{"id":2616,"date":"2019-12-06T06:54:59","date_gmt":"2019-12-06T06:54:59","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2616"},"modified":"2019-12-06T06:55:12","modified_gmt":"2019-12-06T06:55:12","slug":"peso-pesado-no-coracao-da-galaxia-central-do-enxame-abell-85","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/12\/06\/peso-pesado-no-coracao-da-galaxia-central-do-enxame-abell-85\/","title":{"rendered":"Peso-pesado no cora\u00e7\u00e3o da gal\u00e1xia central do enxame Abell 85"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No espa\u00e7o, os buracos negros t\u00eam diferentes tamanhos e massas. O recorde \u00e9 agora detido por um tal objeto no enxame de gal\u00e1xias Abell 85, onde um buraco negro ultramassivo com 40 mil milh\u00f5es de vezes a massa do Sol fica no meio da gal\u00e1xia central Holm 15A. Os astr\u00f3nomos do grupo de investiga\u00e7\u00e3o de Ralf Bender, no Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre e no Observat\u00f3rio da Universidade Ludwig-Maximilians em Munique, descobriram-no analisando dados fotom\u00e9tricos e novas observa\u00e7\u00f5es espectrais com o VLT (Very Large Telescope).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a gal\u00e1xia central do enxame Abell 85 tenha uma enorme massa vis\u00edvel de aproximadamente 2 bili\u00f5es de massas solares em estrelas, o centro da gal\u00e1xia \u00e9 extremamente difuso e t\u00e9nue. \u00c9 por isso que um grupo de astr\u00f3nomos do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre e do Observat\u00f3rio da Universidade Ludwig-Maximilians em Munique se interessou pela gal\u00e1xia. Esta regi\u00e3o difusa central na gal\u00e1xia \u00e9 quase t\u00e3o grande quanto a Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, e esta era uma pista suspeita da presen\u00e7a de um buraco negro com uma massa muito alta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/original-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2617\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/original-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/original-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/original-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/original-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/original.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Imagem do enxame de gal\u00e1xias Abell 85 obtida no Observat\u00f3rio Wendelstein da Universidade Ludwig-Maximilians em Munique. A brilhante gal\u00e1xia central Holm 15A tem um n\u00facleo estendido. Uma equipa de astr\u00f3nomos do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre e do Observat\u00f3rio da Universidade de Munique foi capaz de usar novos dados para medir diretamente a massa do buraco negro central desta gal\u00e1xia: tem 40 mil milh\u00f5es de vezes a massa do nosso Sol.<br>Cr\u00e9dito: Matthias Kluge\/USM\/MPE<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O enxame de gal\u00e1xias Abell 85, que consiste em mais de 500 gal\u00e1xias individuais, est\u00e1 a uma dist\u00e2ncia de 700 milh\u00f5es de anos-luz da Terra, o dobro da dist\u00e2ncia para medi\u00e7\u00f5es diretas anteriores da massa de buracos negros. &#8220;Existem apenas algumas d\u00fazias de medi\u00e7\u00f5es diretas da massa de buracos negros supermassivos, e nunca antes foi tentada a uma dist\u00e2ncia t\u00e3o grande,&#8221; explica o cientista Jens Thomas, que liderou o estudo. &#8220;Mas n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos uma ideia do tamanho do buraco negro nesta gal\u00e1xia em particular, de modo que tent\u00e1mos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os novos dados obtidos no Observat\u00f3rio Wendelstein da Universidade Ludwig-Maximilians em Munique e com o instrumento MUSE no VLT permitiram \u00e0 equipa realizar uma estimativa da massa baseada diretamente nos movimentos estelares em redor do n\u00facleo da gal\u00e1xia. Com uma massa de 40 mil milh\u00f5es de massas solares, este \u00e9 o buraco negro mais massivo conhecido hoje no Universo local. &#8220;\u00c9 v\u00e1rias vezes maior do que o esperado a partir de medi\u00e7\u00f5es indiretas, como a massa estelar ou a dispers\u00e3o da velocidade das estrelas,&#8221; observa Roberto Saglia, cientista s\u00e9nior do Instituto Max Planck para F\u00edsica Extraterrestre e professor na Universidade Ludwig-Maximilians.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O perfil de luz da gal\u00e1xia mostra um centro com um brilho superficial extremamente baixo e muito difuso, muito mais t\u00e9nue do que outras gal\u00e1xias el\u00edpticas. &#8220;O perfil de luz no n\u00facleo interno \u00e9 tamb\u00e9m muito plano,&#8221; explica o estudante de doutoramento Kianusch Mehrgan, que realizou parte da an\u00e1lise dos dados. &#8220;Isto significa que a maioria das estrelas no centro deve ter sido expulsa devido a intera\u00e7\u00f5es durante fus\u00f5es anteriores.