{"id":2619,"date":"2019-12-06T06:57:29","date_gmt":"2019-12-06T06:57:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2619"},"modified":"2019-12-06T06:57:30","modified_gmt":"2019-12-06T06:57:30","slug":"vibracoes-estelares-levam-a-nova-estimativa-da-idade-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/12\/06\/vibracoes-estelares-levam-a-nova-estimativa-da-idade-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Vibra\u00e7\u00f5es estelares levam a nova estimativa da idade da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"874\" height=\"734\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/1s4MUSU.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2620\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/1s4MUSU.jpg 874w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/1s4MUSU-300x252.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/1s4MUSU-768x645.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 874px) 100vw, 874px\" \/><figcaption>Impress\u00e3o de artista da Via L\u00e1ctea, mostrando o disco espesso e o disco fino.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/R. Hurt\/SSC<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os sismos estelares registados pelo telesc\u00f3pio espacial Kepler da NASA ajudaram a responder a uma pergunta de longa data sobre a idade do &#8220;disco espesso&#8221; da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>Num artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, uma equipa de 38 cientistas liderada por investigadores do Centro de Excel\u00eancia ARC para ASTRO-3D (All Sky Astrophysics in Three Dimensions) da Austr\u00e1lia usou dados da sonda agora extinta para calcular que o disco tem cerca de 10 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta descoberta esclarece um mist\u00e9rio,&#8221; diz o autor principal, Dr. Sanjib Sharma do ASTRO-3D e da Universidade de Sydney na Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os dados anteriores sobre a distribui\u00e7\u00e3o et\u00e1ria das estrelas no disco n\u00e3o concordavam com os modelos constru\u00eddos para a descrever, mas ningu\u00e9m sabia onde estava o erro &#8211; nos dados ou nos modelos. Agora temos certeza de que o encontr\u00e1mos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A Via L\u00e1ctea &#8211; como muitas outras gal\u00e1xias espirais &#8211; consiste de duas estruturas semelhantes a discos, de nome &#8220;espessa&#8221; e &#8220;fina&#8221;. O disco espesso cont\u00e9m apenas cerca de 20% do total de estrelas da Gal\u00e1xia e, com base na sua composi\u00e7\u00e3o e espessura vertical, \u00e9 considerado o componente mais antigo do par.<\/p>\n\n\n\n<p>Para descobrir qu\u00e3o mais velho, o Dr. Sharma e colegas usaram um m\u00e9todo conhecido como asterossismologia &#8211; uma maneira de identificar as estruturas internas das estrelas medindo as suas oscila\u00e7\u00f5es a partir de sismos estelares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os sismos geram ondas sonoras dentro das estrelas que as fazem vibrar,&#8221; explica o coautor Dennis Stello, professor associado do ASTRO-3D e da Universidade de Nova Gales do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As frequ\u00eancias produzidas dizem-nos coisas sobre as propriedades internas das estrelas, incluindo a sua idade. \u00c9 um pouco como identificar um violino Stradivarius ouvindo o som que produz.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta data\u00e7\u00e3o permite que os investigadores essencialmente olhem para tr\u00e1s no tempo e discernem o per\u00edodo na hist\u00f3ria do Universo em que a Via L\u00e1ctea se formou; uma pr\u00e1tica conhecida como arqueologia gal\u00e1ctica.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o que os cientistas realmente ou\u00e7am o som gerado pelos sismos estelares. Ao inv\u00e9s, procuram como o movimento interno \u00e9 refletido nas mudan\u00e7as de brilho.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As estrelas s\u00e3o apenas instrumentos esf\u00e9ricos cheios de g\u00e1s,&#8221; diz Sharma, &#8220;mas as suas vibra\u00e7\u00f5es s\u00e3o min\u00fasculas, por isso temos que observar com muito cuidado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As excelentes medi\u00e7\u00f5es de brilho feitas pelo Kepler foram ideais para isso. O telesc\u00f3pio era t\u00e3o sens\u00edvel que seria capaz de detetar o escurecimento do farol de um carro provocado pela passagem de uma pulga.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados transmitidos pelo telesc\u00f3pio durante os quatro anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento em 2009 apresentaram um problema para os astr\u00f3nomos. As informa\u00e7\u00f5es sugeriram que havia mais estrelas mais jovens no disco espesso do que os modelos previram.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta que os cientistas enfrentavam era clara: os modelos estavam errados ou os dados estavam incompletos?<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em 2013 o Kepler avariou e a NASA reprogramou-o para continuar a trabalhar numa capacidade reduzida &#8211; um per\u00edodo que ficou conhecido como miss\u00e3o K2. O projeto envolveu a observa\u00e7\u00e3o de muitas partes diferentes do c\u00e9u durante 80 dias de cada vez.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira parcela destes dados representou uma nova fonte rica para Sharma e colegas da Universidade Macquarie, da Universidade Nacional Australiana, da Universidade de Nova Gales do Sul e da Universidade da Austr\u00e1lia Ocidental. \u00c0 sua an\u00e1lise juntaram-se outras institui\u00e7\u00f5es dos EUA, Alemanha, \u00c1ustria, It\u00e1lia, Dinamarca, Eslov\u00e9nia e Su\u00e9cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise espectrosc\u00f3pica recente revelou que a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica incorporada nos modelos existentes para estrelas no disco espesso estava errada, o que afetou a previs\u00e3o das suas idades. Levando isto em conta, os investigadores descobriram que os dados asteross\u00edsmicos observados ca\u00edam agora em &#8220;excelente concord\u00e2ncia&#8221; com as previs\u00f5es dos modelos.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Stello diz que os resultados fornecem uma forte verifica\u00e7\u00e3o indireta do poder anal\u00edtico da asterossismologia para estimar idades.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele acrescentou que dados adicionais ainda a serem analisados da miss\u00e3o K2, combinados com novas informa\u00e7\u00f5es recolhidas pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, resultar\u00e3o em estimativas precisas para as idades de ainda mais estrelas no disco e que isto ajudar\u00e1 a desvendar a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.scienceinpublic.com.au\/media-releases\/star-quake-vibrations-lead-to-new-estimate-for-milky-way-age\" target=\"_blank\">\/\/ scienceinpublic (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/490\/4\/5335\/5586605?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1904.12444\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/eurekalert.org\/pub_releases\/2019-12\/acoe-svl120319.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/scitechdaily.com\/star-quakes-recorded-by-nasa-space-telescope-provide-solution-to-an-astronomical-mystery\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SciTechDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-12-star-quake-vibrations-milky-age.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asterossismologia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroseismology\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.asteroseismology.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">asteroseismology.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/kepler.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA (p\u00e1gina oficial)<\/a><br><a href=\"http:\/\/keplerscience.arc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2 (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/kepler\/\">Arquivo de dados do Kepler<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/k2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados da miss\u00e3o K2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kepler_space_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista da Via L\u00e1ctea, mostrando o disco espesso e o disco fino. 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