{"id":2598,"date":"2019-11-29T06:30:24","date_gmt":"2019-11-29T06:30:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2598"},"modified":"2019-11-29T06:30:25","modified_gmt":"2019-11-29T06:30:25","slug":"analise-das-crateras-de-impacto-de-ryugu-iluminam-complexa-historia-geologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/11\/29\/analise-das-crateras-de-impacto-de-ryugu-iluminam-complexa-historia-geologica\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise das crateras de impacto de Ryugu iluminam complexa hist\u00f3ria geol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"\n<p>A an\u00e1lise das crateras de impacto do asteroide Ryugu, usando dados de imagem da sonda Hayabusa 2, iluminou a hist\u00f3ria geol\u00f3gica do asteroide pr\u00f3ximo da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grupo de investiga\u00e7\u00e3o liderado pelo professor assistente Naoyuki Hirata do Departamento de Planetologia da Escola de Ci\u00eancias da Universidade de Kobe, Jap\u00e3o, revelou 77 crateras em Ryugu. Ao analisar os padr\u00f5es de localiza\u00e7\u00e3o e as caracter\u00edsticas das crateras, determinaram que os hemisf\u00e9rios este e oeste do asteroide foram formados em diferentes per\u00edodos de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Espera-se que os dados recolhidos possam ser usados como base para futuras investiga\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises de asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes resultados foram publicados dia 5 de novembro na revista Icarus.<\/p>\n\n\n\n<p>A sonda Hayabusa 2 da JAXA (Ag\u00eancia Espacial Japonesa) realizou v\u00e1rias miss\u00f5es para melhorar a nossa compreens\u00e3o do asteroide pr\u00f3ximo da Terra, Ryugu, com a forma de um pi\u00e3o. Desde que a\u00ed chegou em junho de 2018, a sonda n\u00e3o tripulada recolheu amostras e um grande n\u00famero de imagens. Espera-se que possam revelar mais sobre a forma\u00e7\u00e3o e sobre a hist\u00f3ria de Ryugu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.kobe-u.ac.jp\/images\/research_at_kobe\/news2\/2019_11_13_01-1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"308\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/2019_11_13_01-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2599\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/2019_11_13_01-1.jpg 750w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/2019_11_13_01-1-300x123.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><figcaption>Tamanho e posi\u00e7\u00e3o das crateras do asteroide Ryugu. As crateras s\u00e3o numeradas em ordem de tamanho.<br>Cr\u00e9dito: Hirata et al.; Universidade de Kobe; JAXA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Este grupo de investiga\u00e7\u00e3o concentrou-se na utiliza\u00e7\u00e3o dos dados de imagem para determinar o n\u00famero e a localiza\u00e7\u00e3o das crateras de impacto no asteroide. As crateras de impacto s\u00e3o formadas quando um asteroide mais pequeno ou cometa atinge a superf\u00edcie do asteroide. A an\u00e1lise da distribui\u00e7\u00e3o espacial e do n\u00famero de crateras pode revelar a frequ\u00eancia das colis\u00f5es e ajudar os cientistas a determinar a idade de diferentes \u00e1reas da superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>A Hayabusa2 possui muitos tipos diferentes de c\u00e2maras, incluindo c\u00e2maras de navega\u00e7\u00e3o \u00f3ticas (ONC, &#8220;Optical Navigation Cameras&#8221;). A equipa das c\u00e2maras de navega\u00e7\u00e3o foi capaz de capturar cerca de 5000 imagens de Ryugu, que revelaram muitas caracter\u00edsticas superficiais &#8211; incluindo crateras de impacto. Para este estudo, foram utilizados dados de imagem recolhidos pela c\u00e2mara ONC-T entre julho de 2018 e fevereiro de 2019. O grupo de investiga\u00e7\u00e3o teve que determinar quais das imagens mostravam crateras. Foram usadas 340 imagens para a contagem de crateras, com imagens est\u00e9reo facilitando a sua identifica\u00e7\u00e3o. Um mapa mosaico global foi constru\u00eddo a partir das imagens ONC e renderizado num modelo de computador com a forma de Ryugu. Um software foi ent\u00e3o usado para medir o tamanho, latitude e longitude das crateras. Tamb\u00e9m utilizaram LiDAR (Light Detection and Ranging pulsed laser) para determinar o tamanho total de Ryugu.