{"id":2601,"date":"2019-11-29T06:32:56","date_gmt":"2019-11-29T06:32:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2601"},"modified":"2019-11-29T06:32:57","modified_gmt":"2019-11-29T06:32:57","slug":"cientistas-mais-perto-do-que-nunca-de-sinal-da-alvorada-cosmica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/11\/29\/cientistas-mais-perto-do-que-nunca-de-sinal-da-alvorada-cosmica\/","title":{"rendered":"Cientistas mais perto do que nunca de sinal da alvorada c\u00f3smica"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"739\" height=\"416\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-IMG_0986b-COPYRIGHT-GOLDSMITH_wm.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2602\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-IMG_0986b-COPYRIGHT-GOLDSMITH_wm.jpg 739w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/003-IMG_0986b-COPYRIGHT-GOLDSMITH_wm-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 739px) 100vw, 739px\" \/><figcaption>O radiotelesc\u00f3pio MWA (Murchison Widefield Array), uma por\u00e7\u00e3o do qual est\u00e1 na imagem, est\u00e1 a procurar um sinal emitido durante a forma\u00e7\u00e3o das primeiras estrelas do Universo.\nCr\u00e9dito: Goldsmith\/Colabora\u00e7\u00e3o MWA\/Universidade Curtin<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Utilizando o radiotelesc\u00f3pio MWA (Murchison Widefield Array), investigadores deram um novo e significativo passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 dete\u00e7\u00e3o de um sinal do per\u00edodo da hist\u00f3ria c\u00f3smica em que as primeiras estrelas iluminaram o Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de 12 mil milh\u00f5es de anos, o Universo emergiu de uma grande idade das trevas c\u00f3smica quando as primeiras estrelas e gal\u00e1xias se iluminaram. Com uma nova an\u00e1lise de dados recolhidos pelo radiotelesc\u00f3pio MWA, os cientistas est\u00e3o agora mais perto do que nunca de detetar a assinatura ultrafraca desse momento decisivo na hist\u00f3ria c\u00f3smica.<\/p>\n\n\n\n<p>Num artigo disponibilizado no site de pr\u00e9-impress\u00e3o ArXiv e a ser publicado brevemente na revista The Astrophysical Journal, os cientistas apresentam a primeira an\u00e1lise de dados de uma nova configura\u00e7\u00e3o do MWA desenhada especificamente para procurar o sinal do hidrog\u00e9nio neutro, o g\u00e1s que dominou o Universo durante a idade das trevas c\u00f3smica. A an\u00e1lise estabelece um novo limite &#8211; o limite mais baixo at\u00e9 agora &#8211; para a for\u00e7a do sinal do hidrog\u00e9nio neutro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Podemos dizer com confian\u00e7a que se o sinal do hidrog\u00e9nio neutro fosse mais forte do que o limite que estabelecemos no artigo, ent\u00e3o o telesc\u00f3pio o teria detetado,&#8221; disse Jonathan Pober, professor assistente de f\u00edsica da Universidade Brown e autor correspondente do novo artigo cient\u00edfico. &#8220;Estas descobertas podem ajudar-nos a restringir ainda mais o momento em que a idade das trevas c\u00f3smica terminou e as primeiras estrelas surgiram.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi liderada por Wenyang Li, que realizou o trabalho como aluno de doutoramento na Universidade Brown. Li e Pober colaboraram com um grupo internacional de investigadores que trabalhavam com o MWA.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da sua import\u00e2ncia na hist\u00f3ria c\u00f3smica, pouco se sabe sobre o per\u00edodo em que as primeiras estrelas se formaram, conhecido como \u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o. Os primeiros \u00e1tomos que se formaram ap\u00f3s o Big Bang foram i\u00f5es de hidrog\u00e9nio com carga positiva &#8211; \u00e1tomos cujos eletr\u00f5es foram arrancados pela energia do Universo jovem. \u00c0 medida que o Universo arrefecia e se expandia, os \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio reuniram-se com os seus eletr\u00f5es para formar hidrog\u00e9nio neutro. E isso era tudo o que havia no Universo at\u00e9 h\u00e1 cerca de 12 mil milh\u00f5es de anos, quando os \u00e1tomos come\u00e7aram a agrupar-se para formar estrelas e gal\u00e1xias. A luz desses objetos reionizou o hidrog\u00e9nio neutro, fazendo com que desaparecesse amplamente do espa\u00e7o interestelar.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo de projetos como o que est\u00e1 a decorrer no MWA \u00e9 localizar o sinal do hidrog\u00e9nio neutro da idade das trevas e medir como mudou \u00e0 medida que a \u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o se desenrolava. Isto poder\u00e1 revelar informa\u00e7\u00f5es novas e cr\u00edticas sobre as primeiras estrelas &#8211; os blocos de constru\u00e7\u00e3o do Universo que vemos hoje. Mas observar qualquer vislumbre deste sinal com 12 mil milh\u00f5es de anos \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil que requer instrumentos com sensibilidade requintada.