{"id":2537,"date":"2019-11-01T06:29:05","date_gmt":"2019-11-01T06:29:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2537"},"modified":"2019-11-01T06:29:06","modified_gmt":"2019-11-01T06:29:06","slug":"um-flash-e-um-tremor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/11\/01\/um-flash-e-um-tremor\/","title":{"rendered":"Um flash e um tremor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Daqui a aproximadamente cinco mil milh\u00f5es de anos, quando o Sol esgotar o hidrog\u00e9nio no seu n\u00facleo, vai inchar e tornar-se numa gigante vermelha. Esta fase da sua vida &#8211; e a de outras estrelas com at\u00e9 o dobro da sua massa &#8211; \u00e9 relativamente curta em compara\u00e7\u00e3o com a vida de mais de 10 mil milh\u00f5es de anos do Sol. A gigante vermelha brilhar\u00e1 1000 vezes mais do que o Sol e, de repente, o h\u00e9lio nas profundezas do seu n\u00facleo come\u00e7ar\u00e1 a fundir-se com o carbono num processo chamado &#8220;flash do n\u00facleo de h\u00e9lio&#8221;. Depois disto, a estrela ter\u00e1 100 milh\u00f5es de uma calma fus\u00e3o de h\u00e9lio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astrof\u00edsicos h\u00e1 mais de 50 anos que preveem estes flashes na teoria e nos modelos, mas nenhum foi at\u00e9 agora observado. No entanto, um novo estudo publicado na revista Nature Astronomy Letters sugere que isso pode mudar em breve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os efeitos do flash do n\u00facleo de h\u00e9lio s\u00e3o claramente previstos pelos modelos, mas n\u00e3o encontr\u00e1mos observa\u00e7\u00f5es que os reflitam diretamente,&#8221; disse o coautor J\u00f8rgen Christensen-Dalsgaard, acad\u00e9mico do Instituto Kavli para F\u00edsica Te\u00f3rica da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Barbara, EUA, e professor da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/7\/7c\/Sun_red_giant.svg\/1024px-Sun_red_giant.svg.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"909\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/1024px-Sun_red_giant.svg_-1024x909.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2538\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/1024px-Sun_red_giant.svg_.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/1024px-Sun_red_giant.svg_-300x266.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/1024px-Sun_red_giant.svg_-768x682.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>O tamanho atual do Sol (agora na sua sequ\u00eancia principal) em compara\u00e7\u00e3o com o tamanho estimado durante a sua fase de gigante vermelha no futuro.<br>Cr\u00e9dito: Wikipedia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma estrela como o Sol \u00e9 alimentada pela fus\u00e3o de hidrog\u00e9nio em h\u00e9lio a temperaturas que rondam os 15 milh\u00f5es Kelvin. O h\u00e9lio, no entanto, requer uma temperatura muito mais alta do que o hidrog\u00e9nio, por volta dos 100 milh\u00f5es Kelvin, para come\u00e7ar a fundir-se em carbono, de modo que simplesmente se acumula no n\u00facleo enquanto uma concha de hidrog\u00e9nio continua a arder em seu redor. Entretanto, a estrela expande-se para um tamanho compar\u00e1vel \u00e0 \u00f3rbita da Terra. Eventualmente, o n\u00facleo da estrela atinge as condi\u00e7\u00f5es perfeitas, despoletando uma igni\u00e7\u00e3o violenta do h\u00e9lio: o flash do n\u00facleo de h\u00e9lio. O n\u00facleo sofre v\u00e1rios flashes ao longo dos 2 milh\u00f5es de anos seguintes e, em seguida, estabelece-se num estado mais est\u00e1tico, onde passa a queimar todo o h\u00e9lio no n\u00facleo em carbono e oxig\u00e9nio ao longo de mais ou menos 100 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O flash do n\u00facleo de h\u00e9lio desempenha um papel essencial na nossa compreens\u00e3o dos ciclos de vida de estrelas de baixa massa. Infelizmente, a recolha de dados dos n\u00facleos de estrelas distantes \u00e9 incrivelmente dif\u00edcil, de modo que os cientistas ainda n\u00e3o conseguiram observar este fen\u00f3meno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O poder dos telesc\u00f3pios espaciais modernos como o Kepler, CoRoT e agora o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA promete mudar isto. &#8220;A disponibilidade de medi\u00e7\u00f5es muito sens\u00edveis a partir do espa\u00e7o tornou poss\u00edvel a observa\u00e7\u00e3o de oscila\u00e7\u00f5es subtis no brilho de um n\u00famero muito grande de estrelas,&#8221; explicou Christensen-Dalsgaard.