<\/p>\n\n\n\n<p>As depress\u00f5es identificadas em Ryugu foram divididas em quatro categorias, dependendo de qu\u00e3o evidente era a sua apar\u00eancia circular. As depress\u00f5es de Categoria I a III foram classificadas como crateras distintas. As depress\u00f5es de Categoria IV tinham apenas caracter\u00edsticas quase circulares, portanto era dif\u00edcil determinar se eram crateras ou n\u00e3o. Muitas crateras tinham pedregulhos ou n\u00e3o tinham uma forma distinta. As depress\u00f5es demasiado vagas para determinar foram deixadas de fora dos resultados.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.kobe-u.ac.jp\/images\/research_at_kobe\/news2\/2019_11_13_01-2.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption> Imagens individuais de cada cratera identificada no asteroide Ryugu.<br>Cr\u00e9dito: Hirata et al.; Universidade de Kobe; JAXA <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A equipa de investiga\u00e7\u00e3o foi capaz de identificar todas as crateras de impacto com mais de 10 a 20 m de di\u00e2metro em toda a superf\u00edcie de Ryugu &#8211; um total de 77 crateras. Al\u00e9m disso, foi descoberto um padr\u00e3o na sua distribui\u00e7\u00e3o. A sec\u00e7\u00e3o do hemisf\u00e9rio leste, perto do meridiano, tinha mais crateras. Esta \u00e9 a \u00e1rea perto da grande cratera chamada Cendrillon &#8211; uma das maiores de Ryugu. Em contraste, quase n\u00e3o existem crateras no hemisf\u00e9rio ocidental &#8211; sugerindo que esta parte do asteroide foi formada mais tarde. A an\u00e1lise tamb\u00e9m revelou que existem mais crateras a latitudes mais baixas do que em altas em Ryugu. Por outras palavras, existem muito poucas crateras nas regi\u00f5es polares de Ryugu.<\/p>\n\n\n\n<p>Determinou-se que a cordilheira equatorial no hemisf\u00e9rio este \u00e9 uma estrutura f\u00f3ssil. Quando asteroides como Ryugu giram a alta velocidade, isto pode fazer com que alterem a sua forma. Pensa-se que esta cordilheira se tenha formado no passado distante durante um per\u00edodo em que Ryugu tinha um per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o de apenas 3 horas. Dado que o hemisf\u00e9rio este e oeste se formaram em diferentes per\u00edodos da hist\u00f3ria do asteroide, isto sugere que houve pelo menos dois casos em que a velocidade de rota\u00e7\u00e3o de Ryugu aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados deste estudo foram compilados num cat\u00e1logo global de crateras de impacto. Espera-se que esta base de dados possa ser usada como suporte para investiga\u00e7\u00f5es futuras e que a compara\u00e7\u00e3o destes resultados com os de um asteroide semelhante leve a um maior entendimento sobre estes objetos astron\u00f3micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hayabusa2 est\u00e1 programada para lan\u00e7ar a c\u00e1psula que cont\u00e9m amostras da superf\u00edcie de Ryugu na atmosfera da Terra no final de 2020. A an\u00e1lise destas amostras dever\u00e1 fornecer mais informa\u00e7\u00f5es sobre o asteroide e sobre a sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.kobe-u.ac.jp\/research_at_kobe_en\/NEWS\/news\/2019_11_27_01.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Kobe (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0019103519303641\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Icarus)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Asteroide Ryugu:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/sbdb.cgi?sstr=162173#content\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/162173_Ryugu\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hayabusa2:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.hayabusa2.jaxa.jp\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JAXA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hayabusa2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A an\u00e1lise das crateras de impacto do asteroide Ryugu, usando dados de imagem da sonda Hayabusa 2, iluminou a hist\u00f3ria geol\u00f3gica do asteroide pr\u00f3ximo da Terra. 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