{"id":2763,"date":"2020-01-28T06:35:21","date_gmt":"2020-01-28T06:35:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2763"},"modified":"2020-01-28T06:35:22","modified_gmt":"2020-01-28T06:35:22","slug":"kepler-testemunha-superexplosao-em-sistema-estelar-vampiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/01\/28\/kepler-testemunha-superexplosao-em-sistema-estelar-vampiro\/","title":{"rendered":"Kepler testemunha superexplos\u00e3o em sistema estelar &#8220;vampiro&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/stsci-j-p2020a-dwarfnovasystem-3840x2160.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/JHs7boY.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2764\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/JHs7boY.png 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/JHs7boY-300x169.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/JHs7boY-768x432.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>A ilustra\u00e7\u00e3o mostra um sistema rec\u00e9m-descoberto de nova an\u00e3, no qual uma an\u00e3 branca puxa material de uma companheira an\u00e3 castanha. O material forma um disco de acre\u00e7\u00e3o at\u00e9 que atinge um ponto de inflex\u00e3o, fazendo com que aumente subitamente de brilho. Usando dados de arquivo do Kepler, uma equipa observou uma intensifica\u00e7\u00e3o gradual, inexplicada e n\u00e3o antes vista seguida por uma superexplos\u00e3o na qual o sistema aumentou cerca de 1600 vezes de brilho, ao longo de menos de um dia.<br>Cr\u00e9dito: NASA e L. Hustak (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A sonda Kepler da NASA foi constru\u00edda para encontrar exoplanetas, procurando estrelas que diminuem de brilho quando um planeta passa \u00e0 sua frente. Felizmente, o mesmo design \u00e9 ideal para a dete\u00e7\u00e3o de outros transientes astron\u00f3micos &#8211; objetos que aumentam ou diminuem de brilho com o tempo. Uma nova investiga\u00e7\u00e3o de dados de arquivo do Kepler encontrou uma superexplos\u00e3o invulgar de uma nova an\u00e3 anteriormente desconhecida. O sistema aumentou cerca de 1600 vezes de brilho ao longo de menos um dia antes de desvanecer lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema estelar em quest\u00e3o consiste de uma estrela an\u00e3 branca com uma companheira an\u00e3 castanha com cerca de um-d\u00e9cimo da massa da an\u00e3 branca. Uma an\u00e3 branca \u00e9 o n\u00facleo remanescente de uma estrela velha parecida com o Sol e cont\u00e9m aproximadamente a mesma quantidade de material que o Sol num globo com o tamanho da Terra. Uma an\u00e3 castanha \u00e9 um objeto com uma massa entre 10 e 80 J\u00fapiteres que \u00e9 demasiado pequeno para despoletar fus\u00e3o nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e3 castanha orbita an\u00e3 branca a cada 83 minutos, a uma dist\u00e2ncia de apenas 400.000 km &#8211; quase a dist\u00e2ncia Terra-Lua. Est\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximas uma da outra que a forte gravidade da an\u00e3 branca retira o material da an\u00e3 castanha, sugando a sua ess\u00eancia como um vampiro. O material roubado forma um disco \u00e0 medida que espirala para a an\u00e3 branca (conhecido como disco de acre\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi por sorte que o Kepler estava a olhar na dire\u00e7\u00e3o certa quando este sistema sofreu uma superexplos\u00e3o, aumentando mais de 1000 vezes de brilho. De facto, o Kepler foi o \u00fanico instrumento capaz de o testemunhar, uma vez que o sistema estava demasiado perto do Sol, do ponto de vista da Terra. A r\u00e1pida cad\u00eancia de observa\u00e7\u00f5es do Kepler, obtendo dados a cada 30 minutos, foi crucial para capturar todos os detalhes da explos\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento permaneceu escondido nos dados de arquivo do Kepler at\u00e9 ser identificado por uma equipa liderada por Ryan Ridden-Harper, do STScI (Space Telescope Science Institute), em Baltimore, no estado norte-americano da Maryland e da Universidade Nacional da Austr\u00e1lia, Camberra. &#8220;De certo modo, descobrimos este sistema acidentalmente. N\u00e3o est\u00e1vamos especificamente \u00e0 procura de uma superexplos\u00e3o. Est\u00e1vamos \u00e0 procura de qualquer tipo de transiente,&#8221; disse Ridden-Harper.<\/p>\n\n\n\n<p>O Kepler capturou todo o evento, observando um lento aumento de brilho seguido por uma r\u00e1pida intensifica\u00e7\u00e3o. Embora o repentino aumento de brilho seja previsto pelas teorias, a raz\u00e3o do in\u00edcio lento permanece um mist\u00e9rio. As teorias da f\u00edsica do disco de acre\u00e7\u00e3o n\u00e3o preveem este fen\u00f3meno, que foi observado posteriormente em duas outras superexplos\u00f5es de novas an\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estes sistemas de novas an\u00e3s t\u00eam vindo a ser estudados h\u00e1 d\u00e9cadas, de modo que descobrir algo novo \u00e9 bastante complicado,&#8221; disse Ridden-Harper. &#8220;Vemos discos de acre\u00e7\u00e3o por todo o lado &#8211; desde estrelas rec\u00e9m-formadas a buracos negros supermassivos &#8211; de modo que \u00e9 importante compreend\u00ea-los.