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O flash do n\u00facleo de h\u00e9lio produz uma s\u00e9rie de ondas diferentes que se propagam atrav\u00e9s da estrela. Isto faz com que a estrela vibre como um sino, que se manifesta como uma fraca varia\u00e7\u00e3o no seu brilho geral. As observa\u00e7\u00f5es das pulsa\u00e7\u00f5es estelares j\u00e1 ensinaram os astr\u00f3nomos sobre os processos dentro das estrelas da mesma maneira que os ge\u00f3logos aprendem sobre o interior da Terra estudando sismos. Esta t\u00e9cnica, conhecida como asterossismologia, cresceu para se tornar num campo pr\u00f3spero da astrof\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O flash do n\u00facleo ocorre repentinamente e, como um sismo, come\u00e7a com um evento muito energ\u00e9tico seguido por uma s\u00e9rie de eventos sucessivamente mais fracos ao longo dos 2 milh\u00f5es de anos seguintes &#8211; um per\u00edodo relativamente curto na vida da maioria das estrelas. Como mostra um artigo publicado em 2012, liderado pelo diretor do Instituto Kavli para F\u00edsica Te\u00f3rica Lars Bildsten e pelo colega s\u00e9nior Bill Paxton, as frequ\u00eancias das pulsa\u00e7\u00f5es destas estrelas s\u00e3o muito sens\u00edveis \u00e0s condi\u00e7\u00f5es no n\u00facleo. Como resultado, a asterossismologia poderia fornecer aos cientistas informa\u00e7\u00f5es que testam a nossa compreens\u00e3o destes processos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fic\u00e1mos ansiosos pela altura em que estas novas capacidades espaciais nos possam confirmar esta pe\u00e7a h\u00e1 muito estudada da evolu\u00e7\u00e3o estelar. No entanto, n\u00e3o consider\u00e1mos a possibilidade ainda mais empolgante que estes autores exploraram de usar a estrela vigorosamente convectiva para realmente ver a estrela a &#8216;vibrar&#8217;,&#8221; disse Bildsten.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/QtbfXmT.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/QtbfXmT.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>O estudo das frequ\u00eancias de oscila\u00e7\u00f5es de muitas estrelas fornece informa\u00e7\u00f5es sobre a evolu\u00e7\u00e3o estelar, conhecendo como os n\u00facleos das estrelas mudam (come\u00e7ando perto do canto inferior esquerda na sequ\u00eancia acima) desde os n\u00facleos que queimam hidrog\u00e9nio at\u00e9 aos n\u00facleos que queimam h\u00e9lio, com est\u00e1gios interm\u00e9dios as conchas da fus\u00e3o de hidrog\u00e9nio se expandem para tamanhos de gigantes vermelhas. Uma estrela que funde hidrog\u00e9nio e uma estrela que funde h\u00e9lio s\u00e3o indistingu\u00edveis observando apenas as suas propriedades \u00e0 superf\u00edcie. No interior, s\u00e3o radicalmente diferentes.<br>Cr\u00e9dito: Thomas Kallinger, Universidade da Columbia Brit\u00e2nica e Universidade de Viena <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal objetivo do novo estudo foi determinar se estas regi\u00f5es intermitentes podem excitar pulsa\u00e7\u00f5es grandes o suficiente para serem observadas. E, ap\u00f3s meses de an\u00e1lises e simula\u00e7\u00f5es, os investigadores descobriram que muitas devem ser relativamente f\u00e1ceis de observar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fiquei certamente surpreso ao ver que o mecanismo funciona t\u00e3o bem,&#8221; salientou Christensen-Dalsgaard.