{"id":2576,"date":"2019-11-19T06:47:55","date_gmt":"2019-11-19T06:47:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2576"},"modified":"2019-11-19T06:48:05","modified_gmt":"2019-11-19T06:48:05","slug":"mundos-distantes-sob-muitos-sois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/11\/19\/mundos-distantes-sob-muitos-sois\/","title":{"rendered":"Mundos distantes sob muitos s\u00f3is"},"content":{"rendered":"\n<p>Ser\u00e1 que a Terra \u00e9 o \u00fanico planeta habit\u00e1vel do Universo ou existem mais mundos por a\u00ed capazes de suportar vida? E, se houverem, como ser\u00e3o? Numa tentativa de responder a estas perguntas fundamentais, os cientistas est\u00e3o a procurar exoplanetas: mundos distantes que orbitam outras estrelas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ao momento, conhecemos mais de 4000 exoplanetas, a maioria dos quais orbitam estrelas individuais como o nosso Sol. O Dr. Markus Mugrauer da Universidade Friedrich Schiller em Jena, Alemanha, descobriu e caracterizou muitos novos sistemas estelares m\u00faltiplos que cont\u00eam exoplanetas. As descobertas confirmam suposi\u00e7\u00f5es de que a exist\u00eancia de v\u00e1rias estrelas influencia o processo pelo qual os planetas se formam e desenvolvem. O estudo por Mugrauer, do Instituto Astrof\u00edsico e do Observat\u00f3rio da Universidade de Jena, foi agora publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/5ncya7X.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/5ncya7X-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2577\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/5ncya7X-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/5ncya7X-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/5ncya7X-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/5ncya7X-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/5ncya7X.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Estas imagens mostram algumas das estrelas que albergam exoplanetas com estrelas companheiras (b, c) encontradas durante o projeto. As imagens s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es RGB obtidas com o PanSTARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System). A imagem do meio mostra um sistema triplo hier\u00e1rquico.<br>Cr\u00e9dito: Mugrauer, PanSTARRS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio espacial fornece dados precisos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os sistemas estelares m\u00faltiplos s\u00e3o muito comuns na nossa Via L\u00e1ctea,&#8221; explica Mugrauer. &#8220;Se tais sistemas incluem planetas, s\u00e3o de particular interesse para a astrof\u00edsica, porque os sistemas planet\u00e1rios podem diferir do nosso Sistema Solar de maneiras fundamentais.&#8221; Para descobrir mais sobre estas diferen\u00e7as, Mugrauer investigou mais de 1300 estrelas que hospedam exoplanetas em \u00f3rbita para ver se t\u00eam estrelas companheiras. Para este fim, acedeu a dados precisos de observa\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio espacial Gaia, que \u00e9 operado pela ESA.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta maneira, conseguiu demonstrar a exist\u00eancia de cerca de 200 companheiras estelares para estrelas que hospedam exoplanetas at\u00e9 1600 anos-luz de dist\u00e2ncia do Sol. Com a ajuda dos dados, Mugrauer tamb\u00e9m conseguiu caracterizar em mais detalhe as estrelas associadas e os seus sistemas. Ele descobriu que existem sistemas \u00edntimos com dist\u00e2ncias de apenas 20 UA (Unidades Astron\u00f3micas) &#8211; que no nosso Sistema Solar corresponde aproximadamente \u00e0 dist\u00e2ncia de \u00darano ao Sol -, bem como sistemas com estrelas separadas por mais de 9000 UA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00e3s vermelhas e brancas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas companheiras tamb\u00e9m variam quanto \u00e0 sua massa, temperatura e est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o. As mais massivas t\u00eam 1,4 vezes a massa do nosso Sol, enquanto as mais leves t\u00eam apenas 8% da massa do Sol. A maioria das estrelas companheiras s\u00e3o an\u00e3s frias e de baixa massa com um tom avermelhado.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tamb\u00e9m foram identificadas oito an\u00e3s brancas entre as fracas companheiras estelares. Uma an\u00e3 branca \u00e9 o n\u00facleo queimado de uma estrela parecida com o Sol, com mais ou menos o tamanho da Terra, mas com metade da massa do nosso Sol. Estas observa\u00e7\u00f5es mostram que os exoplanetas podem realmente sobreviver ao est\u00e1gio evolutivo final de uma estrela semelhante ao Sol nas proximidades.