{"id":2793,"date":"2020-02-07T06:36:51","date_gmt":"2020-02-07T06:36:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2793"},"modified":"2020-02-07T06:37:02","modified_gmt":"2020-02-07T06:37:02","slug":"maven-explora-marte-a-fim-de-compreender-a-interferencia-de-radio-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/02\/07\/maven-explora-marte-a-fim-de-compreender-a-interferencia-de-radio-na-terra\/","title":{"rendered":"MAVEN explora Marte a fim de compreender a interfer\u00eancia de r\u00e1dio na Terra"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/sporadiceradio.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/yKpdH7N.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Gr\u00e1fico que ilustra sinais de r\u00e1dio de uma esta\u00e7\u00e3o remota (linha roxa curva) a interferir com uma esta\u00e7\u00e3o local (torre preta) depois de serem refletidos de uma camada de plasma na ionosfera.<br>Cr\u00e9dito: NASA Goddard\/CI lab <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN) da NASA descobriu &#8220;camadas&#8221; e &#8220;fendas&#8221; na parte eletricamente carregada da atmosfera superior (a ionosfera) de Marte. O fen\u00f3meno \u00e9 muito comum na Terra e causa interrup\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis nas radiocomunica\u00e7\u00f5es. No entanto, n\u00e3o as compreendemos completamente porque formam-se a altitudes que s\u00e3o muito dif\u00edceis de explorar na Terra. A descoberta inesperada da MAVEN mostra que Marte \u00e9 um laborat\u00f3rio \u00fanico para explorar e melhor entender este fen\u00f3meno altamente perturbador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As camadas est\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximas, acima das nossas cabe\u00e7as na Terra, e podem ser detetadas por qualquer pessoa com um r\u00e1dio, mas ainda s\u00e3o bastante misteriosas,&#8221; diz Glyn Collinson, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, autor principal de um artigo sobre esta investiga\u00e7\u00e3o publicado na edi\u00e7\u00e3o de 3 de fevereiro da revista Nature Astronomy. &#8220;Quem haveria de pensar que uma das melhores maneiras de as entender seria lan\u00e7ar um sat\u00e9lite a milh\u00f5es de quil\u00f3metros, para Marte?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a sua esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio favorita j\u00e1 encravou ou foi substitu\u00edda por outra esta\u00e7\u00e3o, uma causa prov\u00e1vel s\u00e3o camadas de g\u00e1s com carga el\u00e9trica, chamado &#8220;plasma&#8221;, na regi\u00e3o mais alta da atmosfera, de nome &#8220;ionosfera&#8221;. Formadas repentinamente e com a dura\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias horas, estas camadas agem como espelhos gigantes no c\u00e9u, fazendo com que os distantes sinais de r\u00e1dio sejam refletidos para l\u00e1 do horizonte, onde podem interferir nas transmiss\u00f5es locais, como duas pessoas que tentam conversar entre si. As camadas tamb\u00e9m podem provocar interfer\u00eancia nas comunica\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio dos avi\u00f5es e de navios, al\u00e9m de cegar o radar militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Terra, as camadas formam-se a uma altitude de aproximadamente 100 km, onde o ar \u00e9 muito fino para um avi\u00e3o voar, mas demasiado espesso para um sat\u00e9lite orbitar. A \u00fanica maneira de as alcan\u00e7ar \u00e9 com um foguet\u00e3o, mas estas miss\u00f5es durante apenas dezenas de minutos antes de ca\u00edrem de volta para a Terra. &#8220;Sabemos que existem h\u00e1 mais de 80 anos, mas sabemos muito pouco sobre o que acontece no seu interior, porque nenhum sat\u00e9lite pode ficar baixo o suficiente para alcan\u00e7ar as camadas,&#8221; diz Collinson, &#8220;pelo menos, nenhum sat\u00e9lite na Terra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/mavenatmars.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/5WOBBjj.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2794\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/5WOBBjj.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/5WOBBjj-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/5WOBBjj-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista que mostra a sonda MAVEN a encontrar camadas de plasma em Marte.