{"id":2610,"date":"2019-12-03T07:12:26","date_gmt":"2019-12-03T07:12:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2610"},"modified":"2019-12-03T07:12:28","modified_gmt":"2019-12-03T07:12:28","slug":"buraco-negro-alimenta-bebes-estelares-a-um-milhao-de-anos-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/12\/03\/buraco-negro-alimenta-bebes-estelares-a-um-milhao-de-anos-luz\/","title":{"rendered":"Buraco negro &#8220;alimenta&#8221; beb\u00e9s estelares a um milh\u00e3o de anos-luz"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/photo\/2019\/bhfeedback\/bhfeedback_labeled.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"864\" height=\"461\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/bhfeedback_labeled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2611\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/bhfeedback_labeled.jpg 864w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/bhfeedback_labeled-300x160.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/bhfeedback_labeled-768x410.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/bhfeedback_labeled-310x165.jpg 310w\" sizes=\"auto, (max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><\/a><figcaption>Esta imagem cont\u00e9m um buraco negro que est\u00e1 a despoletar forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e0 maior dist\u00e2ncia alguma vez vista. \u00c0 medida que o g\u00e1s gira em torno do buraco negro, emite grandes quantidades de raios-X que o Chandra deteta. O buraco negro \u00e9 tamb\u00e9m a fonte de emiss\u00e3o de ondas de r\u00e1dio de um jato de part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas &#8211; anteriormente detetadas pelos cientistas com o VLA &#8211; que alcan\u00e7a um milh\u00e3o de anos-luz. Os astr\u00f3nomos descobriram que este buraco negro e o jato s\u00e3o respons\u00e1veis por aumentar o ritmo de forma\u00e7\u00e3o estelar em gal\u00e1xias rec\u00e9m-descobertas.<br>Cr\u00e9dito: raios-X &#8211; NASA\/CXC\/INAF\/R. Gilli et al.; r\u00e1dio &#8211; NRAO\/VLA; \u00f3tico &#8211; NASA\/STScI<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os buracos negros s\u00e3o famosos por rasgar objetos astron\u00f3micos, incluindo estrelas. Mas agora, os astr\u00f3nomos descobriram um buraco negro que pode ter provocado os nascimentos de estrelas a uma dist\u00e2ncia incompreens\u00edvel e atrav\u00e9s de v\u00e1rias gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p>Se confirmada, esta descoberta, feita com o Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA e outros telesc\u00f3pios, representaria o maior alcance j\u00e1 visto para um buraco negro que age como &#8220;gatilho&#8221; estelar. O buraco negro parece ter melhorado a forma\u00e7\u00e3o estelar a mais de um milh\u00e3o de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que vimos um \u00fanico buraco negro aumentar o nascimento estelar em mais de uma gal\u00e1xia,&#8221; disse Roberto Gilli do INAF (Instituto Nacional de Astrof\u00edsica) em Bolonha, It\u00e1lia, autor principal do estudo que descreve a descoberta. &#8220;\u00c9 incr\u00edvel pensar que o buraco negro de uma gal\u00e1xia pode ter alguma influ\u00eancia no que acontece noutras gal\u00e1xias a trili\u00f5es de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Um buraco negro \u00e9 um objeto extremamente denso do qual nenhuma luz pode escapar. A imensa gravidade do buraco negro atrai g\u00e1s e poeira, mas part\u00edculas de uma pequena quantidade desse material tamb\u00e9m podem ser catapultadas para longe quase \u00e0 velocidade da luz. Essas part\u00edculas em movimento r\u00e1pido formam dois feixes estreitos ou &#8220;jatos&#8221; perto dos polos do buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p>O buraco negro supermassivo que os cientistas observaram no novo estudo est\u00e1 localizado no centro de uma gal\u00e1xia a cerca de 9,9 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra. Esta gal\u00e1xia possui pelo menos sete gal\u00e1xias vizinhas, de acordo com observa\u00e7\u00f5es do VLT (Very Large Telescope) do ESO e do LBT (Large Binocular Telescope).