{"id":2411,"date":"2019-09-20T05:22:15","date_gmt":"2019-09-20T05:22:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2411"},"modified":"2019-09-20T05:29:49","modified_gmt":"2019-09-20T05:29:49","slug":"lenta-aniquilacao-de-exolua-pode-explicar-mudancas-no-brilho-da-estrela-de-tabby-a-estrela-mais-misteriosa-do-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/09\/20\/lenta-aniquilacao-de-exolua-pode-explicar-mudancas-no-brilho-da-estrela-de-tabby-a-estrela-mais-misteriosa-do-universo\/","title":{"rendered":"Lenta aniquila\u00e7\u00e3o de exolua pode explicar mudan\u00e7as no brilho da Estrela de Tabby, a estrela mais misteriosa do Universo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/pia22081-opt.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/NASA-pic-1024x576-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2412\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/NASA-pic-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/NASA-pic-1024x576-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/NASA-pic-1024x576-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra um hipot\u00e9tico anel disforme de poeira em redor de KIC 8462852, tamb\u00e9m conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante anos, os astr\u00f3nomos olharam para o c\u00e9u e especularam sobre o estranho comportamento da Estrela de Tabby. Identificada pela primeira vez h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, a estrela diminui de brilho durante dias ou semanas antes de recuperar a sua luminosidade pr\u00e9via. Ao mesmo tempo, a estrela parece lentamente estar a perder o seu brilho geral, deixando os investigadores a co\u00e7ar a cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, astr\u00f3nomos da Universidade de Columbia pensam que desenvolveram uma explica\u00e7\u00e3o para esta estranheza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num novo artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os astrof\u00edsicos Brian Metzger, Miguel Martinez e Nicholas Stone prop\u00f5em que o escurecimento a longo prazo \u00e9 o resultado de um disco de detritos &#8211; produzido pela fragmenta\u00e7\u00e3o de uma exolua &#8211; que est\u00e1 a acumular-se e a orbitar a estrela, bloqueando a sua luz enquanto o material passa entre a estrela e a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A exolua \u00e9 como um cometa de gelo que est\u00e1 a evaporar-se e a expelir estas rochas para o espa\u00e7o,&#8221; disse Metzger, professor associado de astrof\u00edsica da Universidade de Columbia e investigador principal do estudo. &#8220;Eventualmente, a exolua evaporar\u00e1 completamente, mas levar\u00e1 milh\u00f5es de anos at\u00e9 que seja completamente consumida pela estrela. Temos a sorte de ver este evento de evapora\u00e7\u00e3o a acontecer.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Estrela de Tabby, tamb\u00e9m conhecida como KIC 8462852 ou Estrela de Boyajian, recebeu o nome de Tabetha Boyajian, astrof\u00edsica da Universidade Estatal do Louisiana que descobriu o comportamento invulgar de escurecimento estelar em 2015. Boyajian descobriu que a Estrela de Tabby diminui ocasionalmente de brilho &#8211; \u00e0s vezes apenas 1% e outras vezes at\u00e9 22% &#8211; durante dias ou semanas antes de recuperar o seu brilho. Um ano depois, o astr\u00f3nomo Bradley Schaefer, da mesma universidade, descobriu que o brilho da estrela tamb\u00e9m est\u00e1 a tornar-se mais fraco com o tempo, diminuindo cerca de 14% entre 1890 e 1989.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas de todo o mundo propuseram uma variedade de teorias, variando de tempestades de cometas a &#8220;megaestruturas&#8221; alien\u00edgenas, para explicar as quedas de brilho a curto prazo, mas s\u00f3 recentemente concordaram num culpado mais mundano &#8211; a poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que um exoplaneta \u00e9 destru\u00eddo por fortes intera\u00e7\u00f5es ou colis\u00f5es com a sua estrela-m\u00e3e, explicou Metzger, a exolua em \u00f3rbita do exoplaneta pode tornar-se vulner\u00e1vel \u00e0 atra\u00e7\u00e3o da estrela central do sistema. A for\u00e7a pode ser t\u00e3o grande que a estrela arranca a exolua do seu planeta, fazendo com que colida com a estrela ou seja expulsa do sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, numa pequena percentagem de casos, a estrela rouba a exolua e coloca-a numa nova \u00f3rbita em seu redor. Nesta nova \u00f3rbita, a gelada e empoeirada exolua \u00e9 exposta \u00e0 radia\u00e7\u00e3o da estrela, que rasga as suas camadas exteriores, criando nuvens de poeira que eventualmente s\u00e3o &#8220;sopradas&#8221; pelo sistema. Quando estas nuvens de poeira passam entre a estrela e a Terra, observam-se quedas intermitentes no brilho estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto explica o escurecimento inconsistente a curto prazo da Estrela de Tabby, mas os cientistas tiveram mais dificuldade em explicar a diminui\u00e7\u00e3o geral