{"id":2518,"date":"2019-10-29T06:31:34","date_gmt":"2019-10-29T06:31:34","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2518"},"modified":"2019-10-29T06:31:35","modified_gmt":"2019-10-29T06:31:35","slug":"os-meus-tres-sois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/10\/29\/os-meus-tres-sois\/","title":{"rendered":"Os meus tr\u00eas &#8220;s\u00f3is&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/X6Ft9pB.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"512\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/X6Ft9pB.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2519\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/X6Ft9pB.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/X6Ft9pB-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><figcaption>Jennifer G. Winters e a sua equipa est\u00e3o a recolher dados do rec\u00e9m-descoberto exoplaneta.\nCr\u00e9dito: Stephanie Mitchell\/Harvard<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Planetas at\u00e9 um pouco parecidos com a Terra s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar. \u00c9 por isso que quando astr\u00f3nomos como Jennifer G. Winters se deparam com um corpo que pode ser s\u00f3lido, rochoso e possivelmente ter a sua pr\u00f3pria atmosfera, ficam animados. E especialmente num caso como este: pois, embora seja estatisticamente improv\u00e1vel que hospede vida, encontrar um com tr\u00eas s\u00f3is aumenta a probabilidade de que o estudo do planeta possa fornecer informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre o nosso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objeto celeste, de nome LTT1445Ab, \u00e9 um planeta em tr\u00e2nsito. Como explicou Winters, associada de p\u00f3s-doutoramento do Centro Harvard-Smithsonian para Astrof\u00edsica, isso significa que durante a \u00f3rbita de cinco dias e meio em torno da sua estrela principal, LTT1445Ab passa em frente da sua estrela. Isto permite que os observadores na Terra vejam o planeta em contraluz e possam discernir se LTT1445Ab (que tem aproximadamente 1,38 vezes o tamanho da Terra e est\u00e1 a mais ou menos 22,5 anos-luz de dist\u00e2ncia) possui uma atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Podemos observ\u00e1-lo usando um espectr\u00f3grafo,&#8221; disse Winters, autora principal do artigo cient\u00edfico publicado na revista The Astronomical Journal. &#8220;\u00c9 um dos melhores exemplos de um planeta rochoso que pode ter uma atmosfera e que podemos estudar para determinar a sua composi\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No topo da lista de perguntas de Winters: haver\u00e1 oxig\u00e9nio molecular na atmosfera? Mesmo que tenha oxig\u00e9nio na sua atmosfera, Winters \u00e9 r\u00e1pida a salientar que a sua equipa n\u00e3o espera encontrar vida. &#8220;N\u00e3o est\u00e1 na zona habit\u00e1vel da sua estrela,&#8221; explicou. &#8220;Est\u00e1 demasiado perto. \u00c9 demasiado quente. Mas se \u00e9 poss\u00edvel existir oxig\u00e9nio na atmosfera, oxig\u00e9nio que possa vir de outras fontes que n\u00e3o a vida, \u00e9 bom saber isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos pr\u00f3ximos meses, antes que o sistema se esconda por tr\u00e1s do Sol, Winters e os seus colaboradores v\u00e3o recolher dados e monitorizar o planeta. Usando dados do Telesc\u00f3pio Gigante Magalh\u00e3es no Chile, bem como dos telesc\u00f3pios espaciais Hubble e Spitzer da NASA, a equipa tentar\u00e1 medir a massa do planeta e determinar se \u00e9 realmente um planeta rochoso, n\u00e3o gasoso. A massa \u00e9 importante, explicou, porque est\u00e1 relacionada com a espessura de qualquer atmosfera a\u00ed presente. E se n\u00e3o existir atmosfera &#8211; se, talvez, tiver sido &#8220;queimada&#8221; pela radia\u00e7\u00e3o estelar &#8211; os cientistas v\u00e3o tentar ver se alguma est\u00e1 a &#8220;brotar&#8221;, talvez reabastecida pelos gases emitidos pela crosta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 um \u00f3timo exemplo para poder estudar uma atmosfera,&#8221; disse Winters. &#8220;Existe apenas um outro sistema mais pr\u00f3ximo, e tem dois planetas, mas a estrela \u00e9 muito mais brilhante,&#8221; o que dificulta a observa\u00e7\u00e3o de qualquer potencial atmosfera, explicou. A estrela principal de LTT1445Ab tem aproximadamente 25% do tamanho do Sol e as suas estrelas associadas s\u00e3o ainda mais pequenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome LTT1445Ab vem da sua listagem no cat\u00e1logo do astr\u00f3nomo americano-holand\u00eas Willem Jacob Luyten, que mede o movimento de estrelas. A posi\u00e7\u00e3o da estrela foi descoberta pelo sat\u00e9lite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, que examina o c\u00e9u apenas para candidatos deste tipo, notificando cientistas membros por todo o mundo sobre estrelas que escurecem periodicamente &#8211; um poss\u00edvel sinal de um planeta em \u00f3rbita. A equipa de Winters reivindicou este sistema para estudo, verificando que realmente havia um planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este grupo, com tr\u00eas estrelas, tamb\u00e9m a intriga por outras raz\u00f5es. &#8220;\u00c9 muito raro haver tr\u00eas an\u00e3s M num sistema triplo,&#8221; comentou Winters, usando a classifica\u00e7\u00e3o para o tipo estelar mais pequeno e frio. Neste caso, enquanto o planeta parece orbitar a estrela principal, as outras duas parecem estar num tipo de dan\u00e7a, aproximando-se e afastando-se uma da outra. Estas duas ent\u00e3o interagem com a maior no que parece ser um plano nivelado. Como estas tr\u00eas estrelas se movem exatamente, e quais as for\u00e7as em a\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os enigmas que os astr\u00f3nomos esperam resolver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De certo modo, a presen\u00e7a de um planeta entre estas tr\u00eas estrelas an\u00e3s poder\u00e1 ser uma descoberta mais emocionante para Winters do que a descoberta de LTT1445Ab propriamente dita. As an\u00e3s M s\u00e3o a sua principal \u00e1rea de interesse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Representam 75% de todas as estrelas, de modo que s\u00e3o o tipo estelar mais comum,&#8221; disse. Este sistema triplo, acrescentou, &#8220;vai ajudar-nos a aprender mais sobre a forma\u00e7\u00e3o estelar e planet\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.harvard.edu\/gazette\/story\/2019\/10\/discovery-of-object-with-multiple-stars-offers-an-opportunity-for-insight-into-our-own-planet\/\" target=\"_blank\">\/\/ The Harvard Gazette (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ab364d\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1906.10147\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LTT1445Ab:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/7453\/ltt-1445-a-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/ltt_1445a_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.lco.cl\/telescopes-information\/magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio Las Campanas<\/a><br><a href=\"http:\/\/obs.carnegiescience.edu\/Magellan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Carnegie<\/a><br><a href=\"https:\/\/visao.as.arizona.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade do Arizona<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellan_Telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/spitzer\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/ssc.spitzer.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro Espacial Spitzer<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spitzer_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jennifer G. 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