{"id":2554,"date":"2019-11-12T06:33:12","date_gmt":"2019-11-12T06:33:12","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2554"},"modified":"2019-11-12T06:33:13","modified_gmt":"2019-11-12T06:33:13","slug":"cientistas-continuam-a-refinar-o-ritmo-de-expansao-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/11\/12\/cientistas-continuam-a-refinar-o-ritmo-de-expansao-do-universo\/","title":{"rendered":"Cientistas continuam a refinar o ritmo de expans\u00e3o do Universo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando tecnologias e t\u00e9cnicas de ponta, uma equipa de astrof\u00edsicos da Universidade de Clemson, Carolina do Sul, EUA, acrescentou uma nova abordagem para quantificar uma das leis mais fundamentais do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num artigo publicado na passada sexta-feira, dia 8 de novembro, na revista The Astrophysical Journal, os cientistas Marco Ajello, Abhishek Desai, Lea Marcotulli e Dieter Hartmann colaboraram com outros seis cientistas espalhados pelo mundo para conceber uma nova medi\u00e7\u00e3o da Constante de Hubble, a unidade de medida usada para descrever o ritmo de expans\u00e3o do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O objetivo da cosmologia \u00e9 entender a evolu\u00e7\u00e3o do nosso Universo &#8211; como evoluiu no passado, o que est\u00e1 a fazer agora e o que acontecer\u00e1 no futuro,&#8221; disse Ajello, professor associado no departamento de f\u00edsica e astronomia da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Clemson. &#8220;O nosso conhecimento baseia-se em v\u00e1rios par\u00e2metros &#8211; incluindo a Constante de Hubble &#8211; que procuramos medir com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel. Neste artigo, a nossa equipa analisou dados obtidos com telesc\u00f3pios espaciais e no solo para obter uma das mais recentes medi\u00e7\u00f5es de qu\u00e3o r\u00e1pido o Universo est\u00e1 a expandir-se.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/wx4sp1ml4bl80wd51ln2385o-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/telescopes2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"487\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/telescopes2-1024x487.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2555\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/telescopes2-1024x487.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/telescopes2-300x143.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/telescopes2-768x365.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/telescopes2.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>A an\u00e1lise da equipa abre caminho para melhores medi\u00e7\u00f5es, no futuro, usando os telesc\u00f3pios do CTA.<br>Cr\u00e9dito: Daniel L\u00f3pez\/IAC<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito de um Universo em expans\u00e3o foi introduzido pelo astr\u00f3nomo americano Edwin Hubble (1889-1953), que o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble honra com o seu nome. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, Hubble tornou-se um dos primeiros astr\u00f3nomos a deduzir que o Universo era composto por v\u00e1rias gal\u00e1xias. A sua subsequente pesquisa levou \u00e0 sua descoberta mais famosa: a de que as gal\u00e1xias estavam a afastar-se umas das outras a uma velocidade proporcional \u00e0 sua dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hubble originalmente determinou que este ritmo de expans\u00e3o rondava os 500 km\/s\/Mpc (quil\u00f3metros por segundo por megaparsec; um megaparsec \u00e9 equivalente a 3,26 milh\u00f5es de anos-luz). Hubble concluiu que uma gal\u00e1xia a dois megaparsecs da Via L\u00e1ctea estava a afastar-se ao dobro da velocidade de uma gal\u00e1xia situada a apenas um megaparsec. Esta estimativa ficou conhecida como a Constante de Hubble, que provou pela primeira vez que o Universo estava a expandir-se. Os astr\u00f3nomos t\u00eam vindo a recalibr\u00e1-la desde ent\u00e3o &#8211; com resultados um tanto ou quanto confusos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a ajuda das tecnologias aeroespaciais, os astr\u00f3nomos apresentaram medi\u00e7\u00f5es que diferem significativamente dos c\u00e1lculos originais de Hubble &#8211; diminuindo o ritmo de expans\u00e3o para o intervalo entre 50 e 100 km\/s\/Mpc. E, na \u00faltima d\u00e9cada, instrumentos ultrasofisticados, como o sat\u00e9lite Planck, aumentaram a precis\u00e3o das medi\u00e7\u00f5es originais de Hubble de maneira relativamente dram\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No novo artigo cient\u00edfico, a equipa colaborativa comparou os dados mais recentes da atenua\u00e7\u00e3o de raios-gama do Telesc\u00f3pio Espacial de Raios-gama Fermi e dos Telesc\u00f3pios IACT (Imaging Atmospheric Cherenkov Telescopes) para elaborar as suas estimativas a partir de modelos da luz extragal\u00e1tica de fundo. Esta nova estrat\u00e9gia levou a uma medi\u00e7\u00e3o de aproximadamente 67,5 km\/s\/Mpc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os raios-gama s\u00e3o a forma mais energ\u00e9tica de luz. A luz extragal\u00e1tica de fundo (LEF) \u00e9 uma &#8220;neblina&#8221; c\u00f3smica composta de toda a radia\u00e7\u00e3o (ultravioleta, luz vis\u00edvel, infravermelha) emitida pelas estrelas ou pela poeira nas suas proximidades. Quando a LEF e os raios-gama interagem, deixam uma impress\u00e3o observ\u00e1vel &#8211; uma perda gradual de fluxo &#8211; que os cientistas foram capazes de analisar ao formular a sua hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A comunidade astron\u00f3mica est\u00e1 a investir uma quantidade muito grande de dinheiro e recursos na cosmologia de precis\u00e3o com todos os diferentes par\u00e2metros, incluindo a Constante de Hubble,&#8221; disse Dieter Hartmann, professor de f\u00edsica e astronomia. &#8220;A nossa compreens\u00e3o destas constantes fundamentais definiu o Universo como o conhecemos agora. Quando o nosso conhecimento das leis se torna mais preciso, a nossa defini\u00e7\u00e3o do Universo tamb\u00e9m se torna mais precisa, o que leva a novas ideias e descobertas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/wx4sp1ml4bl80wd51ln2385o-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/marco.group_.