{"id":2487,"date":"2019-10-15T05:38:22","date_gmt":"2019-10-15T05:38:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2487"},"modified":"2019-10-15T05:38:24","modified_gmt":"2019-10-15T05:38:24","slug":"via-lactea-invade-contas-bancarias-intergalacticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/10\/15\/via-lactea-invade-contas-bancarias-intergalacticas\/","title":{"rendered":"Via L\u00e1ctea invade &#8220;contas banc\u00e1rias&#8221; intergal\u00e1cticas"},"content":{"rendered":"\n<p>A nossa Via L\u00e1ctea \u00e9 uma gal\u00e1xia frugal. As supernovas e os violentos ventos estelares sopram g\u00e1s para fora do disco gal\u00e1ctico, mas esse g\u00e1s cai de volta para a Gal\u00e1xia para formar novas gera\u00e7\u00f5es de estrelas. Num ambicioso esfor\u00e7o para determinar todo este processo de reciclagem, os astr\u00f3nomos ficaram surpresos ao encontrar um excesso de g\u00e1s recebido.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esper\u00e1vamos encontrar um equil\u00edbrio nas &#8216;contas&#8217; da Via L\u00e1ctea, um valor id\u00eantico de entrada e de sa\u00edda de g\u00e1s, mas 10 anos de dados ultravioleta do Hubble mostraram que h\u00e1 mais coisas a entrar do que a sair,&#8221; disse o astr\u00f3nomo Andrew Fox, do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, autor principal do estudo a ser publicado na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p>Fox disse que, por enquanto, a fonte do excesso de g\u00e1s de entrada permanece um mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/0qma1Py.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2488\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/0qma1Py.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/0qma1Py-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/0qma1Py-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra a reciclagem de g\u00e1s da Via L\u00e1ctea acima e por baixo do disco estelar. O Hubble observa as nuvens invis\u00edveis de g\u00e1s que sobem e descem com o seu instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph). A assinatura espectrosc\u00f3pica da luz de quasares de fundo que brilham atrav\u00e9s das nuvens fornece informa\u00e7\u00f5es sobre o seu movimento. A luz do quasar tem um desvio para o vermelho em nuvens que se afastam do plano gal\u00e1ctico, enquanto a luz dos quasares que passa por g\u00e1s que entra parece desviar-se para o azul. Esta diferencia\u00e7\u00e3o permite que o Hubble realize uma auditoria precisa do fluxo de entrada e do fluxo de sa\u00edda do g\u00e1s no halo da Via L\u00e1ctea &#8211; revelando um excesso inesperado e at\u00e9 agora inexplicado de g\u00e1s de entrada.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA e D. Player (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 que o g\u00e1s novo poder\u00e1 estar a vir do meio intergal\u00e1ctico. Mas Fox suspeita que a Via L\u00e1ctea tamb\u00e9m esteja a &#8220;invadir&#8221; as &#8220;contas banc\u00e1rias&#8221; do g\u00e1s das suas pequenas gal\u00e1xias sat\u00e9lites, usando a sua consideravelmente maior for\u00e7a gravitacional para desviar os seus recursos. Al\u00e9m disso, esta investiga\u00e7\u00e3o, embora em toda a Gal\u00e1xia, analisou apenas g\u00e1s frio e o g\u00e1s mais quente tamb\u00e9m poder\u00e1 ter algum papel.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo estudo relata as melhores medi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 agora, da velocidade de entrada e sa\u00edda de g\u00e1s da Via L\u00e1ctea. Antes deste estudo, os astr\u00f3nomos sabiam que as reservas gal\u00e1cticas de g\u00e1s s\u00e3o reabastecidas pelo fluxo de entrada e esgotadas pelo fluxo de sa\u00edda, mas n\u00e3o sabiam as quantidades relativas do g\u00e1s que entra em compara\u00e7\u00e3o com o g\u00e1s que sai. O balan\u00e7o entre estes dois processos \u00e9 importante porque regula a forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es de estrelas e planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos realizaram esta investiga\u00e7\u00e3o recolhendo observa\u00e7\u00f5es de arquivo do COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, que foi instalado no telesc\u00f3pio pelos astronautas em 2009 durante a sua \u00faltima miss\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o. Os investigadores vasculharam os arquivos do Hubble, analisando 200 observa\u00e7\u00f5es ultravioletas do halo difuso que rodeia o disco da nossa Gal\u00e1xia. Os dados ultravioleta ao longo de uma d\u00e9cada forneceram uma vis\u00e3o sem precedentes do fluxo de g\u00e1s