{"id":2544,"date":"2019-11-05T06:47:55","date_gmt":"2019-11-05T06:47:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2544"},"modified":"2019-11-05T06:47:56","modified_gmt":"2019-11-05T06:47:56","slug":"os-cientistas-podem-ter-descoberto-uma-nova-classe-de-buracos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/11\/05\/os-cientistas-podem-ter-descoberto-uma-nova-classe-de-buracos-negros\/","title":{"rendered":"Os cientistas podem ter descoberto uma nova classe de buracos negros"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/HyxAYvP-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2545\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/HyxAYvP-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/HyxAYvP-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/HyxAYvP-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/HyxAYvP.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Impress\u00e3o de artista do buraco negro que os astrof\u00edsicos identificaram neste estudo. O buraco negro (em baixo \u00e0 esquerda) pode ser visto perto da gigante vermelha. A descoberta mostra que pode existir uma classe de buracos negros desconhecida dos astr\u00f3nomos.<br>Cr\u00e9dito: Jason Scults, Universidade Estatal do Ohio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros s\u00e3o uma parte importante de como os astrof\u00edsicos tentam compreender o Universo &#8211; t\u00e3o importante que os cientistas est\u00e3o a tentar construir um censo de todos os buracos negros da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas uma nova investiga\u00e7\u00e3o mostra que \u00e0 sua busca pode estar a faltar uma classe inteira de buracos negros que n\u00e3o sabiam existir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo publicado a semana passada na revista Science, os astr\u00f3nomos fornecem uma nova maneira de procurar buracos negros e mostram que \u00e9 poss\u00edvel que exista uma classe de buracos negros ainda mais pequenos do que os buracos negros mais pequenos do Universo conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos a mostrar esta pista de que h\u00e1 outra popula\u00e7\u00e3o por a\u00ed que ainda precisamos investigar em busca de buraco negros,&#8221; disse Todd Thompson, professor de astronomia na Universidade Estatal do Ohio e autor principal do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os cientistas est\u00e3o a tentar entender as explos\u00f5es de supernovas, como estrelas massivas explodem, como os elementos foram formados nas estrelas massivas. Portanto, se pud\u00e9ssemos revelar uma nova popula\u00e7\u00e3o de buracos negros, isso dir-nos-ia mais sobre quais as estrelas que explodem, quais as que n\u00e3o explodem, quais as que formam buracos negros, quais as que formam estrelas de neutr\u00f5es. Abre uma nova \u00e1rea de estudo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine um censo que contasse apenas pessoas com mais de 1,75 m de altura &#8211; e imagine que os respons\u00e1veis pelo censo nem sabiam que existiam pessoas com menos de 1,75 m de altura. Os dados desse censo estariam incompletos, fornecendo uma imagem imprecisa da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 isto, essencialmente, que tem vindo a acontecer na procura por buracos negros, disse Thompson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos h\u00e1 muito tempo que procuram buracos negros, que t\u00eam uma atra\u00e7\u00e3o gravitacional t\u00e3o forte que nada &#8211; nem mesmo a mat\u00e9ria, nem mesmo a radia\u00e7\u00e3o &#8211; pode escapar. Os buracos negros formam-se quando certas estrelas massivas morrem, encolhem e explodem. Os astr\u00f3nomos tamb\u00e9m est\u00e3o \u00e0 procura de estrelas de neutr\u00f5es &#8211; estrelas pequenas e densas que se formam quando algumas estrelas morrem e colapsam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes dois tipos de objetos podem reter informa\u00e7\u00f5es interessantes sobre os elementos da Terra e como as estrelas vivem e morrem. Mas, para descobrir essas informa\u00e7\u00f5es, os astr\u00f3nomos precisam primeiro de descobrir onde est\u00e3o os buracos negros. E para descobrir onde est\u00e3o os buracos negros, precisam de saber o que procurar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pista: os buracos negros costumam existir no que se chama de sistemas bin\u00e1rios. Isto significa simplesmente que duas estrelas est\u00e3o pr\u00f3ximas o suficiente uma da outra para estarem unidas pela gravidade numa \u00f3rbita m\u00fatua. Quando uma dessas estrelas morre, a outra pode permanecer, ainda orbitando o espa\u00e7o onde a estrela morta &#8211; agora um buraco negro ou uma estrela de neutr\u00f5es &#8211; viveu e onde um buraco negro ou estrela de neutr\u00f5es se formou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante anos, os buracos negros que os cientistas conheciam tinham todos massas entre 5 e 15 vezes a massa do Sol. As estrelas de neutr\u00f5es conhecidas geralmente n\u00e3o t\u00eam mais do que 2,1 vezes a massa do Sol &#8211; se tivessem mais do que 2,5 massas solares, entrariam em colapso para formar um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, no ver\u00e3o de 2017, um levantamento chamado LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) observou a fus\u00e3o de dois buracos negros numa gal\u00e1xia a cerca de 1,8 mil milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia. Um desses buracos negros tinha cerca de 31 vezes a massa do Sol; o outro cerca de 25 vezes a massa do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Imediatamente, todos dissemos &#8216;uau!