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo e promissor \u00e2ngulo detalhado no artigo cient\u00edfico \u00e9 que os astr\u00f3nomos t\u00eam estudado os processos de um tipo muito especial &#8211; e at\u00e9 agora n\u00e3o muito bem entendido &#8211; de estrela designado suban\u00e3 B. Estas s\u00e3o antigas gigantes vermelhas que, por raz\u00f5es desconhecidas, perderam a maior parte da sua camada exterior de hidrog\u00e9nio. As estrelas suban\u00e3s B fornecem aos cientistas uma oportunidade \u00fanica de investigar mais diretamente o n\u00facleo quente de uma estrela. Al\u00e9m disso, a fina camada restante de hidrog\u00e9nio n\u00e3o \u00e9 espessa o suficiente para amortecer as oscila\u00e7\u00f5es dos flashes repetidos do n\u00facleo de h\u00e9lio, dando aos investigadores a chance de os observar potencialmente diretamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este estudo fornece as primeiras informa\u00e7\u00f5es observacionais sobre os processos complexos previstos pelos modelos estelares na igni\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o de h\u00e9lio. &#8220;Este trabalho aproveitou fortemente uma s\u00e9rie de c\u00e1lculos din\u00e2micos de flu\u00eddos liderados pelo ex-companheiro do mesmo instituto Daniel Lecoanet,&#8221; real\u00e7a Bildsten. &#8220;Se tudo der certo, estas estrelas podem fornecer um novo campo de teste para este quebra-cabe\u00e7as fundamental da astrof\u00edsica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Christensen-Dalsgaard disse que est\u00e1 ansioso por aplicar estas descobertas aos dados reais. E, de facto, os flashes do n\u00facleo de h\u00e9lio podem j\u00e1 ter sido observados. V\u00e1rias das estrelas observadas pelo CoRoT e pelo Kepler mostram oscila\u00e7\u00f5es inexplic\u00e1veis que parecem semelhantes \u00e0s previs\u00f5es de flashes do n\u00facleo de h\u00e9lio. O TESS mostrar-se-\u00e1 crucial nesta pesquisa futura, explicou, uma vez que observar\u00e1 uma faixa inteira de estrelas, incluindo v\u00e1rias onde estas pulsa\u00e7\u00f5es podem ser detet\u00e1veis. Isto fornecer\u00e1 mais testes fortes dos modelos e uma vis\u00e3o do que o futuro reserva para o nosso pr\u00f3prio Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.news.ucsb.edu\/2019\/019681\/flash-and-shudder\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Barbara (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-019-0890-0.epdf?author_access_token=cwbLYpMtIYA4jlwRnfIAb9RgN0jAjWel9jnR3ZoTv0M8zHwGnCyQ_6fmy44CA9c6QyhtFonQPC65a_7V6uyqQgo1_Tu1oYBFmfuP3ByM4K4iOmyq885b7LV8XZk5e14dkZ8irPgb3Kwa9SCafox36A==\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Flash de h\u00e9lio:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Helium_flash\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gigantes vermelhas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Red_giant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_evolution\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Evolu\u00e7\u00e3o estelar (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/kepler.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA (p\u00e1gina oficial)<\/a><br><a href=\"http:\/\/keplerscience.arc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2 (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/kepler\/\">Arquivo de dados do Kepler<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/k2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados da miss\u00e3o K2<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kepler_space_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Miss\u00e3o CoRoT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/SPECIALS\/COROT\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Corot_%28space_mission%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daqui a aproximadamente cinco mil milh\u00f5es de anos, quando o Sol esgotar o hidrog\u00e9nio no seu n\u00facleo, vai inchar e tornar-se numa gigante vermelha. 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