na Gal\u00e1xia e permitiram o primeiro invent\u00e1rio a n\u00edvel gal\u00e1ctico. As nuvens de g\u00e1s do halo gal\u00e1ctico s\u00f3 s\u00e3o detet\u00e1veis no ultravioleta e o Hubble \u00e9 especializado em recolher dados detalhados sobre o Universo ultravioleta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As observa\u00e7\u00f5es originais do COS do Hubble foram obtidas para estudar o Universo muito al\u00e9m da nossa Gal\u00e1xia, mas debru\u00e7\u00e1mo-nos sobre eles e analis\u00e1mos o g\u00e1s da Via L\u00e1ctea em primeiro plano. Temos que dar cr\u00e9dito ao arquivo do Hubble, pois podemos usar as mesmas observa\u00e7\u00f5es tanto para o Universo pr\u00f3ximo como para o Universo mais distante. A resolu\u00e7\u00e3o do Hubble permite-nos estudar simultaneamente objetos celestes locais e remotos,&#8221; observou Rongmon Bordoloi, da Universidade Estatal da Carolina do Norte em Raleigh, coautor do artigo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Como as nuvens de g\u00e1s s\u00e3o invis\u00edveis, a equipa de Fox usou luz dos quasares de fundo para detetar estas nuvens e os seus movimentos. Os quasares, os n\u00facleos de gal\u00e1xias ativas alimentadas por buracos negros famintos, brilham como far\u00f3is brilhantes a milhares de milh\u00f5es de anos-luz. Quando a luz do quasar chega \u00e0 Via L\u00e1ctea, passa atrav\u00e9s das nuvens invis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>O g\u00e1s nas nuvens absorve certas frequ\u00eancias da luz, deixando impress\u00f5es digitais reveladoras no espectro do quasar. Fox destacou a impress\u00e3o digital do sil\u00edcio e usou-a para rastrear o g\u00e1s em redor da Via L\u00e1ctea. As nuvens de g\u00e1s de sa\u00edda e de entrada foram distinguidas gra\u00e7as ao efeito Doppler da luz que passava por elas &#8211; as nuvens que se aproximam s\u00e3o mais azuis e as nuvens que se afastam s\u00e3o mais vermelhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a Via L\u00e1ctea \u00e9 a \u00fanica gal\u00e1xia para a qual temos dados suficientes para fornecer uma contabilidade t\u00e3o completa das entradas e sa\u00eddas de g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O estudo da nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia, em detalhe, fornece a base para a compreens\u00e3o de gal\u00e1xias por todo o Universo, e percebemos que a nossa Gal\u00e1xia \u00e9 mais complicada do que imagin\u00e1vamos,&#8221; disse Philipp Richter, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, tamb\u00e9m coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos futuros v\u00e3o explorar a fonte do excedente de g\u00e1s de entrada, bem como se outras gal\u00e1xias grandes se comportam do mesmo modo. Fox observou que agora existem observa\u00e7\u00f5es suficientes pelo COS para realizar uma auditoria da gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda (M31), a gal\u00e1xia grande mais pr\u00f3xima da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2019\/milky-way-raids-intergalactic-bank-accounts-hubble-study-finds\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1909.05561\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/astronomy-mystery-milky-way-galaxy-gas-imbalance.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2019-10\/nsfc-mwr101019.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-10-milky-raids-intergalactic-bank-accounts.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/hubble-sees-our-galaxy-sucking-up-a-mysterious-amount-o-1838981991\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nossa Via L\u00e1ctea \u00e9 uma gal\u00e1xia frugal. As supernovas e os violentos ventos estelares sopram g\u00e1s para fora do disco gal\u00e1ctico, mas esse g\u00e1s cai de volta para a Gal\u00e1xia para formar novas gera\u00e7\u00f5es de estrelas. Num ambicioso esfor\u00e7o para determinar todo este processo de reciclagem, os astr\u00f3nomos ficaram surpresos ao encontrar um excesso &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2488,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,16,1,59],"tags":[150,180],"class_list":["post-2487","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","category-via-lactea","tag-hubble","tag-via-lactea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2487","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2487"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2487\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2489,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2487\/revisions\/2489"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}