{"id":2634,"date":"2019-12-10T07:13:33","date_gmt":"2019-12-10T07:13:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2634"},"modified":"2019-12-10T07:13:45","modified_gmt":"2019-12-10T07:13:45","slug":"missao-osiris-rex-explica-misteriosos-eventos-de-particulas-de-bennu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/12\/10\/missao-osiris-rex-explica-misteriosos-eventos-de-particulas-de-bennu\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o OSIRIS-REx explica misteriosos eventos de part\u00edculas de Bennu"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"507\" height=\"393\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/3MJcKfs.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2635\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/3MJcKfs.png 507w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/3MJcKfs-300x233.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><figcaption>Esta imagem do asteroide Bennu a libertar part\u00edculas da sua superf\u00edcie no dia 6 de janeiro foi criada combinando duas imagens obtidas pela NavCam 1 a bordo da OSIRIS-REx: uma curta exposi\u00e7\u00e3o com 1,4 ms que mostra o asteroide claramente, e outra exposi\u00e7\u00e3o longa (5 s), que mostra claramente as part\u00edculas. Tamb\u00e9m foram aplicadas outras t\u00e9cnicas de processamento, como corte e ajuste de brilho e contraste de cada camada.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/Goddard\/Universidade do Arizona\/Lockheed Martin<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pouco tempo depois da sonda OSIRIS-REx da NASA ter chegado ao asteroide Bennu, uma descoberta inesperada da equipa cient\u00edfica da miss\u00e3o revelou que o asteroide podia ser ativo, ou estar a descarregar consistentemente part\u00edculas para o espa\u00e7o. A an\u00e1lise cont\u00ednua de Bennu &#8211; e as suas amostras que eventualmente ser\u00e3o transportadas para a Terra &#8211; podem lan\u00e7ar luz sobre o porqu\u00ea da ocorr\u00eancia deste fen\u00f3meno intrigante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa da OSIRIS-REx observou pela primeira vez um evento de eje\u00e7\u00e3o de part\u00edculas nas imagens capturadas pelas c\u00e2maras de navega\u00e7\u00e3o da sonda no dia 6 de janeiro, apenas uma semana ap\u00f3s ter entrado na sua primeira \u00f3rbita em torno de Bennu. \u00c0 primeira vista, as part\u00edculas pareciam estrelas por tr\u00e1s do asteroide, mas, observando mais cuidadosamente, a equipa percebeu que o asteroide estava a libertar material da sua superf\u00edcie. Depois de concluir que estas part\u00edculas n\u00e3o comprometiam a seguran\u00e7a da nave, a miss\u00e3o come\u00e7ou observa\u00e7\u00f5es dedicadas para documentar completamente esta atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Entre as muitas surpresas de Bennu, as eje\u00e7\u00f5es de part\u00edculas despertaram a nossa curiosidade, e pass\u00e1mos os \u00faltimos meses a investigar este mist\u00e9rio,&#8221; disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona em Tucson, EUA. &#8220;Esta \u00e9 uma grande oportunidade para expandir o nosso conhecimento de como os asteroides se comportam.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de estudar os resultados das observa\u00e7\u00f5es, a equipa da miss\u00e3o divulgou as suas descobertas num artigo cient\u00edfico publicado dia 6 de dezembro na revista Science. A equipa observou os tr\u00eas maiores eventos de eje\u00e7\u00e3o de part\u00edculas nos dias 6 e 19 de janeiro, e 11 de fevereiro, e concluiu que os eventos tiveram origem em diferentes locais da superf\u00edcie de Bennu. O primeiro evento teve origem no hemisf\u00e9rio sul e o segundo e o terceiro ocorreram perto do equador. Todos os tr\u00eas eventos ocorreram ao final da tarde em Bennu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa descobriu que, ap\u00f3s a eje\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie do asteroide, as part\u00edculas orbitaram brevemente Bennu e ca\u00edram de volta \u00e0 superf\u00edcie ou escaparam para o espa\u00e7o. As part\u00edculas observadas viajaram at\u00e9 3 metros por segundo e tinham um tamanho inferior a 10 cm. Durante o maior evento, que ocorreu a 6 de janeiro, foram observadas aproximadamente 200 part\u00edculas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa investigou uma ampla variedade de poss\u00edveis mecanismos que podem ter provocado os eventos de eje\u00e7\u00e3o e reduziu a lista a tr\u00eas candidatos: impactos de meteoroides, fraturas por stress t\u00e9rmico e liberta\u00e7\u00e3o de vapor de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os impactos de meteoroides s\u00e3o comuns na vizinhan\u00e7a do espa\u00e7o profundo de Bennu e \u00e9 poss\u00edvel que esses pequenos fragmentos de rocha espacial estivessem a atingir Bennu onda a OSIRIS-REx n\u00e3o estava a observar, sacudindo part\u00edculas soltas com o momento do seu impacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa tamb\u00e9m determinou que a fratura t\u00e9rmica \u00e9 outra explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. As temperaturas \u00e0 superf\u00edcie de Bennu variam drasticamente durante o per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o de 4,3 horas. Embora esteja extremamente frio durante as horas da noite, a superf\u00edcie do asteroide aquece significativamente a meio da tarde, quando os tr\u00eas grandes eventos tiveram lugar. Como resultado desta mudan\u00e7a de temperatura, as rochas podem come\u00e7ar a rachar e a quebrar-se e, eventualmente, as part\u00edculas podem ser expelidas da superf\u00edcie. Este ciclo \u00e9 conhecido como fratura por stress t\u00e9rmico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Bennu&#039;s Mysterious Particles\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YxooQ_68M08?