a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de Columbia sugere que a Estrela de Tabby raptou uma exolua de um planeta vizinho h\u00e1 muito desaparecido e colocou-a em \u00f3rbita de si pr\u00f3pria, onde foi destru\u00edda por uma radia\u00e7\u00e3o estelar mais forte do que a que existia na sua \u00f3rbita anterior. Peda\u00e7os das camadas exteriores empoeiradas de gelo, g\u00e1s e rochas carbon\u00e1ceas t\u00eam sido capazes de suportar a press\u00e3o de explos\u00e3o que ejeta nuvens de poeira com gr\u00e3os mais pequenos, e o material vol\u00e1til maior herdou a nova \u00f3rbita da exolua em torno da Estrela de Tabby, onde formou um disco que bloqueia persistentemente a luz da estrela. A opacidade do disco pode mudar lentamente, \u00e0 medida que nuvens de gr\u00e3os menores passam e part\u00edculas maiores presas em \u00f3rbita se movem do disco em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Estrela de Tabby, eventualmente ficando t\u00e3o quentes que derretem e caem na superf\u00edcie da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u00faltima an\u00e1lise os astrof\u00edsicos sugerem que, ap\u00f3s milh\u00f5es de anos, a exolua em torno da Estrela de Tabby evaporar\u00e1 completamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Martinez disse que o modelo da equipa \u00e9 \u00fanico na sua hip\u00f3tese do que leva o planeta original at\u00e9 \u00e0 estrela. &#8220;Naturalmente, resulta em que as exoluas \u00f3rf\u00e3s acabem em \u00f3rbitas (altamente exc\u00eantricas) com exatamente as propriedades que as investiga\u00e7\u00f5es anteriores mostraram serem necess\u00e1rias para explicar a diminui\u00e7\u00e3o de brilho da Estrela de Tabby. Nenhum outro modelo anterior foi capaz de juntar todas estas pe\u00e7as.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem outros sistemas estelares que demonstram quedas invulgares de brilho, acrescentou Martinez, e podem haver outras explica\u00e7\u00f5es para o fluxo que sejam igualmente atraentes. A Estrela de Tabby \u00e9 invulgar porque \u00e9 muito semelhante ao Sol, mas exibe um comportamento drasticamente diferente. \u00c9 \u00fanica entre um milh\u00e3o de estrelas observadas pelo Kepler, mas h\u00e1 muitos milh\u00f5es de vezes mais estrelas no Universo que ainda precisam de ser observadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desafio agora \u00e9 encontrar outras estrelas como a Estrela de Tabby, que sequestraram exoluas e ainda n\u00e3o terminaram de aniquil\u00e1-las. Se a explica\u00e7\u00e3o da equipa estiver correta, disse Metzger, indica que as luas s\u00e3o uma caracter\u00edstica comum dos sistemas exoplanet\u00e1rios, fornecendo assim uma maneira de estudar a exist\u00eancia de exoluas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s na realidade n\u00e3o temos nenhuma evid\u00eancia s\u00f3lida da exist\u00eancia de exoluas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar, mas uma lua destru\u00edda pela sua estrela hospedeira n\u00e3o pode ser t\u00e3o invulgar,&#8221; disse. &#8220;Isto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o para a amplia\u00e7\u00e3o do nosso conhecimento dos acontecimentos ex\u00f3ticos noutros sistemas solares que n\u00e3o ter\u00edamos conhecido h\u00e1 20 ou 30 anos atr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/science.fas.columbia.edu\/news\/tabbys-star-exomoons-slow-annihilation-could-explain-the-dimming-of-the-most-mysterious-star-in-the-universe\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Columbia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/mnras\/stz2464\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/09\/190916114028.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-09-dimming-tabby-star.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/oprhaned-exomoon-alien-megastructure-star-1459637\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/wild-new-theory-blames-a-disintegrating-moon-for-star-s-1838183353\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrela de Tabby:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/KIC_8462852\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/kepler.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA (p\u00e1gina oficial)<\/a><br><a href=\"http:\/\/keplerscience.arc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2 (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/kepler\/\">Arquivo de dados do Kepler<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/k2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados da miss\u00e3o K2<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta ilustra\u00e7\u00e3o mostra um hipot\u00e9tico anel disforme de poeira em redor de KIC 8462852, tamb\u00e9m conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby.Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech Durante anos, os astr\u00f3nomos olharam para o c\u00e9u e especularam sobre o estranho comportamento da Estrela de Tabby. 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