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>As teorias sugerem que uma superexplos\u00e3o \u00e9 despoletada quando o disco de acre\u00e7\u00e3o atinge um ponto de inflex\u00e3o. \u00c0 medida que acumula material, cresce em tamanho at\u00e9 que a orla externa sofre resson\u00e2ncia gravitacional com a an\u00e3 castanha em \u00f3rbita. Isto pode desencadear uma instabilidade t\u00e9rmica, fazendo com que o disco fique superaquecido. De facto, as observa\u00e7\u00f5es mostram que a temperatura do disco sobe de 2700-5300\u00ba C no seu estado normal para 9700-11.700\u00baC no pico da superexplos\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este tipo de sistema de nova an\u00e3 \u00e9 relativamente raro, conhecendo-se apenas mais ou menos 100. Podem passar-se anos ou d\u00e9cadas entre explos\u00f5es, o que torna a observa\u00e7\u00e3o em flagrante um grande desafio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A dete\u00e7\u00e3o deste objeto d\u00e1 esperan\u00e7as na dete\u00e7\u00e3o de mais eventos raros, escondidos nos dados do Kepler,&#8221; disse o coautor Armin Rest do STScI.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa planeia continuar a minar os dados do Kepler, bem como de outro ca\u00e7ador de exoplanetas, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), \u00e0 procura de outros transientes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As observa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas pelo Kepler\/K2, e agora pelo TESS, destes sistemas estelares din\u00e2micos permitem-nos estudar as primeiras horas da explos\u00e3o, um dom\u00ednio do tempo que \u00e9 quase imposs\u00edvel alcan\u00e7ar a partir de observat\u00f3rios terrestres,&#8221; disse Peter Garnavich da Universidade de Notre Dame em Indiana.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo cient\u00edfico sobre a descoberta foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de 21 de outubro de 2019 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2020\/nasas-kepler-witnesses-vampire-star-system-undergoing-super-outburst\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2020\/news-2020-07\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1093\/mnras\/stz2923\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/uploads\/science_paper\/file_attachment\/521\/Ridden-Harper2019.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/astronomers-have-caught-a-vampire-star-in-the-act-of-draining-its-companion\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2020-01-nasa-kepler-witnesses-vampire-star.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/scitechdaily.com\/vampire-star-system-undergoing-super-outburst-witnessed-by-kepler-spacecraft\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SciTechDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2020\/01\/24\/world\/vampire-star-observation-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><br><a href=\"https:\/\/metro.co.uk\/2020\/01\/24\/vampire-star-on-a-feeding-frenzy-discovered-way-out-in-deep-space-12117938\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">METRO<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nova an\u00e3:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_nova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/sites.google.com\/site\/aavsocvsection\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CVnet &#8211; lista de surtos de novas an\u00e3s<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/kepler.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA (p\u00e1gina oficial)<\/a><br><a href=\"http:\/\/keplerscience.arc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2 (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/kepler\/\">Arquivo de dados do Kepler<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/k2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados da miss\u00e3o K2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kepler_space_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/cgi-bin\/TblView\/nph-tblView?app=ExoTbls&amp;config=planets&amp;constraint=pl_facility+like+%27%TESS%%27\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ilustra\u00e7\u00e3o mostra um sistema rec\u00e9m-descoberto de nova an\u00e3, no qual uma an\u00e3 branca puxa material de uma companheira an\u00e3 castanha. 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