\nCr\u00e9dito: NASA Goddard\/CI lab<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Marte, as naves espaciais como a MAVEN podem orbitar a altitudes mais baixas e podem amostrar estas caracter\u00edsticas diretamente. A MAVEN transporta v\u00e1rios instrumentos cient\u00edficos que medem plasmas na atmosfera e no espa\u00e7o ao redor de Marte. Medi\u00e7\u00f5es recentes de um destes instrumentos detetaram picos repentinos inesperados na abund\u00e2ncia de plasma enquanto voava atrav\u00e9s da ionosfera marciana. Joe Grebowsky, ex-cientista do projeto MAVEN em Goddard, reconheceu imediatamente o pico da sua experi\u00eancia anterior com voos de foguet\u00f5es atrav\u00e9s das camadas da Terra. A MAVEN n\u00e3o apenas tinha descoberto que camadas id\u00eanticas podem ocorrer noutros planetas que n\u00e3o a Terra, mas os novos resultados revelam que Marte fornece o que a Terra n\u00e3o consegue, um lugar onde podemos explorar estas camadas com sat\u00e9lites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As baixas altitudes observ\u00e1veis pela MAVEN v\u00e3o preencher uma grande lacuna no nosso entendimento desta regi\u00e3o de Marte e da Terra, com descobertas realmente significativas por fazer,&#8221; salienta Grebowsky, coautor do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es da MAVEN j\u00e1 est\u00e3o a derrubar algumas das nossas ideias existentes sobre o fen\u00f3meno: a MAVEN descobriu que as camadas tamb\u00e9m t\u00eam um espelho oposto, uma &#8220;fenda&#8221;, onde o plasma \u00e9 menos abundante. A exist\u00eancia de tais &#8220;brechas&#8221; na natureza era completamente desconhecida antes da sua descoberta em Marte pela MAVEN, e derruba os modelos cient\u00edficos existentes que dizem que n\u00e3o se podem formar. Al\u00e9m disso, ao contr\u00e1rio da Terra, onde as camadas t\u00eam vida curta e imprevis\u00edvel, as camadas marcianas s\u00e3o surpreendentemente duradouras e persistentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas novas descobertas j\u00e1 nos deram uma melhor compreens\u00e3o dos fen\u00f3menos fundamentais que sustentam estas camadas e futuras explora\u00e7\u00f5es marcianas v\u00e3o permitir construir melhores modelos cient\u00edficos de como se formam. Embora, assim como o clima, n\u00e3o possamos impedir que se formem, talvez um dia as novas informa\u00e7\u00f5es de Marte possam ajudar a prev\u00ea-las na Terra, o que significa uma comunica\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio mais confi\u00e1vel para todos n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"MAVEN Explores Mars to Understand Radio Interference at Earth\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y6RBFhzjnV4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/press-release\/goddard\/2020\/mars-layers-and-rifts\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-019-0984-8\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/mars-probe-discovers-ionosphere-structures-like-earth.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2232185-weird-clumps-of-air-that-disrupt-radio-signals-found-on-mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-02-maven-explores-mars-radio-earth.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.inverse.com\/science\/strange-martian-phenomenon-tune-out-radio-static-on-earth-for-good\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Inverse<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ionosfera:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/solar-center.stanford.edu\/SID\/activities\/ionosphere.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Stanford<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ionosphere\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>MAVEN:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/maven\/main\/#.UnJoWfm-2G4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/maven\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MAVEN\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gr\u00e1fico que ilustra sinais de r\u00e1dio de uma esta\u00e7\u00e3o remota (linha roxa curva) a interferir com uma esta\u00e7\u00e3o local (torre preta) depois de serem refletidos de uma camada de plasma na ionosfera.Cr\u00e9dito: NASA Goddard\/CI lab A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN) da NASA descobriu &#8220;camadas&#8221; e &#8220;fendas&#8221; na parte eletricamente carregada da atmosfera &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2794,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[156,9,16],"tags":[687,4,347],"class_list":["post-2793","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-diversos","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-ionosfera","tag-marte","tag-maven"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2793"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2793\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2796,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2793\/revisions\/2796"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}