tamb\u00e9m os gr\u00e3os de poeira. Isto revelou camadas de gelo cristalino, o que fez o n\u00facleo ficar mais azul, como visto pelo VIRTIS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em torno do n\u00facleo do cometa, a situa\u00e7\u00e3o foi revertida. Quando o cometa estava longe do Sol, havia pouca poeira ao redor do cometa, mas a que existia continha \u00e1gua gelada e, portanto, parecia mais azul. Esta nuvem de poeira em redor \u00e9 chamada de coma ou cabeleira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o cometa atravessou a linha de neve, o gelo nos gr\u00e3os de poeira em redor do n\u00facleo sublimou rapidamente, deixando apenas os gr\u00e3os de poeira desidratados. E assim a coma ficou mais vermelha ao aproximar-se do peri\u00e9lio, a sua menor dist\u00e2ncia ao Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o cometa estava a voltar para o Sistema Solar exterior, o VIRTIS mostrou que a situa\u00e7\u00e3o das cores reverteu-se novamente, de modo que o n\u00facleo ficou mais vermelho e a cabeleira mais azul.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2020\/02\/colour_changes_at_rosetta_s_comet\/21826818-1-eng-GB\/Colour_changes_at_Rosetta_s_comet.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2020\/02\/colour_changes_at_rosetta_s_comet\/21826818-1-eng-GB\/Colour_changes_at_Rosetta_s_comet_pillars.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Ilustra\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as de cor observadas pela miss\u00e3o Rosetta da ESA no Cometa 67P\/Churyumov-Gerasimenko.<br>Cr\u00e9dito: ESA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para rastrear a evolu\u00e7\u00e3o do cometa, a equipa do VIRTIS teve que analisar mais de 4000 observa\u00e7\u00f5es separadas ao longo de dois anos da miss\u00e3o Rosetta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para responder \u00e0 grande quest\u00e3o de como um cometa funciona, \u00e9 muito importante ter uma s\u00e9rie temporal longa como esta,&#8221; diz Gianrico Filacchione, do INAF-IAPS (Instituto de Astrof\u00edsica e Planetologia Espacial), que liderou o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A raz\u00e3o \u00e9 que os cometas s\u00e3o ambientes extremamente din\u00e2micos. Os jatos tendem a aparecer rapidamente \u00e0s suas superf\u00edcies e depois diminuem de forma igualmente repentina. Portanto, comparar instant\u00e2neos ocasionais arrisca a que a nossa compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o a longo prazo do cometa seja influenciada pelas mudan\u00e7as transit\u00f3rias. No entanto, com uma quantidade t\u00e3o grande de medi\u00e7\u00f5es, significa que at\u00e9 mesmo mudan\u00e7as a curto prazo podem ser rastreadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A correla\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 a acontecer no n\u00facleo \u00e9 algo completamente novo que n\u00e3o pode ser feito a partir da Terra,&#8221; diz Gianrico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2014\/08\/comet_on_5_august_2014_-_navcam\/14713251-4-eng-GB\/Comet_on_5_August_2014_-_NavCam.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2014\/08\/comet_on_5_august_2014_-_navcam\/14713251-4-eng-GB\/Comet_on_5_August_2014_-_NavCam_pillars.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Imagem obtida no dia 5 de agosto de 2014, a uma dist\u00e2ncia de mais ou menos 145 km do Cometa 67P\/Churyumov-Gerasimenko.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Rosetta\/NAVCAM <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto porque as observa\u00e7\u00f5es a partir do solo n\u00e3o podem resolver o n\u00facleo de um cometa, que no caso de 67P\/C-G tem apenas mais ou menos 3 km de tamanho. Agora que a equipa pode descrever e entender a evolu\u00e7\u00e3o a longo prazo do cometa e os passos dados ao longo do caminho, isto significa que as leituras de outros instrumentos a bordo da Rosetta podem ser contextualizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas isso n\u00e3o significa que sabemos tudo sobre cometas. A an\u00e1lise espectral mostra que a cor vermelha da poeira \u00e9 criada pelas chamadas mol\u00e9culas org\u00e2nicas. Estas s\u00e3o mol\u00e9culas feitas de carbono e h\u00e1 uma rica variedade delas no cometa. Os cientistas pensam que s\u00e3o importantes para entender como a vida se formou na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, para as estudar mais de perto e para identificar estas mol\u00e9culas, seria necess\u00e1rio que uma amostra da superf\u00edcie do cometa fosse enviada para a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Trazer para a Terra um peda\u00e7o do cometa \u00e9 realmente o Santo Graal de uma miss\u00e3o comet\u00e1ria,&#8221; diz Gianrico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 que isso seja poss\u00edvel, continuar\u00e1 a usar os dados do VIRTIS para investigar subst\u00e2ncias org\u00e2nicas em 67P\/C-G.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Definitivamente, est\u00e3o por chegar resultados mais emocionantes,&#8221; diz Matt Taylor, cientista do projeto Rosetta da ESA, &#8220;a recolha de dados pode ter terminado, mas a an\u00e1lise e os resultados v\u00e3o continuar durante anos, aumentando o rico legado de conhecimento comet\u00e1rio fornecido pela Rosetta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Rosetta\/Rosetta_and_the_chameleon_comet\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-020-1960-2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/astronomy.com\/news\/2020\/02\/scientists-chart-the-shifting-colors-of-a-comets-seasons\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomy<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-02-rosetta-reveals-color-changing-chameleon-comet.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.discovermagazine.com\/the-sciences\/scientists-chronicle-the-shifting-colors-of-a-comets-seasons\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Discover<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/comet-67p-repeatedly-changed-color-during-the-historic-1841477579\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cometa 67P\/Churyumov-Gerasimenko:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/67P\/Churyumov%E2%80%93Gerasimenko\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/rosetta\/14615-comet-67p\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sonda Rosetta:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaMI\/Rosetta\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/blogs.esa.int\/rosetta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog da Rosetta &#8211; ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/imagearchives.esac.esa.int\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de imagens<\/a><br><a href=\"https:\/\/archives.esac.esa.int\/psa\/#!Table%20View\/Rosetta=mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dados da miss\u00e3o<\/a><br><a href=\"http:\/\/rosetta.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/ESA_Rosetta\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RosettaMission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rosetta_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma grande s\u00edntese dos dados da Rosetta mostrou como o seu cometa alvo mudou de cor repetidamente durante os dois anos em que foi observado pela sonda. 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