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7ou a operar em 2013, o MWA totalizava 2048 antenas de r\u00e1dio dispostas no interior remoto da Austr\u00e1lia Ocidental. As antenas s\u00e3o agrupadas em 128 &#8220;blocos&#8221;, cujos sinais s\u00e3o combinados por um supercomputador chamado &#8220;Correlator&#8221;. Em 2016, o n\u00famero de blocos duplicou para 256 e a sua configura\u00e7\u00e3o na paisagem foi alterada para melhorar a sua sensibilidade ao sinal do hidrog\u00e9nio neutro. Este novo artigo \u00e9 a primeira an\u00e1lise de dados da matriz expandida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.brown.edu\/sites\/g\/files\/dprerj316\/files\/2019-11\/MWATextImage.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.brown.edu\/sites\/g\/files\/dprerj316\/files\/2019-11\/MWATextImage.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Alguns &#8220;blocos&#8221; do MWA.<br>Cr\u00e9dito: Colabora\u00e7\u00e3o MWA &amp; Universidade Curtin <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O hidrog\u00e9nio neutro emite radia\u00e7\u00e3o no comprimento de onda dos 21 cent\u00edmetros. \u00c0 medida que o Universo se expandia nos \u00faltimos 12 mil milh\u00f5es de anos, o sinal da \u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o foi esticado at\u00e9 cerca de 2 metros e \u00e9 isso que os astr\u00f3nomos do MWA est\u00e3o \u00e0 procura. O problema \u00e9 que existem in\u00fameras outras fontes que emitem no mesmo comprimento de onda &#8211; fontes criadas pelo Homem, como televis\u00e3o digital, bem como fontes naturais da Via L\u00e1ctea e de milh\u00f5es de outras gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todas estas outras fontes s\u00e3o muitas ordens de magnitude mais fortes do que o sinal que estamos a tentar detetar,&#8221; disse Pober. &#8220;Mesmo um sinal de r\u00e1dio FM refletido por um avi\u00e3o que coincidentemente passa por cima do telesc\u00f3pio \u00e9 suficiente para contaminar os dados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para detetar o sinal, os investigadores usam uma infinidade de t\u00e9cnicas de processamento para eliminar estes contaminantes. Ao mesmo tempo, t\u00eam que ter em conta as respostas de frequ\u00eancia \u00fanicas do pr\u00f3prio telesc\u00f3pio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se observarmos diferentes frequ\u00eancias de r\u00e1dio ou comprimentos de onda, o telesc\u00f3pio comportar-se-\u00e1 de maneira um pouco diferente,&#8221; disse Pober. &#8220;A corre\u00e7\u00e3o da resposta do telesc\u00f3pio \u00e9 absolutamente cr\u00edtica para a separa\u00e7\u00e3o dos contaminantes astrof\u00edsicos e do sinal de interesse.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Estas t\u00e9cnicas de an\u00e1lise combinadas com a capacidade expandida do pr\u00f3prio telesc\u00f3pio resultaram num novo limite superior da for\u00e7a do sinal da \u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 a segunda an\u00e1lise consecutiva do melhor limite at\u00e9 ao momento a ser divulgada pelo MWA e aumenta a esperan\u00e7a de que a experi\u00eancia um dia detete o sinal elusivo da \u00c9poca da Reioniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esta an\u00e1lise demonstra que a atualiza\u00e7\u00e3o da fase dois teve muitos dos efeitos desejados e que as novas t\u00e9cnicas de an\u00e1lise melhorar\u00e3o as an\u00e1lises futuras,&#8221; disse Pober. &#8220;O facto do MWA ter publicado os dois melhores limites consecutivos do sinal d\u00e1 for\u00e7a \u00e0 ideia de que esta experi\u00eancia e a sua abordagem prometem muito.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.brown.edu\/news\/2019-11-26\/reionization\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Brown (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1911.10216\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MWA (Murchison Widefield Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.mwatelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Murchison_Widefield_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O radiotelesc\u00f3pio MWA (Murchison Widefield Array), uma por\u00e7\u00e3o do qual est\u00e1 na imagem, est\u00e1 a procurar um sinal emitido durante a forma\u00e7\u00e3o das primeiras estrelas do Universo. 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