{"id":2491,"date":"2019-10-18T05:55:50","date_gmt":"2019-10-18T05:55:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2491"},"modified":"2019-10-18T05:56:03","modified_gmt":"2019-10-18T05:56:03","slug":"a-via-lactea-roubou-varias-galaxias-minusculas-da-sua-vizinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/10\/18\/a-via-lactea-roubou-varias-galaxias-minusculas-da-sua-vizinha\/","title":{"rendered":"A Via L\u00e1ctea roubou v\u00e1rias gal\u00e1xias min\u00fasculas da sua vizinha"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como a Lua orbita a Terra, e a Terra orbita o Sol, as gal\u00e1xias orbitam-se umas \u00e0s outras de acordo com as previs\u00f5es da cosmologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, descobriram-se at\u00e9 agora mais de 50 gal\u00e1xias sat\u00e9lites em \u00f3rbita da nossa pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea. A maior delas \u00e9 a Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, ou GNM, uma grande gal\u00e1xia an\u00e3 que se assemelha a uma nuvem fraca no c\u00e9u noturno do hemisf\u00e9rio sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos, liderada por cientistas da Universidade da Calif\u00f3rnia em Riverside, descobriu que v\u00e1rias das gal\u00e1xias pequenas &#8211; ou &#8220;an\u00e3s&#8221; &#8211; que orbitam a Via l\u00e1ctea provavelmente foram roubadas da GNM, incluindo v\u00e1rias an\u00e3s ultrat\u00e9nues, mas tamb\u00e9m gal\u00e1xias sat\u00e9lites relativamente brilhantes e conhecidas, como a An\u00e3 de Carina e a An\u00e3 de Fornalha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores fizeram a descoberta usando novos dados recolhidos pelo telesc\u00f3pio espacial Gaia dos movimentos de v\u00e1rias gal\u00e1xias pr\u00f3ximas e contrastando-os com simula\u00e7\u00f5es hidrodin\u00e2micas cosmol\u00f3gicas de ponta. A equipa da UC Riverside usou as posi\u00e7\u00f5es no c\u00e9u e as velocidades previstas do material, como mat\u00e9ria escura, acompanhando a GNM, descobrindo que pelo menos quatro gal\u00e1xias an\u00e3s ultrafracas e duas an\u00e3s cl\u00e1ssicas, Carina e Fornalha, j\u00e1 foram sat\u00e9lites da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es. Durante o processo de fus\u00e3o, no entanto, a mais massiva Via L\u00e1ctea usou o seu poderoso campo gravitacional para destruir a GNM e roubar estas gal\u00e1xias sat\u00e9lites, relataram os cientistas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/mqTxrW8.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption> Laura Sales (direita), professora assistente de f\u00edsica e astronomia na UC Riverside, e Ethan Jahn, estudante.<br>Cr\u00e9dito: UCR\/grupo de Sales) <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes resultados s\u00e3o uma confirma\u00e7\u00e3o importante dos nossos modelos cosmol\u00f3gicos, que preveem que as pequenas gal\u00e1xias an\u00e3s no Universo tamb\u00e9m devem estar cercadas por uma popula\u00e7\u00e3o de companheiras gal\u00e1cticas ainda mais t\u00e9nues,&#8221; disse Laura Sales, professora assistente de f\u00edsica e astronomia, que liderou a equipa de investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que somos capazes de mapear a hierarquia da forma\u00e7\u00e3o da estrutura destas an\u00e3s t\u00e9nues e ultrat\u00e9nues.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados t\u00eam implica\u00e7\u00f5es importantes para a massa total da GNM e tamb\u00e9m para a forma\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se tantas an\u00e3s vieram com a GNM apenas recentemente, isso significa que as propriedades da popula\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea h\u00e1 apenas mil milh\u00f5es de anos era radicalmente diferente, impactando o nosso conhecimento de como as gal\u00e1xias mais fracas se formam e evoluem,&#8221; disse Sales.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados do estudo aparecem na edi\u00e7\u00e3o de novembro de 2019 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As gal\u00e1xias an\u00e3s s\u00e3o gal\u00e1xias pequenas que cont\u00eam entre alguns milhares e alguns milhares de milh\u00f5es de estrelas. Os cientistas usaram simula\u00e7\u00f5es de computador do projeto FIRE (Feedback In Realistic Environments) para mostrar que a GNM e gal\u00e1xias parecidas hospedam in\u00fameras gal\u00e1xias an\u00e3s min\u00fasculas, muitas das quais n\u00e3o cont\u00eam estrelas &#8211; apenas mat\u00e9ria escura, um tipo de mat\u00e9ria que os cientistas pensam constituir a maior parte da massa do Universo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/odN3bsW.png\" alt=\"\"\/><figcaption> Visualiza\u00e7\u00e3o das simula\u00e7\u00f5es usadas no estudo. Em cima e \u00e0 esquerda temos mat\u00e9ria escura a branco. Em baixo e \u00e0 direita temos uma GNM simulada com estrelas e g\u00e1s e v\u00e1rias companheiras gal\u00e1cticas mais pequenas.