{"id":2604,"date":"2019-11-29T06:36:37","date_gmt":"2019-11-29T06:36:37","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2604"},"modified":"2020-01-17T07:20:11","modified_gmt":"2020-01-17T07:20:11","slug":"descoberto-um-buraco-negro-estelar-imprevisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/11\/29\/descoberto-um-buraco-negro-estelar-imprevisivel\/","title":{"rendered":"Descoberto um buraco negro estelar imprevis\u00edvel"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/hUEtB6b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/LB1A-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2605\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/LB1A-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/LB1A-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/LB1A-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/LB1A.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do buraco negro estelar LB-1 com uma estrela em \u00f3rbita.<br>Cr\u00e9dito: Jingchuan Yu<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Estima-se que a nossa Via L\u00e1ctea contenha 100 milh\u00f5es de buracos negros estelares &#8211; corpos c\u00f3smicos formados pelo colapso de estrelas massivas e t\u00e3o densos que nem a luz consegue escapar. At\u00e9 agora, os cientistas haviam estimado a massa dos buracos negros estelares individuais na nossa Gal\u00e1xia em n\u00e3o mais do que 20 vezes a massa do Sol. Mas a descoberta de um enorme buraco negro por uma equipa de cientistas internacionais liderada pela China derrubou essa suposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa, liderada pelo professor Liu Jifeng do Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico Nacional da China da Academia Chinesa de Ci\u00eancias, localizou um buraco negro estelar com 70 vezes a massa do Sol. O buraco negro monstruoso est\u00e1 localizado a 15 mil anos-luz da Terra e recebeu o nome LB-1 pelos investigadores. A descoberta foi relatada na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta descoberta foi uma grande surpresa. &#8220;Os buracos negros com esta massa nem deveriam existir na nossa Gal\u00e1xia, de acordo com a maioria dos modelos atuais da evolu\u00e7\u00e3o estelar,&#8221; disse o professor Liu. &#8220;Ach\u00e1vamos que as estrelas muito massivas com a composi\u00e7\u00e3o t\u00edpica da nossa Gal\u00e1xia deviam expelir a maior parte do seu g\u00e1s em fortes ventos estelares \u00e0 medida que se aproximavam do fim da sua vida. Portanto, n\u00e3o deviam deixar para tr\u00e1s um remanescente t\u00e3o massivo. LB-1 \u00e9 duas vezes mais massivo do que pens\u00e1vamos ser poss\u00edvel. Agora os te\u00f3ricos ter\u00e3o que aceitar o desafio de explicar a sua forma\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 h\u00e1 poucos anos, os buracos negros estelares s\u00f3 podiam ser descobertos quando devoravam g\u00e1s de uma estrela companheira. Este processo cria poderosas emiss\u00f5es de raios-X, detet\u00e1veis da Terra, que revelam a presen\u00e7a do objeto colapsado.<\/p>\n\n\n\n<p>A vasta maioria dos buracos negros estelares na nossa Gal\u00e1xia n\u00e3o est\u00e1 envolvida num banquete c\u00f3smico e, portanto, n\u00e3o emite raios-X reveladores. Como resultado, apenas foram identificados e medidos cerca de duas d\u00fazias de buracos negros estelares na Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p>Para combater esta limita\u00e7\u00e3o, o professor Liu e colaboradores analisaram o c\u00e9u com o LAMOST (Large Sky Area Multi-Object Fiber Spectroscopic Telescope) da China, procurando estrelas que orbitam um objeto invis\u00edvel, puxadas pela sua gravidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/sites\/default\/files\/images\/inline-images\/LB1B_2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.iac.es\/sites\/default\/files\/images\/inline-images\/LB1B_2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> O buraco negro estelar LB-1 perto da sua companheira estelar.<br>Cr\u00e9dito: Jingchuan Yu <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta t\u00e9cnica de observa\u00e7\u00e3o foi proposta pela primeira vez pelo vision\u00e1rio cientista ingl\u00eas John Mitchell em 1783, mas s\u00f3 se tornou vi\u00e1vel com as recentes melhorias tecnol\u00f3gicas nos telesc\u00f3pios e detetores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, tal pesquisa \u00e9 como procurar a proverbial agulha no palheiro: apenas uma estrela em mil pode estar a orbitar um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a descoberta inicial, os maiores telesc\u00f3pios \u00f3ticos do mundo &#8211; o GTC (Gran Telescopio Canarias) com 10,4 m na Espanha e o telesc\u00f3pio Keck I de 10 m nos EUA &#8211; foram usados para determinar os par\u00e2metros f\u00edsicos do sistema. Os resultados foram fant\u00e1sticos: uma estrela com oito massas solares orbitava um buraco negro com 70 vezes a massa do Sol a cada 79 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta de LB-1 encaixa muito bem com outra inova\u00e7\u00e3o na astrof\u00edsica. Recentemente, os detetores de ondas gravitacionais LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) e Virgo come\u00e7aram a captar ondula\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o-tempo provocadas por colis\u00f5es de buracos negros em gal\u00e1xias distantes. Curiosamente, os buracos negros envolvidos em tais colis\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o muito maiores do que o que anteriormente era considerado t\u00edpico.<\/p>\n\n\n\n<p>A observa\u00e7\u00e3o direta de LB-1 prova que esta popula\u00e7\u00e3o de buracos negros estelares excessivamente grandes existe at\u00e9 no nosso pr\u00f3prio quintal c\u00f3smico. &#8220;Esta descoberta obriga-nos a reexaminar os nossos modelos de como os buracos negros de massa estelar se formam,&#8221; disse o professor David Reitze, diretor do LIGO e da Universidade da Fl\u00f3rida, EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este resultado not\u00e1vel, juntamente com as dete\u00e7\u00f5es LIGO-Virgo de colis\u00f5es de buracos negros bin\u00e1rios durante os \u00faltimos quatro anos, realmente apontam para um renascimento na nossa compreens\u00e3o da astrof\u00edsica dos buracos negros,&#8221; disse Reitze.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/english.cas.cn\/head\/201911\/t20191122_224431.shtml\" target=\"_blank\">\/\/ Academia Chinesa de Ci\u00eancias (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.lamost.org\/public\/node\/356?locale=en\" target=\"_blank\">\/\/ LAMOST (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/astronomers-discover-giant-black-hole-challenges-current-models-stellar-evolution\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto de Astrof\u00edsica das Can\u00e1rias (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/lb-1\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-019-1766-2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2019-11\/caos-cao112519.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.skyandtelescope.com\/astronomy-news\/heavyweight-black-hole-find-mystifies-astronomers\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sky &amp; Telescope<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/can-black-holes-get-any-bigger-seems-that-s-a-yes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.discovermagazine.com\/the-sciences\/a-new-method-of-hunting-nearby-black-holes-turns-up-a-monster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Discover<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/an-impossible-black-hole-has-been-found-in-the-milky-way-galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-11-scientists-unpredicted-stellar-black-hole.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencenews.org\/article\/newfound-black-hole-milky-way-is-weirdly-heavy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceNews<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/black-hole-shouldnt-exist-milky-way-1474428\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro de massa estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LAMOST:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lamost.org\/public\/?locale=en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LAMOST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GTC (Gran Telescopio Canarias):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gtc.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gran_Telescopio_Canarias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LIGO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ligo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.advancedligo.mit.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Advanced LIGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LIGO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Virgo:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.ego-gw.it\/virgodescription\/indice.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Virgo_interferometer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista do buraco negro estelar LB-1 com uma estrela em \u00f3rbita.Cr\u00e9dito: Jingchuan Yu Estima-se que a nossa Via L\u00e1ctea contenha 100 milh\u00f5es de buracos negros estelares &#8211; corpos c\u00f3smicos formados pelo colapso de estrelas massivas e t\u00e3o densos que nem a luz consegue escapar. 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