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.mpg.de\/14207767\/original-1575367404.png?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjoxNDIwNzc2N30=--8f68c5c96f5baaeebfdae23cf76471ca3eb1e294\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.mpg.de\/14207767\/original-1575367404.png?t=eyJ3aWR0aCI6MTIwMCwib2JqX2lkIjoxNDIwNzc2N30=--8f68c5c96f5baaeebfdae23cf76471ca3eb1e294\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Este diagrama mostra a distribui\u00e7\u00e3o do brilho superficial da gal\u00e1xia central do enxame Abell 85, Holm 15A. Em compara\u00e7\u00e3o com outras gal\u00e1xias, o n\u00facleo gal\u00e1ctico tem um brilho superficial muito baixo e tem um di\u00e2metro superior a mais ou menos 15.000 anos-luz.<br>Cr\u00e9dito: MPE <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na vis\u00e3o mais aceite, os n\u00facleos destas gal\u00e1xias el\u00edpticas t\u00e3o massivas formam-se por meio de uma fus\u00e3o entre duas gal\u00e1xias, onde as intera\u00e7\u00f5es gravitacionais da fus\u00e3o dos seus buracos negros supermassivos levam a &#8220;fisgas&#8221; gravitacionais que expelem estrelas em \u00f3rbitas predominantemente radiais do centro da gal\u00e1xia remanescente. Se n\u00e3o existir g\u00e1s no centro para formar novas estrelas &#8211; como nas gal\u00e1xias mais jovens &#8211; isto leva a um n\u00facleo esgotado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A mais recente gera\u00e7\u00e3o de simula\u00e7\u00f5es por computador de fus\u00f5es gal\u00e1cticas deu-nos previs\u00f5es que, de facto, correspondem bastante bem \u00e0s propriedades observadas,&#8221; afirma Jens Thomas, que tamb\u00e9m forneceu os modelos din\u00e2micos. &#8220;Estas simula\u00e7\u00f5es incluem intera\u00e7\u00f5es entre estrelas e um buraco negro bin\u00e1rio, mas o ingrediente crucial s\u00e3o duas gal\u00e1xias el\u00edpticas que j\u00e1 possuem n\u00facleos empobrecidos. Isto significa que a forma do perfil de luz e as trajet\u00f3rias das estrelas cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas valiosas sobre as circunst\u00e2ncias espec\u00edficas da forma\u00e7\u00e3o do n\u00facleo nesta gal\u00e1xia &#8211; bem como noutras gal\u00e1xias muito massivas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, mesmo com esta hist\u00f3ria invulgar de fus\u00e3o, os cientistas podem estabelecer uma nova e robusta rela\u00e7\u00e3o entre a massa do buraco negro e o brilho superficial da gal\u00e1xia: o buraco negro ganha massa a cada fus\u00e3o e o centro da gal\u00e1xia perde estrelas. Os astr\u00f3nomos podem usar esta rela\u00e7\u00e3o para estimar a massa de buracos negros em gal\u00e1xias mais distantes, onde medi\u00e7\u00f5es diretas dos movimentos estelares pr\u00f3ximos o suficiente do buraco negro n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpg.de\/14210061\/heavyweight-black-hole-abell-85\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1907.10608\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-12-astronomers-heaviest-black-hole-nearby.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.inverse.com\/article\/61417-most-massive-black-hole-discovered\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Inverse<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/most-massive-black-hole-local-universe-40-billion-solar-masses-1475324\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/12\/03\/world\/heaviest-black-hole-scn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><br><a href=\"https:\/\/expresso.pt\/sociedade\/2019-12-03-Astronomos-detetam-o-maior-buraco-negro-que-esta-mais-proximo-da-Terra\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Expresso<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Abell 85:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=Abell+85\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simbad<\/a><br><a href=\"https:\/\/in-the-sky.org\/data\/object.php?id=Abell_85\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">In-The-Sky.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Holm 15A:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Holmberg_15A\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames de gal\u00e1xias:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy_groups_and_clusters\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio da Universidade Ludwig-Maximilians em Munique:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.usm.uni-muenchen.de\/index_en.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No espa\u00e7o, os buracos negros t\u00eam diferentes tamanhos e massas. 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