{"id":2702,"date":"2020-01-07T06:37:50","date_gmt":"2020-01-07T06:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2702"},"modified":"2020-01-07T06:38:02","modified_gmt":"2020-01-07T06:38:02","slug":"a-vida-turbulenta-de-dois-buracos-negros-supermassivos-apanhados-numa-colisao-galactica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2020\/01\/07\/a-vida-turbulenta-de-dois-buracos-negros-supermassivos-apanhados-numa-colisao-galactica\/","title":{"rendered":"A vida turbulenta de dois buracos negros supermassivos apanhados numa colis\u00e3o gal\u00e1ctica"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/eEcs5aA.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"652\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/eEcs5aA-1024x652.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2703\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/eEcs5aA-1024x652.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/eEcs5aA-300x191.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/eEcs5aA-768x489.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>A gal\u00e1xia NGC 6240, vista pelo ALMA (topo) e pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble (baixo). Na imagem ALMA, o g\u00e1s molecular \u00e9 azul e os buracos negros s\u00e3o os pontos vermelhos. A imagem ALMA fornece a vis\u00e3o mais detalhada do g\u00e1s molecular em torno dos buracos negros nesta gal\u00e1xia em fus\u00e3o.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), E. Treister; NRAO\/AUI\/NSF, S. Dagnello; NASA\/ESA Hubble<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos usou o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) para criar a imagem mais detalhada de sempre do g\u00e1s em redor de dois buracos negros supermassivos numa gal\u00e1xia em fus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A 400 milh\u00f5es de anos-luz da Terra, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Ofi\u00faco, duas gal\u00e1xias est\u00e3o a colidir entre si e a formar uma gal\u00e1xia conhecida como NGC 6240. Esta gal\u00e1xia de forma peculiar j\u00e1 foi observada muitas vezes, pois est\u00e1 relativamente perto. Mas NGC 6240 \u00e9 complexa e ca\u00f3tica. A colis\u00e3o entre as duas gal\u00e1xias ainda est\u00e1 em andamento, trazendo com elas dois buracos negros supermassivos em crescimento que provavelmente se v\u00e3o fundir num buraco negro ainda maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender o que est\u00e1 a acontecer em NGC 6240, os astr\u00f3nomos querem observar em detalhe a poeira e o g\u00e1s em redor dos buracos negros, mas as imagens anteriores n\u00e3o eram n\u00edtidas o suficiente para tal. Novas observa\u00e7\u00f5es do ALMA aumentaram a resolu\u00e7\u00e3o das imagens por um fator de dez &#8211; mostrando pela primeira vez a estrutura do g\u00e1s frio na gal\u00e1xia, mesmo dentro da esfera de influ\u00eancia dos buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A chave para entender esta sistema gal\u00e1ctico \u00e9 o g\u00e1s molecular,&#8221; explicou Ezequiel Treister da Pontificia Universidad Cat\u00f3lica em Santiago, Chile. &#8220;Este g\u00e1s \u00e9 o combust\u00edvel necess\u00e1rio para formar estrelas, mas tamb\u00e9m alimenta os buracos negros supermassivos, o que lhes permite crescer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte do g\u00e1s est\u00e1 localizado numa regi\u00e3o entre os dois buracos negros. Observa\u00e7\u00f5es menos detalhadas, feitas anteriormente, haviam sugerido que este g\u00e1s podia ser um disco girat\u00f3rio. &#8220;N\u00e3o encontramos nenhuma evid\u00eancia para isso,&#8221; disse Treister. &#8220;Ao inv\u00e9s, vemos um fluxo ca\u00f3tico de g\u00e1s com filamentos e bolhas entre os buracos negros. Parte deste g\u00e1s \u00e9 expelido para fora com velocidades de at\u00e9 500 km\/s. Ainda n\u00e3o sabemos o que provocou estes fluxos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/ahpTxeo.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/ahpTxeo.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Impress\u00e3o de artista da gal\u00e1xia em fus\u00e3o NGC 6240.<br>Cr\u00e9dito: NRAO\/AUI\/NSF, S. Dagnello<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outra raz\u00e3o para observar o g\u00e1s com tanto detalhe \u00e9 que este ajuda a determinar a massa dos buracos negros. &#8220;Os modelos anteriores, com base em estrelas circundantes, indicaram que os buracos negros eram muito mais massivos do que esper\u00e1vamos, cerca mil milh\u00f5es de vezes mais massivos que o Sol,&#8221; disse Anne Medling da Universidade de Toledo no estado norte-americano do Ohio. &#8220;Mas estas novas imagens do ALMA mostram, pela primeira vez, a quantidade de g\u00e1s capturado dentro da esfera de influ\u00eancia dos buracos negros. Esta massa \u00e9 significativa e, portanto, estimamos agora que as massas dos buracos negros s\u00e3o mais pequenas: cerca de algumas centenas de milh\u00f5es de vezes a massa do nosso Sol. Com base nisto, pensamos que a maioria das medi\u00e7\u00f5es anteriores de buracos negros em sistemas como este podem estar erradas em 5-90%.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O g\u00e1s tamb\u00e9m est\u00e1 mais pr\u00f3ximo dos buracos negros do que os astr\u00f3nomos esperavam. &#8220;Est\u00e1 localizado num ambiente muito extremo,&#8221; explicou Medling. &#8220;Acreditamos que eventualmente cair\u00e1 no buraco negro ou ser\u00e1 ejetado a altas velocidades.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos n\u00e3o encontram evid\u00eancias de um terceiro buraco negro na gal\u00e1xia, que outra equipa afirmou recentemente ter descoberto. &#8220;N\u00e3o vemos g\u00e1s molecular associado a este terceiro n\u00facleo reivindicado,&#8221; disse Treister. &#8220;Podia ser um enxame estelar local em vez de um buraco negro, mas precisamos de estud\u00e1-lo muito mais para dizer algo concreto sobre o objeto.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A alta sensibilidade e resolu\u00e7\u00e3o do ALMA s\u00e3o cruciais para aprender mais sobre os buracos negros supermassivos e o papel do g\u00e1s nas gal\u00e1xias em intera\u00e7\u00e3o. &#8220;Esta gal\u00e1xia \u00e9 t\u00e3o complexa que nunca poder\u00edamos saber o que est\u00e1 a acontecer no seu interior sem estas imagens r\u00e1dio detalhadas,&#8221; disse Loreto Barcos-Mu\u00f1oz do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Charlottesville, Virg\u00ednia, EUA. &#8220;Agora temos uma melhor ideia da estrutura 3D da gal\u00e1xia, o que nos d\u00e1 a oportunidade de entender como as gal\u00e1xias evoluem durante os \u00faltimos est\u00e1gios de uma fus\u00e3o. Daqui a algumas centenas de milh\u00f5es de anos, esta gal\u00e1xia parecer\u00e1 completamente diferente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/the-turbulent-life-of-two-supermassive-black-holes-caught-in-a-galaxy-crash\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.dropbox.com\/sh\/vd7raj123rs1uwa\/AAAHQv_5sVu1qxK2O5gPamrWa?dl=0&amp;preview=ngc6240_apj_final.pdf\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 (pr\u00e9-impress\u00e3o)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ab4db7\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1910.12967\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>NGC 6240:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NGC_6240\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buracos negros supermassivos:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gal\u00e1xia NGC 6240, vista pelo ALMA (topo) e pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble (baixo). 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