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/wx4sp1ml4bl80wd51ln2385o-wpengine.netdna-ssl.com\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/marco.group_.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Da esquerda para a direita: Marco Ajello, Lea Marcotulli, Abhishek Desai e Dieter Hartmann, coautores de um artigo recentemente publicado na revista The Astrophysical Journal.<br>Cr\u00e9dito: Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Clemson <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma analogia comum da expans\u00e3o do Universo \u00e9 um bal\u00e3o pontilhado de pontos, cada ponto representando uma gal\u00e1xia. Quando o bal\u00e3o incha, os pontos afastam-se cada vez mais uns dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 quem teorize que o bal\u00e3o vai expandir-se at\u00e9 um ponto particular no tempo e que depois volta a colapsar,&#8221; explicou Desai, assistente no departamento de f\u00edsica e astronomia. &#8220;Mas a ideia mais aceite \u00e9 a de que o Universo vai continuar a expandir-se at\u00e9 que tudo esteja t\u00e3o distante que n\u00e3o haver\u00e1 mais luz observ\u00e1vel. Nesse ponto, o Universo sofrer\u00e1 uma morte fria. Mas isso n\u00e3o \u00e9 motivo para preocupa\u00e7\u00f5es. Se tal acontecer, ser\u00e1 daqui a bili\u00f5es de anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas se a analogia do bal\u00e3o est\u00e1 correta, o que \u00e9 que est\u00e1 a fazer com que o bal\u00e3o inche?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A mat\u00e9ria &#8211; as estrelas, os planetas, at\u00e9 n\u00f3s &#8211; \u00e9 apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o geral do Universo,&#8221; explicou Ajello. &#8220;A grande maioria do Universo \u00e9 composta por energia escura e mat\u00e9ria escura. E pensamos que \u00e9 a energia escura que est\u00e1 a &#8216;inchar o bal\u00e3o&#8217;. A energia escura est\u00e1 a afastar os objetos astron\u00f3micos uns dos outros. A gravidade, que atrai objetos uns para os outros, \u00e9 a for\u00e7a mais forte a n\u00edvel local, raz\u00e3o pela qual algumas gal\u00e1xias continuam a colidir. Mas a dist\u00e2ncias c\u00f3smicas, a energia escura \u00e9 a for\u00e7a dominante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 incr\u00edvel estarmos a usar raios-gama para estudar cosmologia. A nossa t\u00e9cnica permite-nos usar uma estrat\u00e9gia independente &#8211; uma nova metodologia independente das existentes &#8211; para medir propriedades cruciais do Universo,&#8221; disse Alberto Dominguez, da Universidade Complutense de Madrid, ex-investigador do grupo de Ajello. &#8220;Os nossos resultados mostram a maturidade alcan\u00e7ada ao longo da \u00faltima d\u00e9cada pelo campo relativamente recente da astrof\u00edsica de alta energia. A an\u00e1lise que desenvolvemos abre caminho para melhores medi\u00e7\u00f5es no futuro, usando o CTA (Cherenkov Telescope Array), que ainda est\u00e1 em desenvolvimento e que ser\u00e1 a mais ambiciosa rede de telesc\u00f3pios terrestres de alta energia de sempre.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas das mesmas t\u00e9cnicas utilizadas neste presente trabalho est\u00e3o relacionadas com trabalhos anteriores realizados por Ajello e colegas. Num projeto anterior, publicado na revista Science, Ajello e a sua equipa foram capazes de medir toda a luz estelar j\u00e1 emitida na hist\u00f3ria do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que sabemos \u00e9 que os fot\u00f5es dos raios-gama de fontes extragal\u00e1ticas viajam pelo Universo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra, onde podem ser absorvidos pela intera\u00e7\u00e3o com os fot\u00f5es da luz das estrelas,&#8221; explicou Ajello. &#8220;O ritmo de intera\u00e7\u00e3o depende da dist\u00e2ncia que viajam. E a dist\u00e2ncia que viajam depende da expans\u00e3o. Se a expans\u00e3o for baixa, viajam uma pequena dist\u00e2ncia. Se a expans\u00e3o for grande, percorrem uma dist\u00e2ncia muito grande. De modo que a quantidade de absor\u00e7\u00e3o que medimos depende fortemente do valor da Constante de Hubble. O que fizemos foi &#8216;voltar isto do avesso&#8217; e us\u00e1-la para restringir o ritmo de expans\u00e3o do Universo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/newsstand.clemson.edu\/mediarelations\/clemson-scientists-further-refine-how-quickly-the-universe-is-expanding\/?utm_source=homepage\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Clemson (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ab4a0e\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1903.12097\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;Escada&#8221; c\u00f3smica de dist\u00e2ncias:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Fermi:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/GLAST\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GLAST_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pios IACT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.aspera-eu.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ASPERA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IACT\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CTA (Cherenkov Telescope Array):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.cta-observatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cherenkov_Telescope_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Utilizando tecnologias e t\u00e9cnicas de ponta, uma equipa de astrof\u00edsicos da Universidade de Clemson, Carolina do Sul, EUA, acrescentou uma nova abordagem para quantificar uma das leis mais fundamentais do Universo. 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