<\/p>\n\n\n\n<p>Usando o VLA (Karl Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation), os cientistas j\u00e1 haviam detetado emiss\u00f5es de ondas de r\u00e1dio de um jato de part\u00edculas altamente energ\u00e9ticas com cerca de um milh\u00e3o de anos-luz. O jato pode ser rastreado at\u00e9 ao buraco negro supermassivo, que o Chandra detetou como uma poderosa fonte de raios-X produzidos pelo g\u00e1s quente que gira em torno do buraco negro. Gilli e colegas tamb\u00e9m detetaram uma nuvem difusa de emiss\u00e3o de raios-X em torno de uma extremidade do jato de r\u00e1dio. Esta emiss\u00e3o de raios-X \u00e9 provavelmente de uma gigantesca bolha de g\u00e1s quente aquecida pela intera\u00e7\u00e3o das part\u00edculas energ\u00e9ticas no jato de r\u00e1dio com a mat\u00e9ria circundante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que a bolha quente se expandia e varria as quatro gal\u00e1xias vizinhas, pode ter criado uma onda de choque que comprimiu o g\u00e1s frio nas gal\u00e1xias, provocando forma\u00e7\u00e3o estelar. Todas as quatro gal\u00e1xias est\u00e3o aproximadamente \u00e0 mesma dist\u00e2ncia, cerca de 400.000 anos-luz, do centro da bolha. Os autores estimam que o ritmo de forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e9 cerca de duas a cinco vezes mais elevado que nas gal\u00e1xias t\u00edpicas com massas semelhantes e a dist\u00e2ncias semelhantes da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A hist\u00f3ria do rei Midas fala do seu toque m\u00e1gico que pode transformar metal em ouro,&#8221; disse o coautor Marco Mignoli, tamb\u00e9m do INAF em Bolonha, It\u00e1lia. &#8220;Aqui temos um caso de um buraco negro que ajudou a transformar g\u00e1s em estrelas e o seu alcance \u00e9 intergal\u00e1ctico.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos j\u00e1 viram muitos casos onde um buraco negro afeta os seus arredores atrav\u00e9s de &#8220;feedback negativo&#8221; &#8211; por outras palavras, restringindo a forma\u00e7\u00e3o de novas estrelas. Isto pode ocorrer quando os jatos do buraco negro injetam tanta energia no g\u00e1s quente de uma gal\u00e1xia, ou enxame de gal\u00e1xias, que o g\u00e1s n\u00e3o consegue arrefecer o suficiente para formar um grande n\u00famero de estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta rec\u00e9m-descoberta cole\u00e7\u00e3o de estrelas, os astr\u00f3nomos encontraram um exemplo menos comum de &#8220;feedback positivo&#8221;, em que os efeitos do buraco negro refor\u00e7am a forma\u00e7\u00e3o estelar. Al\u00e9m disso, quando os astr\u00f3nomos encontraram feedback positivo anteriormente, este ou envolveu aumentos de 30% ou menos no que toca \u00e0 forma\u00e7\u00e3o estelar, ou ocorreu a escalas de apenas aproximadamente 20.000 a 50.000 anos-luz numa gal\u00e1xia companheira pr\u00f3xima. Se o feedback \u00e9 positivo ou negativo, depende de um delicado equil\u00edbrio entre o ritmo de aquecimento e de arrefecimento de uma nuvem. Isto porque as nuvens que s\u00e3o inicialmente mais frias, quando atingidas por uma onda de choque, s\u00e3o mais propensas a receber feedback positivo, formando assim mais estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os buracos negros t\u00eam a reputa\u00e7\u00e3o bem merecida de serem poderosos e mort\u00edferos, mas nem sempre,&#8221; disse o coautor Alessandro Peca, ex-INAF em Bolonha e agora estudante de doutoramento da Universidade de Miami. &#8220;Este \u00e9 um excelente exemplo de que \u00e0s vezes desafiam esse estere\u00f3tipo e podem ao inv\u00e9s estimular a forma\u00e7\u00e3o estelar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores usaram um total de seis dias de tempo de observa\u00e7\u00e3o do Chandra, distribu\u00eddo ao longo de cinco meses.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 apenas por causa desta observa\u00e7\u00e3o muito profunda que vimos a bolha de g\u00e1s quente produzida pelo buraco negro,&#8221; disse o coautor Colin Norman da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. &#8220;Ao observar objetos parecidos com este, podemos vir a descobrir que o feedback positivo \u00e9 muito comum na forma\u00e7\u00e3o de grupos ou enxames de gal\u00e1xias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edi\u00e7\u00e3o mais recente da revista Astronomy and Astrophysics e est\u00e1 dispon\u00edvel online.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/chandra.harvard.edu\/press\/19_releases\/press_112619.html\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/chandra\/images\/black-hole-nurtures-baby-stars-a-million-light-years-away.html\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/abs\/2019\/12\/aa36121-19\/aa36121-19.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1909.00814\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal (Harvard)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LBT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lbto.org\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LBTO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Binocular_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem cont\u00e9m um buraco negro que est\u00e1 a despoletar forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e0 maior dist\u00e2ncia alguma vez vista. \u00c0 medida que o g\u00e1s gira em torno do buraco negro, emite grandes quantidades de raios-X que o Chandra deteta. 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