&#8217;, porque era uma coisa espetacular,&#8221; disse Thompsonn. &#8220;N\u00e3o apenas porque provou que o LIGO funcionava, mas porque as massas eram enormes. Os buracos negros desse tamanho s\u00e3o importantes &#8211; nunca os t\u00ednhamos visto antes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Thompson e outros astrof\u00edsicos h\u00e1 muito que suspeitavam que os buracos negros podiam ter tamanhos fora da gama conhecida, e a descoberta do LIGO provou que os buracos negros podiam ser maiores. Mas havia uma janela de tamanho entre as maiores estrelas de neutr\u00f5es e os buracos negros mais pequenos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Thompson decidiu ver se podia resolver esse mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele e outros cientistas come\u00e7aram a vasculhar os dados do APOGEE (Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment), que recolheu espectros de luz de cerca de 100.000 estrelas espalhadas pela Via L\u00e1ctea. Thompson percebeu que os espectros podiam mostrar que uma estrela podia estar em \u00f3rbita de outro objeto: mudan\u00e7as nos espectros &#8211; um desvio para comprimentos de onda mais azuis, por exemplo, seguido por um desvio para comprimentos de onda mais vermelhos &#8211; podiam indicar que uma estrela estava a orbitar um companheiro ainda n\u00e3o observado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Thompson come\u00e7ou a estudar os dados \u00e0 procura de estrelas que mostrassem essa mudan\u00e7a, indicando que podiam estar em \u00f3rbita de um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguidamente, restringiu os dados do APOGEE para 200 das estrelas mais interessantes. Ele forneceu os dados a um investigador associado da Universidade Estatal do Ohio, Tharindu Jayasinghe, que compilou milhares de imagens de cada potencial sistema bin\u00e1rio com o ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae; o ASAS-SN j\u00e1 encontrou aproximadamente 1000 supernovas).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da an\u00e1lise de dados surgiu uma estrela gigante vermelha que parecia orbitar algo, mas que, com base nos seus c\u00e1lculos, era provavelmente muito mais pequeno do que os buracos negros conhecidos da Via L\u00e1ctea, e muito maior do que maioria das estrelas de neutr\u00f5es conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s mais c\u00e1lculos e dados adicionais obtidos com o TRES (Tillinghast Reflector Echelle Spectrograph) e com o sat\u00e9lite Gaia, perceberam que haviam encontrado um buraco negro de baixa massa, com provavelmente mais ou menos 3,3 vezes a massa do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que fizemos aqui foi criar uma nova maneira de procurar buracos negros, mas tamb\u00e9m identific\u00e1mos potencialmente um dos primeiros de uma nova classe de buracos negros de baixa massa que os astr\u00f3nomos n\u00e3o conheciam anteriormente,&#8221; disse Thompson. &#8220;As massas dos objetos dizem-nos mais sobre a sua forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o, mais sobre a sua natureza.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.osu.edu\/scientists-may-just-have-discovered-a-new-class-of-black-holes\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Estatal do Ohio (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/lookup\/doi\/10.1126\/science.aau4005\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2019-10\/osu-smh103019.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/strange-hidden-black-hole-discovery.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/astronomers-find-a-small-black-hole-or-a-giant-neutron-star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/143925\/the-lowest-mass-black-hole-has-been-found-only-3-3-times-the-mass-of-the-sun\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2221999-weve-found-a-black-hole-that-may-be-smaller-than-any-ever-seen-before\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/scientists-discover-possible-new-class-of-little-black-holes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/futurism.com\/scientists-new-class-black-holes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Futurism<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/10\/191031154923.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/10\/31\/world\/new-black-holes-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LIGO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ligo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.advancedligo.mit.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Advanced LIGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LIGO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ASAS-SN:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.astronomy.ohio-state.edu\/~assassin\/index.shtml\">P\u00e1gina oficial (Universidade Estatal do Ohio)<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/All_Sky_Automated_Survey_for_SuperNovae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TRES (Tillinghast Reflector Echelle Spectrograph):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/tdc-www.harvard.edu\/instruments\/tres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio Astrof\u00edsico do Smithsonian<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/guide-to-scientists\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como usar os dados do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/60036-gaia-data-release-2-virtual-reality-resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recursos VR<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista do buraco negro que os astrof\u00edsicos identificaram neste estudo. 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