{"id":2480,"date":"2019-10-15T05:32:54","date_gmt":"2019-10-15T05:32:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2480"},"modified":"2019-10-15T05:33:23","modified_gmt":"2019-10-15T05:33:23","slug":"revelada-explosao-violenta-no-coracao-de-um-sistema-que-alberga-um-buraco-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/10\/15\/revelada-explosao-violenta-no-coracao-de-um-sistema-que-alberga-um-buraco-negro\/","title":{"rendered":"Revelada explos\u00e3o violenta no cora\u00e7\u00e3o de um sistema que alberga um buraco negro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/hhIF85V-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2481\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/hhIF85V-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/hhIF85V-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/hhIF85V-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o do buraco negro MAXI J1820+070.<br>Cr\u00e9dito: John Paice<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos, liderada pela Universidade de Southampton, usou c\u00e2maras de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o para criar um filme com alta taxa de quadros de um sistema com um buraco negro em crescimento e a um n\u00edvel de detalhe nunca antes visto. No processo, descobriram novas pistas para a compreens\u00e3o dos arredores imediatos destes objetos enigm\u00e1ticos. Os cientistas publicaram o seu trabalho num novo artigo da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p>Os buracos negros podem alimentar-se de uma estrela pr\u00f3xima e criar vastos discos de acre\u00e7\u00e3o de material. Aqui, o efeito da forte gravidade do buraco negro e o pr\u00f3prio campo magn\u00e9tico do material pode emitir n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o em r\u00e1pida mudan\u00e7a do sistema como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta radia\u00e7\u00e3o foi detetada no vis\u00edvel pelo instrumento HiPERCAM acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) em La Palma, Ilhas Can\u00e1rias, e em raios-X pelo observat\u00f3rio NICER da NASA a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O buraco negro estudado tem o nome MAXI J1820+070 e foi descoberto no in\u00edcio de 2018. Fica a apenas 10.000 anos-luz de dist\u00e2ncia, na nossa pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea. Tem uma massa equivalente a mais ou menos 7 s\u00f3is, que colapsou numa regi\u00e3o do espa\u00e7o inferior \u00e0 cidade de Londres.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo destes sistemas geralmente \u00e9 muito dif\u00edcil, pois as suas dist\u00e2ncias tornam-nos demasiado t\u00e9nues e pequenos para serem observados &#8211; nem mesmo com o EHT (Event Horizon Telescope), que recentemente obteve a primeira fotografia do buraco negro no centro da gal\u00e1xia M87. Os instrumentos HiPERCAM e NICER, no entanto, permitem que os investigadores registem &#8220;filmes&#8221; da luz do sistema a mais de 300 fps (&#8220;frames per second&#8221;, quadros por segundo), capturando &#8220;crepita\u00e7\u00f5es&#8221; violentas e &#8220;surtos&#8221; de luz vis\u00edvel e raios-X.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Black hole crackling and flaring violently\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9V-sjuOzVVA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>John Paice, estudante na Universidade de Southampton e do Centro Interuniversit\u00e1rio de Astronomia e Astrof\u00edsica, na \u00cdndia, foi o autor principal do estudo que apresentou estes resultados e tamb\u00e9m o artista que criou o filme. Ele explicou o trabalho da seguinte forma: &#8220;O filme foi feito usando dados reais, mas diminui para 1\/10 da velocidade real para permitir que os surtos mais r\u00e1pidos fossem discernidos pelo olho humano. Podemos ver que o material em redor do buraco negro \u00e9 t\u00e3o brilhante que ofusca a estrela que est\u00e1 a consumir, e as oscila\u00e7\u00f5es mais r\u00e1pidas duram apenas alguns milissegundos &#8211; \u00e9 o &#8216;output&#8217; de mais de cem s\u00f3is emitido num piscar de olhos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m descobriram que quedas nos n\u00edveis de raios-X s\u00e3o acompanhadas por um aumento da luz vis\u00edvel (e vice-versa). E que os flashes mais r\u00e1pidos no vis\u00edvel emergiram uma fra\u00e7\u00e3o de segundo ap\u00f3s os raios-X. Tais padr\u00f5es revelam indiretamente a presen\u00e7a de plasma distinto, material extremamente quente onde os eletr\u00f5es s\u00e3o despojados dos \u00e1tomos, em estruturas profundas no abra\u00e7o da gravidade do buraco negro, de outra forma pequenas demais para serem resolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que isto \u00e9 encontrado; uma diferen\u00e7a de fra\u00e7\u00e3o de segundo entre a luz raios-X e vis\u00edvel j\u00e1 foi observada noutros dois sistemas que hospedam buracos negros, mas nunca com este n\u00edvel de detalhe. Os membros dessa equipa internacional estiveram na vanguarda deste campo ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. O Dr. Poshak Gandhi, igualmente de Southampton, tamb\u00e9m encontrou as mesmas assinaturas tempor\u00e1rias nos dois sistemas anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele comentou acerca da import\u00e2ncia destas descobertas: &#8220;O facto de vermos isto agora em tr\u00eas sistemas refor\u00e7a a ideia de que \u00e9 uma caracter\u00edstica unificadora de tais buracos negros em crescimento. A ser verdade, deve estar a dizer-nos algo fundamental sobre como o fluxo de plasma em torno dos buracos negro opera.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As nossas melhores ideias invocam uma liga\u00e7\u00e3o profunda entre os fluxos de plasma, para dentro e para fora. Mas estas s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas extremas que n\u00e3o podemos replicar nos laborat\u00f3rios da Terra e n\u00e3o entendemos como a natureza gere isto. Estes dados ser\u00e3o cruciais para acertar na teoria correta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.southampton.ac.uk\/news\/2019\/10\/black-hole-flaring.page\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Southampton (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/ras.ac.uk\/news-and-press\/research-highlights\/violent-flaring-revealed-heart-black-hole-system\" target=\"_blank\">\/\/ Sociedade Astron\u00f3mica Real (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnrasl\/article\/doi\/10.1093\/mnrasl\/slz148\/5580586\/\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1910.04174\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GTC (Gran Telescopio Canarias):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gtc.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gran_Telescopio_Canarias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NICER:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/nicer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_Star_Interior_Composition_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/SPECIALS\/Columbus\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA&nbsp;<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/station\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/International_Space_Station\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustra\u00e7\u00e3o do buraco negro MAXI J1820+070.Cr\u00e9dito: John Paice Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos, liderada pela Universidade de Southampton, usou c\u00e2maras de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o para criar um filme com alta taxa de quadros de um sistema com um buraco negro em crescimento e a um n\u00edvel de detalhe nunca antes visto. 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