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liberta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua tamb\u00e9m pode explicar a atividade do asteroide. Quando as argilas presas em \u00e1gua s\u00e3o aquecidas, a \u00e1gua pode come\u00e7ar a libertar-se a criar press\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que, \u00e0 medida que a press\u00e3o se acumula nas fissuras e nos poros das rochas onde a \u00e1gua absorvida \u00e9 libertada, a superf\u00edcie se torne agitada, levando \u00e0 erup\u00e7\u00e3o de part\u00edculas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a natureza nem sempre permite explica\u00e7\u00f5es simples. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que mais do que um destes mecanismos esteja em jogo,&#8221; disse Steve Chesley, autor do artigo e investigador s\u00e9nior no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia. &#8220;Por exemplo, as fraturas t\u00e9rmicas podem estar a cortar o material da superf\u00edcie em peda\u00e7os pequenos, facilitando em muito o lan\u00e7amento de seixos para o espa\u00e7o durante os impactos de meteoroides.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se as fraturas t\u00e9rmicas, os impactos de meteoroides, ou ambos, s\u00e3o de facto as causas destes eventos de eje\u00e7\u00e3o, \u00e9 prov\u00e1vel que este fen\u00f3meno esteja a acontecer em todos os asteroides pequenos, pois todos sofrem estes mecanismos. No entanto, se a liberta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u00e9 a causa destes eventos de eje\u00e7\u00e3o, este fen\u00f3meno seria espec\u00edfico aos asteroides que cont\u00eam minerais com \u00e1gua, como Bennu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atividade de Bennu apresenta maiores oportunidades assim que a amostra seja recolhida e enviada para a Terra para estudo. Muitas das part\u00edculas ejetadas s\u00e3o pequenas o suficiente para serem recolhidas pelo mecanismo de amostragem, o que significa que as amostras podem conter algum material ejetado e que torna a cair para a superf\u00edcie de Bennu. A determina\u00e7\u00e3o de que uma part\u00edcula em espec\u00edfico foi ejetada e voltou a Bennu poder\u00e1 ser um feito cient\u00edfico semelhante a encontrar uma agulha num palheiro. No entanto, o material de Bennu que ser\u00e1 trazido para a Terra, quase certamente aumentar\u00e1 a nossa compreens\u00e3o dos asteroides e das maneiras como s\u00e3o diferentes e semelhantes, mesmo que o fen\u00f3meno de eje\u00e7\u00e3o de part\u00edculas continue a ser um mist\u00e9rio cujas pistas tamb\u00e9m v\u00e3o para a Terra sob a forma de dados e material adicional para estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recolha de amostras est\u00e1 programada para o ver\u00e3o de 2020 e as amostras chegar\u00e3o \u00e0 Terra em setembro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2019\/osiris-rex-explains-bennus-mysterious-particles\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/uanews.arizona.edu\/story\/explaining-bennu-s-mysterious-particle-events\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/366\/6470\/eaay3544\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2019-12\/nsfc-nom120519.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.technologyreview.com\/f\/614853\/this-is-the-first-image-of-an-asteroid-as-it-chucks-debris-off-into-space\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIT Technology Review<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.skyandtelescope.com\/astronomy-news\/asteroid-bennus-activity-still-a-mystery\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky &amp; Telescope<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/asteroid-bennu-eruptions-cause.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/now-that-s-an-active-asteroid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/12\/191205145112.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-12-osiris-rex-mission-bennu-mysterious-particle.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spacedaily.com\/reports\/OSIRIS_REx_mission_explains_Bennus_mysterious_particle_events_999.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space Daily<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.wired.com\/story\/no-one-knows-why-rocks-are-exploding-from-asteroid-bennu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wired<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/new-images-show-asteroid-bennu-spewing-bits-of-itself-i-1840240102\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><br><a href=\"https:\/\/arstechnica.com\/science\/2019\/12\/no-one-knows-why-rocks-are-exploding-from-asteroid-bennu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ars technica<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.engadget.com\/2019\/12\/09\/nasa-osiris-rex-asteroid-eruptions\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">engadget<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/12\/05\/world\/osirix-rex-asteroid-bennu-activity-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OSIRIS-REx:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.asteroidmission.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/osiris-rex\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/OSIRISREx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/OSIRISREx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/OSIRISREx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/osiris_rex\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/OSIRIS-REx\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroide Bennu:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/sbdb.cgi?sstr=101955;orb=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/101955_Bennu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem do asteroide Bennu a libertar part\u00edculas da sua superf\u00edcie no dia 6 de janeiro foi criada combinando duas imagens obtidas pela NavCam 1 a bordo da OSIRIS-REx: uma curta exposi\u00e7\u00e3o com 1,4 ms que mostra o asteroide claramente, e outra exposi\u00e7\u00e3o longa (5 s), que mostra claramente as part\u00edculas. 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