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/jPMsXGg.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/jPMsXGg.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>HIP116454 \u00e9 uma estrela que alberga um sistema planet\u00e1rio na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Peixes e est\u00e1 a aproximadamente 200 anos-luz da Terra. A estrela est\u00e1 acompanhada por uma an\u00e3 branca significativamente mais fraca (B). A imagem \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o RGB obtida pelo SDSS (Sloan Digital Sky Survey).<br>Cr\u00e9dito: Mugrauer, SDSS <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Sistemas estelares duplos, triplos e qu\u00e1druplos com exoplanetas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos sistemas estelares com exoplanetas identificados no estudo possui duas estrelas. No entanto, foram detetadas cerca de duas d\u00fazias de sistemas triplos e at\u00e9 um sistema qu\u00e1druplo. No intervalo de dist\u00e2ncias investigadas, entre aproximadamente 20 e 10.000 UA, um total de 15% das estrelas estudadas possui pelo menos uma estrela companheira. Isto \u00e9 apenas cerca de metade da frequ\u00eancia esperada em geral para estrelas do tipo solar. Al\u00e9m disso, as estrelas companheiras detetadas mostram dist\u00e2ncias cerca de cinco vezes maiores do que em sistemas comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estes dois factores, em conjunto, podem indicar que a influ\u00eancia de v\u00e1rias estrelas num sistema estelar atrapalha o processo de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria bem como o desenvolvimento das suas \u00f3rbitas,&#8221; disse Mugrauer. A causa disto pode ser, em primeiro lugar, o impacto gravitacional de uma companheira estelar no disco de g\u00e1s e poeira a partir do qual os se planetas se formam em redor da estrela hospedeira. Mais tarde, a gravita\u00e7\u00e3o da companheira estelar influencia o movimento dos planetas em torno da sua estrela hospedeira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/CpKm9F1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/CpKm9F1.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Um sistema triplo a aproximadamente 800 anos-luz da Terra na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o com a estrela que hospeda um sistema planet\u00e1rio, K2-27 (estrela brilhante \u00e0 esquerda). A imagem \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o RGB obtida com o PanSTARRS. Para a direita, a primeira estrela companheira (A) pode ser facilmente observada. Logo abaixo de K2-27 est\u00e1 a segunda companheira estelar (C), com um tom avermelhado.<br>Cr\u00e9dito: Mugrauer, PanSTARRS <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Markus Mugrauer gostaria de continuar o projeto. No futuro, tamb\u00e9m, a multiplicidade de estrelas hospedeiras planet\u00e1rias rec\u00e9m-descobertas seria estudada usando dados da miss\u00e3o Gaia e quaisquer estrelas companheiras detetadas seriam caracterizadas com precis\u00e3o. &#8220;Al\u00e9m disso, combinaremos os resultados com os de uma campanha internacional de observa\u00e7\u00e3o, que atualmente estamos a realizar sobre o mesmo t\u00f3pico no Observat\u00f3rio Paranal do ESO,&#8221; acrescentou Mugrauer. &#8220;Seremos capazes de investigar a influ\u00eancia precisa da multiplicidade estelar na forma\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento dos planetas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.uni-jena.de\/en\/191113_Mehrfachsternsysteme_en.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Friedrich Schiller em Jena (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/490\/4\/5088\/5622591?searchresult=1\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/eurekalert.org\/pub_releases\/2019-11\/fj-dwu111319.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/144016\/tatooines-everywhere-many-of-the-exoplanets-already-discovered-are-in-multi-star-systems\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/11\/191113103726.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-11-astrophysicist-numerous-multiple-star-exoplanets.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sistemas estelares:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que a Terra \u00e9 o \u00fanico planeta habit\u00e1vel do Universo ou existem mais mundos por a\u00ed capazes de suportar vida? E, se houverem, como ser\u00e3o? Numa tentativa de responder a estas perguntas fundamentais, os cientistas est\u00e3o a procurar exoplanetas: mundos distantes que orbitam outras estrelas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar. 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