<br>Cr\u00e9dito: UCR\/Ethan Jahn <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O alto n\u00famero de pequenas gal\u00e1xias an\u00e3s parece sugerir que o conte\u00fado de mat\u00e9ria escura da GNM \u00e9 bastante grande, o que significa que a Via L\u00e1ctea est\u00e1 a passar pela fus\u00e3o mais massiva da sua hist\u00f3ria, com a GNM, sua parceira, fornecendo at\u00e9 um-ter\u00e7o da massa do halo de mat\u00e9ria escura da Via L\u00e1ctea &#8211; o halo de material invis\u00edvel que rodeia a nossa Gal\u00e1xia,&#8221; disse Ethan Jahn, o primeiro autor do artigo e estudante que pertence ao grupo de investiga\u00e7\u00e3o de Sales.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jahn explicou que o n\u00famero de pequenas gal\u00e1xias an\u00e3s que a GNM hospeda poder\u00e1 ser maior do que os astr\u00f3nomos estimaram anteriormente e que muitas dessas pequenas sat\u00e9lites n\u00e3o t\u00eam estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As gal\u00e1xias pequenas s\u00e3o dif\u00edceis de medir e \u00e9 poss\u00edvel que algumas gal\u00e1xias an\u00e3s ultraleves j\u00e1 conhecidas estejam de facto associadas \u00e0 GNM,&#8221; disse. &#8220;Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que se descubram novas gal\u00e1xias ultrat\u00e9nues associadas com a GNM.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As gal\u00e1xias an\u00e3s podem ser sat\u00e9lites de gal\u00e1xias maiores, ou podem estar &#8220;isoladas&#8221;, existindo por si pr\u00f3prias e independentes de qualquer objeto maior. Jahn explicou que a GNM costumava ser isolada, mas que foi capturada pela gravidade da Via L\u00e1ctea e agora \u00e9 uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A Grande Nuvem de Magalh\u00e3es continha pelo menos sete gal\u00e1xias sat\u00e9lites, incluindo a Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es no c\u00e9u do hemisf\u00e9rio sul, antes de serem capturadas pela Via L\u00e1ctea,&#8221; explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa vai agora estudar como as gal\u00e1xias sat\u00e9lites do tamanho da GNM formam as suas estrelas e como a forma\u00e7\u00e3o estelar se relaciona com a quantidade de mat\u00e9ria escura que possuem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ser\u00e1 interessante ver se se formam de maneira diferente dos sat\u00e9lites da Via L\u00e1ctea,&#8221; comentou Jahn.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.ucr.edu\/articles\/2019\/10\/10\/milky-way-kidnapped-several-tiny-galaxies-its-neighbor\" target=\"_blank\">\/\/ UC Riverside (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/489\/4\/5348\/5561484\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1907.02979\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/10\/191010113203.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/the-milky-way-keeps-stealing-smaller-galaxies-from-its-neighbour\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-10-milky-kidnapped-tiny-galaxies-neighbor.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/10\/10\/world\/milky-way-kidnap-dwarf-galaxies-scn\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/drdonlincoln\/2019\/10\/15\/the-milky-way-steals-from-its-neighbors\/#62811e056372\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forbes<\/a><br><a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/via-lactea-roubou-galaxias-285876\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ZAP.aeiou<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Grande Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/xtra\/ngc\/lmc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xias an\u00e3s:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia An\u00e3 de Carina:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Carina_Dwarf_Spheroidal_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia An\u00e3 de Fornalha:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fornax_Dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/guide-to-scientists\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como usar os dados do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/60036-gaia-data-release-2-virtual-reality-resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recursos VR<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como a Lua orbita a Terra, e a Terra orbita o Sol, as gal\u00e1xias orbitam-se umas \u00e0s outras de acordo com as previs\u00f5es da cosmologia. 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